Pretensão: 11 de Setembro de 2011 Revelado

Bom, a origem da aritmética é absolutamente terrorista sob o ponto de vista pós 11 de setembro… Al-Khwarizmi nasceu no Paquistão, mas foi em Bagdá na “Casa da Sabedoria” que desenvolveu a coisa. Naquela época havia uma ciência islâmica … Mas, essa coisa de simbolizar a década passada, as divisões por dez em todas as efemérides importantes, essa mania decimal deve ser em função do calendário… O fato é que o Blog Teorias não poderia deixar passar esse dia onde se lembra o Calcanhar de Aquiles ou a Pedrada de David sem nenhum comentário.

Houve um crime há dez anos atrás e um executor se apresentou alegando como causa para o ataque a presença americana no Oriente Médio, sua ajuda a Israel… enfim, a existência de uma longa guerra cultural entre o islã e o ocidente “cristãotalista”. Mas, o atentado teve tantos outros usos que perfeitamente alguém poderia desconfiar de outras causas, de outros mandantes.

Seguindo essa pista de crime não passional temos que tentar encontrar um possível beneficiário… Quem ganhou com o 9/11? Quem acompanha meus escritos pela Internet já sabe a quem sempre acusarei…  Abaixo temos as 10 mais da famosa relação Fortune 500 do mercado americano… Aqui teríamos uma bela prova de quem saiu ganhando…

Ano 2000 – EUA1          General Motors

2          Wal-Mart Stores

3          Exxon Mobil

4          Ford Motor

5          General Electric

6          IBM

7          Citigroup

8          AT&T

9          Altria Group

10        Boeing

Ano 2008 – EUA1          Wal-Mart Stores

2          Exxon Mobil

3          Chevron

4          General Motors

5          ConocoPhillips

6          General Electric

7          Ford Motor

8          Citigroup

9          Bank of America Corp.

10        AT&T

Se partirmos para as 10 mais em todo o mundo em 2008 a coisa fica mais clara…

1          Wal-Mart Stores       

2          Exxon Mobil  

3          Royal Dutch Shell     

4          BP      

5          Toyota Motor            

6          Chevron         

7          ING Group    

8          Total  

9          General Motors

10       ConocoPhillips

Okay… Essas listas são suspeitas… Imaginemos companhias que faturem com as vendas realizadas em cartão de crédito, a maioria delas… A Visa, por exemplo, presente em 200 países mundo afora… Que descontados, impostos e custos operacionais, ganhe líquido centavos em cada uso de seus cartões… é mais, muito mais, mas imaginemos… Como, contando com milhões de centavos por minuto, essa companhia pode estar posicionada em 326 lugar na tal lista?! Ou a Mastercard em 411 lugar!!! Claro que aí tem “truta”… Eles pagam para não estarem listadas em primeiro? Já imaginaram que anti-marketing é as pessoas passarem seus cartões imaginando que estão engordando a companhia mais rica do planeta… Na verdade, quem está pagando a comissão é o comerciante, é o que vende… Mas, nada desse assunto é um bom marketing… Enfim, o fato é que está na cara que os grandes ganhadores do 9/11 foram as companhias de petróleo. Claro, os preços do barril durante esses dez anos nunca mais se tornaram estáveis ou apenas US$ 28.00 o barril, como naquele fatídico dia… Durante os últimos dez anos anteriores ao 9 de setembro os preços foram estáveis e aceitáveis para a economia mundial que cresceu faceira durante todo o período onde até um império caiu sem guerra alguma…

Quem comanda os preços do petróleo é quem comanda a torneira de sua produção, mais do que o mercado que utiliza o produto para especulação financeira ou os sócios distribuidores… Temos então uma estranha coincidência: a nacionalidade da maioria absoluta dos suicidas fanáticos que se mataram nos aviões, assim como o do mandante assumido do atentado é a mesma do produtor que mais ganhou com os aumentos do preço do barril… Muita coincidência… Alguém treinou os terroristas em jatos de grande porte… Quem possui jatos particulares iguais aos usados nos atentados? Príncipes sauditas… O treino com aviões particulares feito nos EUA foi só para haver costume com o tráfego aéreo… Só trouxas e místicos (dá na mesma) poderiam acreditar que leigos poderiam controlar aqueles jatos com a precisão demonstrada… O difícil é imaginar um fanático suicida com alguma habilidade… mas foi o que aconteceu.

Wikileaks X Files:

Todos os campos estão minados de forma especial. Contratamos os melhores especialistas em demolição do planeta, cinco príncipes detém o comando remoto para a destruição dos poços. Essa destruição impedirá o fluxo de nosso petróleo por pelo menos dois anos, tempo suficiente para provocarmos o caos descrito no relatório #666 anexado a essa mensagem. Verifiquem a autoria deste relatório e notarão que ele foi elaborado pelos maiores especialistas ocidentais nas diversas áreas abordadas pelo documento. O comando dessa destruição ocorrerá nas seguintes circunstâncias:

__  Ao contrário dos descrentes políticos ocidentais a Casa Real Saudita possui uma missão divina que é proteger o solo sagrado de Meca. Nossa responsabilidade transcende a ganância mortal pelo poder e as riquezas seculares de nossos membros… Qualquer ataque a Meca bem ou mal sucedido em destruir o tesouro espiritual que guardamos para mais de um bilhão de muçulmanos em todo o mundo, terá como retaliação imediata a destruição de nossos campos petrolíferos.

__ Interpretaremos qualquer invasão militar ou cultural como uma ameaça direta a  responsabilidade que nos foi confiada pelo poder divino.

Em virtude dos mesmos princípios não podemos admitir governos vizinhos que nos sejam hostis politicamente… Nem o descrédito internacional. Estamos cercados de repúblicas hostis dentro do próprio mundo muçulmano. A quantidade de dinheiro que temos investido no mundo ocidental nos permitirá promover pequenos e grandes distúrbios financeiros neste mesmo frágil mundo. Entendemos as dificuldades geradas pelo aumento dos preços do petróleo, mas não hesitaremos em realizar as políticas necessárias a encontrarmos um justo valor para o mesmo, tendo em vista nossas necessidades e segurança. No entanto, saberemos recompensar todas as ações que nos protejam de nossos principais inimigos, aqueles que cobiçam tomar nosso lugar na guarda e controle espiritual do mundo fiel a Ala.

P.S.: Não encontrei a relação das maiores companhias mundiais em 2001. Na lista desse ano, a General Eletric já está em terceiro lugar… Em uma aposta positiva para o futuro, a GE será a primeira em poucos anos.

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
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32 respostas para Pretensão: 11 de Setembro de 2011 Revelado

  1. fbarbuto disse:

    Canali,

    Confesso que as listas publicadas não me surpreenderam. Os usual suspects estão em massa nelas, e é comum a rotatividade no top-ten das gigantes. De fato, entre 2000 e 2008 (quase uma década, veja bem…) apenas três nomes saíram delas, para três outros entrarem. Companhias de petróleo sempre estiveram nessas listas, e nesse particular nada mudou. Enfim, é sábado de manhã e meu cérebro ainda não ligou todos os seus switches, portanto é bem possível que eu não tenha entendido o teu ponto…

    O que me causou profunda surpresa — juro! — foi a presença da Boeing e da IBM na lista de 2000. A primeira, porque é notório que o setor aeronáutico vive na maior merda em situação complicada já não é de hoje. A Boeing tem um pé (ou os dois) no setor aeronáutico-militar dos EUA; são eles que fabricam os F-15, F-18, F-whatever e B-52 da vida. Não deveria ter subido na lista, na esteira das guerras em que os EUA se encalacraram depois do 9-11? Natural seria que as encomendas deles aumentassem e consequentemente o faturamento.

    A segunda, porque há muito tempo a IBM perdeu o domínio do setor em que reinava e que ela mesma criou, o do processamento de dados, para usar uma expressão antiga. Criou o IBM-PC, uma revolução no setor do personal computing, mas ao mesmo tempo um produto facilmente clonável/copiável (qualquer técnico de subúrbio em Peshawar pode montar um a partir dos seus componentes). No setor de mainframes, assistiu-se ao declínio do uso destas máquinas gigantes devido à crescente “miniaturização” (digamos assim) do hardware e principalmente de seus periféricos (me lembro de ter usado um disco rígido externo com o tamanho de uma caixa de bombons Garoto com apenas 5 MB de capacidade, no início dos anos 90; hoje, meto a mão nos trocados do bolso e compro um pen drive com 12 mil vezes essa capacidade na lojinha de conveniência ali da esquina). No setor de “médio porte” (processamento distribuído, estações de trabalho), a IBM cochilou e isso foi a sua morte, ou melhor, o profundo coma em que se meteu por vários anos. Mais recentemente a IBM tem se recuperado um pouco vendendo servers e clusters de alto desempenho para os setores de pesquisa, acadêmico e — arrá!!! — petróleo e gás. Ainda assim a competição é feroz. Máquinas Dell e HP vivem nos calcanhares da Big Blue, e não dá pra ninguém dormir sono tranquilo.

    Você disse que não achou a lista de 2001. Fico pensando se você não consegue a de 2010. Será que o panorama ainda é o mesmo? Quantos players entraram e saíram da lista? Ouço dizer que a Apple está hoje no topo da lista (E aí, dona IBM? Vamos falar de tecnologias não-clonáveis, agora?). E as outras, onde estarão?

    Estas listas estão cheias de dinossauros da “velha economia” que, como os dinossauros de verdade, serão extintos um dia.

    F.

    • João Canali disse:

      Em 2009, o que na verdade reflete melhor o desempenho de 2008 a Exxon estava em primeiro… nos anos subsequentes voltou ao segundo posto na lista das maiores americanas… Mas, realmente, faltou-me colocar um link para dar melhor referência ao que escrevi, o que faço agora… Nele podemos ver, alterando o menu pool down, diversos anos… Em relação ao posicionamento global das companhias, encontrado em outro link, o da revista da Forbes, não davam mais acesso ao ano de 2000.

      http://money.cnn.com/magazines/fortune/fortune500/2009/full_list/

      A explicação da Boing ter saido das dez mais pode ser explicada até pelo surgimento rápido e não tão misteriôso da Conoco-Phillips nas primeiras posições… Esse verticalizado monstro da indústria do petróleo (faz de tudo, da extração, refino e distribuição) comanda boa parte da venda de gasolina para avião na Europa (apesar de ser texana, da turma que colocou Bush lá… como veremos abaixo…). O longo e contínuo perfil de subida de preços do barril após o 9/11 fez com que a Boing perdesse mercado não só por conta do declínio de toda a aviação civil como também por conta de sua concorrente direta, a Airbus, estar vendendo mais por possuir jatos mais econômicos em termos de consumo (aliás uma tradição que sai dos veículos terrestres, onde também os europeus são menos beberrões, e vai para as nuvens). Uma pena, pois me sinto mais seguro em um Boing, aproveito para dizer. A aviação militar explica porque a Boing possui um posicionamento melhor que a rival européia, of course… Todavia, todos os exemplos que você citou são de modelos anteriores a 2000, a Boing não tem um grande contrato como aqueles já faz muitos anos e a tendência é que não os tenha mais em função da avassaladora opção pelos jatos sem pilotos, onde ao que me consta ela não é líder… E até porque, como o noticiário não cansa de informar, o governo americano está no vermelho… A Boing que lamba os beiços com a manutenção, o que não é pouca coisa, aliás é o feijão com arroz dos fabricantes de avião.

      Agora, pesquisando a junção do nome Bush com Phillips, pois eu acho que é nessa direção que encontramos toda a explicação encontrei diversos links interessantes… Em um deles, em um artigo de 2002, antes da invasão do Iraque, o articulista menciona…

      “It is likely that George W Bush and his allies have received more campaign contributions from oil companies than any other administration in history. All told, data compiled by the nonprofit Center for Responsive Politics show that oil and gas firms donated $1,889,206 to Bush’s presidential campaign, making the industry among the top ten special interest contributors to Bush in Election 2000. Individuals connected with the oil industry contributed at least an additional $85,500 to the Bush campaign. The Bush Presidential Inaugural Committee received yet another $ 1 million in contributions from oil and gas firms. The oil and gas industry contributed at least $556,700 to Bush’s 1994 and 1998 campaigns for Governor of Texas. Individuals connected with the industry contributed an additional $944,733.” O link para o artigo completo é:

      http://www.thirdworldtraveler.com/Oil_watch/Oil_BushAdmin.html

      Vale lembrar que nessa época havia restrições a doação de campanha, talvez até porque achemos os valores baixos… Nessas próximas eleições, a primeira depois da criminosa liberação das doações, vamos ver coisas de arrepiar o cabelo… Sou assinante da Popular Science. Para os meus parcos conhecimentos científicos ela fala uma linguagem que me alcança… Então, sou testemunha de fatos que o ingênuo e apolitizado senso crítico do americano comum não costuma se dar conta, após uma edição onde aborda diversas alternativas energéticas, chegando próximo do fato que se houver vontade política se acaba com grande parte da dependência do petróleo… temos na edição seguinte, publicidade de várias páginas da Shell, da Chevrom… dando uma de bons mocinhos que pesquisam energias alternativas e coisa e tal… Quando bem sabemos que só querem segurar patentes e o foco sempre cairá para sub-produtos de sua atividade, como o gás natural e até algas, quando continuariam aproveitando a rede instalada de distribuição, já que seria apenas substituir uma coisa por outra… Eles estão ativos em defender o seu ganha pão mesmo que ele represente guerras, poluição, mudanças climáticas, atraso tecnológico… Até certo ponto seria natural, não podemos recriminar quem defende seus interesses… mas quando essa defesa envolve a compra e financiamento de políticos, chamem isso de lobby ou não, do meu ponto de vista, isso passa a ser crime, dando direito a um upgrade para a classificação de inimigos da humanidade.

