Blog Teorias Entrevista o Anônimo Capitão Binary Load (Capt. Bload)

Os piratas do Caribe nos livraram de ver a Inquisição instalada na Espanha se capitalizar de uma forma inimaginável, com consequências terríveis para a evolução da humanidade. Entrevistamos nessa matéria um representante moderno desta secular saga.

Capitão, em meio a essa crise internacional onde já se questiona os próprios fundamentos dos sistemas sócio-econômicos inventados até aqui pela humanidade, somos surpreendidos por diversas tentativas, tanto nos EUA (SOPA e PIPA) quanto na Europa (ACTA) de aumentar os controles dos governos sobre as atividades da Internet. O que o senhor acha disso?

Trata-se de mais uma prova da existência de uma plutocracia globalizada. Essa plutocracia herdeira do governo dos mais fortes fisicamente, dos diversos esquema monárquicos e imperiais e hoje encarapuçados atrás de grandes corporações transacionais aproveita-se de uma crise financeira do absurdo sistema que criaram para, de forma descarada, usar seus empregados e lacaios postos em todos os governos ditos democráticos para passar leis que os pretejam. É como se disséssemos que a propina com que subornam esses miseráveis que ganham a vida enganado a opinião pública ficasse mais em conta. Nossa sorte é que se trata de um segmento plutocrata sem muita importância ou poder político, ou melhor, nesse momento existe mais dinheiro do lado da Internet livre, novas formas econômicas se sobrepuseram aos antigos modelos de faturamento, muito embora estejam tentando defender pilares importantes do sistema que implantaram… O 1% plutocrata vive de mitos implantado na cabeça das pessoas como se fossem valores de fundo religioso, aliás, muitas vezes se confundem com os mesmos.

O senhor se refere a noção de propriedade intelectual?

Sim… Isso tudo por conta dessa invenção que nunca foi debatida de forma aberta. Não fossem tão ineficientes e também só interessados nas benesses do poder os regimes ditos socialistas que houveram teriam promovido grandes debates onde desnudariam os mitos recorrentes do sistema que teoricamente condenariam. Até meados do século IVX a humanidade viveu muito bem obrigado sem “proteções” legais a produção intelectual, que na verdade é um mero reflexo de uma produção coletiva, a cultura onde o indivíduo foi criado… Seria então o caso de todos pagarem um royalty a coletividade por pensarem com dados fornecidos por esta… Quem sabe esse não seria o único imposto de retorno garantido? Na verdade, o problema todo nasce por parte daqueles que não conseguem produzir bem intelectual de qualidade que possa ser remunerado… os intermediários de sempre… A reclamação maior, junto com a burra ganância, vem de oligopólios corporativos, editores, distribuidores, empresários, agentes, marchands, usurpadores e cafetões em geral que exploram quem de fato burila de forma inteligente e criativa os dados que adquire da sociedade que o cerca e captura e edita a luz fornecida pelo Sol, que ainda é e sempre será de todos, tentem o contrário ou não…

Mas esses intermediários são responsáveis pela divulgação em larga escala dos bens culturais para um maior número de pessoas, aumentando assim o acervo a disposição de mais criações intelectuais. Na medida que podem provar sua utilidade não estariam aptos a tentarem legitimamente defender o mecanismo econômico que lhes possibilita a nobre tarefa?

