Intensidade

Intensidade

Outro dia um pesquisador lançou a idéia de que as palavras, figurativamente, competiam uma com as outras para não serem esquecidas ou obterem maior evidência e uso. Meu voto para a palavra que mais deveria estar em evidência é: Intensidade.

A intensidade se esconde atrás de um fato comum, ela é dependente de algo que existia anteriormente… “Puxa que chuvarada! Parece até chuva de verão…” a intensidade estava ali escondida, totalmente anômala para aquela época do ano, mas como era igual a uma chuva de verão, passa de fininho. Na imagem que trago acima é mostrada a onda de calor que se abateu sobre os EUA na semana retrasada, bateu alguns recordes para essa época do ano e não atingiu estados que normalmente já são muito quentes, não acontecendo uma tragédia proporcional, a coisa se passa em estados que ainda são frios nessa época do ano.

O que falo não é novidade, os cientistas que defendem a tese do aquecimento global, hoje uma maioria – praticamente só há discordâncias em relação as causas – já declaram que os primeiros sintomas do aquecimento global seria em relação a intensidade dos fenômenos climáticos. Mas, acredito estar sendo mais temerário do que original em sugerir que a intensidade não está restrita aos fenômenos climáticos, está atacando em todos os lados da natureza percebível e até nos abstratos oriundos dos humores humanos. A princípio, para chegar a essa conclusão, tenho que fazer uma exegese da minha subjetividade de observador… Estou ficando mais velho e os objetos estão ficando mais pesados, não tenho a mesma força física que tinha antes, logo posso estar achando as coisas mais intensas… Outro dia, andando a pé, me distraí de uma forma tão intensa, como nunca aconteceu antes em minha vida de distraído profissional (portanto eu sei o que é uma distração) que acabei me perdendo pensando estar indo para um lado quando na verdade estava indo para outro… Preocupado com o tal de Alzheimer em meio a hipocondria que se alastrou pela sociedade e pela coincidência de ter tido uma empregada chamada Alzemir, não sosseguei enquanto não fui no Google Maps para ver onde e como eu errei o caminho… Acabei descobrindo ao menos que os lugares que eu andei existem (confirmado graças ao Street View da Google), eu não tive um apagão sonhador (eu sei o que é loucura barra pesada, eu tive juventude…), não entrei em outra dimensão temporal, nem fui abduzido por uns tempos e depois me retornaram no lugar errado (ETs podem errar também, vai saber…)… O que eu descobri é que exatamente no ponto onde minha bússola falhou de forma absurda há uma estação elétrica da companhia local de fornecimento de energia, a FPL que tem um pequeno reator nuclear a poucas milhas daquele ponto de Miami… Bom, na verdade, para todos os efeitos práticos foi uma distração muito intensa, como intensa também foi a experiência de após talvez uns 20 anos pedir informação a alguém no meio da rua… Outro exemplo sujeito a subjetividade, é em relação a minha impressão de que as gripes estão cada vez mais fortes e freqüentes… Com catarros absolutamente aderentes depois de secos… Dá para industrializar… Desculpem… Pode não ser o clima mais quente que facilita a proliferação de supervírus ou bactérias, pode ser o meu corpo mais vulnerável depois de tantos antibióticos (a única coisa que de fato cura… quando cura), mas eu vejo os mais jovens também contraírem mais gripes e até terem problemas de coluna que os jovens de antigamente não tinham… Estou vendo mais intensidade em todos os lados… Olhem para trás nos últimos 4 anos quantos terremotos terríveis… Ah mas já houveram tantos… Mas assim juntos? A crise econômica… quantas não houveram antes… mas essa exige que conquistas sociais tenham que ser abdicadas… quem poderia imaginar… Líderes políticos e ditadores já haviam sido mortos ou presos durante revoluções e revoltas… Saddan foi achado barbudo dentro de um buraco… Mas… linchado como foi Kadafi?! E a corrupção no Brasil?  Poderia ainda espantar alguém? Mas espanta cada vez mais…

A intensidade tem sido avassaladora e poucos se dão conta porque, como disse, a intensidade se esconde em fatos que já ocorreram antes e as pessoas tendem a não se dar conta do grau das duas formas em que ela se manifesta sorrateira mas sentida:

a) Na frequência, repetição ou quantidade

b) Na qualidade, na maior concentração ou em sua gravidade, nas consequências.

Talvez eu esteja escrevendo de um ponto errado, em um momento de relativa calmaria em função de uma tentativa midiática de deixar as coisas calmas, pois é necessário passar a ideia de que as coisas estão melhorando, temos eleições em vários pontos chaves do planeta e isso concorre também com a teoria comportamental do mar de merda, onde todo mundo com a “coisa” no pescoço, quase na boca, intuitivamente fica quietinho para não fazer incomodas marolinhas… Ainda explicando a calmaria, temos os salva-vidas que alertam sempre que o pânico (ficar se debatendo) é pior do quê o afogamento em si, se você ficar quietinho ninguém te vê afogando, você morre e não enche o saco do salva-vidas que inventou essa teoria (na verdade ele só quer um pretexto para dar uma boa porrada no idiota que se aventurou no mar sem saber flutuar)… E, sim, claro, o raio dos economistas com aquela conversa fiada de geração de expectativa… Se todos os investidores se apavorarem com as más notícias, todos correm para vender suas ações e todos saem perdendo, ficando a culpa para cima de quem quis alertar que um sistema que depende da anulação da observação e de alertas está errado por princípio.

Mas também, por outro lado, esse é o momento certo, mesmo considerando que desde que comecei a escrever esse texto poucos dias atrás um terrível tornado arrasou uma cidadezinha no Texas (que não tem tradição disso), uma terrível tempestade matou não seu quantos na Argentina (que também tem tradição disso)… Enfim, tudo o que eu não quero é passar por um profeta regular, aquele que fala de suas previsões depois dos fatos ocorridos… Mas, péra aí… Será que eu sou charlatão? Lembrem-se que eu falei da bolha brasileira a dois anos atrás… ainda estão na fase de se endividarem até as raízes do cabelo, setor público, privado, misto… Dona Inadimplência só aparece na janela de vez em quando… mas quando vê os secretas de Sofia subornando os Institutos de pesquisa,  a impune corja aliada se preparando para abocanhar prefeituras com ou sem obra de Copa (que vale mais), aí ela volta para dentro correndo e liga para o gerente do banco para ver se consegue mais um empréstimo “aMantegado”… Para conter sua impaciência Dona Inadimplência conjuga o verbo da moda… Eu ufano, tu ufanas, ele ufana… enquanto afana… oops…

Por último, gostaria de alertar sobre um ponto do pensamento humano – sim, até nisso – onde verifiquei com minhas observações que está havendo a presença de intensidade anômala: Na certeza. Portanto, se você ficar com muita certeza que eu estou errado ou certo (a intensidade corta dos dois lados) no fenômeno que aponto, desconfie da intensidade dessa certeza… Mas cuidado, vai que a intensidade bata na sua incerteza, você fica parado em cima do muro…

P.S.: Por que eu não usei o GPS do meu “smart phone” pela primeira vez (detesto essas telas de toque, eu quero um mouse, teclas e botões para viver… que experiência frustrante…) quando me vi perdido? Claro, por que só me lembrei disso agora no final desse texto… De qualquer forma, usei algo que sempre funcionou para todos os gagás, a boca que vai a Roma, aliás estou sendo atual, os smart phones mais modernos melhoraram o já antigo reconhecimento de voz e lhe respondem de forma inacreditável… mas eu duvido que falem melhor que o entregador de pizza que me indicou o caminho de volta… pelo menos ainda.

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
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