Brincando de Pensar

Desculpem a demora de atualização… Na verdade, sinto aquele vazio característico de quem acha que já disse tudo, mesmo sabendo que isso é algo que dá e passa… Uma matéria sobre o passado do Homo Sapiens Sapiens, nós, me fazem lembrar que é aí que mora boa parte da compreensão de nossa existência… Aqui encontramos indagações importantíssimas que ainda não foram respondidas, assim como situações interessantíssimas se olharmos tudo sob o ponto evolucionista, que é único que apresenta uma lógica digna do nome…

O primeiro HSS foi um hominídeo mutante que nasceu com a capacidade cognitiva igual a nossa. No entanto, sua mãe e todos os outros hominídeos (nominalmente “elos perdidos”) que o cercavam eram como que “retardados mentais” se compararmos com esse nosso “Adão” ou “Eva”. Vale lembrar nesse ponto, que mutações não ocorrem em grupo é um único elemento que a sofre e, sendo uma mutação positiva, que confere alguma vantagem, se fixa através da hereditariedade… Então sabemos, já que hoje estamos aqui escrevendo essas internéticas linhas, que essa mutação cognitiva apresentou uma vantagem na reprodução a ponto de fixar a mutação… Ora, podemos apostar então que o primeiro a sofrer a mutação cognitiva seria do sexo masculino… Ora por que? Perguntariam as feministas… Porque o elemento masculino era capaz de se aproveitar muito mais do “retardamento mental” do grupo onde havia nascido do que uma “Eva”. Em palavras nada científicas nem muito menos asquerosamente politicamente corretas “Adão” saiu traçando todas as bobas alegres do bando onde nasceu, inclusive furtivamente puxando na surdina as fêmeas do harém de outros hominídeos… Ou, por ter se tornado o natural líder do grupo devido ao seu melhor uso da mente, obtido regalias… Embora eu aposte que esse “Adão” tenha matado diversos outros machos do bando, pois usaria uma arma de forma muito mais eficiente, mesmo considerando que os Homo Erectus já usasse armas…. Imagine um homem sem os entraves culturais que foram desenvolvidos ao longo das diversas civilizações que tivemos… Sendo assim ficou garantido uma grande quantidade de descendentes, a ponto de fixar a nova espécie. Se o primeiro HSS fosse fêmea, a quantidade de filhos gerados seria muito limitada, ainda mais considerando que a expectativa de vida naquele tempo deveria ser algo menos que do que 30 anos… Okay… feministas (e sua suposta torcida de gays), existe a possibilidade de “Eva” ter parido o “Adão” e tudo ter dado na mesma…

Por esses cálculos malucos de datação de tempo e conhecimentos arqueológicos, fico com a impressão que a fala só fixou-se em um agrupamento humano depois de centenas de milhares de anos… Ou seja, houve um tempo muito maior do que a nossa civilização (considerando aqui aproximadamente 10 mil anos de história mais ou menos conhecida) onde havia um animal capaz de falar, mas que não falava porque a fala não tinha sido inventada ou elaborada… Como será pensar sem falar? Pensamos falando, essa que é a mais pura verdade… Muito embora, tenhamos pistas do que é um pensamento sem palavras quando reagimos por impulso ou reflexo… ou ainda em alguns sonhos, quando apenas “sabemos”o que está acontecendo… o resto pensamos falando sem emitir sons. Deveria haver mais treinamento ou estudos nessa área… pelo menos um que tenha chegado ao meu conhecimento… é meio sacal ter que consultar o Google para tudo o que não sabemos… Já reparam como está ficando chato não termos mais desculpas por não sabermos de algo… Que baita mudança cultural isso não está começando a significar…

