Na Derradeira Fronteira

Eu pensava que o problema maior estava no Bibble Belt  americano, mas vejo que as vozes do retrocesso se manifestam até na Inglaterra, com seus respeitáveis 40% de livres pensadores, ateus, agnósticos e budistas… Essa matéria (no Telegraph ou no Globoonline) fala da luta na Inglaterra contra pretenderem ensinar nas escolas Adão e Eva (Criacionismo) como se fosse uma verdade plausível ou, muito pior, a sua sutil modernização pseudo-científica do mesmo pensamento, manifesta no tal do Inteligent Design, que aparece mesmo sem querer quando de forma antropomórfica descrevemos algo pertinente a natureza, colocando a natureza como sendo ela mesmo portadora de uma inteligência proto humana com desígnios, planificações, auto-apredizado consciente, etc… Ou, na cara dura, afirmando mesmo que existiria um deus embutido na natureza fazendo-a apresentar objetivos e vontades…

Isso me deu ensejo de tentar me lembrar o que tentaram me ensinar nas escolas e universidade brasileiras que freqüentei, sendo que, duas delas eram pertencentes a IRC. Bom… Cheguei a conclusão que: Ou eu era um péssimo aluno e não prestei a atenção a essa aula (eu sei que fiz uma tal de Ciência Gerais), ou nunca tocaram nesse assunto até porque minha formação não é da área das exatas, eu tenho uma péssima memória, o que é mais provável… Na verdade, não sei em que ano do aprendizado é que ensinam sobre evolucionismo ou criacionismo no Brasil e se isso só estaria restrito ao ensino superior… Na PUC tive que cumprir créditos em aulas de religião… Os padres não tinham coragem de pretenderem ensinar nada que cheirasse a Adão e Eva, tinham uma total noção do ridículo que cairiam… Na verdade, essas aulas acabaram me sendo muito úteis, pois pude com conhecimento de causa afinar a minha descrença e ter um olhar humano sobre a coisa, saber mais da historia, de perceber sem rancor o embuste religioso e saber como isso era contado, como aquilo foi preciso ou absorvido, como funcionava… As pessoas que me criaram nunca me impingiram nada nesse sentido, devo isso a eles… O fato é que aprendi o evolucionismo darwiniano de forma auto-didata, em minhas naturais pesquisas e estudos de pessoa curiosa. Posso dizer que foi o ateísmo que me ensinou ou levou a Teoria da Evolucionaria? De certa forma sim, mas, vejo também que a teoria evolucionista faz parte da cultura popular. A idéia de que evoluímos de uma espécie de macaco (primata e/ou símio para os preconceituosos) qualquer… é onde está o maior gancho publicitário da teoria, pois discordando ou aceitando a idéia, a pessoa vai se interessar em saber mais de onde vem “aquela idéia”… Como chegaram àquela conclusão… Quando a pessoa descobrir que é a teoria aceita pela ciência em geral vai ter uma segunda revelação importante… Caramba, isso possui uma lógica terrível, explica não só a origem do homem, como praticamente toda a vida ao redor… Existe uma seleção natural, os mais adaptados são os que sobreviveram… Inclusive, o velho conceito religioso, automaticamente se torna ridículo. Em uma segunda e óbvia revelação, vem junto a noção que a sociedade de um modo geral mente, pois mente a partir do principal… E agora, o que é verdade ou mentira? O que é certo ou errado? Ensinar a teoria evolucionária nas escolas é a única escolha possível para não termos um estrago na socialização dos indivíduos, a menos que se pretenda um retorno das teocracias… Não é nem um caso de convicção atéia ou respeito a opção pelo estado laico que a maioria das democracias ocidentais fizeram a muito tempo atrás. Mas é certo pedir aos religiosos que abandonem suas crenças ou que não tentem influenciar seus filhos? Seja qual for a resposta, nada lhes impede de ensinar em casa o que acreditam e acabamos como deve ser: Cada um tendo subsídios necessários a fazer suas escolhas de crença… Só fico surpreso que queiram mudar esse equilíbrio que conquistamos de maneira tão árdua… Já sei… desespero de quem está perdendo na Guerra das Teorias.

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
Esse post foi publicado em Ateísmo, Cultura Popular. Bookmark o link permanente.

2 respostas para Na Derradeira Fronteira

  1. cesarbarroso disse:

    João,
    “…40% de livres pensadores, ateus, agnósticos e budistas…”. Gostei de que colocasse o budista ao lado do livre pensador, do ateu e do agnóstico.
    Abraço,
    Cesar

  2. João Canali disse:

    Até porque, mesmo no budismo popular (ou não filosófico e livre pensador, digamos assim), com direito a rodas gigantes de encarnações (que sem esperanças o povão não se aguenta ou se conforma), não existe a figura criadora antroporficamente cheia de “boas” e “más” intenções, nenhum budista é criacionista, pelo menos em tese…

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