Refletindo Sobre…

O artigo encontrado nesse link traça uma paralelo entre o ano de 1932 com o nosso atual ano. A comparação histórica é muito interessante e nos relembra que a crise de 1929 levou anos para se dissipar (há quem diga que ela só tenha findado após a WWII) o que preocupa quando pensamos que a crise de nossa geração ocorreu em 2008.

A grande diferença que eu vejo é que no início de 32 – aproveitando o bem sacado paralelismo que o autor traça – havia muita coisa para se acreditar, muita experiência a ser realizada, pouca informação circulante e esta sendo obtida de forma totalmente diversa da que obtemos hoje… Hitler entrou no pré-existente partido Nacional-Socialista porque passava na rua em Munique e escutou um vozerio vindo de dentro de um prédio onde membros daquele ainda incipiente partido estavam a discursar… Entrou e começou a berrar mais alto, simples assim… Okay, pensando na Europa, os imigrantes do Norte da África e alhures podem muito bem substituir os judeus de então em termos de bode-expiatórios, são até mais fáceis de se rejeitar em função de grandes diferenças étnicas e culturais, mas hoje seriam inadmissíveis, ridículos ou risíveis discursos e agendas partidárias de caráter eminentemente racista… O que quero dizer é que hoje temos uma série de dispositivos no senso comum social da maioria contra esses e outros tipos de radicalismo, não significando que o radicalismo ainda não persista, claro… Conheço diversos que acusam diretamente os judeus pelos problemas financeiros, já que em análise rasa – segundo o senso comum não oficial ou reconhecido academicamente – ainda seriam os donos dos bancos ou os 80% dos tais 1%, pelo menos nos EUA. Diriam até que por serem também donos dos meios de comunicação, não tomamos conhecimento dessas acusações… Entretanto, esse tipo de discurso do ódio ou da explicação mítica e fácil não tem como evoluir, tudo isso já foi explorado, assim como as experiências ditas socialistas, comunais, budistas, indigenistas and so on…

A expectativa de 1932 era de um homem de 32 ainda cheio de garra e com reais possibilidades de experimentar algo diferente. Não havia visto uma única imagem descente da WWI, ela ainda fora uma guerra de trincheiras e de poucos metros de filme do saltitante cinema mudo, travada nos campos verdejantes da Europa, não havia um trauma estabelecido e ninguém fazia ideia do que seria uma bomba atômica, o medo era combatido com uma máscara anti-gás… Todos os filmes eram novidade… Hoje a maioria são remakes de velhos temas e alguém na Internet já contou o final do filme… Muita informação causa tanta ou mais confusão do que pouca informação. Da juventude – ou de “operários jovens”, como preferem os dinossauros que não compreenderam que operários e proletários hoje são apenas vítimas da próxima automação – é onde saem os revolucionários e as guerras. Com a vida online os jovens de hoje nunca conviveram tanto com a última geração a qual sucedem… Muitas vezes convivem sem saber… Homens com a visão cansada, feito pedófilos do saber se escondem atrás de um amarelecido teclado… São eles que contam o final do filme e furam o balão dos tolos… Os mitos morreram (ainda bem) e são apenas bonecos de marionete imitando o bicho papão…

Um desempregado há quase 3 anos outro dia deu uma chave importante para entendermos o momento que o mundo tem pela frente em 2012… Dizia ele que apesar de todas as privações de consumo e humilhações domésticas derivadas de viver as custas do trabalho da esposa, das ajudas familiares, de bicos incertos aqui e ali, dos riscos sociais e das contas as quais não tinha mais como enfrentar, nunca fora tão feliz em sua vida, nunca sentira-se tão integro e senhor de si mesmo. Não era apenas a segurança advinda do fato de não ter nada a perder, pois sempre há algo a se perder, ou não ter que estar sob as ordens de um patrão ou chefe cuja única competência fora ter estado no lugar certo na hora certa em algum ponto passado ou presente, pois há patrões e chefes competentes e merecedores do comando temporário que possuem… Sua felicidade vinha do fato de ter agora certeza que o sistema é e sempre foi falho e que sobre ele não reside então nenhuma culpa ou obrigação. Sem esse peso sua vida ficou, de alguma maneira melhor. Esse homem não vai à guerra, só se vai à guerra quando se acredita em um determinado sistema e se luta para defendê-lo ou para obtê-lo. Não há nada digno de ser mantido ou obtido, o momento é de busca de uma esperança que seja nova… totalmente nova.