Mas, voltando a essa questão de termos um equipamento mutacional que não usamos por tanto tempo… E se houvesse outra mutação que veio no pacote HSS que nunca soubemos usar? Musica de suspense… Novo livro/vídeo de João Canali “A Mutação Perdida” Telepatia? Conversei com a moça que disse no Programa do Jô ter ficado 3 anos sem mastigar… Só ingerindo sucos… Mas que afirma metafisicamente ter se alimentado de luz… Pessoa que afirma ter experimentado uma lucidez reveladora e premonitória nesse período… Lhe lembrei que todos os “profetas”e “santarrões” bíblicos cometiam jejuns de vários dias antes de falarem com anjos e querubins… Falata de vitamina K no cérebro gera alucinações… O que evidentemente fui refutado… Bom, levando em consideração que havia honestidade em suas crenças e relatos (eu acho que de repente os sucos conseguem manter uma pessoa viva) cogitei a hipótese de que a mutação que levou cognitividade ao hominídeo ancestral poderia ter trazido também uma capacidade que nunca fora devidamente desenvolvida, já que a turma que o cercava nunca parou de comer bananas e outros quitutes, já que a aparelhagem digestiva estava lá de qualquer maneira e provocava prazer ao ser saciada… e grande desconforto e fraquza ao não ser… e hoje é uma indústria que não admitiria qualquer contestação e esmagaria com seus doutores a tese da moça que julgava ter descoberto como acabar com o problema da fome no mundo… De fato, ela foi perseguida e ameaçada, segundo me relatou… Sendo que até o Jô Soares pediu desculpas ao ter apresentado tal entrevista… Mas, me pergunto… Os astronautas comem sólidos? Ao que eu saiba eles comem comidas pastosas… Não perguntei o quanto era pastosos os tais sucos ingeridos durante os 3 anos sem mastigar… Será que daria para alimentar populações famintas com concentrados protéicos em forma de pasta ou suco? Bom, aposto que esses concentrados seriam mais caros do que bananas e outros sólidos, sem estar recebendo nada por fora de companhias de papel higiênico… (Não imprimam esse texto…)… Agora, falar para os famintos do mundo que eles se alimentariam de luz… ia ser complicado… teríamos que arranjar algum deus para enganá-los…

Pensar sobre esses milênios os quais pensávamos, mas, não falávamos me faz cogitar sobre as primeiras palavras que aprendemos… A primeira, claro que foi  Ma-ma-ma, ou “mamãe”, como os pais de antigamente eram bem piores ou casuais que os atuais eu suponho que a segunda palavra que todo o grupo aprendeu foi Fogo… em suas diversas traduções… Pera aí… para tudo… Fogo, Fogo, Fogo, Fogo…. campeão desde 1910, fostes heróis em cada jogo Botafogo… tenho mais o que pensar…

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
Esse post foi publicado em Cultura Popular, Divulgação Científica e Tecnológica. Bookmark o link permanente.

8 respostas para Brincando de Pensar

  1. Max Dias disse:

    Caro João, faz tempo que não apareço, perdido nas estradas do sertão paranaense, hoje a maioria asfaltada, menos os ultimos 10 km onde temos de ir, contando a ponte caída e outras eternas mazelas municipais, onde o roubo é a regra e ninguém quer fazer papel de bobo.

    Me permita, nesse feriado estridente, tronitroante e chato, um comentário sobre o seu escrito acima. A correlação entre o pensamento estruturado e a fala é um tema saboroso e extensamente discutido em toda rodinha de grêmio: pensar e falar são a mesma coisa? Para muitos matemáticos e similares, não há outra saída: todo o pensamento é proveniente de uma linguagem, e até a matemática é em si uma linguagem. A inteligencia artificial (esse termo deveria ser “imitação de inteligência”) também associa o pensamento à sua expressão, e ponto.
    De que serve um pensamento se ele não pode ser expresso? Essa pergunta que não quer calar ensurdece os salões da informática-cibernética e leva à conclusão, inevitável, de que quem não fala não pensa, ou o que um mudo ou comatoso pensa não existe. Será?

    Muitos pensadores, escrevendo, isto é, falando, mudaram essa maneira limitada de ver as tribulações dos neuronios, axonios e dendritos. Antonio Damasio, um neurofilósofo de cepa quase recente, atribui o pensamento exclusivamente às emoções, e o situa no cortex pré-frontal. Escreveu bastante, esse pesquisador português radicado nos EUA e seu livro “O Erro de Descartes”, já com mais de 20 anos, é uma espetacular demonstração de que os estruturalistas ainda tem muito a aprender na compreensão da cultura e desenvolvimento humano. Outro escritor, o inglês Steven Mithen, no seu celebrado “A Pré-História da Mente” analisa a mente (uma criação do cérebro, segundo Damasio) como primitivamente composta de vários espaços independentes e separados, como a area da inteligencia social, a area da inteligencia ambiental, a area da inteligencia instrumental. O grande salto para ele, ocorrido hà cerca de 80 mil anos (simultaneamente em todo planeta), foi a interconexão destas areas independentes através do aparecimento de uma area capaz capaz de acessar e integrar esses espaços independentes, associando seus diversos conhecimentos e com isso conquistando níveis novos de compreensão, que nos trouxeram até aqui, &C.