Estão defendendo um modelo de faturamento que só pode ser obtido através da violação de comportamentos naturais do ser humano… Isso chega as raias do místico. Querem nos envolver numa esfera de crenças falsas para defender seu farto ganha pão. O modelo que pretendem dar longevidade foi imposto de cima para e houveram teriam promovido grandes debates onde desnudariamOs argumentos a favor da existência da propriedade intelectual são aparentemente indestrutíveis e tem por base a vontade que todos nós temos de pagarmos nossa cota social com o produtos graciosos e etéreos de nossa individualidade intelectual e criativa… Um sonho de independência desse sistema de merda que foi muito eficiente em maquiar a escravatura e a servidão com empregos sem os quais, na urbanidade, não sobrevivemos. Mas, é falácia afirmar que sem o incentivo pecuniário não produziríamos pensamentos, filosofias, artes em geral e mesmo ciência e tecnologia. Só dou um exemplo: Darwin, autor do livro mais importante produzido até hoje sob o ponto de vista quântico (e reparem que a relatividade é sempre presente também) da racionalidade humana… Esse epistemológico autor nasceu em berço de ouro, seu pai era rico toda vida… Darwin nunca teve que ter um empreguinho burguês para viver com todo o conforto de um homem de posses. O que incentivou Darwin? A morte prematura de sua filha preferida (ele tinha uma penca de filhos…) que o fez ficar mais irritado ainda com aquele mundo que idolatrava um ser inexistente? Ele escreveu seu livro contendo sua descoberta durante dezenas de anos, era praticamente um hobby… Teria sido a vaidade? Quando viu que o pobretão do Wallace, com quem trocava cartas descobrira a mesma coisa e acabaria sendo o primeiro a escrever o livro? Temor de ver sua grande sacada perder-se quando ele se fosse… amor a ciência? Ele tinha plena consciência do que teria que enfrentar na sociedade em que vivia… Era meio gago! Devia ser tímido. Imaginem um gago defendendo a idéia de um possível Adão macaco! Não sei se recebeu direitos autorais por seu livro que, por sinal, teve inúmeras edições revisadas por ele… Seu enfrentamento com o mundo da época foi suavizado pelo fato de interessar ao Império Britânico tocar a sua Revolução Industrial sem os entraves místicos que vinham do continente europeu, sua relativização da influência cultural da igreja romana estava dando mais certo do que nunca, a ciência combinava com as novas tecnologias que surgiam na Revolução Industrial a qual lideravam bem a frente, era necessário uma explicação melhor ou alternativa ao clássico “por que deus quis…”, aquele deus era melhor manipulado por outros do que por sua igreja “anglicanamente” dissidente, de sua cópia pirata.

Mas não seria justo que os produtores de bens intelectuais, sejam quais tenham sido suas motivações, tenham direito a uma remuneração por sua produção? Mesmo considerando-se que as produções intelectuais não deixariam de existir sem a existência de uma remuneração, seria errado supormos que a qualidade das mesmas cairia em função dos custos de uma produção mais sofisticada? ia de uma remunerair sem a existoduns intelectuais  

Platão não recebeu direitos autorais alguns. Mateus, Lucas e João, literalmente, plagiaram descaradamente Marcos e ninguém nunca lembrou disso! Os grandes compositores clássicos nunca viram ou souberam o que significava direitos autorais… e todos viveram de suas habilidades intelectuais… e não é de nossa conta se eles ficaram satisfeitos ou não com o que receberam (diante a curtição de tanta criação eu acho que não estavam nem aí, já tinham a glória de viver do que gostavam de fazer, uma das maiores loterias que uma pessoa pode ganhar na vida), a opção foi deles. O fato é que no atual modelo que definha os intermediários ganham mais do que os produtores de bens intelectuais. Basta pegarmos o exemplo do autores literários que ganham apenas 10% do preço de venda de seus livros.  Com a computação e a Internet sendo parte da vida da maioria das pessoas que consomem bens culturais a necessidade dos intermediários praticamente extinguiu-se… Não é mais necessário imensos parques gráficos, a produção de uma quantidade enorme de papel, depletação da natureza, onerosos estúdios de áudio e vídeo, equipamentos caríssimos, laboratórios de revelação, etc. para que milhões de pessoas possam consumir um bem intelectual, como essa entrevista por exemplo. Ora se há um barateamento de telas e pinceis mais quadros serão pintados, essa é a lógica que deve imperar. Estamos sentados em uma mesa de negociação com lobos famintos que perderam parte de seu  gorduroso ganha pão, quem lhes quebrou a pena não fomos nós  potenciais produtores de bens intelectuais de transformação ou consumidores em geral, foram seus companheiros de ganância, que agora estão lhes apoiando por sofrerem medo das profundas reformas e transformações que terão que vir mais cedo ou mais tarde para salvar essa civilização que no momento encontra-se condenada.