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
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9 respostas para Refletindo Sobre…

  1. Cesar Barroso disse:

    João,
    Passei o artigo linkado para um inglês, que viveu a 2ª Guerra Mundial na Inglaterra, e ele achou um pouco exagerado. Eu acho que existem paralelos válidos, mas os nossos dias têm um complicador único na história humana: estamos destruindo o planeta, o único que temos. Acho que isso faz muita diferença. De qualquer forma, como o autor, não sou otimista sobre o futuro.

    Interessante a sua análise do amigo desempregado há 3 anos. Essa ausência de “culpa e de obrigação”, se parece um pouco com a atitude Zen, mas essa exige um total comprometimento com as possibilidades de ser útil, de não ser um estorvo permanente para a família e para os amigos, pois esses um dia também poderão precisar dele e, se ele se acomodar à situação, ninguém poderá contar com ele. É uma situação que pode facilmente resvalar para o puro egoísmo e irresponsabilidade. E isso não é Zen.

    • João Canali disse:

      Seria então uma atitude zen (vamos imaginar que esta seja alguma forma de unanimidade filosófica, um lugar comum que possa ser usado como paradigma de certo e errado em debates…) ele trocar seu naco de felicidade ou realismo, diante a verificação de sua impotência diante o infortúnio do desemprego, por uma atitude desesperada ou sofredora que obviamente nada resolveria?

      O estado de espirito desse desempregado é mais ou menos aquele do palhaço que vê o circo pegar fogo, diria eu… Ele perde o emprego, salva ou tenta salvar as criancinhas e animais que podia, ajuda os bombeiros com baldes d’água, deu amparo a seus companheiros de trabalho que também estão ficando desempregados, sente pena do dono do circo seu patrão… mas, enquanto observa as labaredas sem saber como será o dia de amanhã, acaba se dando conta que aquele circo, mais dias ou menos dia, teria que pegar fogo de qualquer forma, que estava na cara de todos que era inseguro, e, em um rasgo salvador de consciência (que não possui rótulo, nem nome qualquer) se alegra em pensar que ao menos está vivo… que não gostava de ser palhaço naquele circo… ou indo mais longe ainda, que não gostava de ter que trabalhar de palhaço para sobreviver… Enfim, que havia alguma felicidade, temporária ou insegura que fosse, naquilo que estava acontecendo… e útil ele está sendo ao relatar a todos com a credibilidade de quem passa pela experiência, que o circo não tinha como deixar de pegar fogo, que trata-se de um sistema que não dá proteção ou solução ao desemprego, que deixa todos os trabalhadores sob um risco de vida que não é devidamente retratado pela cultura – e aí que é a denuncia se torna forte, pois deixa claro um auto-engodo organizado – como deveria (afinal é inexplicável a apatia de todos e a muito tempo atrás… que poderiam ter verificado facilmente que não tinham segurança alguma… que um dia poderiam acabar as ofertas de emprego com tantas alternâncias de consumo, concorrência de outras nações que oferecem mão de obra mais barata, automações, dependências energéticas, jogatinas financeiras, etc…) que alternativas deveriam ter sido criadas.