    O cérebro é um orgão poderoso e exigente. Só por si, consome 20% dos nutrientes que ingerimos, e o maior pânico humano é sem o dúvida o da fome. Sobre o que vc comenta a respeito do Jô e seus talkshows primários, só tenho a lembrar que a tarefa da mastigação é transformar tudo que ingerimos em uma pasta, de alimento e saliva. Comer alimentos em pasta é justamente o que fazemos, há milênios.

    Bem, dois meses atrás a Scientific American publicou um artigo formidável sobre o cérebro e a inteligencia, onde a pergunta central è: “Podemos nos tornar mais inteligentes?”. A evolução, em seus imensos periodos de tempo, é muitas vezes mal intuida por nós mesmos. Os religiosos nem acreditam nela…

    Voltando ao artigo da Scientific American, a conclusão a que esse chega, após uma extensa análise das velocidades de neurotransmissão, a especialização funcional de areas especificas do cérebro (uma enorme evolução, que encurta distancias), a quantidade existente de neurônios e sinapses, é a de que NÃO, NÃO há possibilidade alguma do cérebro melhorar sua capacidade, adensando-se ou alterando a espessura dos dendritos para aumentar a sua capacidade. O cérebro já é um microchip orgânico. Atingimos o limite individual, e a diferença entre um genio e um individuo normal nunca passará de uma capacitação 50% maior, mais ou menos. No final, o artigo faz alguns comentários um tanto atordoantes sobre as espécies que desenvolveram inteligencias coletivas, como as abelhas, formigas, &C. Digo atordoantes porque, se pensarmos nas possibilidades de integração das mentes hoje disponíveis, entre elas a Internet, claro, faltará pouco para “evoluirmos” fisica e politicamente em direção à inteligencia social.

    Se “evoluir” a idéia já existente de associar a rede celular e a web à cada individuo, através de microchips e circuitos de indução, conectando multidões, seja em nome da segurança, seja em nome do prazer, a sugestão da inteligencia coletiva começa a ser real. Ainda bem que não estarei por aqui quando isso acontecer.

    • João Canali disse:

      Max, sua ausência é sempre muito sentida e, portanto, ela, a sua ausência, é imperdoável. Dissesse diferente correria o risco de outra sumida sua… Mas, quem sou eu para reclamar do sumiço dos amigos, meu ritmo de atualização desse blog é risível…

      O tema é fascinante Max, por várias razões… Os elementos que a ciência nos trás nesse campo ainda estão em fase de sedimentação de certezas, portanto, um terreno de pura especulação, respeitado alguns princípios, entre os quais a ortodoxia evolucionista que é sempre desrespeitada, apesar a de ser a que sempre explica tudo nos “finalmentes”. Mais abaixo voltarei com isso…

