Moeda de 50 Dólares em Ouro

Um filósofo húngaro fala de uma crise estrutural do capitalismo. Leiam aqui.

Crise estrutural? Não. Crise existencial seria mais apropriado, creio. Eu , para início de conversa, sugeriria a troca de nome, já que capitalismo não expressa mais o que acontece no sistema. O capitalismo foi um sistema transitório (sempre perturbado por concorrentes tão utópicos quanto autoritários) nessa corrida contra o próprio rabo que é dar sustentabilidade ao aumento populacional que as tecnologias propiciaram a partir da Revolução Industrial. Teve vida alongada com grandes guerras que, como ao longo de toda disfuncional epopéia humana, equilibraram a balança demográfica. No entanto, o advento da bomba atômica inviabilizou o uso desse método em larga escala. Junto com a bomba atômica veio praticamente junto, no mesmo período, os antibióticos que, sozinhos, fizaram  aumentar a sobrevida humana em pelo menos 20 anos…

Realmente, em 1971, que o filósofo húngaro aponta mas não explica, o capitalismo acabou e ali deveria ter mudado de nome… quem sabe para Consumismo, para se contrapor ao Autoritarismo, o mais apropriado nome genérico para o sistema opositor. Mas, por que 1971? Por que foi o ano seguinte a perda da auto-suficiência em petróleo do país que melhor conduzia o sistema morto? Não. Porque foi o fim do lastro físico do sangue do sistema… Nixon e Bretton Woods… O capital virou saliva, papel pintado, capacidade de destruir, de produzir comida e bugigangas, intenções políticas tudo o que se queira, mas sem o lastro monetário em um vil metal finito, somente encontrado e produzido por garimpeiros e alquimistas, deixou de ser o que significava. Vale lembrar que o ouro, por tabela, lastreava outras moedas que se lastreavam no dólar… Claro que não resistiriam e imprimiriam mais e mais até a coisa perder o valor e serem necessárias “enxugadas” cíclicas, aproximadamente de 10 em 10 anos, em função do crescimento e do custo energético… Capitalismo significa juntar capital, quando você junta uma moeda lastreada em ouro você junta ouro, aquilo vai sempre valer alguma coisa, se você junta papel pintado ou números representados por bits gravados em elementos magnéticos e ópticos, que passam por estados intermediários em silício excitado por pulsos elétricos… o capital é como a anotação do bicheiro no fundo do botequim… se o talonário com o carbono da sua aposta na mão do apontador de bicho ficar manchado de sangue em um tiroteio com o policial que não gostou da propina… você não vai ter nada no bolso. Da crise de 29 escuta-se de tudo, menos de inflação… Inflação escuta-se do Marco alemão da era pré-nazista, que, obviamente, não era lastreado em ouro.

Mas, como lastrear com um metal finito uma moeda que deverá ser usada por uma espécie mortal (sempre se esquecem que se tudo correr bem ela deixará de ser… e essa esperança será a substituta do mundo da fantasia que embasa as culturas atuais, tenho certeza…) que cresce a base de baratos espermatozóides? Não tinha jeito… Além de um belo e irresistível golpe, não haveria como expandir a base monetária… Seria preferível trocar o lastro para a prata, mas era, como disse, irresistível pagar o maior preço da energia com etéreos títulos do tesouro… No fundo no fundo, a caricatura é que lastrearam sua moeda global com ogivas nucleares… o metal do novo lastro passou a ser urânio, as vezes plutônio.

Como o grande mal que assola a homo internético é a falta de propostas (uma inflação de críticas, é o que temos) a OANT (Organização dos Ateus Não à Toas) sugere sem originalidade alguma a adoção do Sistema Científico em troca do capitalismo/consumismo. Como objetivo inicial do Sistema Científico temos a Meta Reversa, atingirmos de forma ordenada (antes que ela aconteça naturalmente pelas mãos de tsunamis de sangue) os <somente> 3 bilhões de terráqueos de nossa espécie, quantidade essa onde existe sustentabilidade planetária. Os contingentes admitidos em cada região planetária serão em função da sustentabilidade de cada região… A OANT se reserva ao direito de aguardar sugestões de como essa meta possa ser atingida sem autoritarismo, guerras, epidemias artificiais, abstinência sexual e… claro… ogivas.

P.S.: A OANT adverte: Crescimento infinito não é sustentável e faz mal a saúde.