      Colocaram Bush, de forma fraudulenta, um incompetente, um mau caráter sedento de auto-afirmação pessoal, como pau mandado para aumentar o preço do petróleo. A idéia que vendiam era a de que só poderiam reconquistar a independência energética ou a não dependência da energia do Oriente Médio para a América fazendo entrar em produção o petróleo caro de extrair (até porque o petróleo fácil de extrair estaria com os anos contados… talvez fosse necessário assegurar politicamente esses poços no Iraque e na Líbia…), seja no offshore da costa brasileira e africana, no próprio Golfo do México quando em águas mais profundas, no Alaska, o betume canadense e até, entrando nessa janela – o que talvez não contassem – os dez por cento do caro etanol que hoje são obrigados a misturar na gasolina… Mas, na verdade, sabiam que, paralelamente a isso iriam ganhar muito, pois seria o aumento da mercadoria que vendem… Convencer o parceiro saudita seria fácil… Contudo parecem não se lembrar que a gordura financeira gerada pelo aumento do combustível que parece suportável em um primeiro momento gera um brutal transtorno financeiro, causa direta de toda a atual crise mundial… Sempre mascarada com outros problemas do capitalismo… outras revistas e mídias recebem anúncios também…

      Nesse ponto vale a pena analisar o indivíduo cuja biografia a Wikipedia nos trás… um grande contribuidor de Bush, diga-se de passagem… e um perfeito retrato do camarada que poderia estar atrás de articulações como a que comento… Antes do link… Imagina que esse indivíduo que fez fortuna a vida inteira com petróleo e suas vertentes financeiras vem a público propor um gigantesco corredor de cataventos geradores de energia elétrica… aí vão descobrir… o cara propôs aquilo porque tinha investido em diversas fazendas eólicas… Não era a atitude de quem quer inovar e ver o bem do país que lhe deu bilhões… Era apenas um vulgar avarento Tio Patinhas do mal querendo faturar um golpe de mercado… Não se conforma que Warren Buffet tenha mais dinheiro do que ele… Esse tipo de “empreendedor” que eles glorificam! A vontade de simplesmente querer salvar o mundo ou seu país como um ideal como outro qualquer, até para quem está velho e não tem mais nada o que fazer ou onde gastar tanto dinheiro… quiçá pensando no futuro de seus filhos e netos… isso não existe, tem que estar ganhando… um viciado em fazer dinheiro… O que obviamente estraga a própria idéia, pois, deixa as pessoas desconfiadas… Mas, seria apenas um tiro no pé… Não segue o mesmo padrão de prejudicar alternativas tomando a iniciativa de propô-las? Apostando na mais fracas delas… Se falasse em usar as turbinas eólicas para produzir hidrogênio como ora fazem na Alemanha em direção as fuel cells… Bom o link está aí: http://en.wikipedia.org/wiki/T._Boone_Pickens#The_Pickens_Plan

      Ficou faltando explicar a IBM… Aquela que teve tudo nas mãos para a ser a número um… e por não ser tão gananciosa ou competente (como os cocainalistas afirmariam… existe um paraleo entre o capitalismo e o consumidor de cocaina… em ambos os casos o consumo tem que aumentar sempre para haver ou lucro ou efeito turbinador típico de criança hiperativa… até que uma crise abstinência devido ao baixo consumo causam uma crise danada…) está no lugar onde deve estar por não ter se tornado o monopólio de alguma coisa. Se fosse do “mal” com algum insaciável Tio Patinhas no comando, teria tido diversos monopólios…

  2. fbarbuto disse:

    Canali,

    A Boeing não vai bem porque a aviação civil nunca voa em céu de brigadeiro por muito tempo. É um setor complicado. O nome “Pan Am” me vem à mente. Como pôde uma companhia daquela dimensão e importância ter falido? O que teria essa falência representado em termos de lucros cessantes para a Boeing? Pense no Brasil, um país onde se voa muitíssimo menos do que nos EUA devido à inexistência de uma classe média pujante e numerosa como a deste último país. Chavecadas à parte (relembre o caso Panair), o quadro é o mesmo. Me lembro do ano que morei em Salvador, Bahia e vinha ao Rio de quando em vez. Só havia três companhias aéreas na época: Varig-Cruzeiro (a Cruzeiro tinha acabado de ser engolida pela Varig), Transbrasil e Vasp. Hoje, nenhuma delas existe mais. As européias — todas fãs da Airbus com exceção dos 747 operados pela KLM, Lufthansa e British Airways — também não vão bem, com destaque para Iberia e Alitalia. Enfim, é um setor complicado já não é de hoje. Antes ou depois de 2001.

    A IBM era uma senhora companhia que ficou 20 anos na lista dos 10 mais, sendo que entre os anos 80 e 90 ocupou o quarto lugar por quase 10 anos seguidos. Isso é uma puta façanha numa lista onde entravam GM, Ford, GE, as Sete Irmãs (hoje já não mais sete), gigantes da telecomunicão e um monte de cachorro grande. Hoje em décima oitava posição, caiu não por ser “do bem” (ou por não ser “do mal”, o que não é exatamente a mesma coisa…), mas por falta de visão. Destino pior tiveram suas competidoras, a Burroughs (hoje totalmente descaracterizada sob o nome de Unisys) e a Control Data Corp. (fabricante dos supercomputadores mais rápidos dos anos 60 e 70, e embrião da Cray), que fechou. Curiosamente, tive a oportunidade de usar um mainframe Burroughs na UFRJ e um CDC na UFOP, universidades onde estudei. Eram boas máquinas, mas aquilo que foi (ou poderia ter sido) uma gripe para a IBM foi uma pneumonia para estas duas outras companhias.

    Claro que as companhias de petróleo tiveram lucro com a crise (alguém tinha que ter…) mas vilanizá-las em excesso é ingenuidade. O equilíbrio das coisas é delicado, e não lhes interessa matar a galinha dos ovos de ouro (i.e., os consumidores). Tudo tem um limite… As pessoas passam a andar menos de carro, compram carros mais econômicos (o que é uma boa, ainda que em detrimento do conforto), viajam menos de férias, ou para destinos mais acessíveis… Uma quebradeira das companhias de aviação, dos fabricantes de automóveis, etc, não lhes interessa o mínimo.

    F.

    • João Canali disse:

      Realmente Fausto, a aviação civil é um negócio complicado… Mesmo esquecendo os terríveis custos operacionais, preços dos aviões, combustível especial, manutenção de equipamentos, seguros altíssimos, etc… Ainda tem aquela coisa de assumirem compromissos com as rotas cedidas pelo poder público, o que lhes causa uma obrigação que lhes impede de só levantar vôo quando todos os assentos estiverem vendidos, único modelo que seria infalível para esse negócio… Pode-se dizer que eles possuem constantemente prejuízo com horário marcado. São obrigados, devido as concessões, a “arquivarem” verdadeiros contra-pesos operacionais em forma de rotas e horários. O engraçado é que nesse caso, o mau negócio da aviação comercial é reflexo da boa atuação das agências reguladoras… E coisa de governo andar bem, em qualquer parte do mundo, fora da turma viking e tirolêsa, é coisa rara. Já os fabricantes de avião correm atrás do rabo tecnológico, o que gastam em R&D é uma monstruosidade… Não é a toa que afunilaram e praticamente se conta nos dedos das mãos os que ainda estão no negócio… Foi preciso um consórcio internacional europeu para que surgisse um que fizesse frente a Boing, que por sua vez se fundiu com a Douglas… já resultado de várias outras fusões… O setor pede gigantismo, o monopólio é quase que imperativo, não existe lucratividade ou mercado suficiente para vários competirem tendo que cada um por inovações diferentes… Outra curiosidade é que nem a Boing nem a Airbus conseguem o mesmo sucesso de vendas nos mercado de pequenas aeronaves, onde diversos fabricantes concorrem… Acredito que o custo de desenvolvimento de grandes aeronaves absorva toda a capacidade produtiva da empresa… ou possuem limitações legais com as leis anti-trust… Aliás, essas leis não possuem critérios fixos, creio eu, vai no caso a caso… Mais curioso ainda é que só houve uma companhia a operar aviões que ela mesmo fabricava – ou possuia o mesmo dono – que foi a TWA do Howard Hugues, com aqueles Constalations…. mas, estes foram vendidos a outra companhias… Ambas não existem mais…

      E falando em leis anti-trust, voltamos a IBM que tinha tudo para ser um monopólio e perdeu por não ter fechado com patentes a placa-mãe dos primeiros PCs com processadores Intel… Falta de visão? Veja a que ponto chegamos… Temos hoje essa imensa popularização dos computadores (e logo, da própria Internet) graças a um “erro” dos executivos da IBM, que não se perceberam do potencial daquela nova divisão de computadores pessoais que tinham aberto, só por conta se darem conta que aquilo poderia perturbar sua imensa venda de máquinas de escrever… A dupla micro e impressora estava começando… Por outro lado, não pegava bem ao maior fabricante de mainframes e de máquinas de escrever, deixar desocupado o óbvio meio caminho entre as duas pontas de sua produção… Como necessitaram de um sistema operacional que pudesse ser posto naquela “maquininha”, buscaram a maior softhouse de CPMs (os antecessores diretos do MS-DOS) para encomendar um… quando poderiam ter desenvolvido um próprio na mesma ocasião (como anos mais tarde vieram a fazer sem muito sucesso, o tal do OS2… que era melhor que o Windows em diversos aspectos, menos em popularidade já instalada…). Mas, o dono da Digital Research, furou o encontro e acabaram encontrando a recém inaugurada Microsoft que há pouco havia adquirido o DOS de outra firma por 80.000 dólares (isso era um graninha considerável na época… os pais do Bill Gates não eram pobrinhos não… aliás tinham até podido pagar a Universidade do filho… o tal do self-made man não se aplica não…). Essa aquisição havia sido feita para dar suporte (ou servir de sistema operacional, era tudo vendido em um pacote só) ao interpretador de linguagem BASIC que os garotos da Microsoft desenvolviam… E foi esse pacote que foi parar nos primeiros PCs, só tiveram que adaptar algumas poucas rotinas, já que o processador da Intel possuía uma grande compatibilidade com a linguagem de máquina da Zilog, que era o processador mais usado até então pelas diversas famílias de CPMs… A ironia do destino é que a Microsoft, que se cercou de patentes, acabou se tornando um virtual monopólio por muitos anos (a ponto de haver uma tentativa por parte do governo, para desmembrá-la) e a IBM seguiu seu caminho… Ficando a pergunta… Se tivesse a IBM fechado a arquitetura de sua placa mãe, a Microsoft teria tido o empurrão necessário para se tornar o que se tornou? Provavelmente não. Uma deixou de ser monopólio para a outra ser… Se as duas tivessem conseguido enfrentar a concorrência juntas teriam se tornado um monopólio e sido divididas pelo governo? Nunca saberemos… O corte epistemológico que nos levou a popularização dos micros e da Internet ainda merece muitas análises, onde ainda devemos computar o número de pessoas que foram salvas graças aos adiantos da informatização na medicina e a quantidade de pessoas que hoje estão sem emprego em função da adoção da mesma em todos os níveis das atividades humanas… Há uma gangorra nisso tudo. No que nos interessa, a IBM está aí onde uma companhia com uma cultura corporativa não agressiva mas inovadora deve estar… com laboratórios em todo o mundo…