Que outras transformações além de uma revisão do conceito de propriedade intelectual?

Os tais direitos de propriedade intelectual ganham momento quando pegam carona na ideia das patentes que surgem igualmente, de forma organizada internacionalmente, no  século IXV… Uma imposição dos  países líderes da Revolução Industrial e suas respectivas plutocracias, que viram aí uma excelente defesa de sua supremacia e vantagem sobre outros países e suas colônias… Já no século seguinte, Edison, o gênio da lâmpada, foi o primeiro exemplo do que isso acaba dando, do instrumento de tirania que se esconde atrás da inocente ideia de se remunerar pesquisas e ideias criativas… Inventou a cadeira elétrica (mesmo sendo podre de rico) para provar que a corrente alternada (da qual não detinha nenhuma patente), ao contrário da corrente contínua (onde detinha algumas na transmissão e aproveitamento) nos lares seria muito perigoso… Conhecido hiperativo (os tais workholics assim o são, como os chatos em geral…) e usurário, queria eletrificar o país com corrente contínua, mesmo sabendo que seria muito caro e demorado, atrasando o progresso para uma maior número de pessoas… Outras ganâncias o derrubaram de sua pretensão… Sempre estamos sendo salvos pela guerra dos que se acham poderosos e de bandidos lutando por partilhas maiores do fruto da rapina que realizaram. Uma ganância desmedida que bem podemos observar quando os laboratórios e alguns governos em sua defesa tentam impedir que, pela Internet, compre-se remédios de outros países onde esses saem bem mais em conta… Como podem se atrever a exigir ou pretender que seus cidadãos deixem de obter remédios mais baratos?! Que despudorada moral é essa que tenta impedir que alguém busque alivio e salvação da maneira mais fácil que conseguir?! Ter ou não ter dinheiro para comprar um remédio pode significar a vida de uma pessoa! Estaremos ainda na arquibancada do Coliseu… assistindo a nós mesmos na arena sendo perseguidos por leões? E quando se trata de epidemias como a AIDs?! Governos devem respeitar patentes que inviabilizam o tratamento, mesmo tendo como fabricar os remédios por conta própria? Aqui pegamos a coisa…Se podem e continuam vendendo em países onde não ganham tanto, como no Canadá e outros que reagem a altura (a Itália por muito tempo não aceitava patentes sobre medicamentos, não sei agora…) flagramos o fato que se comportam com remédios da mesma forma como se comportariam com bananas em uma feira livre… e a comunidade internacional aceita isso naturalmente, mesmo quando seria de interesse internacional que tivessem um comportamento de respeito a esse interesse que é, teoricamente, mais poderoso do que eles… Seriam os líderes dessa comunidade internacional venais? É ingênuo questionar isso? Não devemos fazer uma resistência a esses abusos que agridem o senso comum das pessoas? Se não houvesse o sistema de patentes  fabricariam e pesquisariam do mesmo jeito, ganhava mais quem vendesse a inovação na frente… e isso funcionou para toda essa indústria que prosperou na franja asiática, incluindo aí Japão e China… que, ao menos, por longos períodos  pouco respeitaram patentes e ficou por isso mesmo… Não houve atraso tecno-científico algum por conta disso, e ainda passaram a produzir e inovar por conta própria. Se uns podem, todos podem. Aposto todas as fichas que haveria mais ciência e tecnologia se não fossem as patentes, haveria um hiperdimensionamento de todos os setores produtivos… Patentes estão impedindo a concorrência e o progresso. Uma invenção que se utiliza em parte de uma patente de uma empresa concorrente que não quer ceder a patente ou quer cobrar muito por seu uso é impedida de lançar a sua inovação… Se duas empresas pesquisam na mesma direção uma determinada inovação, na maioria das vezes a que tiver mais capital chegará primeiro a patente e a um monopólio de mais de 20 anos em alguns casos, fazendo que a outra empresa perca todo o dinheiro investido (e quantas não deixam de iniciar a pesquisa por conta dessa possibilidade?)… Um mundo onde vale a prevalência do capital e aos demais é dada uma loteria a título de oportunidade. Estamos arriscados, por exemplo, que companhias de petróleo descubram ou comprem um substituto para a nociva substância com que trabalham e segurem essa descoberta – por intermédio de patentes – até o ponto que acreditem lhes seja conveniente ou não lhes interfira em sua atual estrutura de lucratividade. Por conta de uma ganância dessa natureza poderemos adquirir uma irreversibilidade de danos à atmosfera… Ganância e patentes podem assim acabar com o mundo… e nosso senso de moral cultural é orientado a achar que eles tem o direito de assim procederem… nos restando a tal loteria…

