Onde o Futuro Não Chegou (Parte Dois)

Olho pela janela e vejo Kripton se arruinando… Tenho aqui a meu lado a bebê mais linda do mundo (deixa eu parar, pois está comprovado que baba de avô estraga o teclado), não me chamo Jor-el, não tenho nenhum foguete e não sei onde fica Pequenópolis no planeta Terra… No entanto, não vou falar dessa guerra de marketing político envolvendo republicanos e democratas, no tardio corretivo em Rupert Murdoch, na crise dos PIIGs e das moedas… Na verdade, tenho que andar rápido antes que Kripton exploda de vez e eu não tenha tempo de mandar um último comentário…

Em fevereiro de 1995, quando cheguei no Sul da Florida e me instalei com minha família para começar uma vida nova na famosa América. Tomei um baita susto ao verificar que o sistema bancário americano estava diversos furos abaixo da tecnologia funcional dos bancos brasileiros… Tirar um simples extrato bancário na própria agência – mesmo onde tínhamos aberto nossa conta – era uma operação cerimoniosa, que em alguns casos era até cobrada. Não haviam terminais abertos ao público, tínhamos que pedir extratos ao assistente do gerente pois atrasaríamos a vida do caixa… Como seria isso possível se estávamos na pátria dos computadores e sistemas que eram usados no Brasil?!

Os bancos brasileiros se modernizaram de forma incrível devido ao lucro que isso gerava durante a vigência da nefasta correção monetária. Os bancos brasileiros tinham verdadeiras máquinas de fazer dinheiro, simplesmente emprestando ao governo em operações de só um dia (o tal do overnight) os depósitos bancários de seus correntistas, descontando antes o chamado empréstimo compulsório ao governo, um percentual fixo sobre esses mesmos depósitos. Quanto mais automatizada ou rápida fosse a operação de calcular o que havia em caixa para aplicar (emprestar ao governo) no overnight, mais dinheiro se ganharia em juros e correção monetária… Logo compreenderam que agilizar saques e depósitos era não somente um fator de concorrência importante, quanto também, era agilizar e aumentar aquela conta de final de expediente… Cobrar por serviços bancários tradicionais era criar um empecilho para terem mais dinheiro em saldo corrente, onde estava o grande ganha pão de risco zero… Os bancos brasileiros não disputavam fazer bons e seguros empréstimos para lucrarem com juros ou cobrarem taxas pelos seus serviços de guardar o dinheiro do cliente em lugar seguro, o negocio tradicional das casas bancárias. Disputavam, outrossim, o simples depósito do dinheiro em suas contas.

Para esclarecer… Quando aqui cheguei o Plano Real já havia acontecido e os bancos estavam amargando a perda de sua galinha de ovos de ouro… Foi até necessário uma ajuda do governo nessa transição para uma existência normal de operações, o tal do Proer.

No lado americano, os bancos ganhavam da forma tradicional, logo, qualquer automatização era um impedimento a cobrar por serviços de agilização. Todavia, correndo por fora disto tudo, os pagamentos em cartões de crédito, já naquela ocasião, estavam acabando com o negócio tradicional dos bancos nos dois sentidos. Um usuário de cartão tinha presteza de saque e pagamento (sempre foram mais seguros do que cheques para o comerciante que os recebe, praticamente, no comércio regular, aquelas maquininhas manuais de esfregar o cartão já haviam sido substituídas pelas maquininhas ligadas a linha telefônica…) e, por sua própria natureza, significavam a liberação de empréstimos sem nenhuma burocracia ou conversinha enauseante com o gerente, o que decidiria isso era o limite pré-aprovado do cartão. Os bancos americanos só alcançaram a modernidade dos bancos brasileiros quando surgiu o cartão de débito em associação com as grandes empresas de cartão de crédito… Todos saíram ganhando, inclusive, por sorte, o consumidor. Tínhamos todas as facilidades do uso do cartão, sem ter que recorrer a empréstimos. Vale lembrar, para ilustrar, que o cheque nos EUA nunca foi bem aceito – muito menos essa coisa do cheque especial – em função da pouca segurança legal de recebimento (uma legislação muito mais branda que a brasileira, por incrível que pareça…). Os cheques visados (onde o dinheiro é bloqueado na conta) é o que são usados em aquisições de grande porte (hoje mais ou menos substituídas por transferências bancárias eletrônicas). Antes dos pagamentos online, os cheques eram usados praticamente só para pagamentos de contas de serviço (telefone, luz, etc.) e nos locais onde há uma máquina que consulta a validade e fundos dos cheques.