      E falando em cultura corporativa, entramos nas companhias petrolíferas onde essa cultura corporativa é sabidamente “do mal” no que tange ao confronto de seus interesses com os interesses da maioria. A coisa é tão patente quanto seu óbvio lobby junto a políticos e a história das desapropriações em busca de poços de petróleo (essas atuais guerras nada mais são do que, metaforicamente, a natural extensão do que promoveram no próprio EUAs nas primeiras décadas do século passado, o que é costumeiramente relatado pela cultura em filmes e livros… Sempre usaram de artifícios escusos, como mineiros de Serra Pelada que nunca pensaram duas vezes em usar o mercúrio… existe uma coisa aí na alma desse negócio…) e danos ambientais diversos. Claro que surge a desculpa que estariam possibilitando o progresso e que a sociedade atual é reflexo de suas atividades… Mas já chegamos em uma virada, onde isso, a defesa de um modelo de negócio, passa a significar atraso e malefícios diversos para todo o planeta…

      Mesmo como tabagista inveterado, eu diria que as petroleiras devem ser combatidas como as tabagueiras… A redução do uso e dependência do petróleo deve ser igual ao que está sendo feito com o uso do tabaco… onde as Philip Morris da vida foram demonizadas junto ao grande público e perderam direito a publicidade de seus produtos e foram obrigadas a pagar indenizações altíssimas. Se tudo correr bem, o camarada que gosta de correr no “calçadão” vai, depois de se ver livre da fumaça de seu cigarro, se ver livre da fumaça que sai dos veículos… Não resisto a essa analogia, muito embora ache o corredor um chato em potencial (porra não tem nada melhor para fazer…) e acreditar que sem os prazeres do meu cigarrinho a vida perderia muito de sua graça… Foi o que senti durante algumas gripes onde fui obrigado a dar um tempo… Mas, o princípio geral, tem que estar acima das vontades e necessidades meramente pessoais… uma guerra geral contra a fumaça não deve significar parada total, outro sim, uma freada paulatina, mas constante. Atualmente, devido ao poder político dessas companhias petrolíferas, inventam mais cânceres novos atribuídos ao cigarro do que destruições planetárias atribuídas ao CO2 da queima dos combustíveis fósseis… Tem que haver um equilíbrio… 😉 Sendo justo, as guerras mais recentes, todo mundo já sabe que foi por causa do petróleo, só falta linkar a influência dessas companhias nos dirigentes que provocam as guerras em nome de seus países… Mas isso também tem sido feito…

      • fbarbuto disse:

        Canali,

        Acho que já deixei clara aqui a minha impressão nem tão imparcial a respeito da
        indústria petrolífera: o problema somos nós, a nossa raça humana, que além de
        seus inúmeros defeitos como ganância e crueldade ainda tem se reproduzido
        insanamente… Somos mais do dobro do que deveríamos ser, por baixo, para
        vivermos confortavelmente nesse nosso pobre planetinha azul.

        Um outro defeito nosso é nos esquecermos do passado muito facilmente. Luta-se e mata-se hoje pelo petróleo, mas no passado lutou-se e matou-se por outros
        insumos, de especiarias a carvão, passando pela prata e até pelo ópio. A Alsácia-
        Lorena, o vale do Ruhr, a Silésia, todos esses lugares foram alvo de disputas e
        conquistas por causa do carvão, derivado de carbono cujo reinado entrou em
        declínio devido à entrada em cena de seu primo petróleo, mais rico em hidrogênio
        molecular e bem mais versátil. Hoje nos esquecemos destes fatos históricos, por suas distâncias no tempo e por termos à mão exemplos bem mais aterradores
        de guerras lutadas com tecnologias terríveis. Mas não se iluda: quando terminar o
        reino do petróleo, algo que provavelmente nenhum de nós dois testemunhará, outro insumo tomará seu lugar e sobre ele recairão a ganância e o ímpeto guerreiro humanos. Não custa nada ser o urânio a bola da vez. Há muito urânio e tório na África, por exemplo. Hmmm… Africa, you said? Aquele continente negro e faminto cheio de etnias que se odeiam e governos historicamente corruptos? How
        convenient…
        E ai deles se resistirem… Bwana precisar de energia, non deixar barato…

        Hoje vemos o aumento da poluição (da população humana sobre a Terra, na verdade… o problema na verdade somos nós mesmos) e nos lembramos da opção suja que o petróleo representa. Só que poucos atinam que esse é o preço a pagar pela versatilidade do ouro negro. Eletricidade é limpa, é cool, é “tudibom” como dizem os mineiros. Mas é uma piada se comparada com a gama de utilidades do petróleo (não vou nem entrar no mérito da questão que para se produzir eletricidade não raro se usa derivados de petróleo como o óleo combustível e o diesel… seria até covardia nesta altura da discussão…). Com eletricidade
        energizamos nossas casas e podemos até mover carros e parte da indústria. Mas não fazemos lubrificantes com eletricidade. Nem plásticos. Não se pode “estocar energia” como fazemos com os derivados do petróleo. Não há, e provavelmente não teremos tão cedo, um avião elétrico que faça vôos intercontinentais. Borracha? Asfalto? Imagina. Enfim… Nada é perfeito, é tudo um toma-lá-dá-cá.

        E fique tranquilo… Se merda fosse o combustível que move o mundo, a ganância estaria em cima dela. Talvez passássemos a ser apenas donos nominais dos nossos intestinos, enquanto seus senhores de facto seriam companhias inescrupulosas que nos forçariam a lhes ceder nossa “produção”, empresas como a CUnoco e a TexaCU. Países encorajariam a imigração de gente que comprovadamente cagasse acima da média. Outros mais punitivos como os EUA estabeleceriam punições por sonegação fecal a pessoas que não evacuassem como cidadãos honestos, diariamente e em volumes compatíveis com suas massas corporais. O país precisa do seu cocô… Defeque mais… Yes, you can… Quanta besteira… Sim, estou de sacanagem no teu distinto blog, mas com essa escatologia irônica quero dizer que o petróleo é apenas a bola pela qual os
        jogadores brigam… Ela não é o jogo em si, nem dela depende o fairplay… Tivemos sorte (em termos) de ter tido petróleo por tanto tempo, pois com ele construímos uma civilização cheiinha de defeitos e bem sujinha, mas capaz de dar um salto tecnológico que nos permita viver sem ele, o maldito ouro negro. O que vai vir por aí ninguém sabe, o futuro ao futuro pertence…

        F.

      • João Canali disse:

        É isso Fausto, vamos melhorando de guerra, essa é a idéia… O petróleo é apenas a bola da vez, não o jogo, concordo… Da mesma forma como ainda não dispensamos o carvão, um dia estaremos na mesma relação com o petróleo… Só vamos pegar os lubrificantes e outros derivados que nos interessam… As sociedades tem evoluído, pelo menos no saber tecnológico e sua aplicação, e, obviamente, que não vejo no petróleo um mal em si mesmo (já os que ganham com sua produção e venda, dependendo do que fizerem para continuar no negócio… sei não…), só acho que é mais uma etapa a ser vencida o mais rapidamente possível… Quanto pessimismo achar que não veremos a virada… toc, toc, toc… Mas… Por favor… Não me peça para me achar um sortudo por não termos dado um salto tecnológico logo em direção aos veículos elétricos, aliás os motores elétricos funcionais são um pouquinho mais antigos que o motor à combustão interna, muito embora esses tenham sido imaginados bem antes… Sorte teríamos se não tivesse sido necessário explodir Hiroxima e Nagasaki e pudéssemos então partir para proliferação das usinas nucleares (depois iam dar problema, com certeza, mas seriam superados sem o trauma e medo causado pelas bombas…) em todo o mundo, propiciando os carros elétricos, navios, bondes e trens elétricos em muito maior quantidade do que foi… Com ninguém interessado em ficar dependente do petróleo texano daqueles tempos (hoje praticamente não cobre nem a metade do consumo local…) ou as vorazes companhias que exploravam o negócio… Aliás, antes de lembrar dos aviões com motores elétricos (que existem e são alimentados até por células foto-voltaicas, vc já deve ter visto… protótipos a espera de baterias mais leves ou uso de fuel cells) temos que lembrar que os motores que movem as turbinas ou hélices dos gigantescos porta-aviões nucleares, são enormes motores elétricos… A relação de uso energético do motor elétrico é muito superior… ou seja, o petróleo nos condenou ao atraso que dura até hoje… Muito desenvolvimento para um mundo elétrico foi atrasado em função do uso do petróleo… Então, como é que vou achar que foi sorte terem viciado o mundo inteiro com essa droga? Devia ser só para ajudar com o frio e acabaram tomando um porre com a coisa…

  3. fbarbuto disse:

    Canali,

    Você eu não sei, mas eu não me vejo vivendo mais quarenta anos. Não é nem uma questão de otimismo, mas de matemática… Não fumo, ponto pra mim, mas estou bem acima do peso ideal há anos. Acho que não emplaco mais 40. Já o petróleo e o gás, ainda existem muito por aí. Hoje mesmo o Globo Online noticiou a descoberta de mais óleo na bacia de Sergipe-Alagoas. Excelente notícia… Há muito petróleo na costa brasileira e esta por sua vez é muito extensa.
    As sociedades modernas, em especial dos países emergentes, dependem fortemente de energia, que pode ser suprida pelo petróleo. Não vamos capar o crescimento do Brasil…

    Não acredito no futuro da eletricidade a não ser como intermediária entre a energia atômica e outras formas de energia (mecânica, térmica). Longe da tomada, a eletricidade perde muito de seu apelo. Você fala do maior rendimento dos motores elétricos em comparação com os a gasolina ou diesel. Você está certo, mas esquece-se das perdas na transmissão até os locais de consumo. Quer dizer, no fim a eficiência combinada transmissão-utilização é menor. Vejo um horizonte de aplicação para a eletricidade gerada in situ (painéis solares, cataventos) e essa talvez nem demore tanto. Ponho fé também na energia atômica, apesar dos seus riscos.
    Mas a versatilidade do petróleo jamais será alcançada.

    F.

    P.S.: Lubrificantes sintéticos já existem, mas vai ser difícil um mundo sem plásticos mesmo com toda a reciclagem que se poderá fazer. Os óleos vegetais (que nada mais são do que cadeias de hidrocarbonetos com radicais ácidos em suas extremidades) podem ser uma resposta. Mas isso nada mais seria do que reinventar o petróleo às custas de terras agriculturáveis que poderiam ser usadas para fins mais nobres.

  4. João Canali disse:

    Fausto, você deveria estar preocupado vendo o Brasil descobrindo tanto petróleo (se bem que o tal do pré-sal, até agora… bom deixa prá lá…) se é que estás de fato preocupado com o Brasil… Olha o que acontece com todos esses países que exportam petróleo… Em pouco tempo só sabem viver daquilo… Aliás, o Brasil ainda vive de exportar insumo básico e produtos agrícolas, sua indústria – que no que possui consistência é multinacional em maioria – ainda sobrevive de uma terrível muralha de impostos aduaneiros… ou seja, exporta outro liquido muito menos viscoso, é verdade… Veja a quantidade de petróleo que tem a Venezuela e veja o estado de sua economia… Não vou nem falar desses países do OM… eles tem a desculpa da cultura primitiva, ditaduras, colonizações forçadas, etc…para não produzirem nada que preste além do petróleo… Nem investir em usinas de dessalinização eles tiveram a iniciativa de fazer, uma ou outras nos emirados para irrigar campos de golfe para novos ricos… A Líbia poderia ser um grande oásis fornecendo comida para toda a região… Pegava as águas do Mediterrâneo e irrigava aqueles desertos todos… Quando o petróleo deles acabar vão montar no camelo e ficar zanzando de um lado para o outro do deserto… e haja dor de dente, essas simplicidades e frugalidades só são boas até a próxima dor de dente… Parece uma praga, mas na verdade não é… Os sócios da distribuição, os donos da tecnologia de extração (ah tá bom, a Petrobrás tem tecnologia própria… eu acho que no máximo sabem usar bem a maioria dos equipamentos e copiar alguns canos… o resto é propaganda…) sempre estão imaginando formas de deixar o negócio mais barato, uma barganha… No Brasil então… Morre um Vietnã por ano por força da violência criminal e os caras, agora, só agora tentam combater a corrupção… Eles preferem morrer na esquina do que imaginar que ele não está no lugar do deputado que “se deu bem”… Não tem prioridade nenhuma, tudo é manipulado… Se tiver muito petróleo nas costas fica fácil… Basta provocar uma grande guerra civil no continente enquanto ficam lá no canudinho sugando tudo… Não tem aquela de dinamitar os poços e sentar em cima com o detonador nas mãos, como parece que Kadafi está fazendo para ganhar tempo ou obter um good deal… Já te contaram que o Saddan invadiu o Kuwait porque eles estavam sugando petróleo desde o seu território, já que as jazidas estavam na fronteira??? Até aquele ponto ele era aliado ocidental, inimigo do maior inimigo, o Irã… Bom, o cara mentia… E falta mentiroso no Brasil? “Eu não sabia…”