Muitos falam de uma meritocracia… O que o senhor pensa a respeito?

Bill Gates comprou o DOS por 80.000 dólares, sua idéia inicial era ter um sistema operacional que servisse para o interpretador de linguagem BASIC que desenvolvia na ocasião junto com seus outros dois sócios. Queria apenas vender o pacote inteiro… Considerando-se a época, onde haviam dezenas de sistemas operacionais a disposição – todos eles de função muito parecida – e a fraca penetração domésticas dos microcomputadores, tratava-se de uma idéia modesta ou não muito ambiciosa, sem grandes inovações… A IBM buscava um sistema operacional para o microcomputador que estava fabricando porque achava que deveria dar uma opção as suas famosas máquinas de escrever que dominavam o mercado… e até por uma questão de status industrial já que liderava a computação de grande porte por muitos anos… Seus executivos marcaram um encontro com  um conhecido executivo de uma poderosa softhouse da época que possuía um sistema operacional a venda e quando lá chegaram, o dito cujo não apareceu porque fora pilotar seu avião particular de recreação… Souberam então da iniciante Microsoft  e propuseram o acordo de pré-instalarem tanto o DOS como o BASIC da empresa em todos os seus PCs… Para uma firma iniciante, uma verdadeira loteria… Todavia, a sorte não foi só essa… A IBM, até por força de sua imensa tecnologia e vastos recursos, estava também inovando a arquitetura das placas-mães e utilizando um novo processador de outra companhia que ainda engatinhava, a Intel… e, por descaso de seus diretores e funcionários, esqueceu-se de patentear a nova arquitetura… Foi então copiada por todos os existentes e futuros fabricantes de microcomputadores… Como o único sistema operacional já adaptado para trabalhar com as instruções da Intel era o DOS da Microsoft… Esse sistema tornou-se praticamente universal, fora do mundo restrito dos caros micros da Apple… E depois disso a Microsoft ainda teve uma histórica briga de anos com a Apple (que só se recuperou, anos depois, ao fabricar gadgets MP3, aproveitando-se do mercado formado pelos downloads tidos como ilegais… essa que é a verdade…) pelo fato da primeira ter se aproveitado da ideia da interface gráfica introduzida pela última… Mesmo tendo sido pirateadontroduzida pela r se aproveitado da ideia da interface graticamente universal, fora do mundo restrito dos caros micros daacas-mando a arquitetura da ando a sorte nssuia um sistema operacional a venda em todo o mundo Gates se tornou em determinado momento o homem mais rico do planeta e hoje é o segundo mais rico porque foi tratar de fazer filantropia… Reconhece plenamente a sorte que teve, nesse ponto é bastante sensato. Como seu mérito de nada valeria caso não tivesse sorte… Nosso mérito primordial foi ter nadado mais rápido quando éramos apenas um espermatozóide e mesmo assim esse mérito era de “outro” que deixamos de ser quando nos unimos ao óvulo de nossas mães… Okay, um mérito parcial, o verdadeiro… O resto é um compendio de acasos, deveríamos estar preocupados é com a construção de uma sociedade que equalizasse esses acasos randômicos, uma sociedade mais lógica e racional do interesse da maioria, mais preocupado com quem não não ganhasse a loteria de acasos. bsse esses acab com contratos particulares entre eles….motivadas a produzir Será que é o caso de falarmos de meritocracia para só nos preocuparmos com os sortudos? Se ao invés de 60 bi tivesse 60 mi, faria alguma diferença para Gates? Pergunto isso porque o desmiolado sonho lotérico das pessoas que sonham em ficar ricas é o que no fundo permite essas transloucadas estruturas legais e civilizatórias. Eles convencem as pessoas que suas chances são muito além das chances reais. Todos querem se enganar, haja visto o próprio fenômeno religioso.