      Será que a casa cairá somente quando o desempregado deixar de ser minoria? Uma pergunta apocalíptica que começa a fazer sentido na Europa, principalmente, onde a média de desempregados em países importantes gira em torno de 20%… para que então a sociedade tente outro acerto ou conserto? Mas, infelizmente, enquanto os desempregados forem minoria, a culpa será deles pelo estorvo social que representam e isso não deveria ser zen nem zin…

  2. Cesar Barroso disse:

    João,
    Você tem razão: somente quando a força trabalhadora desempregada tornar-se uma avalanche será ouvida. O sistema é furado, serve apenas a alguns e, mais dia menos dia, o circo pegará fogo.
    Sob o ponto de vista pessoal, eu me sinto compelido a procurar uma maneira de utilizar o sistema enquanto ele existe, pois, – repito: sob um ponto de vista inteiramente pessoal -, não me sinto bem, estando com saúde, tendo que depender do dinheiro dos outros para sobreviver. Prefiro dar do que receber.
    Se o seu amigo se sente bem de viver da forma que você descreveu, melhor para ele.
    Eu estive desempregado uma vez durante quatro meses, na década de 70, depois de ser mandado embora do Jornal do Brasil, e minhas despesas eram pagas por minha mulher e meus pais. Durante quatro meses eu saía cedo de casa e voltava tarde, desesperado à procura de um emprego. Encontrei um de salário mínimo(guardo até hoje a carteira de trabalho com os detalhes), numa administradora de imóveis. Meses depois, através de contatos com clientes da administradora, consegui um emprego na indústria de petróleo com um salário que me permitiu imediatamente comprar um carro novo e em seis meses dar entrada num apartamento. Cobra que não anda não engole sapo.
    Mas eu não julgo os outros. Cada um vive como quer, e é responsável por seus atos. Mas, sob o ponto de vista pessoal, acho uma atitude positiva (chamo de Zen a atitudes positivas) ser produtivo financeiramente, sem vender a minha alma, sem sacrificar meus valores, mantendo sempre uma perspectiva holística.

    • João Canali disse:

      Acho que você está exagerando um pouco em sua identificação com a situação, releia o post inicial e você verá que houve uma consideração aos problemas do desemprego, mas que apesar dos mesmos haviam algumas recompensas, que o indivíduo estava encontrando alguma paz de espirito ou consolo ao verificar de forma prática e não apenas teórica o quanto o sistema era errado, o que lhe retirava uma culpa pela situação. A importância toda estava na constatação da culpabilidade do sistema que, evidentemente, não apenas a ele ocorreria, que diversos naquela situação estariam também enxergando a instabilidade da coisa.

      Seus comentários acerca do incomodo que sentiria naquela situação, o que você fez quando esteve na mesma situação fazem parte do sofrimento pelo qual todo os desempregados passam. Os empregados e/ou já resolvidos economicamente tendem mesmo que inconscientemente a não aceitarem que a culpa é do sistema do qual, por uma razão ou outra, lhes beneficiou; todos buscam uma auto-afirmação por sua sorte ou mérito e tendem a achar que as suas soluções e conquistas foram as certas, fazendo muita resistência em querer reconhecer que é a crise e não o desempregado que detém a culpa da situação. Se há dificuldade nesse reconhecimento, imaginemos então os empregados se abalarem para concordar com as modificações necessárias, se é que elas existem… Eles preferem crer que são os “bons e gostosões” e por isso não foram desempregados. Não falo de você evidentemente, só aproveito o debate para pintar a situação da incompreensão que cerca o desempregado… estranham até que ele possa encontrar felicidade na lucidez que o momento permite. Mas na verdade, essa pressão social é que forjará uma reação. No vídeo abaixo que é anterior, creio eu, ao pior da crise europeia, podemos observar a tentativa de causar modificações através de uma certa indignação moral acerca da situação, mas como sempre sem apresentar nenhuma alternativa técnica (tipo, temos que cortar as horas de trabalho pela metade para dobrar o número de postos de trabalho, com o custo adicional do salário dobrado sendo compensado por cortes de impostos… só um exemplo que me ocorre) talvez até porque estão tentando convencer os “empregados e resolvidos” do sistema que a cabeça deles também está a premio, que não basta achar que a culpa é do desempregado que não correu atrás ou não se sujeita a trabalhos inferiores a sua capacidade… Vale a pena ver, tem um pouco do ranço esquerdista que nunca resolveu nada, mas faz algumas constatações interessantes para a crise que ainda não havia chegado em seu ápice, se é que já chegou.