    Fausto como engenheiro você tem a obrigação de acompanhar o que andam fazendo com as fuel cells, se metade do que falam é verdade, estaremos nos livrando do petróleo em 10 anos… o que me custará para ver, a preços de hoje, US$ 82.125.00 em cigarros, isto é, contando que eu estabilize… 😉

  5. fbarbuto disse:

    Canali,

    Sorte é uma coisa relativa (curioso eu escrever isto justo agora que a Teoria da Relatividade está em cheque com todos esses neutrinos voando por aí a velocidades microscopicamente acima da velocidade da luz…). O Brasil é o que é, um país de pouca tecnologia autóctone, nativa. Já que é assim (e assim continuará a ser enquanto não se der à educação o devido valor…), que pelo menos tenha algum petróleo, porque ser assim e SEM petróleo é ainda pior. Se a noz é dura, que pelo menos a dentadura aguente…

    Agora, cúmulo da maldade (nem tanto assim, nem tanto, explico depois) comparar o Brasil aos países árabes, cujos climas, governos (?), culturas e religiões são tão diversos dos nossos. Se a Líbia e a Arábia Saudita, pra ficar em dois exemplos somente, com todo o petróleo que têm e tiveram não são oásis verdejantes — onde se produziriam verduras e legumes pra encher a pança de europeus e norte-americanos branco-azedos e chineses que teimam em se reproduzir mais do que o razoável enquanto suas indústrias de bens de valor agregado explodem — porque o seriam sem petróleo e a grana que este traz? Só por falta do que fazer? Ora, aí estão o Máli, o Niger, o Chad e a Mauritânia (que, juntos, têm uma área maior do que a da Amazônia) que também não têm petróleo nem nada o que fazer, esperando uma chance de se transformarem em oásis férteis, quando nada pra encher um pouco a barriga dos seus esfaimados. Estou tocando no assunto porque me pareceu que você criticou veladamente o fato do Brasil, tão fértil e grande, ainda viver “de exportar insumo básico e produtos agrícolas”. Façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço? 😉 O natural seria que países áridos com petróleo se tornassem sociedades industriais, já que plantations não dá para eles serem… O fato de não terem se tornado nem uma coisa nem outra tem mais a ver com a insensibilidade/ burrice/ganância de ditaduras e monarquias absolutistas do que com os recursos naturais com que foram brindados. Da mesma forma (e aí se alivia a maldade de que falei acima) fizeram do fértil Sul do Brasil o coração industrial da nação, enquanto o Nordeste, que é quem deveria sê-lo (até por uma maior proximidade geográfica com os naturais fregueses dos nossos produtos, os EUA e a Europa), ficou ao deus-dará, sem uma coisa nem outra. Quer dizer, temos tudo para fazermos de tudo, mas teimamos em fazê-lo errado… Não é a presença de petróleo que vai mudar isto, nem a falta dele; são em essência a mentalidade dos governantes e do povo que vão alterar o quadro.

    O Brasil tem que usar o petróleo e o gás que tem (e que oxalá tenha ainda mais e mais!) para sustentar seu desenvolvimento, aumentar a classe média e dar aos nossos patrícios o que eles precisam e merecem: educação e saúde de qualidade. E segurança também. Com isto, o resto virá. O que quer que haja em baixo da nossa terra já nem importa tanto, no frigir dos ovos… é acima dela que temos que mudar.

    F.

    • João Canali disse:

      Fausto, você esqueceu-se da Venezuela que já tem petróleo farto a várias décadas… O perfil étnico e cultural (inclusive existem muitos portugueses por lá… com as mesmas padarias, inclusive…) da Venezuela é bem parecido ou próximo ao do Brasil, inclusive é igualmente verdejante, faz parte do complexo da Amazônia… e poderia ter tido o desenvolvimento correspondente a quem abastece boa percentagem do petróleo do maior consumidor do mundo… Nem refinarias capazes de refinar seu próprio (pesado) petróleo eles foram capazes de desenvolver… Fora todas as maluquices políticas há algo que explica o que acontece com venezuelanos e países do Oriente Médio (que poderiam sim transformar o deserto em oásis através da aplicação massiva do recurso que lhes sobra em usinas de dessalinização da água do mar que são uma realidade tecnológica insofismável, principalmente para quem possui energia barata…) e isso tem pouco a ver com culturas ultrapassadas e costumes políticos risíveis… Quando você tem uma fonte de renda certa e segura, deixa de haver justificativas ou incentivos para a busca de outros modelos de produtividade, tudo passa a girar em torno daquilo… Imagine a tribo de índios que tinha juntado, ao longo de séculos de tolos costumes (faziam enfeites com as pedrinhas) todas as esmeraldas da região, mas, que não dava o menor valor para aquilo até o dia que aparece um bandeirante a cata de esmeraldas… Os bandeirantes trocam panelas e espelhinhos de sua manufatura industrializada pelas esmeraldas… Os índios deixam de fabricar suas tradicionais panelas de barro e o bandeirante não ensina, sabota ou proíbe que o índio aprenda como construir uma metalúrgica, pelo simples fato que lhes interessa continuar trocando panelas por esmeraldas, se os índios fabricarem panelas, essa conveniente troca deixaria de acontecer… Como existem índios que possuem mais esmeraldas do que outros, a esses também não interessa que haja uma fabrica de panelas, pois são os que mais possuem panelas vindas das trocas… Desnecessário lembrar que com mais panelas eles possuem mais poder na tribo… A culpa então pode ser então repartida igualmente entre bandeirantes e caciques locais. Nesses casos, grupos locais são comprados ou aliciados, seja de forma direta ou indireta no processo de aculturação que se inicia no contato de sociedades de origem eminentemente urbana com aquelas que vivem das riquezas do solo ou da agricultura… Meu exemplo se aplica na maioria dos casos, basta substituir a esmeralda, por petróleo ou outra comoditie qualquer… Ah… Mas o Brasil poderá aplicar o petróleo em seu próprio benefício!!! Alegariam… Entretanto, Fausto, imagine quando daqui a 10 (segundo meu otimismo) ou 40 anos (segundo o seu pessimismo) todo o mundo estiver substituindo o petróleo pela tecnologia da vez para gerar energia… Okay, o Brasil será o maior fabricante de pinicos de plástico do planeta… Lhe serve de consolo. Por último, nessa rápida condenação (estamos aqui falando até agora dos malefícios do cigarro sem falar dos riscos de enfisema certo e assegurado ou de um fatídico câncer como, deixamos de lado as acusações ambientais que normalmente se associam a queima dos combustíveis fósseis… aí, digo eu agora… seria covardia…) temos o fato que viver de insumos básicos e agricultura tem sempre dias contados o que não pode fazer parte da estratégia de longo curso de nenhum país… Se alguém concorda que minas e poços se esgotam, mas discorda que o mesmo aconteça com a “renovável” agricultura, tenho a lembrar que agricultura de exportação, digamos assim, depende de uma grande quantidade de adubagem e preparação do terreno… que dependem de materiais finitos, como o fosfato, que embora farto na natureza em geral só se encontra de forma fácil de se extrair em poucas regiões que já dão sinais de esgotamento, para não falar em erosões, secas e o natural cansaço do solo e pastos… Onde surge então a figura dos transgênicos e uma nova troca de espelhinhos por esmeraldas.

      Agora, a auto-suficiência já estaria mais do que boa e mesmo essa não está sendo bem aproveitada em virtude de não conseguirmos refinar o nosso tipo de óleo, temos que ficar trocando com quem consegue refinar… Fora o que não conseguem colocar o petróleo barato nos postos de gasolina para alavancar o desenvolvimento… O que foi que os americanos fizeram por décadas a fio… Nossa exploração de além mar é toda ela dependente de patentes as quais não possuímos… O império do pai do Howard Hugues, que inventou o tipo de broca que até hoje é usada nas perfurações, ainda é um monstro e esse texto provavelmente estará passando por um satélite fabricado por uma de suas infindáveis ramificações… Ensino de qualidade com um Vietnã (esqueçam Iraque e Afeganistão que são fichinhas…) em mortes acontece todos os anos no Brasil!!! Haja saúde, se a prioridade for outra do que a segurança!

      P.S.: Essa questão dos neutrinos é boa porque eles vão aprender um bocado refazendo equipamentos e cálculos para confirmarem isso que pode ser apenas uma má medição (que felizmente dá para entender, essas coisa de física, te confesso, me deixam com crise de abstinência de empirismo descritivo… gosto da maçã que cai na cabeça do Newton, do átomo que parece sistema solar… passou disso, prá mim começa a ficar invisível…). Como um cientista afirmou sobre esse mesmo caso dos neutrinos velozes, fico torcendo que o paradigma seja vencido (adoro queda de dogmas), até porque não sou adepto da teoria do big bang (para mim o universo é continuo e com gargalos na curva do oito infinito repetitivo) que eu acho que passou e ficou porque no fundo se assemelha com o “Fiat Lux”, se é que me fiz entender.

  6. fbarbuto disse:

    Canali,

    Você está enganado em relação à questão do refino no Brasil (é… Roberto Campos morreu mas fez escola). Quando o Brasil troca petróleo é para obter vantagens volumétricas, ou então para obter óleos mais ricos em frações de maior interesse para o mercado nacional (diesel, por exemplo, que é o que movimenta nossa produção cujo escoamento é baseado em caminhões e estradas… um modelo equivocado, sabemos disso, mas aí já é outro papo), e não porque não consegue refinar o petróleo que produz. A tecnologia do refino é totalmente dominada, com exceção (parcial) do FCC, o craqueamento catalítico em leito fluido, mas isso já é mais lá adiante e nem tem relação direta com o que estamos discutindo. Não tem essa de “não conseguirmos refinar o nosso tipo de óleo”, até porque (1) o petróleo do Brasil nem é dos mais pesados que tem por aí e (2) refinarias trabalham com blends ajustados de diversas origens, e não com petróleo puro de um único tipo. Esse papo faz parte da velha balela de vender a Petrobras como incompetente para o grande público, visando sua privatização ou extinção, estratégia que só funcionou em parte e por algum tempo. Não compre essa cascata. Desconheço a indústria de refino da Venezuela, mas acredito que lá se passa o mesmo.

    Você citou exemplos de países cujas economias se viciaram em petróleo farto mas se esquece de mencionar outros que apesar de possuírem muito não se deixaram “corromper”: EUA, Canadá, Rússia, Noruega, o México até de certa forma. Não é o petróleo o problema dos países árabes: é a mentalidade retrógrada de seus governantes. E mesmo nos países que são grandes produtores há ventos de mudança. Qatar e UAE vêm tornando seus países em centros financeiros, comerciais e turísticos (lembra-te de Dubai). A Indonésia tentou se firmar como tigre asiático. E por aí vai. É a visão estratégica que importa. Visão que a Venezuela não teve. A propósito, como você acredita que a Venezuela deveria ter investido a grana do petróleo? Que visão estratégica deveria a Venezuela adotar já pensando no fim das suas reservas? É fácil a gente apontar os erros; já mostrar soluções é um buraco bem mais embaixo.

    É natural que a Petrobras dependa de patentes que não possui. Ou você acha que a Exxon, a Shell ou a BP fabricam brocas (vou ficar com teu exemplo pra simplificar o debate) de tecnologia própria? Uma hora a Petrobras vai ter que parar, ela não pode dominar tudo, ter todas as patentes de cada pecinha que usa em suas atividades e/ou mesmo fabricá-las. Gozado é que há muito brasileiro que enche a boca quando fala da Embraer, que também depende fortemente de tecnologia alheia para fabricar seus aviões. Existe alguma turbina de marca Embraer? Que eu saiba não. E turbina é parte essencial do produto que a Embraer vende; broca não é parte do produto final da Petrobras. É apenas um insumo usado por ela.

    Gostaria de me estender mais, mas preciso ir agora. Volto ao assunto mais tarde.

    F.

