Ocupando a ONU

Só faço uma pergunta: Alguém conseguiria imaginar uma “ocupação” da sede da ONU pedindo por um controle de natalidade global, com cada país tendo uma cota a cumprir? Impossível, não é mesmo? Isso vai de encontro a direita (que se imagina a …defensora da liberdade individual deles mesmos e do nacionalismo) e a esquerda (que se imagina defensora da liberdade coletiva dos trabalhadores e seus líderes – eles mesmos – do nacionalismo again) e de toda e qualquer religião já inventada, onde um deus qualquer é que tem a última palavra sobre essas questões… como nenhum deus, por razões óbvias, jamais falou, seus pseudos-intérpretes podem no máximo aderir a idéia imaginando que um controle de natalidade passaria pela única coisa que lhes falta (na ausência de uma pequena tara infantil) depois da decisão de ingressar na promissora e doentia carreira de interprete divino: sexo. Mas, como toda essa turma vive da exploração de desgraças, qualquer remédio será condenado por “deus”.

Lógico que sempre haverá alguns poucos que compreenderão que se ingressamos em vários caminhos sem retorno (economia globalizada por exemplo) em busca do bem tecnológico (que nos faz viver mais, sacia nosso único mérito psicoemocional que é a curiosidade e única maneira de dar sentido a existência intelectual, da saga de carregar o auto-conhecimento da vida… – única chance real, fora de viver imaginando fantasmas e deuses, de controlar a velhice e não morrer, para o porvir da espécie, se é que essa possa interessar, já que para nossa geração só se for na base da seleção oculta…) e que, também por causa disso, os recursos findam gerando uma natural onda especulativa (nunca nos livramos dos lobos, no máximos damo-los brinquedos para se distraírem), onde poucos ganham muito e muitos ganham pouco ou nada, que quebra as economias de forma global, já que os lobos (ora sob ataque em Wall Street) diante preços que se valorizam pela natural escassez entram no cio da especulação… Bom, esses poucos entenderão que a causa da escassez é o exagerado consumo, ainda mais quando este é desequilibrado como reflexo da competência de nações e/ou grupos étnicos após séculos de guerras onde os mais fortes tomaram para si a chance de mais consumir… Aceitarão o fato que também não há mais retorno de curto prazo para o desequilíbrio, já que se ele for equilibrado haverá muito mais consumo, quando, agora, as fontes naturais são as mesmas para todos. Como não há nem pode haver consenso nessa divisão (e nisso todos se perdem à esquerda ou à direita) a única alternativa seria reduzir por igual o montante total, para depois ver se dá alguma divisão exata… O caminho tradicionalmente usado até aqui (porque no passado a escassez também ocorria e se dava por incapacidade tecnológica de extração ou excesso de regionalização) para resolver essa incapacidade de calcular divisões justas era o da guerra, que sempre foi paliativo já que os vencidos eram o machos da espéci; As fêmeas, de onde as pessoas nascem, ficam sempre em quantidade, como espólio de guerra para machos sobreviventes e invasores vitoriosos. Logo, o que havia morrido era rapidamente reposto. Além de doloroso, tratava-se de um método ineficaz, tanto assim que estamos virando os 7 bilhões de terráqueos Homos S. Sapiens, mesmo com a contribuição brasileira que elimina de 40 a 50 mil pessoas todos os anos (imaginemos a quantidade de feridos e psicologicamente traumatizados para o resto da vida, derivados desses espantosos números!), nas mãos de criminosos comuns que só ficam 3 anos presos em sistema fechado, quando são pegos, o que é difícil (e os brasileiros ainda tem tempo de discutir o que se passa em Wall Street ao invés de estarem totalmente absorvidos encontrando uma solução para esse descalabro… prova inconteste da consciência desse povo quanto a sua responsabilidade de fazer baixar o volume humano no planeta…).