      Agora antes do link, não sei já comentei por aqui… Na China pouquíssimas pessoas possuem aposentadoria pública, são urbanos da elite e nomenclatura local. Em recente notícia afirmavam que estavam buscando um sistema de aposentadoria privada (e lá já populam tocos os golpes financeiros que observamos no ocidente…). Se você ficou sem entender como era o comunismo (onde teoricamente todos possuem um emprego dado pelo estado e sem muitas opções de rejeição) chinês, eu também… Mas não vêm o caso, a mesma notícia informava que a “aposentadoria” na China ainda é como sempre foi em todas as partes do mundo antes do século vinte… O trabalhador urbano ou rural que conseguia chegar a um estado de velhice o qual não dava mais para trabalhar ( o normal era morrer antes, principalmente entra maioria não abastada…) passa a ser sustentado pelos filhos… daí não gostarem de filhas que não proviam o respectivo INPS, porque eram levadas para formar outra família. Ou seja, a cultura local admitia o pai sendo sustentado pelos filhos e provavelmente se você fosse um velho chinês não se sentiria mal recebendo mais do que dando… 😉

      O link para reflexão… http://www.youtube.com/watch?v=GYHMC_itckg&feature=share

      • evandro barreto disse:

        João,
        Desculpe esta intromissão off-post, mas eu gostaria de completar em forum mais adequado minha resposta ao seu comentário nos “Comensais”. Eu fico pensando se toda essa pilha de latas desabando no super-mercado da grana não é um ato de legítima defesa do planeta. Em outras palavras, uma “freiada de arrumação”, como diziam os motoristas de ônibus cariocas. Acho que, em lugar das agência fajutas de classificação de riscos, que não previram o desastre da Lehman Brothers e ajudaram o governo grego a fraudar as contas, os síndicos da massa-quase-falida da Earth Co. deveriam consultar o meu antigo quitandeiro do Leblon, que explicava sua sobrevivência empresarial na era do Carrefour e similares: “É simples, doutor. Tem que entrar mais do que sai”.
        Abraços,
        Dodô

      • João Canali disse:

        Dodô, o sistema atual (falo do tronco central do mundo globalizado) é matematicamente falho e montado sobre uma montanha de falácias e monstruosas injustiças, aliás como todos os sistemas sócio-econômicos e culturais que nos precedeu. A questão de justiça ou não justiça é meramente cultural e cheia de valores subjetivos e apreciativos ao longo dos diversos pontos de vista culturais, algo quântico que nos remete ao acidente evolutivo que trouxe o mecanismo pensante a uma espécie que tinha um mecanismo social inato muito primário, desativando-o quase que por completo (não há retorno para tempos melhores, eles só eram bons para uma minoria sortuda…) Entretanto, sob esse aspecto, boa filosofia resolveria… Todavia, um sistema econômico que busca ou necessita buscar, o crescimento contínuo (atendendo ao crescimento demográfico ou a ganância humana? Afinal a loteria necessita sempre de novos ganhadores para fazer sua propaganda…) ao invés de um equilíbrio entre “entradas e saídas” é matematicamente uma espécie de câncer, é fadado por princípio ao insucesso ou possui paradas obrigatórias para ajustes, como suspeita você. Sob esse ponto de vista, como um carro engatilhado, ele vai ter que parar vez por outra para colocar mais “Durepox” na colmeia do radiador furado. O que acontece é que todos sabem que um belo dia o gatilho não vai mais funcionar, que vai de fato ter que haver uma troca de radiador, caso contrário o motor vai fundir a qualquer momento, como que a se adequar ao aquecimento global. Será dessa vez? Ou da próxima? Por todos os lados que olhamos o radiador faz água e nosso tubo de Durepox (aqui é uma espécie de rocambole) parece menor para tampar tantos buracos, é fácil ser pessimista com tantas nuvens negras no horizonte. Quer uma listinha de ingredientes, como se fosse uma receita de fim de mundo? Basta ler o noticiário cada vez mais censurado por diversas e tenebrosas forças, que lá encontraremos quase todos os ingredientes básicos, até porque eles vivem dessas listinhas.