Seria possível o senhor falar mais dessas “transloucadas estruturas legais”?

Ainda no mundo analógico, com as fotocopiadoras e gravadores magnéticos essa gente já começou a se assanhar… causando loucuras legais e jurídicas… Caramba, se eu paguei pelo livro, se ele está na biblioteca pública para ser lido por quem quiser… porque eu não posso fotocopiá-lo? Na verdade estariam dizendo que eu não posso emprestá-lo, o que nos remete a um ridículo maior ainda… fotocopiá-lo as escondidas… nos habituando em quebrar leis absurdas, a nosso critério individual… A música toca no radio e eu não posso gravá-la e reproduzí-la em uma festa?! Que diabos de mundo é esse cheio de donos do ar?! Por que não prenderam o fabricante dos gravadores então? Bom… fico supondo que eles não tem poder para isso, porque tem um cachorro grande do outro lado dessa cerca… Só lhes resta vir para cima da gente subornando a canalha da representatividade pública e que às vezes é considerada “democrática”… Mas, o que pagava a estação de rádio, que, apesar de conivente da exploração do ar onde se propagam as ondas sonoras, pagava direitos autorais pelas músicas que tocava? Publicidade… Hummm sei… Voltarei a isso mais adiante se tiver oportunidade… Entretanto, tenho que lembrar que o ridículo da lei alcançou até botequins que tinham alguma música tocando… mesmo que fosse um radinho de pilha vagabundo ligado no fundo do estabelecimento… Será que aquelas musiquinhas de elevador ou de espera telefônica também teriam que pagar? Claro que a maioria nunca pagou nada, como tantas outras leis fajutas e financiadas por grupos econômicos específicos, não foram respeitadas quando possível. O grande malefício no entanto é a noção autoritária de que o estado trabalha para quem paga menos, porque nós pagamos muito mais ao estado do que gravadoras musicais… Temos aí o finger print de ladrões que se disfarçam de legisladores, o que faz aumentar a nossa sensação de impotência… Aí veio o mundo digital… Por que venderam leitores de disquetes capazes de gravar em todas as trilhas? Bastaria só os produtores de software terem acesso a gravação da ultima trilha que a cabeça de leitura do mercado doméstico poderia ler mas não gravar… Absolutamente factível a partir de um firmware inatingível para a maioria dos usuários… Seria penoso explicar agora os detalhes técnicos da pergunta que fiz, o importante é que as pessoas saibam que a pirataria de programas de computador, em seu início (hoje nada disso faz mais sentido tecnológico claro está), teria sido possível evitar… Eles não são competentes, não são unidos, mas querem nos pedir sempre o impossível, algo como deixar de comprar remédios mais baratos ou gravar a música que queremos escutar varias vezes seguidas ou compartilhar. A etérea propriedade intelectual que o estado, através de um autarquia ou cartório qualquer, lhes concede usurpando emprestado nossos olhos e ouvidos (pois são nossos sentidos que faz a tal propriedade intelectual ter algum valor) sem que sejamos formalmente consultados…

Houve um tempo que a Microsoft vendia o DOS e depois o WIndows no Brasil por US$ 300.00 enquanto nos EUA por US$ 100.00… Impostos para pagar o inchaço do serviço público com apadrinhados? Sim. Explicaria em parte… mas falamos de um bem imaterial, não existem muitos custos de insumos físicos associados a sua produção em massa…poderiam compensar imaginando o menor poder aquisitivo das companhias brasileiras (o particular sempre pirateou), venderiam muito mais…Burrice? Talvez… Vontade de ser pirateado? Parece.