  7. João Canali disse:

    Fausto, tenho a confessar que durante anos, de fato, achei que a Petrobrás ou Petrosauro, como também a chamam, não deveria existir, até porque o Brasil tinha pouquíssimo petróleo para justificar um monstro ineficiente daqueles, funcionando com o péssimo modelo de gestão de empresas estatais que o Brasil possui, que caracterizam a coisa mais como uma repartição pública repletas de marajás do desperdício, cheia de nepotismos e clientelismos políticos de toda ordem (possuo uma coleção de relatos pessoais, fora o que chegaram a acusar pela própria imprensa, de que as licitações são fraudadas costumeiramente…), sua incapacidade de fazer o governo (a qual pertence e se envolve politicamente) compreender que combustíveis baratos (sem tantos impostos) é um dos maiores fomentos que um governo poderia dar ao desenvolvimento de uma nação enquanto esse modelo energético tecnologicamente atrasado e ambientalmente suicida perdurar. Hoje, não porque finalmente acabaram descobrindo petróleo suficiente para garantir alguns anos de auto-suficiência e quiçá com boa chances de até provar capacidade exportadora, mudei de ideia… O que me fez mudar? Observar o o mal que as grandes companhias de petróleo internacionais são capazes de fazer na política interna de países como o EUA, só para citar um exemplo conhecido (afinal não sou o único a acusar). Não vou falar de eleições fraudulentas de títeres, de guerras que confundem interesses nacionais com interesses privados… Basta falar de “Baby Drill, Baby Drill” nas bocas de uma das piores e mais nefastas correntes políticas do planeta… Hoje considero a Petrobrás um mal menor pelo simples fato que seria substituída por monstros muito piores e sem o menor compromisso com o Brasil, a maioria dos funcionários da Petrobrás e sua diretoria, pelo menos vivem no país, até mesmo para, eventualmente, serem cobrados por cagadas maiores.

    Você pede que eu aponte caminhos para a Venezuela e duvida que o refino de seu petróleo seja todo dependente das refinarias americanas… Então vá se entender com a Hillary Clinton que, antes de ocupar o atual cargo, disse em campanha que não considerava Chaves ou a Venezuela uma ameaça aos EUA justamente por essa dependência no refino… Mas ouvi de outras fontes também, inclusive de venezuelanos. Eles jamais poderiam, em meio a uma bravata qualquer de Chaves, quem sabe, punir os americanos negando-se a lhes vender o petróleo. O que faz todo o sentido, acredito que se fosse diferente já teria sido… digamos… afastado. Como Fidel, são inimigos úteis, servem de mau exemplo e atrasam o desenvolvimento de seus respectivos países, não é preciso nenhuma “ajuda”, basta dar corda para se enforcarem e, de quebra, ainda provam que é dada toda a liberdade aos países que possuem uma “pensamento” contrário… O que eu acho que a Venezuela deveria fazer para não ser uma total dependente de seu único produto de exportação e se desenvolver? O que os índios do meu exemplo deveriam fazer para tirar um real proveito de suas esmeraldas? O mal já está feito… Os índios querem ser eles próprios bandeirantes, assim como os sheiks de Dubai (ohh aquilo nunca irá para frente com os costumes globalizados trancafiados em hotéis, aquilo é literalmente para inglês ver e sintomaticamente uma tentativa de quem tem pouco petróleo (não é Kuwait ou toda poderosa Arabia Saudita) ou sabe que o seu petróleo está com os dias contados, como já foi mais do que dito para os emirados… Fizeram uma Las Vegas ao contrário, não é um lugar onde as pessoas vão para se sentirem livres, ou melhor, de repente até é… para os turistas valorizarem a liberdade que usufruem em seus países… Estão vendendo bizarrias culturais para novos ricos e não adquirindo know-how algum… isso para não falarmos da exploração dos trabalhadores indianos… aquilo não serve de exemplo prá nada, esqueça… é um punhado de gente, sem a menor massa crítica humana para criar um marco civilizatório… um lugar horrível repleto de gente feia (para os meu padrões de quem gosta das fotos do celular da Scarlet Johanson, é bom frisar para lembrar meu confesso etnocentrtismo nessas horas…) com hábitos primitivos, enfiada em uma cidade artificial que sucumbirá as areias quando o petróleo for substituído por algo melhor para a humanidade… Okay, as pirâmides sobreviveram, é no fundo o mesmo deserto… Você reclama que eu não aponto soluções… eu já não falei que eles deveriam usar as usinas de dessalinização para irrigarem o deserto como Israel de certa forma fez com os poucos recursos hídricos que dispunha? Não. Estão usando a água da usina que montaram para plantarem uma caríssima grama de golf… E essa “prova de riqueza” é vendida mundo afora como coisa boa e inteligente… devem ser os arquitetos ocidentais que enriqueceram com os projetos megalômanos esses são outros que ganharam uma grana das sobra inflacionárias do petróleo…).

    Voltando a Venezuela, a receita para eles não existe porque, na verdade, hoje estamos discutindo o fato de que receita boa não existe para ninguém, ou ainda não foi encontrada… Como controlar a natalidade com as culturas que temos? Deveriam continuar índios até que os bandeirantes provassem que a tecnologia deles garantiu maior felicidade para o maior número de anos de vida que já obtiveram com sua civilização… De repente, quem sabe, é melhor ficar nos 40 anos felizes dos índios sem panelinhas desnecessárias do que chegar aos 80 meio barro meio tijolo dos ocidentais… Isso tudo está sendo questionado hoje em dia… Muito embora eu ainda aposte na tecnologia como o “algo” melhor a fazer, por nada melhor do que… Uma das poucas certezas que se tem, entretanto, é que é uma tremenda babaquice dar tanto valor as esmeraldas, quando diamantes sintéticos são muito mais bonitos e duradouros em brilho e limpeza ambiental.

    Vamos lá usar os exemplos que você mencionou como países que não se deixaram corromper pela “riqueza” do petróleo…

    EUA – Caramba… Baby Drill, Baby Drill. Até fraude eleitoral bananeira a indústria petrolífera foi capaz de arrumar… Fico por aqui… Mas, os EUA não pode pertencer a essa lista, pois a necessidade do uso massivo do petróleo aconteceu em paralelo ao petróleo auto-suficiente que possuíram até 1970… Depois disso é que a corrupção em escala global iniciou-se… Sorte já tínhamos ido a Lua… Aqui o Banco de Sangue tinha como banqueiro o Conde Drácula. Não vale para comparação alguma.

    Canadá – Bom, vamos deixar de lado o estrago ambiental aí nas suas vizinhanças… Até porque trata-se de um país tão grande e com tanto gêlo que não deve fazer tanta diferença… O Canadá seria o mesmo Canadá sem o petróleo que vende para os EUA… Sua sociedade econômica e cuturalmente, já estava plenamente formada ou plantada quando passaram a lavar areia suja cheia de piche ;-). Foi uma riqueza a mais que estão incorporando a uma riqueza anterior. Bom, pelo menos até agora… Convenhamos que essa exploração do betume em larga escala (o percentual do mercado americano atingido foi vertiginoso, reconheço e lhe parabenizo por fazer parte desse esforço…) é recente em termos históricos… segundos atrás.

    Noruega (você esqueceu a Inglaterra que descobriu o mesmo petróleo do Mar do Norte em época aproximada) cai no mesmo caso do Canadá… Não tivessem o petróleo e ia ser tão ricos quanto a Suécia, Dinamarca ou Finlândia com seus celulares… Na verdade, alguns países da Zona do Gêlo, ou Vikings aposentados, não deveriam constar de nenhuma comparação… enfim…

    Rússia… Esse entrou na dança da corrupção petrolífera direto, você não devia ter listá-los… Cadê os produtos tecnológicos russos? Sim, é o que todos esperavam de quem tanta ciência ostentavam em seus equipamentos bélicos e na própria corrida espacial… Na medicina então… Anos podendo experimentar sem os limites éticos do ocidente (que já não eram essas coisa como sabemos…). E as patentes que sempre puderam furar por força de seus canhões (aliás furar patente deveria ser um hábito mais corriqueiro entre aqueles que desejam um maior desenvolvimento tecnológico… Seria incompetência ou medo?) Será que essa ausência se dá pela mesma razão que fez o império cair… Nunca conseguiram fabricar processadores… Seus nada compactos computadores rodavam Intel, Motorola e Zilog… De qualquer forma, o petróleo se tornou a maior riqueza russa de exportação depois da vodka e do caviar, quando teoricamente tinham um potencial tecnológico para darem muito mais ao mundo. Uma estagnação visível.

    México – E que outra riqueza desenvolveu o México depois que passou a viver fundamentalmente de petróleo? Desenvolveu a indústria da droga, da bandidagem, da pimenta? Foi o que visivelmente aumentou… Eu acho é que perderam muito de sua vocação turística… O Brasil deveria observar bem o exemplo do México, caso queira seguir no mesmo caminho. Aliás, o petróleo mexicano também vem das plataformas do golfo. Não acredito que teria se degenerado se não fosse o petróleo, assim como não melhorou significativamente.

  8. fbarbuto disse:

    Canali,

    Difícil captar a essência do que disse a sra. Clinton. Possivelmente ela se referia ao fato que é tanto o petróleo pesado venezuelano que se um importador de peso como os EUA deixasse de comprá-lo (como se eles fossem bestas de fazer isso… eles não têm a menor vocação pra dar uma de escorpião nas costas do sapo) a Venezuela talvez não tivesse de imediato o
    que fazer com tanta sobra de pesado. E aí no caso seria um problema não “de refino”, mas de receita. Uma outra hipótese, um pouco menos provável, é que o parque de refino da Venezuela não esteja dando conta de abastecer o mercado interno de combustíveis do país, e parte deste abastecimento teria então que vir de refinarias americanas. Não sei, como já disse. Mas do ponto de vista técnico não há porque não se poder refinar petróleo pesado.
    A tecnologia está aí, e por exemplo a maior parte do petróleo canadense é ultra-pesado. Que nem por isso cruza a fronteira para ser refinado.

    A Petrobras é uma companhia que soube esperar a sua hora e vez com tranquilidade e estoicismo. Tocou sua caravana enquanto os Bob Fields e Paulos Francis da vida ladravam. Travou batalhas duras contra um inimigo inesperado: a União, sua principal acionista. Não é uma companhia perfeita nem à prova de críticas. Nunca foi. Mas qual companhia é? Num lance que para leigos ou semi-leigos hoje parece o óbvio, apostou suas fichas em águas profundas e ultra-profundas e ganhou a aposta. E por que não fez isto antes? Simples: porque o salto tecnológico para isso era um salto, não um pulinho. A tecnologia teve que amadurecer. Tudo tem sua hora para acontecer. O Brasil não teve a sorte de ter petróleo e gás abundantes em terra, como a maioria dos países que o possuem em quantidade: os árabes, os russos, os americanos, os canadenses, os venezuelanos. Agora parece que o Nordeste vai ter o seu segundo ciclo do petróleo. O “Drill, baby, drill” vai se transformar no “Fura aí, bichim, fura aí. Nada como um dia depois do outro.

    Curiosamente, se você fizer uma enquete vai ver que a maioria do povo burro brasileiro é favorável à privatização da Petrobras. Porque a maioria ainda associa gasolina cara com a Petrobras, e não com os impostos que o governo filho da puta cobra (mais de 50% do preço na bomba). Quando eu digo que falta de educação e cultura é um problema…

    Instiguei você a propor opções para a Venezuela com o sentido de estimular o debate, não de ironizar ou provocar. Queria realmente saber tua opinião. Mas acho que você está certo, não há nada mesmo a sugerir, pelo menos não no caso da Venezuela, que nem de irrigação precisa… 😉 Tá difícil a coisa por lá… Pelo menos eles tiveram e ainda vão ter por algum tempo a chance de dar educação de qualidade e saúde a seu povo. Lá na frente eles
    vêem o que fazer. Sem educação, saúde e sem petróleo é que a coisa vai ficar feia de verdade… O modelo de colonização deles foi tão ruim ou pior que o nosso, eles talvez não saibam o que fazer com tanta riqueza. O Brasil, se tudo der certo, terá petróleo e gás para mais uns 40 anos (a Bacia de Campos foi descoberta em 1974, lembre-se, e está em produção até hoje…) mas sem se afogar nele. Depende dos nossos governantes fazer
    bom uso dessa riqueza para o bem do país e do povo, e é justamente aí que está o problema… No bom-senso e honestidade dos que governam os brasileiros. Vou parar por aqui… o meu pessimismo está voltando. 😦

    Quanto à Scarlett Johanson… deixa quieto, a patroa tá por aqui rondando a área… 😉

    F.

    • João Canali disse:

      Fausto, péssimo dia para defender o petróleo ou a Petrosauro e lembrar daqueles que tiveram coragem de criticar o monopólio estatal… Qualquer análise de competência da Petrobrás passa por lembrar o monopólio verticalizado que a abençoou por tantos anos no, teoricamente, mais lucrativo negócio do planeta… Se gabam do que seria moleza para qualquer um… Saiu hoje a lista das cidades mais poluídas do planeta, culpa direta da queima dos combustíveis fósseis e modelos de concentração urbana desenfreada… Cidades que ainda se salvam, em alguns casos, pelos trens elétricos que circulam por túneis subterrâneos. Cubatão com suas refinarias ainda é a campeã do Brasil… E a grande surpresa desagradável: o Rio ultrapassando São Paulo, muito provavelmente por conta das velhas refinarias de Manguinhos e Duque de Caxias, creio eu… única explicação que me vem a cabeça para explicar como uma cidade a beira-mar ultrapassar uma outra que é, praticamente, o dobro de tamanho… E você acena com mais 40 anos disso!!! Das 50 cidades mais poluídas do planeta somente uma fica no quase ex-primeiro mundo e mesmo assim em uma cidade de maioria muçulmana… Saravejo.

