Remendos de Agenda

Esse debate está na essência de cada pedaço de praça ocupado em frente a Wall Street.

O conjunto de mutações ACIDENTAIS que se fixaram ou não através do processo seletivo (ele mesmo sujeito a ciscunstâncias ACIDENTAIS) e trouxeram a esse ho…minídeo a capacidade de produzir pensamentos abstratos, ou raciocinar com o colorido de emoções (múltiplas imantações cognitivas) tem produzido diversos modelos não satisfatórios – por longos períodos – em coadunar necessidades do indivíduo com as necessidades do ambiente coletivo de onde nascem. No telegrama urgente que está sendo passado pelo inconsciente coletivo está escrito: QUEREMOS UM NOVO MODELO PARA ACREDITAR. NÃO SABEMOS SE CONSERTAMOS O QUE TEMOS/TIVEMOS OU SE TENTAMOS INVENTAR ALGO NOVO.

Em minha nada modesta opinião não há escolha enquanto não resolvermos o problema básico de toda a questão. O pensamento é uma condição imortal, pois, quando de boa qualidade ou não afetado severamente, evolui infinitamente, o que se contrapõe com o seu aparato físico que é mortal. Repito: O ser que carrega essa dicotomia obteve essa condição ambígua de forma acidental o que significa dizer que não houve uma consequência seletiva anterior… O pensamento entra pela porta dos fundos de um macaco que poderia ter continuado macaco até hoje, as mutações que trouxeram a capacidade de raciocinar não eram imperiosas para a manutenção da espécie anterior. Vale lembrar as pessoas que ainda dançam nas sequelas das culturas que tivemos e temos que não há propositalidade ou planificação anterior na natureza. Ou seja: Não existe um modelo natural (um exemplo da natureza) de como deveria se organizar um coletivo de seres pensantes, seres que possuem escolhas… Claro que as culturas mais primitivas que a arqueologia descobriu tinham um comportamento semelhante ao “macaco” coletor de onde viemos… Mas, a capacidade interferiu e logo passamos a adotar outros modelos… Curioso notar que o defeito lógico daquele ser se tornou expresso na maneira mais comum de transformar as sociedades. A idéia de que haveria vida após a morte, expressa em TODAS as religiões e cultos encontrados em TODAS as culturas humanas foi o agente presente em TODAS as modificações sociais que tivemos… Não foi apenas a força física da lei dos mais fortes fisicamente, essa apenas entrou de instrumento no domínio dos mais fortes de pensamento. Quem manda (e sempre fez merda) são os Orugutangos, pegando a metáfora do filme que vocês conhecem. Gorilas e Chipanzés são escravos mentais.

Pois bem, voltando a minha opinião. Acho que chegamos não à porta de Wall Street, mas à porta do templo da sabedoria, estamos muito perto de descobrir a imortalidade, de controlar a velhice e simplesmente não morrer mais de causas naturais. O preço coletivo e ambiental que pagamos para chegar nessa porta (caramba, é insultante pensar que esse esforço não aconteceu, que não resultou em nada, que não evoluímos em conhecimento! Significa não conhecer nada da história humana.) nos ameaça de morrermos na praia… O ambiente planetário já não nos oferece sustentabilidade e não há ainda uma união da espécie em torno de objetivos comuns. Pequenas individualidades mesquinhas (indivíduos e/ou grupos) são capazes de interromper um processo que já é difícil por natureza. Essa é a figura da grande tragédia… Eu acho que só aqueles acostumados com ficção científica (sair do contexto totalmente e olhar para trás) é que poderão se dar conta da historinha que estamos representando. Acho que não há volta possível, claro que é ridículo um sistema social que não dê solução ao desemprego se a busca de tecnologia significa o fim da maioria dos empregos em substituição por máquinas; claro que é ridículo termos todos os meios de controlar a natalidade tendo todo o conhecimento técnico para fazer isso, mas esbarrando na velha tecnologia de imaginar fantasmas imortais; claro que é ridículo, como tudo que já se sabe a maioria da população terrestre ainda acreditar em elucubrações místicas; claro que é ridículo alguém ainda pensar que poderá repartir tudo de forma igualitária quando o pouco que caberá a cada um não será suficiente para a existência individual; claro que é ridículo todas as pessoas não serem capazes de acompanhar o que apresento para discussão, pois só com esse grande conselho humano (invoco aqui um grande sentimento atávico em torno da primeira fogueira que acendemos por conta própria, sem depender de trazer o fogo de uma árvore queimada por um raio) É dessa primeira fogueira que a espécie depende hoje, ainda é.