Estamos entre escolher por uma guerra suicida, uma grande epidemia ou uma solução que as culturas não aceitam porque papai do céu não quer. Eu acho que eu nunca fui tão sintético na minha vida. 😉

Fora isso só me resta dizer que está faltando algo aos ocupantes de Wall Street… Uma demanda objetiva, um desejo, uma ordem… algo factível… um click no lugar certo. Afinal é meio tautológico e festivo afirmar que tudo está errado. Antes que a coisa, feito peixe que não sai da mesa, comece a feder com o bolorento debate ideológico de sempre tomando conta do palco improvisado e/ou com provocadores plantados (ontem mesmo já foi um egípcio da primavera árabe discursar para a multidão… as chances de ser um “plantado” são enormes e deve ter significado uma colossal perda de apoio entre os xenófobos e racistas que, infelizmente, ainda são maioria… ser inspirado por um um não branco comunista declarado é tudo que o movimento na banda americana não precisa…) por aqueles que não querem solução alguma, seja porque achem que ganham mais com o capitalismo sem reforma do jeito que está ou por aqueles que ainda não se convenceram de todo que as alternativas inventadas até agora não deram certo e vivem intelectualmente e financeiramente (em partidos, redações, movimentos sindicais, etc.) desse não convencimento. A minha palavra de ordem seria a seguinte: Se o problema é a especulação… Então que proíbam a revenda de ações e títulos por um período de tempo não inferior a dois anos. Todos que comprarem bens de capital são obrigados a ficarem com os títulos sob seu nome por pelo menos 2 anos. Obviamente que isso só poderia ser complementado com o fechamento de todos os cassinos do chamado mercado futuro. Que se dane a captação de recursos, o que alegariam… Pura cascata. Caso a “ordem” não for atendida o povo unido que jamais será vencido (se for inteligente e souber usar o poder que tem) começa a executar economicamente o topo da lista da Revista Fortune. É o Wall Mart… esse é fácil… Ninguém comprará lá… É a Exxon? Okay, que fechem seus postos pois lá não haverá ninguém… And so on.

Anúncios

Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

3 respostas para Ocupando a ONU

  1. Max Dias disse:

    João, vc não abriu uma janela, vc arrancou o telhado…

    Será que o mercado de capitais, na sua loucura, não tem um componente suicida, aquele mesmo que enlouquece os viciados em jogo e os faz apostar a própria alma, num mergulho auto destrutivo que desafia todos os destinos e prognósticos? Obrigar um investidor a segurar suas ações é uma idéia antiga – e inviável. O governo brasileiro, quando faz suas “benesses”, distribuindo casinholas nas beiras de estradas ou lotes agricolas em assentamentos, também proibe a comercialização dos mesmos, por causa de experiencias constrangedoras no passado. Isso não muda nada, os carinhas continam os negociando através dos “contratos de gavetas”, numa tranquilidade que envergonharia até os fariseus do templo.

    Quando criaram o “zero economical growth point”, o clubinho de Paris que propunha, há mais de 30 anos, parar tudo para ficar como estava, muito estudante foi atrás, empunhando faixas e aclamando a solução, que infelizmente implodiria totalmente o mercado de ações (quem compraria ações de “zero economical growth”, isto é, sem dividendos?) Implodiria não só o capital, mas também seu equivalente (segundo Marx), o trabalho. O clube de Paris virou anedota.

    Epidemias. Esse fantasma arrepia a mente de todo mundo, incluindo principalmente os roteiristas de filmes catastrofe. Mas o fato é que a a vaca louca, a gripe aviária, a gripe suina (que mais?) não passaram de casos isolados; o mecanismo de autodefesa da OMS é quase perfeito e seu entrosamento com as entidades locais e com os pontos de acesso também. A grande epidemia de 1918 com seus 50 milhões de mortos é hoje práticamente impossível. Mesmo uma cepa potentíssima de colibactéria como a que surgiu na Alemanha foi prontamente isolada e apenas sofreram os ricos consumidores de “comida orgânica”, que só usa adubos naturais. Tão naturais que gestaram a super coli, também completamente natural…