Em termos de avanço tecnológico os EUA estão novamente em atraso em relação ao uso de maquininhas remotas de leitura de cartão… Em restaurantes ainda somos obrigados a entregar o cartão aos garçons para que sejam levados ao caixa (onde poderão ser clonados copiados etc…). Talvez pela facilidade que é bloquear um cartão roubado e reaver o dinheiro gasto indevidamente ou por haver menos incidência desse tipo de roubo em relação a outros países.

O Futuro que Estão Segurando…

Sessenta por cento das transações comerciais nos EUA são com o uso de um cartão de crédito ou débito. O próximo passo está na cabeça de todos que praticamente não usam mais dinheiro em espécie… Acabar com o próprio (pra quê mais essa coisa suja e cheia de bactérias em nossos bolsos?) quando teríamos o fim de assaltos, sonegação e corrupção em troca de uma privacidade que só interessaria aos mal intencionados. Mas, a pergunta que deve ser feita antes de pensarmos em viabilidade técnica (ela existe, podem estar certos disso) da implementação disso é:  Quem ganharia e quem perderia?  As mudanças só tem ocorrido quando uma parcela infama da população já instalada no poder passa a ganhar mais diante uma inovação. A evolução está sempre dependendo mais do ganho de uma minoria, do que em função de viabilidade tecnológica, que, igualmente, só são implantadas em função de representarem um lucro.

Para quem ainda não entendeu: Acabar com o dinheiro em espécie (quando uma pessoa particular ou jurídica transfere fundos para uma equivalente via duas contas bancárias que ambas devem ter) significa acabar com o sigilo bancário (que praticamente não existe nos EUA, do ponto de vista do governo, que é previamente autorizado a verificar qualquer conta) e implantar um sistema muito próximo ao do Big Brother… mas com um detalhe… Como os agentes do governo também estariam sujeitos a rastreamentos automatizados eles deixariam de ter interesse em usar seus poderes para ações ilegais… Propina? Caixa dois? Seriam reduzidos a presentes como jóias, quem sabe… Não valeria o risco. Sim, “consultorias” continuariam acontecendo… Mas seriam tão automaticamente acusadas que diminuiria muito, até porque as acusações seriam imediatamente comprovadas… Fulano está recebendo fundos de beltrano para facilitar a licitação… Em poucos segundos o acusado teria suas contas (e de familiares) rastreadas e verificadas… O dinheiro eletrônico é todo ele rastreável… Uma nova cultura monetária e ética teria que surgir.

Todavia, seria lugar comum, imaginarmos que sob os mais diversos pretextos essa idéia seria refutada… E temos nas mãos a prova irrefutável de quem manda no mundo são bandidos. Que se essa idéia não vira assunto de todos é porque a opinião pública é conivente ou manipulada… fico com a segunda hipótese, desconfiando da primeira… que quem não é bandido, é aprendiz de bandido… ou imagina ser… em sua maioria, que fique claro aos minoritários leitores honestos do Blog Teorias.

O controle econômico seria muito mais eficiente… Pessoas depauperadas teriam que receber uma conta bancária gratuita… e teriam circuitos RFID tatuados ou implantados… Esses circuitos, já totalmente desenvolvidos, podem ser lidos sem a necessidade de alimentação elétrica, trazendo a identificação da conta bancária… Terminais teriam que ser postos em locais ermos… Haveria um progresso forçado nesse sentido…  Como ore;hões foram uma dia… Programas sociais poderiam ajustar automaticamente a distribuição de impostos… Poderiam até determinar que uma pessoa por falta de consumo está necessitando de dinheiro e providenciar isso automaticamente… O céu é o limite com essa idéia…

Os crimes continuariam evidentemente, isso não é o Admirável Mundo Novo de Aldoux Huxley… é quase… Mas, com a diminuição dos assaltos a violência cairia muito… O clássico ladrão de galinhas continuaria (se é que alguém esteja preocupado com sua subsistência ou queira achar algum obstáculo lógico na coisa)… mas, para comer as galinhas ou trocá-las por alguma outra coisa… O ladrão que rouba para revender (dinheiro não haveria para roubar…) tem que revender… Basta pegar um ladrão e encontrar os seus receptadores no terminal da delegacia… Prendendo os receptadores a indústria do furto fica nas mãos dos ladrões de galinha… Com a polícia desocupada de crimes mais graves e não tendo como receber propinas esse ladrão de galinha está roubado.