      Mas, o prazo que eu dei está de pé… Dez anos para termos um caminho de saida apontado, definido e em andamento avançado.

      P.S.: Ainda em relação ao refino da Venezuela, não se esqueça de capacitação, patentes e tecnologias que não se transferem. Seria lucrativo transportar o oleo já refinado para clientes que não possuem refinarias ajustadas para o seu óleo pesado? Ora se fosse fácil como você sugere, a Petrobrás não faria as trocas que faz, alguma razão economica há de ter, se considerarmos que a tecnologia está a disposição sem ter que pagar por royalties.

      • fbarbuto disse:

        Canali,

        Esse papo de que a Petrobras sentou-se em cima de um negócio bilionário às custas de um monopólio ferrenho sem o qual se provaria incompetente foi repetido ad nauseam pelo Roberto Campos e pelo Paulo Francis. A diferença é que você, eu acredito piamente, é um sujeito de boa-fé. No mais, você deve ler jornais igualzinho o RC e o PF faziam, e deve saber que mais de 95% da produção de petróleo do Brasil está no oceano, onde as dificuldades, gastos e custos são muito maiores do que se comparados com a produção em terra. Sim, petróleo foi e é um negócio tremendamente lucrativo para a Árabia Saudita, Irã, Iraque, Líbia, UAE, Qatar, Omã, Rússia, EUA, Canadá, Venezuela e alguns mais, que tiveram a sorte de descobri-lo em terra, em poços cuja profundidade é metade ou menos do que tão-somente a lâmina d’água dos poços mais profundos do Brasil. Como foi um grande negócio para a Bahia, produtora onshore que ainda hoje produz, economicamente, algo como 5000 barris por dia, um pouco mais ou pouco menos. Ironicamente, a Petrobras vê seu apogeu chegar quase 15 anos após a queda do monopólio — que, mais ironicamente ainda, nem acabou de fato; ele ainda existe, mas é exercido pela União, que se atribui o direito de conceder operações para empresas privadas nacionais ou estrangeiras.

        Não sei que tecnologias mirabolantes você deve estar pensando, mas para refinar petróleo pesado basta misturá-lo a óleos ou frações mais leves. Misturar óleos não é um processo patenteado ou mesmo patenteável. Claro, a mistura não pode ser feita a la bangu porque isso afeta os volumes produzidos de cada fração e o mercado deve ser satisfeito. E como você mesmo mencionou, cada refinaria tem seu ponto de ajuste. A prova que esse não é um problema brasileiro é que nos anos 70/80 a Petrobras vendia petróleo baiano, de boa qualidade, leve e limpo (com muito baixo teor de enxofre), em troca de petróleos mais pesados, ganhando um trocado nesse escambo e ainda atendendo melhor ao mercado interno, cuja maior demanda era por diesel. Hoje os óleos baianos já quase nem existem mais, como eu escrevi acima, e quiçá o diesel já nem seja mais o carro-chefe dos derivados. Confesso estar por fora.

        E por falar em estar por fora, repito pela última vez: desconheço o que se passa no parque de refino da Venezuela para que eles tenham problemas com o próprio óleo. Não vou falar do que não sei, já que especular eu já especulei bastante. O Rio de Janeiro é uma cidade mais industrial do que se pensa. Há no RJ fábricas de cimento que eram um horror (visitei algumas quando ainda era estudante da UFRJ, lá no fim dos anos 80) e ainda existem, hoje a principal é do grupo Votorantim (privada, não é estatal nem dá aposentadoria integral a seus empregados, então tá perdoada… deixa pobrezinha poluir 😉 ). A UFE, em plena avenida Brasil, que além de poluir fedia a milhas de distância; hoje desativada. E um monte delas que você, garotão ZS, nem desconfia(va) que existiam. A propósito, a última notícia que eu tive da refinaria de Manguinhos (que era dos ingleses e estava na Índia, antes de ser desmontada e mandada para o Brasil) era de que estava desativada. Não sei se já a reativaram.

        F.

      • João Canali disse:

        Fausto, Roberto Campos e Paulo Francis cumpriram seus respectivos papéis (você por acaso quer uma sociedade sem críticos e opositores?) e provaram que estavam certos (não eram críticas descabidas e você sabe disso), a Petrobrás perdeu parcialmente seu monopólio, o que já foi suficiente para se coçarem e conseguirem achar o petróleo onde ele estava… é a leitura permitida pelos fatos.

        Agora, essa poluição do Rio deveria ser investigada, o dobro da de São Paulo, tendo esse o dobro da população… Estamos diante de uma calamidade qualquer que está sendo oculta do público… Mas, cadê imprensa independente para tanto? Clamar por autoridades é perda de tempo… Tanto a Votorantim quanto a Petrobrás são excelentes anunciantes em potencial…

        Não tenho nada contra aposentadorias integrais – adoraria uma – o que me desagrada é a idéia de não tê-la e ainda pagar por elas para que outros a usufruam, toda vez que abasteço meu carro… Descartada a hipótese tardia de fazer concurso ou ter um QI para entrar na Petrobrás, não dá mais para me unir em insalubridade aos maus já que não posso vencê-los.

        Curiosidade: Morei em um prédio (na Zona Sul claro… do subúrbio carioca só conheci Madureira onde tive uma noiva que recentemente me achou no Facebook…) que pertencia a familia dona de Maguinhos (os acionistas controladores) e a água quente do prédio era produzida por uma caldeira a óleo que ficava na garagem… Impressionante a coisa funcionando… O óleo, of course vinha de Manguinhos… Mesmo sendo donos da refinaria queriam se verem livres daquilo e vender os apartamentos que lá tinham de forma majoritária… Acredito que a refinaria ainda esteja operando, produzindo óleos especiais… Não tenho certeza.

      • fbarbuto disse:

        Canali,

        Crítica é um negócio indispensável, mas só tem valor se for isenta, o mesmo valendo pro elogio. Lembra dum imbecil do SCB que uma vez te chamou de “Canalha”, num trocadilho bem idiota e despropositado com teu sobrenome? Até te disse pra não dar trela pro panaca, a quem certamente você já esqueceu. Pra mim daquele ponto em diante nada do que ele escrevesse valia a pena ler, simpatizando contigo ou não, já que o ânimo dele estava fora de qualquer isenção. Da mesma forma se deve ficar de pé atrás com dois sujeitos que chamavam a Petrobras repetidamente de “Petrossauro”, é óbvio que de isentos esses “críticos” não têm nada…

        É totalmente equivocada essa teoria que a Petrobras só acordou e se mexeu depois que viu seu monopólio ameaçado. Os campos gigantes de águas profundas Albacora e Marlim foram descobertos em 1984 e 1985 respectivamente, quando ainda nem se cogitava acabar com o monopólio. Eram tempos sarnêycos e o Collor, com suas idéias privatistas radicais, só apareceria em cena cinco anos depois. O desenvolvimento dos dois campos, ambos a mais de 800 metros de profundidade no oceano, demorou devido a vários fatores; tecnológicos, econômicos e principalmente políticos. Você está falando de campos que têm quase 20 anos de descobertos como se fosse coisa bem mais recente, fruto do medinho da Petrobras em perder seus privilégios de executora do monopólio, como se campos gigantes pudessem aparecer do nada com apenas um pouco mais de suor, ao invés de descobertos. Assim você acaba sendo contratado pelo O Globo… 😉 Desde que RC e PF morreram o jornal não conseguiu encontrar articulistas que distorcessem a verdade tão eficazmente quando o assunto era Petrobras. A diferença mais uma vez é que eles agiam de má-fé, enquanto você está apenas mal informado.

        Difícil acreditar num Rio mais poluído do que SP, mas certamente nesta segunda cidade a água já bateu na bunda faz muito tempo. Os rodízios de carros pelo número da placa que lá (ainda?) se faz é uma iniciativa louvável que só não funciona melhor devido ao caráter malandro do brasileiro. Outra coisa: não conheço SP assim tão bem, mas não creio que esta cidade tenha bem em seu centro fábricas fedorentas como a UFE, a refinaria de Manguinhos e a antiga CEG, a companhia de gás que nos meus tempos de menino usava carvão para fazer seu produto… carvão esse que vinha de balsa chata através do canal do Mangue até um ponto da Francisco Bicalho onde encontrava a esteira suspensa que o conduzia até a usina. Chose de loque… Aqueles gasômetros davam e ainda devem dar muito medo.

        F.

  9. cesarbarroso disse:

    Fausto e João,
    De 1979 a 2006 trabalhei em petróleo. Foi quase por acaso. Eu não sou engenheiro, e entrei como tradutor e intérprete, mas meu gens comercial, herdado do lado paterno, me foi revelando as oportunidades e eu fui aproveitando. Os gringos perceberam e me deram todo o apoio. Minha vida mudou no petróleo. Isso aconteceu no Rio de Janeiro. No Brasil, pelos menos até há poucos anos, o petróleo era considerado uma bênção, e nunca ninguém levantou a questão do aquecimento global comigo. Noventa e nove por cento das conversas começava com “é verdade que tem muito petróleo na Amazônia”?
    Minha lua-de-mel com os gringos durou muitos anos. Não durou mais graças ao meu espírito independente. Se eu fosse mais “flexível” hoje estaria muito rico, mas não seria feliz. Nunca tive nenhum tipo de problema de consciência por trabalhar com petróleo, e acho que somente teria o direito de me acusar quem não andasse em veículo movido a petróleo. Fui a muitas OTCs, quase comprei casa em Houston, frequentava gente ligada aos Bushes.
    Você tem toda a razão quando separa os Estados Unidos daqueles países que deixaram o petróleo “subir à cabeça”. A criatividade que o petróleo fez desabrochar no espírito texano é marcante. Quantas invenções na área mecânica apareceram para servir ao petróleo! E depois, na década de 80, todas as mudanças com a introdução das criações digitais! Admiro muito aquela turma, e às vezes tenho saudades. Isso sem falar da culinária texana…
    Eu acho que o petróleo não está acabando. O que está por detrás dessa estória, eu desconheço, mas deve haver interesses grandes que estão sendo servidos com essa estória do fim do petróleo. Talvez a criação da sensação de “bem, se o petróleo está acabando, vamos esperar que ele acabe para a gente começar a tratar seriamente do aquecimento global”. Sentimento que certamente dá mais liberdade de ação à turma do petróleo, e tira a necessidade de se criar nova matriz energética.
    Você é engenheiro, poderá ter uma visão diferente da minha. Pelo que estudei de petróleo(livros para leigos), conversas e experiência, não há maneira segura de se saber onde está o petróleo. No Iraque, na década de 70, a Petróbrás encontrou um dos maiores reservatórios daquele país no último poço projetado de mais de 30. Você deve saber muitas histórias de grandes descobertas na 25ª hora.
    Mas acho que nada disso mudará nada. Somos todos muito acomodados, gostamos de nossos carros(o máximo que sacrificamos são alguns HPs), há uma multidão lá fora querendo ter seus primeiros carros, e o poder das grandes corporações consegue anular qualquer tentativa séria de nova matriz energética. Acho mesmo que as futuras gerações vão torrar, e elas também farão suas loucuras, pois somos todos feitos da mesma poeira. Todos sabemos no que deram as tentativas de Jimmy Carter criar uma nova matriz energética. Esse homem é um dos poucos com bom-senso que caminha por esse mundo, e tudo que conseguiu foi ser considerado um fraco pela opinião pública americana.
    Não gostamos de bom-senso.

    • fbarbuto disse:

      Cesar,

      Não é que seja difícil saber onde o petróleo pode estar, já que ele só ocorre em estruturas geológicas bem caracterizadas. O que é difícil é saber se ele está lá apesar da existência de tais estruturas e, caso esteja, se está em quantidade economicamente viável para sua produção. A propósito, era uma das coisas que o Roberto Campos nunca entendeu e morreu puto da vida a respeito: porque a Petrobras nunca perfurou nem jamais perfuraria em Minas Gerais? A Petrobras sabia e sabe a resposta para esta pergunta, mas — ah! — o RC não queria ouvir. Morreu acreditando (ou fingindo que acreditava) que MG flutua em petróleo enquanto a incompetente da Petrobras insiste cabeçaduristicamente em perfurar lá no fiofó do oceano.

      Enfim.