    Li um artigo recente na SciAm sobre o Afganistão. Eu sempre me perguntei o que tanto se interessavam por aquele árido deserto montanhoso. Nunca acreditei, é claro, nos motivos “humanitários”, “democráticos”, ou qual a mascara que desejam colocar. Cheguei a pensar que era por razões estratégicas – ali está a porta de acesso para a China, oleodutos iranianos e iraquianos, &C. Bom, meu caro, o Afganistão é uma super provincia mineralógica que tem tudo quanto é metal raro que vc imaginar, para os mais diversos fins (bélicos e civis). De quebra, tem até ouro, em minas onde os investidores americanos já puseram mais de 50 milhões…

    Não há o que segure essa cambada, meu velho. Os ratos vão roer o planeta até o sabugo e mesmo os papais do céu tem seu preço (por sinal pequeno). A capacidade de multiplicação das religiões é espantosa, só na India existem mais de meio milhão de seitas, com seu respectivo Deus supremo, unico e absoluto, no momento todas a procura do inimigo comum, para escapar da briga entre elas, o que é dificil. Religião, ou seu equivalente alfabetizado, a ideologia, são a maneira mais barata de manejar a massa, para o lado que se quiser. (Recomendo, a quem interessar o tema, o livro de Elias Canetti, “Massa e Poder”.)

    Os Estados Unidos acreditam piamente no seu “destino manifesto” de liderança mundial e toda consciencia pensante sabe o que isso quer dizer. A questão militar já é secundária perante o gigante economico. Ninguém no mundo que tenha mais de dois neurônios deseja a falencia da economia americana, que não vai acontecer, pois mesmo sendo o “sangue do capitalismo”, o dinheiro pode mudar sua densidade e se adaptar a qualquer conveniencia, pois é APENAS dinheiro.

    • João Canali disse:

      Max, de fato… Você poderia lembrar da própria proibição do jogo do bicho que nunca foi obedecida… Entretanto, ia ser difícil operar com os bilhões dos fundos de pensão, da volta dos aumentos do petróleo em formas de investimentos (para mim o grande veneno do sistema…), das capitalizações acionárias dos bancos (o que deveria ser impedido) e toda a turma de apostadores institucionais (na verdade as valorizações e desvalorizações das ações não ocorrem mais em função do desempenho das empresas e seus potenciais meritocráticos, digamos assim, é pura especulação sem ligação direta com a realidade empresarial da economia real…) serem medidos diariamente pela “Paratodos” ao invés da Dow Jones. Se imaginarmos o fim de todo o asqueroso marketing enganador ao redor desse misto de cassino e escritório de agiota daqueles que prometem emprestar mesmo que o cliente esteja com o crédito fraco, já seria alguma coisa…

      Na verdade, eu acho até que essa atual crise não é por culpa do sistema financeiro, por mais errado e desregulado que ele seja… Tenho repetidamente afirmado que a atual crise possui o mesmo feitio estrutural da primeira crise da OPEP, aquela onde surgiu pela primeira vez o termo “petrodólares”, a crise que se segue após um repentino e brusco aumento dos preços do barril, afogando o sistema financeiro com os fabulosos lucros que companhias petroleiras e países produtores. Nessa última crise o aumento foi vigoroso e continuo ao longo de praticamente 7 anos, sendo que o mercado tentou blindar a montanha de novo dinheiro nos mercados imobiliários, o resto todo mundo já sabe…
      Contudo, me arrepio de pensar que aquela crise ocasionou a substituição de um governo democrata de apenas um termo (Carter) e que os preços do petróleo só cederam e se estabilizaram depois do que aconteceu no Irã com a ascensão de Khomeini ao poder (o que apavorou os sauditas comandantes da OPEP ~ É preciso uma compreensão profunda dos temores de uma casa real sentada em uma fortuna material e outra espiritual… Tendo como inimigos diretos republicas ditatoriais e teocracias que a cercam por todos os lados… Das republicas temem inspiração para movimentos internos, a cobiça por comandar a maior reserva petrolífera do mundo (e por tabela a OPEP) e das teocracias o óbvio desejo de controlar Meca, o maior totem místico do mundo islâmico, onde todos se viram às 5 horas da tarde para rezar, o meteorito negro que milhões peregrinam para beijar… Nós do ocidente nunca entenderemos isso direito, mesmo olhando na TV romarias para Juazeiro do Norte ou aquela gente se esmagando entre suores necessariamente mal-cheirosos para puxar uma corda no tal Sírio de Belém…) e agora observando a obviamente provocada Primavera Árabe numa primeira tentativa talvez de apertar a OPEP, a tomada das reservas líbias e, como se não bastasse, a notícia de ontem da acusação do Irã estar por trás de uma tentativa frustrada de assassinar o embaixador saudita em Washington, que pode significar desde a abertura de um caminho para a confrontação armada ou apenas o velho jogo exercido para desviar a atenção dos atuais problemas das manifestações crescentes… coisa Bush abusou de fazer… (como já se defendem os iranianos), passando pela lembrança de que os sauditas devem comer nas mãos, cedendo alguma coisa a tempo de permitir que Obama se reeleja em meio a uma rápida e enganosa recuperação econômica derivada de preços significativamente mais baixos do barril…