  3. Cesar Barroso disse:

    João,
    Vou começar pelo vídeo.
    Certamente causa indignação moral, como tantas outras teses que a gente vem ouvindo desde a nossa juventude. A questão é que essas pessoas que tanto se indignam, são as mesmas que levaram Fidel ao poder e que jamais se revoltaram com o que resultou para os cubanos. Não conseguiram encontrar um ponto limite a partir do qual, não há teoria que sustente uma situação prática. Os Estados Unidos são revoltantes no tratamento que dão à América Latiana, sim, mas a partir do momento em que a reação a este tratamento sacrifica por décadas um povo, como ao cubano de Cuba, alguma coisa aí está errada. Ainda como exemplo dou os fisiologistas do PT brasileiro. Suas teses eram lindas, mas na hora em que tomaram o poder, se tornaram pior do que os tucanos.
    Portanto, penso eu, há que se saber onde termina o treino e onde começa o jogo. Algumas pessoas passam a vida treinando, e entre essas eu coloco os esquerdistas que encontram o seus sustento no esquerdismo, como Fidel, Lula, Chavez, os escritores de esquerda, os jornalistas de esquerda. Essa gente coloca na mesa o pão que consegue sendo esquerdistas. Com eles não há diálogo. Você pode provar para um pastor protestante que deus não existe? Pomba, o cara que honestamente for convencido por você terá que conseguir outro ganha pão, ou ele vai continuar pregando uma coisa em que não acredita. Ou melhor, mesmo que você o convença, ele vai continuar a recolher o dízimo e fingir que ainda acredita.
    O desempregado que faz disso uma forma de viver, que cria teorias para o seu desemprego, para mim, está passando dos limites. Ele não está sabendo distinguir entre o treino e o jogo. Tudo bem, o sistema é podre, o sistema vai implodir um dia, mas o que não se pode negar é a necessidade social e familiar de colocar o pão na mesa, e demonstrar solidariedade com a família e os amigos. Esse é o jogo. Todos têm que ser produtivos, a não ser que se vá para uma gruta nas montanhas viver da caça, da pesca e das frutas do mato, fumando fumo de rolo, sem celular, sem carro, sem cuidados médicos, sem nenhuma benesse da vida moderna.
    No frigir dos ovos, eu, Cesar Barroso, tenho que conviver com uma série de incongruências, mas isso, como a gripe, faz parte da condição humana. O que eu não posso é jogar a toalha, usar a teoria da falência do sistema para não procurar por todos os meios me sustentar e apoiar àqueles aos quais tenho o dever de fazê-lo quando precisarem. O velho chinês não se sente mal recebendo porque um dia ele deu o mesmo para os seus pais. É um jogo de dar e receber que faz as relações serem saudáveis entre familiares e amigos. Aquele que só quer receber acaba afastando de si os outros.
    Eu já vi muita coisa nessa vida, e já encontrei gente que eu nunca pensei que poderia existir igual. Procuro não julgar, porque não faz bem para mim, que tenho também os meus defeitos. Mas eu acho que é importante dar e receber, receber e dar, e que relações que não obedecem a essa regra tendem a se desintegrarem.
    O sistema é injusto, ele é manejado pelos poderosos, mas, no fundo, todos somos farinha do mesmo saco. A gripe que me derruba, derruba o Forbes e o Fidel. O que eu não posso é deixar que a injustiça do sistema me alije de relações sociais e familiares básicas saudáveis.