      Você tem um ponto quando diz que as notícias sobre o iminente fim do petróleo podem ser uma cortina de fumaça. Mas a verdade é que a China tem crescido muito, mais do que duplicou seu consumo em poucos anos e não mostra a menor vontade de parar de crescer. O Brasil, dente siso encravado no maxilar do planeta, quer crescer também. Para piorar, suspeita-se que as reservas restantes da Arábia Saudita tenham sido, digamos assim, infladas a mando da Casa de Saud. Se aconteceu lá, pode ter acontecido em outros países produtores também. Difícil prever o futuro, ainda mais que ele não ocorreu, já dizia alguém notório cujo nome esqueci.

      F.

    • João Canali disse:

      Cesar, a informação de que restam poucas décadas para que o petróleo seja capaz de mover o mundo, como hoje, majoritariamente faz, levaria a dois cenários possíveis: o aumento de seu valor de mercado e a aceleração das pesquisas e investimentos necessários para que ele seja substituído. Aliás as duas coisas vem ocorrendo… Então, do ponto de vista poderoso de quem explora diretamente o petróleo, essa informação é uma faca de dois gumes, não serve para cortina de fumaça. Por um lado eles ganham com o aumento do valor do produto que extraem, refinam e distribuem (desde que seja moderado e sem causar a crise que causou) e por outro colocam em risco a sua galinha de ovos de ouro. Para encontrarmos um paralelo, vamos reduzir a coisa para apenas um país onde o petróleo teve um “peak oil” em 1970, quando passaram a ter que importar petróleo. Nesse caso o que ocorreu nos EUA? Poucos souberam da novidade, o petróleo não subiu de preço (só 3 ano depois, com o cartel da OPEP que passou a usar os preços sob pretexto da luta do islã contra Israel que havia lhe dado outra sova já com armas americanas… em 67 fora com armas européias… o que pode significar um reflexo da dependência de importações americana e a importância de ter um aliado para fazer o serviço sujo na região caso fosse necessário… de repente foi um tiro pela culatra…), mas, tivemos os discursos de Jimmy Carter professando uma busca por alternativas energéticas… Revendo essa situação passada eu diria que os preços altos interessam, mais nem tanto, ao ponto de falir o cliente e o grande temor seja mesmo o mundo partir com tudo para alternativas consistentes… Eu acho que dessa vez não tem volta, ainda falta muito investimento, mas diversas tecnologias seriam e já estão sendo capazes de substituir o petróleo de forma gradual… porque a ameaça ambiental mete medo em todos e a maioria não quer mais jogar bombas na cabeça de crianças de culturas primitivas para garantir o tanque cheio do seu carrão. Celebremos nossa cidade… Você já viu os novos ônibus da cidade? Muitos deles já são híbridos… lindos…

      Não podemos perder de vista o fato que a falta de um determinado percentual de petróleo, a casa cai, acontece uma ruptura civilizatória séria… Não é uma questão de… “Ah tá bom… vamos pedalar nossas bicicletas então e deixar o combustível que temos para as ambulâncias… é o caos total…

  10. cesarbarroso disse:

    Fausto,
    Muita coincidência você tocar em dois focos poluidores do Rio de Janeiro que fazem parte importante da minha história.
    O João e o Ilírio Lobarinhas(1), donos da UFE, eram amigos de meu pai. Frequentei a casa da família em Ramos, no tempo em que nos subúrbios também vivia gente rica. Meu pai salvou a vida deles no advento da penicilina. Íamos às festas e à casa que tinham na Ilha de Paquetá. A Maria Amélia, uma das filhas, era amiga de minha mãe. Íamos juntos, quando eu tinha 4 ou 5 anos, à Praia do Galeão, com os raros aviões passando sobre nossas cabeças.
    Posteriormente, quando eu já era adolescente, meu pai fundou uma farmácia em Vista Alegre, e fomos morar na Praça São João Berchmans, bem em frente à fábrica de Cimento Irajá, do Grupo Votorantim. Foi uma luta para se conseguir que a fábrica diminuísse um pouco a poluição. A empregada tinha que tirar pó dos móveis duas vezes por dia. Dado interessante é que com todo o pó que inspirou durante duas décadas, minha mãe está firme e forte com 86 anos, sobrevivente de dois cânceres.

    (1) http://www.flickr.com/photos/antolog/91404293/
    (2) http://wikimapia.org/5960699/pt/Indústria-de-Cimento-Rio-de-Janeiro

    João,
    Acho que deveríamos ser muitos cuidadosos com teorias sobre o petróleo e o seu preço. O que se decide nos bastidores não chega até nós. A importância do petróleo para a maior potência do planeta é absolutamente capital. Tem gente que afirma que os Estados Unidos ainda tem mais óleo do que todo o Oriente Médio(1), aparentemente com base em documentos oficiais. Para mim, as cinco irmãs têm que jogar muito afinadinho com o governo americano. O que vemos na TV é um jogo de cena.

    (1) http://www.americanconservativedaily.com/2010/02/us-has-more-oil-than-the-entire-middle-east/

    • João Canali disse:

      Cesar, as informações sobre petróleo são nitidamente truncadas e claudicantes porque são estratégicas, tanto para governos quanto para as grandes companhias de petróleo que possuem políticos no bolso e muitos anúncios na mídia… Assim, de uma hora para outra a Líbia tem a segunda maior reserva, quando a um ano atrás esse segundo lugar pertencia ao Iraque… “o petróleo da Líbia é responsável por 10% do consumo europeu e as reservas do ocidente aliado só dão para topar o buraco por 2 meses…” e lá se vão diversos meses sem que nenhuma falta de petróleo tenha ocorrido… O Clube de Roma falava do fim das reservas e mais óleo foi achado, mas os fatos todos corroboram para duas situações distintas o aumento da demanda e o esgotamento de poços competindo com a extração em lugares cada vez mais difíceis e caros… O Canadá deveria render homenagem ao Bush… Sem o aumento dos preços do petróleo, hoje os canadenses não seriam um dos maiores fornecedores de petróleo dos EUA (extrair óleo do betume é um processo bem mais caro do que realizar o furo e ter aquele orgasmo geológico), que por sua vez só depende de menos de 20% do petróleo que vem do OM, considerando sua própria produção, Venezuela, México e Canadá… Mas, o negócio do petróleo é global, como você bem disse o que as companhias estão defendendo é um modelo de negócio internacional, segurança econômica de aliados e parceiros, dominação, capital… Não duvidaria se tudo que assistimos desde 2000 não seja apenas uma adaptação estrutural para um mundo com combustível mais caro (necessário para extraí-lo de forma mais cara)… O brutal aumento ocorrido nesse período, ocorrido sob o pretexto de terrorismo e guerras, que ocasionou toda essa crise financeira internacional em função da tentativas errôneas de absorver as gorduras de capital advindas do aumento… Tudo para não haver decisão de marchar com tudo para uma substituição, esse é o grande medo deles…

      Esse site onde aparece essa crença conspiratória que os EUA teriam um reserva colossal… O nome do site já diz tudo… O nacionalismo é uma crença religiosa como outra qualquer… 😉

      Agora em homenagem ao Fausto…

      The exploitation of bituminous deposits and seeps dates back to paleolithic times.[5] The earliest known use of bitumen was by Neanderthals, some 40,000 years ago. Bitumen has been found adhering to stone tools used by Neanderthals at sites in Syria. After the arrival of Homo sapiens, humans used bitumen for construction of buildings and water proofing of reed boats, among other uses. In ancient Egypt, the use of bitumen was important in creating Egyptian mummies—in fact, the word mummy is derived from the Arab word mūmiyyah, which means bitumen. 😉

      Edição posterior… O trecho acima, faltou-me comentar (estava me deliciando com o jogo da seleção contra os argentinos, quando pudemos voltar ao tempo em que os jogadores eram dos clubes brasileiros… muito bom ver os jogadores no nosso time na seleção…), foi em função de lembrar que os EUA também tem betume, tar sand ou oil sand como também chamam só que leis ambientalistas, acertadamente, impedem ferozmente de ser explorado em grandes proporções. Isso causa confusão na cabeça de alguns em relação ao EUA ter mais petróleo do que é afirmado, querem computar esse petróleo.

    • fbarbuto disse:

      Cesar,

      Trabalhei na UFE como estagiário de engenharia química. Uma experiência bizarra e fedorenta. Os tanques de sebo líquido de boi, aquecidos por serpentinas de vapor e supervisionados por um suarento angolano branco fugitivo da independência de Angola, eram uma visão aterradora e fétida. Daquele sebo saía a maior parte dos produtos da fábrica, incluindo o famoso “Sabão Portuguêz” (sic), que era usado lá em casa inclusive. A fábrica era um caos bem lusitano. Tubos para todos os lados, lascas e sobras de sabão pelo chão da fábrica como derrames de cera de vela tornavam qualquer passeio pela UFE um risco terrível de escorregão e possivelmente um braço, perna ou cabeça quebrados. Quando chovia, então… Caminhões entravam e saíam dia e noite, trazendo matéria-prima e levando produto final. Raríssimas mulheres trabalhavam ali, geralmente na recepção, e os operários eram sujos e andrajosos. No coração pulsante da fábrica, os reatores de hidrogenação do sebo que, não sei como, nunca explodiram levando aquele quarteirão para o espaço sideral, juntamente com o sebo, o angolano, os outros operários todos e quem mais estivesse na área, incluindo a mim e ao William, o outro estagiário. Sim, havia hidrogênio sobre pressão naquela poioca, coisa da qual jamais poderia suspeitar antes de ir trabalhar lá. Ninguém parecia ter medo da presença do poderoso senhor H2, que era tratado com certo desdém. Eu gostava de entrar na fábrica, e gostava ainda mais quando saía. Que merda de vida. Estagiário passa por cada uma…

      A fábrica de Irajá eu apenas visitei com a minha turma. Deixou-me uma melhor impressão, apesar da poeira ubíqua. Eles tinham um forno de clinker que era muito interessante, rotativo e a óleo combustível. Você sabia que o destino de todo e qualquer operador de forno é ficar careca? Pois é. O calor mata os folículos capilares. Outra merda de vida. O que as pessoas não precisam fazer para sobreviver, eh? Mas a fábrica de Irajá era apesar disso muitíssimo menos blade runner do que a UFE. Mas morar naquela região deveria ser algo muito sinistro. Toda fábrica de cimento faz muita fumaça e solta poeira. Dá pra se saber, a quilômetros de distância, se existe uma.

      F.

  11. fbarbuto disse:

    Deixem que eu me corrija:

    Você está falando de campos que têm quase 20 anos de descobertos…

    Na verdade, são quase 30. Falha minha.

    F.

    • João Canali disse:

      Fausto, afirmar que as críticas não são isentas não passa de um contra-ataque, uma defesa igualmente, se você quer assim, não isenta. Os dois tinham o total direito de expressar seus pontos de vista . Questionar as razões e/ou motivações das críticas é bomba de fumaça conhecida. Sob o ponto de vista prático da crença capitalista que os dois diziam professar, empresas estatais são menos eficientes do que empresas privadas, principalmente, quando essas são virtuais monopólios, distribuem privilégios e benesses de forma corporativa, formam forte presença política em função da importância estratégica do negócio que tocam sob supervisão de governos varias vezes corruptos. O necessário modelo de defesa dos recursos naturais brasileiros poderia ter seguido outros rumos, afinal, bastaria usar a lógica das concessões, ter uma agência fiscalizadora dos royalties a serem arrecadados e faturar em cima dos mesmos impostos com os quais teriam até controle dos preços nas bombas, trabalhando com uma gordura. O Obama vive ameaçando acabar com as isenções tributárias dadas a indústria petrolífera quando os preços começam a entrar em ponto crítico. Ser contra a Petrobrás significava ser contra o estatismo nacionalista dos militares e dos esquerdistas… Obviamente que seriam atacados como entreguistas ou como lacaios de interesses americanos ou das grandes companhias de petróleo internacionais (que tomariam conta do setor em função da alta necessidade de investimento característica desta atividade, dinheiro esse que não há no mercado privado brasileiro, ou melhor, não havia… hoje as empresas do Eike Batista tentam provar o contrário, mas isso é outra história…) e mesmo depois de mortos ainda pousam nessa nau de vilões lesa-pátria na visão daqueles que provaram um pouco ou muito das fartas tetas da viúva ou, mais modernamente, da solteirona com produção independente. O fato é que suas críticas e acusações eram (e em grande parte ainda são… esse soltar de fogos em cima dos feitos da Petrobrás, faz parte, obviamente, de uma orquestração marketeira onde se misturam verdades, mentiras, exageros e meias verdades, a marca do partido político ora no poder, que sempre contou com o apoio do funcionalismo da empresa em questão em virtude do posicionamento não privatista…) coerentes com a visão ideológica que defendiam (de forma interesseira ou genuína, pouco importa…) e acertaram o alvo diversas vezes, daí estarmos falando deles até hoje.