      Como programador já me vi envolvido com “Simulação de Inteligência”. A coisa de aproximadamente 25 anos atrás, usando um computador MSX (Z80A com 3.4 Hz de clock…) como plataforma, que obtinha em uma tela de televisor comum “assombrosos” 256 pixels na horizontal por 128 na vertical, o que dava a tela toda no modo gráfico!!! Imagine a qualidade dessa imagem… Pois bem, imagens fotográficas como você pode imaginar eram um distorcida montueira de pontos acesos (de até16 cores, contando o background ou a cor uniforme do espaço não aceso), mas algumas composições gráficas se destacavam pela capacidade de dar a idéia de um desenho bem feito. E foi em um programa inglês chamado Strip Poker que encontrei a imagem de uma mulher que parecia um desenho de Carlos Zéfiro, que ia se desnudando a cada rodada ganha… Jogava-se poker com a máquina que era representada pela mulher… Pois bem, como bom ex-hacker debuguei o programa e capturei toda a seqüência da nudez (que eu não era capaz de desenhar melhor…) e as adaptei em um programa onde o jogador teria que cantar a moça até que ela retirasse a roupa… Para tanto, o jogador teria que inserir frases para atingir seu objetivo… “Cantar a moça…” O programa analisava palavra por palavra dessa frase e comparava com o banco de palavras que eu montei para esse fim… A depender das palavras utilizadas a “moça”dava respostas afiadas (frases pré-elaboradas para cada situação reagente as palavras utilizadas) e até xingava de volta se fosse o caso… e retiraria em etapas a sua roupa, a nudez total (que eu melhorei com fartos lábios pubianos que inglês algum ousaria desenhar…) Resultado: A lendária Buccaneer Software faturou mais um título exclusivo… Então, de posse dessa experiência, vos digo que a tal da Inteligência Artificial não tem passado muito disso, em lógica de funcionamento… e se você quer saber, acredito que a obtenção de uma genuína inteligência artificial igual a que vemos em tantos filmes e livros de sci-fi, vai demorar muito mesmo… Eles estão tentando copiar as funções do celebro a medida que as descobrem, não sei se depois de juntarem tudo vai dar em uma verdadeira “vontade” artificial a ponto da máquina implorar para não ser desligada de forma genuína e não programada. Poucos se dão conta que Inteligência Artificial é o mesmo que Vida Artificial, vida no seu sentido mais profundo e abstrato.

      Pensar sem palavras… Foi o primeiro ensinamento de D.Juan, personagem do antropólogo Carlos Castañeda, dado a este… Na verdade, falava em “parar” o pensamento, o que sempre interpretei como uma tentativa de ser como nossos ancestrais ante do desenvolvimento da fala… A técnica ou prática seria adequada a desconstruir a descrição de mundo que fazemos normalmente e automaticamente. Seria como desligar a cultura que atrapalha ou inibe uma maneira correta de observar o mundo, segundo aquele “bruxo”, que representaria uma das culturas indígenas do norte mexicano, onde o uso de drogas levariam ao conhecimento de uma “estranha realidade”… Uma interrupção do fluxo emocional, a eliminação do medo (daí Casteneda ter tido tanto sucesso…) A interpretação, que leva ao colorida emocional, vem das palavras e a imantação emocional que as culturas emprestam a elas. Algumas técnicas orientalistas também prescrevem essa tentativa, em sua eterna busca do equilíbrio e, por que não, da alienação necessária ao que seria a verdadeira meditação. A repetição de um mantra leva a parada do pensamento descritivo… Existe um raciocínio sem palavras… Bom eu já tentei e consegui uma série de ações que se aproximam de nossa capacidade de andar ou mesmo respirar sem comandar essas ações… Mas, só mesmo uma tentativa monástica, digamos assim, poderia nos fazer entender o que seria o pensamento sem palavras… contando que esse entendimento teria que ser feito com palavras… o que já significa um ruído, uma contaminação… Talvez, mais fácil seria dizer que nunca saberemos… Como descrever o que não foi descrito? A imagem do sonho ou quem sabe das drogas – temos uma associação aí novamente com D.Juan – quando simplesmente sabemos o que está acontecendo… ou em determinados momentos em que assistimos as ações de um filme sem nada pensar ou intuir, apenas observando… meio louco… Mas foi possível durante milhares de anos para nossos ancestrais…

      Bom, então, ao falarmos desses anos todos… Me volto para a sua afirmação “O grande salto para ele, ocorrido há cerca de 80 mil anos (simultaneamente em todo planeta)” que foge totalmente da lógica evolucionista se esta for tomada ao pé da letra… Mas, ao pensar que nenhuma mutação à capacidade cognitiva poderia se dar de forma simultânea a uma espécie espalhada por todo o planeta me dou conta de algo que dá o que pensar… Segundo se acredita com bastante evidências o HSS surgiu na África e para admitirmos ou entendermos a coisa sob o ponto de vista darwiniano, a capacidade cognitiva do HSS nasceu antes da diaspora (que levou o HSS até a Ocenaia…) e das divisões etnico-raciais (que também foram mutações). Talvez não tenha sido claro nessa afirmação que se estiver errada significaria duas ou mais mutações cognitivas para cada raça ou etnia… ou uma causa global para a mutação… uma chuva de raios cósmicos, um fenômeno especial e radioativo que afetaria todos os hominídeos anteriores a um HSS e que já estivessem em plena diáspora…