No Brasil apoiei a idéia do imposto único… Todos que eram contra colocavam objeções de ordem técnica… Covardemente o governo pegou a ideia e a transformou no imposto do cheque, com a ideia de financiar a saúde (desviaram tudo) que funcionou feito um relógio com a grande automação do sistema bancário brasileiro… Ou seja, poderia ter sido o imposto único que acabaria com todos os caixa-dois, a burocracia e a vista grossa propinada da fiscalização… “Consultorias” ficariam complicadas…

O fim do papel espécie é tão fácil de ser implantado quanto foi o imposto único… Claro que vai aparecer de frente meia-dúzia afirmando acerca do perigo dos hackers, do sistema que poderia cair e deixar todo mundo sem receber… Depois… que os poderosos não deixariam… Tão conservadores quanto coniventes.

Próximo Capitulo… A questão comercial, onde o capitalismo fracassa.

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
Esse post foi publicado em Economia, Ideias. Bookmark o link permanente.

6 respostas para Onde o Futuro Não Chegou (Parte Dois)

  1. fbarbuto disse:

    Canali,

    Achei que você ia descer mais fundo no tópico relacionado à economia, mas não importa. O que você escreveu já é material suficiente para algumas discussões, e como o tópico a princípio não tem limitação de capítulos… sempre haverá oportunidade para aprofundar mais aqui ou ali.

    Você acredita que o dinheiro em espécie ainda se presta para evasão de divisas e impostos, corrupção e outras malfeitorias? No varejo talvez, mas e no atacado? Tente sair dos EUA ou entrar nele com mais de US$ 10 mil (que nem é tanto dinheiro assim) pra ver o que te acontece. É praticável e seguro sair de algum país rumo à Suíça, Luxemburgo ou outro paraíso fiscal qualquer com malas cheias de cédulas? Guardar dinheiro de corrupção debaixo do colchão? Em pequena escala isso seria possível, mas não num contexto de milhões ou mesmo centenas de milhares de dólares, que é o que interessa ao governo. Com este último podendo bisbilhotar contas correntes e livre das amarras do sigilo bancário, vai ficar claro que o sujeito está vivendo de outras “fontes” de renda. “Como é que é? Quer dizer então que o senhor manteve mulher e filhos, casa, cachorro, papagaio, carro, viagens, cartões de crédito e outras compras e apenas US$ 1385 saíram das suas contas bancárias nos últimos 12 meses? How suspicious… Conta pra gente aqui como é que se faz essa mágica…. Fica claro que o sujeito está desovando as cédulas do “colchão”, até porque papel estraga, pega fogo, pode ser roubado, etc. Sempre se pode apertar o cerco, é só querer (lembra-te dos dólares genuínos na cueca do assessor do Genoíno…). O que o governo poderia fazer nessa linha é ir reduzindo o estoque de papel-moeda e só deixando em circulação notas menores para o dia-a-dia, por exemplo notas com valor máximo de US$ 20 ou até menos.

    Claro, é moleza pro traficante carioca chegar na fronteira com o Paraguai ou Bolívia com uma mala cheia de dólares destinados a comprar armas… Mas aí é mais um problema de controle policial do que bancário/fiscal.

    Mudando de assunto e permanecendo no mesmo: você chegou a assistir aquela série de seis capítulos “The Ascent of Money” com o Niall Ferguson? Muito interessante e ilustrativa.
    Recomendo entusiasticamente.

    F.

    • João Canali disse:

      Fausto, aprofundarmos mais a questão do dinheiro é sempre esbarrarmos em quem está lutando para fabricá-lo na quantidade que precisar. Se fossem moedas de ouro, a luta seria por ditar o valor das frações (discordando aqui de quem pensa que o ouro no mundo não daria para suprir toda a demanda por dinheiro corrente… bastaria diminuir o peso em ouro do valor das coisas, moedas cada vez mais finas… até chegarmos a raspar o dourado das molduras…). Falaremos de monopólios da guitarra… Se acabarmos com uma versão física do dinheiro estaremos mais perto da verdade simbólica (logo etérea) da coisa.

      Se acabarmos com o varejo, o atacado não acontece ou será o único mal a ser combatido, só por esse aspecto não é pouca coisa… Como você deve saber, dos 40% das transações cash, uma grande parte, principalmente nos pequenos negócios, vira caixa dois… Aqueles 9% (aqui na Florida, por exemplo) do imposto estadual incidente sobre a maioria das compras… somem sempre… Mas, por que eu estaria interessado na arrecadação do governo? Porque se diminuirmos pela base o “paralelo” haverá mais reação na hora do mal uso dos mesmos em função de “consultorias” e depósitos especiais nos paraísos fiscais. O que observamos hoje é uma grande conivência, só não vê isso quem não quer… Até porque falamos, tecnicamente, de plutocracias (republicanos, por exemplo, querem ser mais explícitos do que os democratas, essa é a diferença). A partir de determinadas castas o pensamento é mais conservador do que crítico, nunca interessa mexer em time que está ganhando… e assim a coisa se equilibra.