No caso do software é quase que uma unanimidade que existe um esforço de desenvolvimento que merece ou tem que ser remunerado para que as pessoas se vejam motivadas a continuar produzindo-os. Inclusive muitos são verdadeiras ferramentas de trabalho os quais necessitam atualização constante… O senhor defende que não haja um proteção para sua comercialização?

Sua afirmação é uma meia verdade e basta ligar a Internet para verificarmos que 95% do que as pessoas necessitam usar em termos de software já é ofertado gratuitamente. Os grandes desenvolvedores de software ganham mais dinheiro com o mundo corporativo do que com o mundo doméstico. O grosso da renda da Microsoft, por exemplo, vem do licenciamento do Windows para fabricantes de PC… Como esses softwares todos dependem de atualizações, poderiam manter praticamente o mesmo esquema com contratos particulares entre eles… Mas vejamos outras alternativas… Os ad-ons, esses pequenos programas que podem ser executados nos smartphones são dados de graça em troca do usuário se sujeitar a uma propaganda ocasional ou na abertura do programa… Para serem confeccionados dão o mesmo trabalho que o software de antigamente. Quem tiver um bom programa desses alavancará para o almejado ócio da desobrigação de trabalhar para sempre. Por que essa fórmula nunca foi usada antes nos programas convencionais para computadores? Por que até hoje não há um anti-vírus ou um firewall que seja distribuído gratuitamente trazendo em seu splash screen uma marca qualquer? Preferem dar uma instalação chantagista que depois do período de alguns dias ficará pedindo que o usuário pague alguma coisa… Como se trata de um pseudo protetor muitos ficam intimidados… Essa falta de esperteza comercial, além de bandida é burra. Se querem cobrar por seus softwares tem que se contentarem com as proteções técnicas que conseguirem (e hoje elas são imensas) e entenderem que a melhor proteção são preços baixos… Mas preferiram se valer da lógica venal e espoliativa do sistema, pagarem legisladores para criar leis as quais a maioria não respeitaria e isso danifica as outras leis que são racionais e devem ser fiscalizadas.

As produtoras musicais já vendem a preços baixos suas músicas ofertadas online, sem o tradicional meio físico. No entanto ainda reclamam de violações.

Então veio o MP3 junto com o download pela internet e os caras piraram (até hoje…) de vez, mesmo tendo encontrado formas alternativas de faturamento (iTunes da vida) reconhecendo que o modelo anterior (por acaso, poluição a parte, houve algum malefício para humanidade que os fabricantes de locomotivas de vapor d’água perdessem seu respectivo mercado quando inventaram os motores a combustão? Não.) havia fracassado? Contudo, ainda possuem força para subornar legisladores e “ortoridades” mundo afora… Se eu colocar uma música qualquer no background de uma produção de vídeo caseira e fazer o upload para o YouTube um sistema identificará a música e me avisará que estarei sujeito a ter que retirar a coisa do ar… Como eu disse… piraram… perderam a noção… Não se incomodam mais em serem identificados como mesquinhos…

Tudo indica que as produtoras musicais encontraram agora um aliado de peso em Hollywood com o aumento da oferta de downloads de produções cinematográficas.