      Quanto a “mente coletiva” sem apelar para Jung, não dá para saber sem pesquisarmos atavismos com métodos mengelianos… Temos que nos contentar com a tradicional “opiniao pública internacional”, o mais próximo de uma mente coletiva, apesar de tão facilmente manipulável por falsos dogmas de todos os tipos, como sabemos. Contudo, em relação a isso eu tenho que afirmar que “novamente vi um UFO” e me conformar com a descrença alheia… O fato é que eu vi na pia de minha cozinha duas formigas obreiras carregando uma formiga guerreira ou soldado (maior do que elas) depois dessa ter sido atingida pelas águas fortes da torneira da pia e ter ficado meio que nocauteada ou incapacitada de se locomover… Estariam salvando-a? Canibalismo? “Hoje tem churrasco, vamos leva-la para o restaurante…” Se fosse apenas uma formiga… Foram duas… Se tivesse uma câmara apropriada naquele momento teria feito uma das melhores seqüências já registradas na história do vídeo… Agora, até onde iria essa “mente coletiva”das formigas sem nos provocar um questionamento ético sem precedentes… Estaríamos matando durante séculos animais capazes de sintetizar uma solidariedade que transcenderia aquela somente verificada entre mães e filhotes… Mas faltou a câmara…

      • João Canali disse:

        O seguinte link recoloca nossa conversa… (e está updated porque já menciona a recente descoberta que cruzamos com os Neandertais)

        http://en.wikipedia.org/wiki/Timeline_of_human_evolution

        Como supus o HSS surgiu na África e depois foi a luta em todos os continentes onde sofreu outras pequenas mutações que determinaram as diversas aparências raciais e étnicas. A tabela indica que o gen linkado ao controle da fala está presente no ancestral comum do HSS e dos Neandertais a 160 mil anos atrás… Mas, eu chutaria que a fala se desenvolveu (com sucessivas gerações falando os mesmos vocábulos aprendidos no grupo) bem mais recentemente, coisa de uns 15 mil anos atrás… E justamente a capacidade de desenvolver linguagens mais complexas (razões aleatórias, geográficas, climáticas e/ou sasonais) é que determinou as diferenças de desenvolvimento e quem vencia na seleção das culturas (não mais das espécies)… Eu acredito que nenhuma nova mutação expontânea positiva ou negativa seria capaz de se fixar em função dos fatores culturais e da grande quantidade de elementos que compõe os atuais agrupamentos humanos… A nova mutação não teria condições de se reproduzir o suficiente e, se trouxesse alguma vantagem que desequilibrasse a competição humana, seria destruida pela maioria… O que nos joga nos braços da eugenia como única possibilidade de evolução, o que é um perigo, já que não sabemos direito o que queremos… 😉 Aconselho um filminho chamado Limitless, especula – a lá hollywood of course – com uma mente 2.0 provocada por uma droga… Muito divertido.

  2. Max Dias disse:

    Eu vi esse filme, João. Muito interessante, lá o sujeito chegou a um QI de 980, dopando o cérebro com a tal droga imaginária. De fato, existem muitas drogas que mexem com a neuro transmissão, como por exemplo a fluoxetina (Prozac), e que são capazes de melhorar muito a lucidez, mais em função da retirada de bloqueios e o estimulo da produçaõ da serotonina, um importante neuro transmissor. Mas isso é coisa pequena, ordem de zero virgula. Oliver Sachs, em um de seus admiráveis livros, conta suas experiencias com o L-Dopa no tratamento de cerebros doentes, e o limite onde a droga passa de remédio a veneno é minimo.