    • João Canali disse:

      Cesar, a crítica moral “já era” e na verdade ela só faz refletir muitos valores que foram criados para sujeitar os indivíduos a estruturas hierárquicas da sociedade. Minha crítica ao vídeo é que eles se limitam a óbvias condenações, sem apresentar nenhuma proposta nova… ainda mais que as propostas que tiveram e foram experimentadas fracassaram e só serviram para provar que ser escravo do estado é tão ruim quanto ser escravo do patrão pseudo-meritoso, ou uma combinação acionária de ambos. O mundo não muda com condenações morais, os ingleses só vão embora se estiverem convencidos que nós não vamos trabalhar para eles, a razão do por que não queremos trabalhar para eles pouco importa para os mesmos.

      O portador da má notícia (“olha, o sistema que lhe deu todas essas medalhas sociais, além de podre e injusto, não tem como funcionar matematicamente depois de um certo tempo… é um engodo temporário…) sempre será o culpado pela “má notícia” se não a der em tom de desespero, pesar e solidariedade… é fácil de compreender… a falta de desespero sempre vai significar que ele desconsidera os valores daquele que recebe a má notícia. Das constatações dos escravos e agora dos desempregados (aqueles um pouco menos escravos) é que temos obtidos algumas conquistas de bem estar social (os tais trabalhadores são na verdade desempregados), de certo provisórias e incompletas, mas muito melhor do que obtivemos no passado. O desempregado possui um extra bônus em sua condição, coisa que só, talvez, intelectuais abastados de família, aposentados, artistas, poetas, filósofos, escritores, monges que vivem de contribuições, presidiários e vagabundos, teoricamente, possuem de sobra, tempo… tempo para pensar e talvez compreender que se o ser humano não vem de fábrica com uma formula social inata (como as formigas, abelhas e mesmo os símios, que sempre formam o mesmo tipo de sociedade ou bando), que sociedades cujas regras básicas foram psicografadas por deuses inexistentes não funcionam, entram em guerra e se aniquilam, lhe resta, com seu tempo extra, tentar inventar algo que ainda não foi tentado e se coadune as conquistas do conhecimento cientifico e que seja comum a todo ser humano (o mais difíçil por conta das diversas culturas existentes) em sua sintaxe geral. Estagnação em valores do tempo do onça (a Tea Partyfication do pensamento de classe média), além de ser chato e teimoso não levam a nada… A mensagem inicial continua de pé, todos parecem que estão a espera de algo novo, nem que seja uma colagem diferente do que já existe…

      P.S.: Não serve a tal da Boa Nova, que já tá muito velha e só fez falhar… 😉

  4. cesarbarroso disse:

    João,
    As falhas do sistema são óbvias demais para ficarmos marchando parados no mesmo lugar, nos angustiando. Temos que partir para novas maneiras de pensar o mundo, maneiras que nos livrem da angústia de ver ou sofrer injustiças. Não defendo uma solução niilista. Defendo alternativas. Mas alternativas positivas, de busca de soluções. Pouco me importa que existam teorias que tudo nesse mundo é manejado por um grupo. Eu duvido da amplitude desses poderes. Eu posso escolher não ser escravo do mundo que eles criaram. Eu posso viver num mundo diferente. A gripe que eu pego eles pegam também. Que tão grande poder é esse?
    Hoje li que o segredo está em buscar o equilíbrio, não se preocupar com o dinheiro, mas sem perder de vista que se precisa ganhar dinheiro. Algo assim como olhar de soslaio, mas não deixar de olhar. Confiar desconfiando. Aí está o equilíbrio. Gozar a vida em primeiro lugar, mas sem perder de vista as responsabilidades. Acho que em português inventaram uma vez essa palavra: curtir.

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