Chegando já em nossos dias o problema agora são os filmes… Mas me digam, quem é que vai perder tempo de ficar baixando filmes quando eles estão sendo dados praticamente de graça por diversos tipos de mídia diferente? Ah okay, querem explorar os mercadinhos do terceiro mundo onde a maioria das crianças não possui um Playsation ligado na Internet… O DOS a trezentos dólares novamente… Mas não é isso… Os melhores filmes da minha vida eu vi na TV preto-e-branco na minha tenra infância… Não que o Rin-Tin-Tin (o toque de ataque da cavalaria americana ecoa em minha cachola até hoje… pqp… e só recentemente passei a sentir pena dos índios…) fosse um grande enlatado… Sabores e coloridos da infância fazem qualquer porcaria parecer uma maravilha, ou melhor, a maravilha é a novidade… e tudo é novo para uma criança, logo… O que pagava o meu Rin-Tin-Tin? Publicidade (muitas vezes feita ao vivo, já que o video-tape veio depois…). Não temos que nos preocupar com a qualidade artística que supostamente cairia ou definharia por falta de incentivo financeiro… Ir ao cinema ver o filme comendo pipoca é insubstituível como passeio ou atração, as bilheterias pagam toda e qualquer produção milionária, qualquer automóvel que apareça nas mãos do 007 vai vender muito e isso é publicidade que paga a produção… Até peças teatrais que são irreproduzíveis em sua oferta 4D obtém patrocínio… Venda de DVDs, televisão via satélite ou pelo cabo, tudo que alegam ser afetado pela pirataria podem e são pagas pela publicidade, exatamente como era na minha infância ou é na TV aberta… Por outro lado, com a atual tecnologia computadorizada as produções caíram muito de preço… O que anunciam ter gasto nas produções é também propaganda mentirosa e visa criar atratividade, o que sai caro é promover, mas acaba sendo proporcional, até porque a Internet e, especificamente, o Google, que também vive de publicidade, oferece meios gratuitos de publicidade, como o YouTube… Tudo pode ser pago ou amortizado com publicidade, o problema é a ganância dessa gente e a qualidade dos homens públicos de todo o mundo que, está na cara, buscam a vida dita pública com segundas intenções, só não vê isso quem não quer… as exceções são raras e me sinto um otimista por admiti-las sem prova alguma de sua existência.

Temos homens públicos falando em defesa de empregos das indústrias afetadas…

O pior pretexto é a história dos empregos que essas indústrias de bens culturais estariam deixando de criar em função da pirataria… Basta um exemplo: Artistas musicais ao não venderem mais CDs como antigamente (e muitos ganhavam tanto que até deixaram de compor…) se viram obrigados a fazer mais shows, onde muitos músicos são empregados, assim como todos aqueles que trabalham na montagem da coisa… Tenho certeza que esse movimento em direção do show ao vivo (que será irreproduzível até inventarem o 5D de imersão total…) gera mais empregos que toda a indústria fonográfica que nunca pensou duas vezes antes de ceifar empregos em suas empresas a cada inovação tecnológica em sua linha de produção. O problema dos empregos está na base do sistema e se ele um dia desmoronar será por conta disso. O sistema pretende o impossível! Montaram estrutura que depende de empregos, não controla natalidade nem a aplicação de tecnologia (que em última análise só faz ceifar empregos, muito embora, irresistivelmente, feito um doce veneno, melhora a vida das pessoas e nos dá sentido quando acena para a longevidade humana…) e não garante a existência de empregos a disposição… Sendo que o único instrumento de manter-se funcionando é com o crescimento de consumo em um planeta com recursos finitos e que sofre de um processo de aquecimento atmosférico… A Terra urgentemente tem que mudar de nome para Kripton…

Se o problema é a ganância que corrompe os políticos e os intermediários corporativos e os empregos perdidos, nesse caso, encontram substituto… Será que não sobra a vontade política de censurar em função dos riscos de convulsão política  que a crise mundial atrai?