      Max, temos portanto aquele clássico viciado em apostas no jockey (evoco essa figura pois conheci a história de diversos deles em função de um avô postiço que lidou com tudo isso, tendo até fundado um hipódromo…) nesses insanos de Wall Street e a figura do viciado em drogas, o nosso mundo químico-dependente do petróleo. Por outro lado, outra loucura… Será que depois de tanta informação técnico-científica, comunicação livre na Internet e coisa e tal… as pessoas descobriram a verdade? Que são cercadas de mitos, falsos dogmas e axiomas em todas as suas atividades existenciais e mundanas, não só àquelas de ordem religiosa… Que as pessoas diante da verdade que só alguns seguram ou pensam segurar, ficaram loucas e revoltadas, como algumas crianças quando descobrem que Papai Noel não existe e foi substituído por um Papai do Céu que é mau prá caceta, cheio de regrinhas escrotas e insanas…? Podemos viver sem Papai Noel e do Céu e ainda acreditar que é nobre para caramba acordar cedo no dia seguinte para ralar em algum trabalho qualquer? 😉

      Preciso apelar para a concepção da guerra bacteriológica para insistir que contágios podem ser mais rápidos do que a OMS prevê? Talvez não precise apelar… Assisti um excelente documentário ficcional que, com todo o rigor técnico e científico de um documentário jornalístico bem feito, monta uma situação hipotética onde uma grande epidemia não totalmente mortífera atinge os trabalhadores da infra-estrutura social, como os operadores das usinas elétricas, comunicações e policiais e com isso quebra toda a possibilidade de resistência a propagação da doença e, pior, instalasse um caos social que se prova mais destrutivo que a própria epidemia. Passou na Nat Geo, muito interessante ao mesmo tempo que trágico e impiedoso ao não dourar a pílula do ser humano.

      O Afaganistão tem lítio que mesmo com a plena adoção das fuel cells (com o hidrogênio preso em gel) será ainda necessário para todas as baterias que continuarão sendo usadas cada vez mais… Isso se não aparecer algo melhor…, mas, também, estratégico para qualquer invasão do Irã… Na ocasião, Bush invadiu-o pois não conseguiu apoio dos aliados Europeus para ir direto contra o Iraque, que era o que seus comandantes queriam desde o início. Por outro lado, está mais ou menos alinhavado que quando saírem do Afaganistão o tal do Taliban retornará ao poder… vai levar tempo até corromperem a turma toda com os milhões dos minérios…

  2. Cesar Barroso disse:

    Max,
    Você diz que “os ratos vão roer o planeta até o sabugo”, no que concordo com você. Só que os ratos somos todos nós, subjugados por uma estrutura mental que nos impinge a “verdade” ao invés do “bom”. Embarcamos nessa canoa furada desde a época dos gregos, e nisso estou com Fedro do “Zen e a Arte de Manutenção de Motocicletas”, livro que não me canso de agradecer de você ter sugerido nesse blog.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s