De meu insignificante cantinho convoco a galera em torno de Wall Street a se deslocar para ocupar, a poucas quadras dali o espaço em torno da ONU. Que a demanda seja para um governo global (não querem a globalização dos mercados? Pois então…). Que as decisões sejam feitas em cima de uma moeda global, uma ordem auto-ajustante (já que não há consensos em todas as direções) com discussões abertas a todo o planeta. Que haja submissão ao grande conselho (com representantes proporcionais… a China e a Índia fariam um grande bloco, mas não seriam maioria…). Vamos respeitar a carta do que foi escrito ao pé da letra do possível e vamos confessar objetivos e metas. Em outras palavras mais factíveis vamos dar mais poderes e democracia a ONU para ver no que dá, pelo menos é algo óbvio a ser feito, já que a crise é global.

Como?

Essa diminuição só poderá acontecer pelo tão combatido pensamento único. E se esse único trás o certo ou o lógico? (Ok, como saber… há controvérsias, mas a verdade é comprovável. ) Por que temos que colocar em risco a espécie só …porque uma africana quer enfiar trocentas argolas no pescoço e casal oriental enfaixa os pés da filha atrofiando-o porque acham mulheres de pés pequenos algo bonito? O mundo precisa ser notificado pela razão, os caminhos são vários, alguns péssimos… Heil Hitler… Claro, que uma diminuição científica e política da espécie se dará por evitar nascimentos, não por eliminar ninguém… tão pouco sair decidindo quem é que é o super-homem ariano com DNA perfeito… Até porque não funciona, isto é… me lembra aquela piada do cara que chega na cidadezinha e pergunta pro “concierge” do hotelzinho local se tinha algum “jeito” de “afogar o ganso” no local… que ele estava “necessitado” (nós homens sabemos o que é isso)… Sendo que a resposta foi apontar um chinezinho no fundo do bar ao lado do saguão do hotel… Não tinha casa de luz vermelha… A reação foi negativa… Passado mais alguns dias o camarada voltou e foi logo dizendo… “Meu chapa se não tem tu, vai tu mesmo… Cadê o chinezinho?” O consierge lhe respondeu com uma pergunta: “Tudo bem, mas onde estão os onze? ” Que onze? Onze reais? É tão baratinho assim? – perguntou  o viajante necessitado. “Não. Os onze camaradas que vão ajudá-lo a segurar o chinezinho, eu esqueci desse detalhe…. 😉

Mas São Muitos… Como seria na pratica (já está sendo se o leitor for arguto…).

Um representante do nosso Admirável Mundo Novo (que já não é visto sempre da mesma forma) em discurso na ONU para líderes dessa multitude de culturas exóticas e bizarras (incluso a nossa) que deveriam ser convencidos:

“Minha gente, na qualidade de curador auto-proclamado do Museu de Culturas Exóticas do Planeta Terra vim aqui para exigir-lhes mais uma cota de sacrifício em nome de nossa agenda de ampliação de conhecimentos tecno-científicos que precisa de mais algum tempo para completar seus estudos a cerca da manutenção da espécie HSS, essa carcaça biológica que nos permite pensar. O fato é que esse tempo se esgotará em breve, com perda significativa do conhecimento acumulado até aqui, em meio a uma grande barbárie que se seguirá ao desmonte de nossa principal civilização (a mais espalhada, digamos assim) no advento de uma severa perca de sustentabilidade derivada do elevado consumo de matérias primas e insumos básicos de uma população de 9 bilhões de habitantes já agora para 2050. Temos plena consciência de nossa culpabilidade no processo. Para sustentar a mecânica intrínseca de adquirir conhecimentos técnico-científicos que nos livram dos desconfortos físicos, fraquezas e ameaças vinda da natureza, criamos um processo econômico autofágico de crescimento contínuo que se retroalimenta espontaneamente em um círculo vicioso. Tudo contribuiu para o ponto o qual chegamos hoje… Criamos um modelo vitorioso de proporcionar alongamento da expectativa de vida. Tanto assim o é que acabamos desequilibrando a quantidade de gente a ser alimentada e mantida dentro de um padrão de consumo razoável que criamos e forçamos mundo afora. Coisas terríveis aconteceram no percurso. O ocorrido em alguns setores bem exemplifica os fatos. A ciência e a tecnologia trouxe a bomba atômica que impossibilitou que grandes guerras continuassem cumprindo seu papel de manter as populações em nível estável. Para alimentar tanta gente, mecanizamos e automatizamos a produção de tudo que precisamos para sobreviver, o que causa um tremendo desemprego com pressões insuportáveis. Como sempre cultuamos uma hipotética nobreza do trabalho depois da abolição da escravatura,  para que a coisa fosse bem aceita por todos, agora não temos como dar férias remuneradas para uma maioria cada vez mais ampla… Nesse mesmo ritmo poluímos a natureza planetária, já naturalmente instável e criamos um problema climático cujas consequências não conhecemos direito, mas que certamente interferirá na produção de alimentos para uma população muito grande… O sistema econômico que mais produz tecnologia e ciência e que nos permite viver mais uns 30 anos além do que vivíamos antes em média, necessita estar crescendo continuamente, o que acabou envolvendo vocês… Eu sei que não pediram nada disso e acreditam que não precisam de nossos espelhinhos e panelas de metal, que, inclusive, é melhor morrer o mais rápido possível para irem para algum paraíso qualquer. Como eu vou pedir algo meio chato para vocês, sou obrigado a esclarecer algo que temos ocultado para que não percebam alguns pequenos desnivelamentos de consumo… Bom, não existem deuses, nem nenhum tipo de vida, espiritual que seja, após a morte. Portanto, não há importância alguma em vocês obedecerem uma cota de não natalidade que salvará a todos nós desse planetinha. Todos esses seus valores, os quais respeitamos como patrimônio absoluto do passado da humanidade, devem ser relativizados, caso colidam com essa salvadora diretriz que um dia nos permitirá a não mais morrer por causas ditas naturais e encontrar novas terras em algum outro planeta… Quando então poderemos procriar a vontade. Claro está que tudo que estamos fazendo é em nome da felicidade futura de nossos bisnetos ou tataranetos, isto é, quando eles puderem nascer… De qualquer maneira, com a população reduzida pela metade, teremos aqui mesmo na Terra um Admirável Mundo Novo, um verdadeiro parque temático, onde todos poderão usar suas roupas e adereços esquisitos derivados de tradições culturais exóticas e bizarras que todos os agentes de viagem e turistas querem ver preservados… como se fosse um baile a fantasias ao gosto de cada individualidade… Não está bom assim?