      Ontem no Fantástico fizeram uma reportagem sobre os “arrastões” nos restaurantes de São Paulo… Parecem até que leram o meu post e resolveram mostrar que o fim do dinheiro em espécie não acabaria com a violência… Foi dito que a horda de mal feitores que se adentram armados dentro dos restaurantes da capital paulista (uma nova tendência da bandidagem) não se preocupavam muito com o caixa do estabelecimento, pois, hoje em dia, este sempre guarda pouquíssimo dinheiro, já que a maioria dos clientes paga as contas com cartões… Roubam pertences tais como celulares, relógios, jóias, etc… Em suma, perigosos ladrões de galinha… Algum cliente idiota armado (eu, por exemplo, que andei armado durante anos…) e pronto… um tiroteio com vítimas… Com o dinheiro físico ou virtual eles tem que vender os objetos… então, sendo o dinheiro virtual, basta um objeto desses ser encontrado… a polícia iria de conta em conta até chegar ao ladrão original… Onde ele está? Acaba de comprar leite na padaria do Seu Manel no bairro Itanhagambaúmirim (Do Tupi-Guarani: Índio com Rolex)… Despacha a viatura… O dinheiro virtual, criaria um controle social o qual a humanidade ainda não conheceu… Talvez até não goste.

      Contudo, existem outros fatos a serem explorados a partir da desmaterialização total do dinheiro em espécie… Quando o dólar tornou-se a moeda global o mundo absorveu uma quantidade enorme dessa moeda (que em algum momento é física sim, existem até notas de 1 milhão de dólares). Se todo esse dinheiro retornasse ao país, seria uma caos econômico. A última bolha, no mercado imobiliário, não deixou de representar o retorno do que andaram pagando nos sucessivos aumentos do petróleo a partir de 2001 e que se transformaram em aplicações financeiras… empurraram empréstimos para tudo quanto foi lado no setor imobiliário… Se, de forma unilateral – em algum desespero de causa – acabassem com a materialidade da moeda, dando um prazo para a conversão mediante a apresentação física da moeda em bancos em solo americano… Isso representaria um dos maiores calotes da história? Ou uma inflação impossível de ser controlada?

      Tenho dúvidas em relação a possibilidade de implantação da moeda virtual em todo mundo, aproveitando a deixa para acabarmos com qualquer problema cambial… Como dar uma conta bancária a um desempregado ao norte da Namíbia ou a um pirata somali? A questão do valor (que o Max levantou outro dia) não me parece um grande problema… A emissão virtual teria que ser controlada pelo Banco Mundial… O controle ia ser terrível… Surgiu mais dinheiro no Camboja hoje (o fechamento de todas as contas está maior)… Verifiquem o tráfico comercial e os turistas… Não foi por aí? Então tem alguém fabricando dinheiro “falso” apenas teclando no terminal… Mas nada impossível de ser solucionado no longo prazo.

      Vi pedaços do documentário no You Tube… O que realmente é bom é falar do sistema financeiro através de uma ótica histórica sem nenhuma preocupação com números… Tenho visto algumas entrevistas do Niall Ferguson e ele acredita que crises fazem parte do sistema capitalista, como muitos outros economistas… Mas acho prematuro crer que nunca encontraremos um sistema mais honesto e utilitário (menos cassino)… Acho que está chegando uma era que só as mentiras extraídas da incerteza dos fatos é que terão vez…

  2. evandro barreto disse:

    Meninos, continuem que isto aqui tá muito bom.
    Enquanto o debate continua tentarei fechar o esquema que persigo há muito tempo: paga a fatura do Visa com o Mastercard, a do Master com o American Express e deste com o Visa. Não é mais ou menos isso que os países fazem com seus títulos da dívida pública?
    Abraços fiduciários.

    PS – Remember Brecht: “Por que assaltar um banco se podemos abrir um?”

    • João Canali disse:

      Evandro, se o seu American Express for daqueles pretinhos, você vai longe com essa sua “pirâmide cartográfica”, agora, já as nações podem pagar os seus cartões com uma gráfica (o nome aqui do que sai da gráfica pouco importa, título da dívida pública, dinheiro, títulos do tesouro, etc…)… Ou sempre poderão… vão mais longe ainda. Agora a lógica continua sendo a mesma, quem concede o crédito é responsável pelo risco, isso é a única coisa honesta no processo, o resto é calote… 😉

      • João Canali disse:

        O mundo desaba e vou atrás… Brincadeira… Por motivo de viagem só esterei de volta na próxima quinta… Não estranhem minha ausência nesse período.

  3. fbarbuto disse:

    Boa viagem, Canali. Volte com mais idéias para o teu blog.

    F.

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