    A propósito, hoje mesmo estava lendo uma pequena nota na ultima Scientific American que recebi, sobre a importancia do cerebelo, uma parte profunda do cérebro em forma de brocolis, na base do craneo.. A nota fala sobre o cerebelo de um peixe elétrico africano, chamado Gnatonemus ou algo assim, que abre muitas janelas sobre a compreensão dessa parte do cérebro, composta de células granulares que se organizam numa estrutura “quase cristalina”, que vem desafiando os cientistas há mais de 5 décadas, pois embora se pense que apenas seja utilizada em habilidades motoras, também se mostra como participante nos processos perceptivos e cognitivos.

    O cerebelo é tão fundamental que a maioria dos treinamentos motores para pilotos, esportistas e até soldados é feita tentando utilizá-lo como base para o aperfeiçoamento das habilidades que se procuram desenvolver. É conhecida a frase entre atletas envolvidos em competições: “Pensou, perdeu.” Nada mais verdadeiro e aplicável a tantos nossos conhecidos, entre eles, eu arriscaria, nosso Rubens Barrichello, capaz de estragar tudo na ultima volta, antecipando pódiuns e taças e atrapalhando a concatenação dos reflexos.

    É verdade que a evolução depende de mutações, e estas podem até vir de fora – existem casos de vermes intestinais que associam parte de seu DNA ao nosso, e assim ficam para sempre, permanentemente, ao longo das gerações. A nossa visão em tres cores, unica entre os mamíferos (que veem em duas cores) é consequencia de uma mutação mitocondrial ocorrida em uma femea, que a passou à espécie centenas de milhares de anos atrás, quando o bando de HSS no planeta não era maior que dois mil individuos. Curioso é que, embora o daltonismo seja comum entre os homens, existem (hoje) senhoras que enxergam em quatro cores. Mas passar essa capacidade à espécie é hoje impossível – atingiremos 7 bilhões no fim desse mes…

    A capacidade de falar tem outras condicionantes, entre elas a alteração da postura e o modo de andar, que alterou o alinhamento cabeça-pescoço-corpo, criando um espaço pré-palatal maior, onde a articulação do som ganhou mais recursos. Essa alteração de postura, ocorrida quando foi preciso andar, e muito, para encontrar comida, mudou muita coisa além do espaço vocal. Somos os unicos primatas onívoros (embora chimpanzés e outros possam aprender a comer carne), pois andar carregando ferramentas, a cria e comida de reserva exige uma racionalização destas necessidades – é muito mais prático levar carne seca do que melancias – e a carne é o alimento que mais nutrientes tem por unidade de peso.

    Mithen traz a teoria que, ao acessar simultaneamente as tres inteligencias do cérebro (a ambiental, a ferramental e a social), ocorreu, entre muitas outras associações, a utilização de sons articulados para a comunicação, permitindo a transmissão de informações e a consequente sedimentação cultural, ao mesmo tempo estimulando o desenvolvimento de habilidades de simbolização e abstração. Situa esse momento há 80 mil anos, levado por descobertas arqueológicas, como as estatuetas do norte alemão, símbolos de fertilidade, &C. Antes desse período não há nada culturalmente importante que demonstre a integração das citadas inteligencias – as pontas de flechas de granito, frutos isolados da inteligencia instrumental, foram produzidas por centenas de milhares de anos sem nenhuma alteração.

    O que provocou essa integração simultanea das inteligencias é desconhecido. Podemos imaginar raios cósmicos, astronautas alienígenas de passagem, intervenções de Jeovás ou similares. Mas fato e prova não existem. Ainda.

    • João Canali disse:

      Exato Max, a compreensão que uma mutação para um HSS 2.0 ou um HSS Economic Version for Deserts dificilmente emplacaria em função da base instalada ser muito vasta e reativa a determinada competições “desleais”… Fora a enormidade de tempo que levaria para que houvesse, através da hereditariedade, um update de toda a espécie… e, como sabemos, não dá para fazer um recall nesse caso… 😉 Não dá nem para acabar com a miopia… isto é, se não castrarmos todos os míopes… É incrível pensarmos que a última mutação – que muito bem poderíamos chamar de “click” -, possibilitou o surgimento de sociedades complexas e subsequente culturas e que só essas possam continuar evoluindo (ou se modificando, evoluir possui uma conotação positiva que atrapalha uma compreensão melhor do que acontece…) ou sofrendo figurativas mutações ela mesma. Mais incrível ainda é a observação de que através das culturas poderia-se provocar artificialmente uma mutação no HSS e fixá-la… os eugenistas, os nazistas e diversos “cientistas malucos” possuiram projetos que em tese funcionariam… mas, quem é que quer se arriscar a ver isso posto em prática? Só para termos a satisfação de termos um filho com o boletim cheio de notas dez e livre supertições vulgares?