Agora perguntando, cinicamente que seja: Isso não é melhor do que espalhar uma epidemia feita em laboratório ou experimentar o caos da fome, o desespero dos desvalidos atravessando fronteiras e pulando o muro de condomínios fechados descobrindo que LCDs não matam a fome? Ou ainda ficar esperando que a natureza cause uma tragédia que salve a espécie de si mesma e começar tudo de novo?

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
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2 respostas para Remendos de Agenda

  1. cesarbarroso disse:

    João,
    Hoje no rádio do carro um cara disse: “a exploração desordenada das reservas do planeta é um verdadeiro golpe da pirâmide que estamos aplicando nas futuras gerações. Aquele que saem na frente(nós) ganham tudo, e os que vêm atrás(eles) pagam a conta.”
    Achei a comparação bem apropriada. A diferença é que eles não terão ninguém para mandar para a cadeia. Tudo que lhes sobrará será esmurrar a parede e nos chamar de f.d.p..
    A civilização… a civilização é linda. Quantas grandes criações científicas, artísticas, filosóficas, arquitetônicas… mas não somos capazes de separar a penicilina da bomba atômica… o transporte público do transporte privado… o fusca do SUV…
    Como já citei anteriormente, alguns autores culpam os padrões de valores errados que adotamos desde a Grécia clássica.
    Um novo autor para mim, H. D. F. Kitto, em “The Greeks”, afirma que “os povos antigos não conseguiam se expressar a não ser através da arte, à exceção dos gregos e dos judeus”. Os gregos através da filosofia e os judeus através da literatura teológica, do deus único, com o qual havia uma comunicação pessoal. Não é interessante?
    Os filósofos nunca se entenderam. Acabou predominando Aristóteles como o molde mental de nossa civilização ocidental. Seu dualismo gerou a metafísica, o bem e o mal, a ênfase no ser individual em contraposição ao todo. O judaísmo é pai do cristianismo e do islamismo, e todas as superstições que acompanham essas três religiões.
    Por que não foi o homem capaz de recriar-se, contestar o aristotelismo e as religiões monoteístas? Parece que esse processo de recriação está em curso no século XXI. Occupy Wall Street é o grito de que “alguma coisa está errada”.
    Mas haverá tempo para uma reversão nos motores? Os indicadores são fortes de que as futuras gerações fritarão. Talvez a grande reversão só se consiga depois do grande cataclisma. Depois de uma nova idade do gelo, e de algum povo que comece de novo a pensar fora do círculo restrito da subsistência, ou mesmo da arte, e crie novos maneiras de pensar o homem e a sociedade. Ou que mesmo… jogue a toalha e abra mão de outra civilização, preferindo a vida do campo, tranquila, mesmo que curta.

  2. cesarbarroso disse:

    João,
    Acabo de ler no livro de Kitto que na antiguidade grega, a partir do século IX BC, Homero começou a ser lido como uma referência para tudo. A verdade para os gregos, até que chegassem Sócrates, Platão e Aristóteles, quatro ou cinco séculos mais tarde, era qualquer coisa que Homero houvesse escrito. Os gregos tinham então uma Bíblia, e se formou um fundamentalismo em torno da “Ilíada” e da “Odisséia”. Quem entedesse de Homero era sábio e podia deitar falação em tudo. Plato zombava desse costume.
    Interessante que hoje em dia grande parte da humanidade não tenha podido se livrar da escravidão do “livro”. Vejo esse fundamentalismo bíblico como uma imitação da antiguidade grega por parte de judeus e cristãos. Estão atrasados alguns séculos. Sorte nossa que a filosofia sepultou essa mentalidade.

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