Claro que ela existe, mas qualquer desses espantalhos espancados feito Judas pelos comentários de toda a Internet compreenderá que a censura é um tiro no pé… Se eu tivesse juntado todas as ofensas e acusações a tipos execráveis como José Sarney no Brasil, Berlusconi na Itália, Chavez na Venezuela, Bush nos EUA e tantos outros que já li na Internet, daria um post maior do que essa entrevista que você está fazendo e, no entanto, nenhum deles foi preso, fuzilado, muitos retornarão a ter cargos importantes ou ainda estão no poder… Em outras palavras, o poder político da Internet é muito reduzido, quem a usa tende a usar mais o intelecto do que ações físicas… O avanço do ateísmo foi muito pequeno, apesar da Internet ser uma oportunidade única para ateus exporem o ridículo do pensamento religioso. Na China, censurar o Google não está adiantando nada, está valorizando todas as informações contra o regime, todos os boatos são automaticamente aceitos como verdadeiros, só porque se sabe que é contra a natureza do regime… A Internet, por outro lado, pode ser aliada de quem pensou em censurar… O conto do garotinho que vivia chamando os caçadores por conta do lobo inexistente é basilar para o entendimento dessa indignação que não se reflete nas mudanças dos desígnios políticos do dia a dia… Quando o lobo aparece de verdade, depois de tantas teorias conspiratórias, nenhum caçador corre para salvar o tal garotinho… São muitas torcidas organizadas ou dispersas, nenhuma faz verão… O uso da internet na Primavera Árabe foi como meio de comunicação para marcar encontros e reuniões, não como meio de convencimento, ninguém fez a cabeça de ninguém em um mundo onde todos são religiosos de uma maneira ou de outra como lá o são… Prova que a oposição que aponta como vencedora representa o atraso religioso. Darwin explicou o grande mistério até aquele momento da história e mesmo assim a maioria da população planetária ainda usa de fantasias místicas para se aliviar da sapiência da inevitabilidade da morte. No campo do segredo militar eu mando a fórmula da bomba de hélio escondida nos pixeis de uma foto jpg de um álbum de família… Censurar o quê? Quando é mais negócio fazer o toque da cavalaria americana tocar a vida inteira na cabeça das pessoas que assistiram o Rin-Tin-Tin…

Todos se queixam que os movimentos políticos que surgiram com a atual crise nas principais economias não apresentaram nenhuma proposta concreta para a reforma do sistema capitalista implantado no planeta.  O senhor estaria em sintonia com essa falta de pragmatismo e demonstração que as ideologias tradicionalmente de oposição não encantam mais como antigamente… ou teria algo a propor em contra-oposição as iniciativas de se restringir o uso da Internet?  

 O acidente mutacional que nos possibilitou a capacidade de pensar criou dois problemas. O primeiro deles é a capacidade de pensar só encontra sentido lógico se não tiver limites como a morte, e o nosso corpo é programado geneticamente para envelhecer e morrer. O segundo problema é quanto ao fato de não termos dons inatos em relação a coletividade, o que significa que as sociedades humanas podem assumir diversos formatos sem que haja uma contra-prova que uma determinada formação seja a correta. Demos uma meia-sola na questão da mortalidade imaginando espíritos etéreos e deuses e com eles formamos diversas sociedades diferentes. Eu acredito que o rumo mais plausível para um possível objetivo humano não estamos deixando de perseguir, que é artificialmente acabar com o problema da longevidade limitada ou programada geneticamente para acontecer… Muita coisa tem que ser arrumada para isso se dar e nos compete individualmente corrigir as estruturas que nos permitirão alcançar esse objetivo. A promessa é que com ele conquistado, tenhamos tempo para encontrarmos um tipo de sociedade que se adapte as condições do fato de sermos pensantes e termos noção de nossa individualidade e dependência da coletividade… Isso a princípio. Sendo prático tenho propostas sim, principalmente nessa questão que foi o tema central dessa entrevista. Proponho a redução dos tempos de proteção tanto do que se convencionou chamar de propriedade intelectual quanto das propriedade industriais, além de permitir seu uso sem restrição temporal em conjunto com outras obras e inovações. Apenas dois anos de proteção para obras artísticas e 3 anos para patentes tecnológicas. Todavia deixo de forma intacta a proteção para as marcas industriais e comerciais pois nelas está uma proteção que também se estende aos direitos do consumidor em relação a qualidade do produto e sua correta identificação.

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
Esse post foi publicado em Ateísmo, Cultura Popular, Ideias, Ideologia, Política Internacional. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para Blog Teorias Entrevista o Anônimo Capitão Binary Load (Capt. Bload)

  1. cesarbarroso disse:

    Caro João,
    O que se diz é uma coisa, o que se faz é outra…
    A questão é que todos falam, mas não cuidam de desenrolar os fios do emaranhado mental em suas mentes. Vemos, mas não conseguimos ver direito, então, falamos.
    abraço,
    Cesar

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