      Algumas conjecturas na discrição do que aconteceu durante a trajetória “transformista” do HSS ferem mortalmente o espírito darwiniano… Temos sempre que estar nos policiando para não passar o tal do Inteligent Design ou aquela natureza que aprende por conta própria… Nasceu o garoto mutante que andava ereto (dispensável lembrar que para cada mutante positivo que se adapta melhor e pertencerá a seleção, morrem na largada milhares de outros mutantes não adaptáveis…), teve tantas vantagens em coletar alimentos que cruzou com muito mais fêmeas do que os outros sem as suas características “eréteis”… e por mais tempo (o fator tempo é crucial… chegar aos 30 era um feito…). Em uma comunidade pequena, a passagem hereditária se dá de forma rápida, em poucas gerações… Quem não for capaz de andar eréto morre e não se procria, até porque o bando se locomoveu para áreas onde a vida só é possível (ou o clima mudou naquela região, desertificando, gelando ou fazendo florir…) para aqueles que vão caçar juntos andando e por aí vai… Temos que resistir a idéia de que um aprendizado físico, uma necessidade circunstancial ou hábito cultural seja ele de qualquer tipo passe de forma hereditária. DNA não aprende, só copia ou copia mutando aleatoriamente… Muitas vezes a capacidade adaptativa “pré-instalada de forma latente” de uma espécie confunde o pesquisador.

      De fato, o que provoca qualquer mutação é um fator aleatório que afeta o gameto ou o óvulo, antes ou durante sua junção… um raio cósmico que passe fazendo boliche dentro da pista de gens, o casal que resolveu transar em cima do que seria uma futura mina de urânio milhares de anos depois ou que comeu uma “talidomítica” frutinha vermelha, bem mais tóxica do que uma simples maçã… existem outras causas possíveis para explicar uma mutação, antes que tenhamos que apelar para um ET hominídeo que traçou as macaquitas daquele planeta da periferia… ou aquele mítico sobrenatural ente maluco que por não conseguir entender o que é, constrói unidades processadoras autônomas, no intuito de fazer multiprocessamento como nos supercomputadores e assim ter auxílio nesse seu auto-entendimento… um dia abandona tudo (seja o que deus quiser, literalmente disse para si mesmo…), quando se dá conta que as unidades autônoma o descobriram e o atribuem a explicação do que ele mesmo procura saber… 😉

  3. cesarbarroso disse:

    João,
    Interessante o seu comentário sobre a ligação entre sonho e linguagem. A gente acorda e custa a encontrar as palavras para descrever aquilo que “vivemos” no sonho numa experiência ante-palavra.
    Há muita gente que se dedicou, como Ferdinand de Saussure, suíço, ao estudo da linguagem humana. Ele foi o criador da linguística, que é muito desenvolvida na França e nos Estados Unidos, e tem ramificações diversas. Um outro grande da linguística foi Edward Sapir, alemão-americano.

  4. cesarbarroso disse:

    João,
    Acho que comunicar demais pode roubar um pouco de nossa espontaneidade pré-racional, com repercussão social negativa. Explico-me: a necessidade excessiva de comunicação nos leva a caminhos internos que podem nos levar à conclusões erradas devido à nossa necessidade de guardar coerência com nossas declarações anteriores.
    Max,
    A criação de uma consciência social talvez venha a ser o próximo grande passo, pois é óbvio que o anti-social está nos levando para situações perigosíssimas(vide o aquecimento global provocado pelo homem). Até que ponto a informação – Google/Internet – contribuirá para esse salto, para mim, remains to be seen.

  5. cesarbarroso disse:

    O lado negativo da linguagem: Em “Philosophical Investigations”, Ludwig Wittgenstein defende a tese de que “confusões conceituais em razão da linguagem dão origem à maioria do problemas filosóficos”.

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