      O que eu agora digo (não tenho o menor problema em admitir que mudei meu ponto de vista) é que o modelo que podemos supor que RC e PF propunham tinha como grande falha imaginar que as grandes companhias de petróleo internacionais seriam sócias honestas lidando com o governo corrupto (…e governos, principalmente no Brasil, são sempre corruptos. Político idealistas e honestos nascem mortos, ou melhor, vão ser escritores, pensadores, jornalistas opinativos, intelectuais, etc… Os que vão para o parlamento são os venais, oportunistas que viram no poder público um óbvio lugar para se arranjarem ou exercerem poder pelo poder, uma doença em muita gente… não há como se questionar com os fatos, eles estão aí todos os dias nos jornais, quando facções rivais se digladiam para decidirem quem é que fica com a maior fatia das mamatas…). Não lhes era conveniente admitir em sua argumentação que essas companhias do petróleo jogam globalmente em função dos mais diversos interesses e que as acusações que lhes fazem tem se provado cada vez mais verdadeiras… Aliás, são acusadas dentro dos próprios países onde se originaram e deixam a maior parte de seus lucros! Passariam a ter o estratégico controle da torneira, isso, caso achassem petróleo… E se não fosse interessante abrir esse ou aquele poço em função de um outro poço mais barato de ser explorado descoberto alhures em outro ponto do planeta? Se fosse politicamente mais interessante escassear o volume de petróleo ofertado no mercado internacional em função do preço do produto? E se achassem que era mais lucrativo importar petróleo deles mesmos em outro país do que produzir no Brasil? Jamais saberíamos, mesmo precisando de mais poços para isso ou aquilo dos gastos públicos, para a sonhada auto-suficiência, etc… Políticos brasileiros seriam comprados à granel por uma turma que até guerras provocam… Nesse quadro, a opção Petrobrás acaba sendo um mal menor, sua má gestão empresarial, seja por conta do espontâneo marajaísmo de autarquia pública ou do intervencionismo da camarilha política, passa a ser irrelevante, principalmente agora que provaram que, apesar dos desperdícios gerenciais injustos com os sócios contribuintes, acabaram dando algum retorno.

      • fbarbuto disse:

        Canali,

        Você não mudou teu ponto de vista, você fez foi uma cirurgia para correção de miopia, isso sim… 😉 A corrupção generalizada na política brasileira, o covil de ladrões que é Brasília, a escrotice das grandes companhias de petróleo que passam por cima de tudo que é ético e até mesmo humano como se fossem rolos compressores, o interesse do grande capital e a fraqueza das instituições no Brasil, enfim, tudo de que você fala no segundo parágrafo da tua mensagem acima já está aí há décadas e eu já vinha comentando sobre isso tudo no SCB já faz quase 20 anos. Difícil entender como só agora você ligou os pontos, logo você que é tão lógico, lúcido e racional em todo o resto (tirando as teorias da conspiração tão do teu agrado, claro…). Pior, você mora na terra que é quase um sinônimo de petróleo, deveria conhecer melhor o espírito que rege as movimentações de tabuleiro dessa indústria, afinal suponho que você leia jornais (pois por mais comprometida e parcial que seja a midia sempre escapam algumas verdades…). Anwyay, antes tarde do que nunca… Nunca pretendi que você me desse ouvidos, afinal somos todos humanos teimosos e fora o clima amistoso que nos liga e o time pelo qual torcemos somos não mais do que estranhos um para o outro — e vai que eu tenho alguma agenda oculta? Não tenho, posso dizer, mas vai também que eu estou mentindo? Enfim, aqui vai um ensinamento para você ponderar pelos próximos 20 anos: a Petrobras é bem melhor do que o Brasil. Impossível pretender “consertar” a primeira (mesmo tendo em mente que perfeição é uma quimera) sem antes sanear o segundo. O todo pore sempre vai acabar contaminando suas partes.

        Quando se tratava de estatais em geral e a Petrobras em particular, Bob Fields (apelido que ganhou por seu notório pendor entreguista e admiração pelos EUA) era tão mentiroso que não dizia a verdade nem quando esta lhe era conveniente. De sua boca ou de sua pena poderiam muito bem sair “verdades” como algumas que você colocou aqui, por exemplo, que a Petrobras só tratou de se mexer e descobrir os campos gigantes de águas profundas quando a perda do monopólio começou a lhe incomodar. O leigo desinformado acreditaria piamente nisso. Normal. Nossa memória é curta. Quem iria se lembrar de uma notinha de jornal de 10 ou 20 anos atrás, dando conta da descoberta de um poço pioneiro a águas mais profundas do que o usual, e que viria a se provar um campo gigante hoje chamado de Albacora? Quase ninguém. Era na onda da desinformação que RC surfava “de rolé”. Paulo Francis era igual, embora diferente. Como jornalista, precisava manter uma coluna de jornal que tivesse algum momentum, pra não perder o emprego. Vivia daquilo, ao contrário de RC, que era ex-diplomata, ex-deputado (não são todos os políticos brasileiros venais?), ex um monte de coisas. PF precisava causar impacto. Anos mais tarde, Diogo Mainardi tentou ser um segundo PF menos especializado em alvos específicos. Deu moderadamente certo. A favor de Diogo, deve-se dizer que foi processado por Paulo Maluf, o que é um ponto positivo no curriculum de qualquer um.

        F.

      • João Canali disse:

        Fausto, se eu tivesse que chutar uma agenda para você com meu gosto pelas teorias conspiratórias eu diria que você está cansado de tirar neve da porta de casa, colocar corrente no pneu do carro, nunca conseguiu ajustar a calefação (ou sente frio ou sente calor e ainda resseca a garganta…) e acalenta com dificuldade (devido ao frio do Canadá) a possibilidade de voltar a trabalhar para a Petrobrás, lamentando que o Brasil tenha um quase nada de betume, onde você, com seu atual know-how, poderia adicionar um tremendo salário insalubridade, só por sujar a bota de piche na única vez que visitou o ponto de extração… 😉 Quer dizer que para você a Petrobrás é melhor que o Brasil… Okay… Daqui a pouco você estará torcendo pelo Flamengo, clube este patrocinado por essa empresa com o dinheiro de Botafoguenses, Vascainos, tricolores, etc… O populismo é uma praga recorrente praticada por todos que enganam.

        De fato me custou um tempo para perceber que ruim com a Petrobrás pior sem ela. O mesmo tempo para me dar conta que existe um mal maior do que a Petrobrás e suas primas internacionais que o Prêmio Esso de Jornalismo (e convivemos com isso durante anos sem questionarmos o que uma empresa de petróleo estaria envolvida na compra indireta de jornalistas…) jamais descobriria por razões óbvias… O uso do petróleo como a principal fonte de energia do planeta… Como você pode ver, mudei de óculos e enxerguei muito além… A luta continua, o hidrogênio e o átomos são nossos. Como você tem visto mudei, mas não me convenci, continuo querendo o fim da Petrobrás o mais rápido possível, não através de uma réles privatização (que muito mais que a perda do monopólio lhe assustava… depois das privatizações de FHC então… foi a partir daí que a coisa melhorou… ) a diferença é que acrescentei as suas primas, nessa extermínio do futuro. E não venha você me dizer que eu quero alguma coisa além do que fazer o Flamengo perder o patrocínio… 😉

        Roberto Campos possuía em seu currículo uma mancha que os marajás petroleiros nunca souberam explorar, tão preocupados em achar justo os seus privilégios denunciados… Foi o cara que introduziu a prática da correção monetária, que demorou anos para se provar como a maior causadora daquela inflação maluca que tivemos nos anos 80 (que com minha cegueira já apontava como o mecanismo causador da coisa… Roberto Campos se defendia afirmando que inventara a coisa para ser transitória e não permanente como se tornara…). Paulo Francis explorava o ridículo que sobrava da esquerda e da direita brasileira (e a Petrobrás sempre fora queridinha dos dois grupos), do Anauê nacionaleiro. Na verdade debochava o tempo todo dos frutos da incompetência brasileira, esse era seu ponto. De fato o Mainardi segue essa linha, só que parecendo acreditar em uma certa seriedade conservadora no mundo que nunca existiu. Agora o fato de cada um ter seu mote próprio… Mais uma vez… Não invalida muitas das acusações que fizeram a Petrobrás. o que você mesmo parece reconhecer, mesmo achando-a melhor que o Brasil, quando na verdade ela é apenas um reflexo do mesmo.

  12. cesarbarroso disse:

    João e Fausto,
    Acho que vocês chegaram no ponto mu, isto é, nem que sim nem que não. O mu, que no passado era chamado de impasse, hoje descobriu-se que é uma novo ponto de partida, abridor de novos horizontes e maneiras de pensar. Viva o mu.
    Houve um tempo em que eu era completamente a favor da privatização da Petrobrás, mas hoje não sou mais. É o menor dos males. Pelo menos o governo brasileiro, quando quer, coloca o dedo, mete o bedelho. Já imaginou a Petrobrás nas mãos do Eike Batista? Deus, se existisse, que nos livrasse.

  13. fbarbuto disse:

    Uma correção (de novo):

    O todo pore sempre vai acabar contaminando suas partes.

    O todo podre sempre vai…

  14. cesarbarroso disse:

    Fausto,
    Paulo Francis sofria de uma doença mental que o fazia ver defeitos nos outros onde não havia. Lembra-se da campanha que fez contra o Antônio Houaiss? Houaiss era uma sumidade em língua portuguesa, um intelectual de nível internacional, e Francis contra todas as evidências chamava-o de charlatão, compilador de dicionários e enciclopédias. Algumas acusações do Francis contra a Petrobrás faziam sentido para quem era de dentro da indústria, mas o Francis não se preocupava em procurar provas e repetia o que ouvia. O Roberto Campos era vendido aos americanos e fazia o jogo das empresas de americans de petróleo.
    Você tem razão quando diz que a corrupção fora da Petrobrás é muito maior do que dentro da Petrobrás. Pelo menos a Petrobrás faz o que tem que fazer, e os políticos de Brasília não fazem. Infelizmente essa é a realidade brasileira, e a realidade mundial também. Aqui em Miami é uma vergonha. O que se rouba no governo da cidade… E as guerras do Iraque e Afeganistão? A coisa está degringolando no mundo inteiro.

  15. fbarbuto disse:

    Cesar,

    Uma retificação: quando disse que a Petrobras era melhor do que o Brasil não me referia à corrupção, ativa ou passiva, que é claro que existe ou existiu já que isto sempre acontece quando o ser humano e dinheiro em grandes quantidades estão envolvidos. Mas eu não poderia afirmar isto sem provas, senão ficaria parecendo o Paulo Francis, né? Quando disse que a Petrobras é melhor do que o Brasil eu quis dizer que a primeira é melhor no que o segundo tem de bom, e não é tão ruim no que o segundo tem de pior. Bem assim, em termos gerais.

    Me lembro vagamente da polêmica do PF com o Houaiss, mas a pior briga que o PF se envolveu foi com a Tônia Carrero, nos anos 60, quando escreveu um artigo achincalhando a atriz e foi atazanado fisicamente pelo Paulo Autran, grande amigo dela, e pelo Adolfo Celi, então marido da Tônia. PF exagerou na dose mas tinha lá seus motivos: Tônia havia comentado que PF era sexy, na época uma gíria para designar um homosexual. PF mais tarde se desculpou pelo artigo hediondo.

    F.

  16. cesarbarroso disse:

    Fausto,
    Posso lhe dizer com certeza que a corrupção existe na Petrobrás, como em todas as outras empresas estatais do Brasil. Há firmas especializadas em corromper, e grupos organizados de corrompidos. A máfia do setor elétrico é famosa e tem sua sede na Escola de Engenharia Elétrica de Itajubá. Esse pessoal faz o que quer do setor elétrico brasileiro. Quem não tomar a bênção a eles não consegue vender um lápis às empresas estatais do setor.
    Essa briga do Paulo Francis com a Tônia Carreiro não me lembro. Ele, com dizem aqui nos Estados Unidos tinha um “chip on his shoulder”, era um atazanado, criador de casos, não podia viver sem polêmica. Era inteligente? Acho que inteligência é saber organizar informação, ter calma nas relações, ter paz de espírito. Sem isso, inteligência é um desperdício. Talvez ele fosse uma inteligência desperdiçada.
    Tive pena que ele tivesse morrido daquela forma, por não poder provar as verdades que dizia, no caso da Petrobrás. Uma figura pública que faz acusações graves precisava se cercar de gente que lhe fornecesse as provas de que precisava. Talvez um dia a Wikileaks chega na Petrobrás, mas Paulo Francis não estará mais aqui.

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