 

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
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9 respostas para

  1. Max Dias disse:

    Beleza de artigo, João. Pegou na veia certa, a verdadeira discussão sobre o VALOR. O dinheiro sempre foi lastreado em ouro, e só começou a ser substituido por papel na época de Napoleão, que emitia promissórias para financiar suas batalhas (e mesmo assim teve de vender a Louisiana, por 10 milhões em… ouro). Marx e sua macacada inventaram a mais valia, que não serviu para nada além de criar uma enorme confusão ideológica manejada pela dialética, a sobrinha predileta da metafísica.

    Em Brenton Woods, Keynes propôs pegar todo o ouro disponível no mundo, que daria pouco mais de 50 mil toneladas, colocá-lo num navio cargueiro e afundá-lo na fossa das Marianas, que tem 11 km de profundidade. Ele achava absurdo lastrear o que quer que fosse do trabalho humano num elemento finito e inutil. Mas a conferencia insistiu no lastro ouro, e Fort Knox chegou a ter a maior reserva conhecida do metal.

    Mas, com lastro ou sem lastro, por volta de 1968 os americanos emitiam moeda à vontade, bilhões de “eurodolares” como era chamado o papel pintado que desovavam nos bancos de Frankfurt, comprando tudo. De Gaulle abriu uma enorme gritaria contra isso, principalmente porque os americanos estavam assumindo a economia européia, muitas vezes comprando fábricas só para fechá-las. Esgoelou-se indignado diante da TV e disse que iria bloquear todos os eurodolares. Enquanto isso, o valor do ouro subia alucinadamente – industriais vendiam suas fábricas na França para comprar ouro. A coisa não estava dando certo. Finalmente, os eurodolares saíram da Europa e vieram para os emergentes – em 1970 o Brasil cresceu 30%, à custa disso. Empréstimos monumentais foram feitos pelo militares de 64, com prazos de carencia de 7 a 8 anos. “Ninguém segura o Brasil, rei da copa do México, 80 milhões em ação!”

    E de fato, pouco depois Nixon trocou o “valor corrente” por “valor legal”, na maior tranquilidade. E ninguém falou nada, afinal ninguém importante teve muito prejuízo, as manobras já tinham sido feitas. Quando, 8 anos mais tarde, os juros dos eurodolares começaram a ser cobrados, os militares, depois de tentar vender Carajás para a Nippon Steel, acabaram por devolver o governo, com uma mega divida externa que levou o Sarneyzinho a pedir moratória e esculachar de vez com o crédito, que virou inflação de 100% ao mês, fazendo nosso papelzinho pintado quase virar papel de bicheiro (que tinha mais credibilidade). A solução era muito simples: de vez em quando tiravam-se tres zeros e mudava-se o nome do papelzinho. O salario minimo chegou a valer 4 milhões de cruzados…

    Apesar do Clube de Roma e de muitos outros avisos, os americanos seguiram no alucinado consumismo, talvez melhor explicado se chamado “desperdício”. Os mercados futuros, o consumismo do futuro, tornaram-se a jogatina da vez, deu no que deu, e a coisa toda tem a cara de vai mesmo pro buraco (Lobo! gritou Pedrinho).

    E está mais do que na hora de discutir, de novo, qual o significado de VALOR. O que vai lastrear a futura economia, o que é esta cesta de moedas que derrubou o Strauss Kahn, e qual o futuro do ousado Euro, que pretende nivelar os Alpes.

    Quem se aventura?

    • João Canali disse:

      Como coincidência disto tudo, ontem o Obama abriu as reservas para tentar segurar o preço do barril em função do problema na Líbia, que afeta o abastecimento da Europa. Como você sabe em 1970 os americanos perderam a autosuficiência e tiveram que, igualmente, no mesmo periodo fazer o mesmo para segurar os preços, pouco depois viram que seria impossível pagar pelo combustível (na época ainda tinha o Vietnã custando horrores… como o Afaganistão agora.) imprimindo uma moeda que prometia convertibilidade imediata… Na verdade, o lastreamento era meia boca, pois, não impedia uma desvalorização do dólar perante ao próprio ouro, não era nem poderia ser o um por um, já que a base monetária corrente teria que estar sempre sendo expandida por razões diversas, sendo que a principal delas é óbvia, a população aumenta não só nos EUA como no resto do mundo… A recompensa de ter ganho a guerra era justamente essa, fabricar dinheiro a vontade exportando qualquer forma de inflação, já que o dinheiro era (e ainda é em larga escala) a moeda das transações internacionais, o que eles sempre lutaram para manter. O DSK no governo da França seria um baita de um pentelho, já falava até em cesta de moedas… Acabou perdendo os seus pentelhos em um uniforme de faxineira amestrada… 😉

      Essa quase imparcial wikileitura esclarece muita coisa: http://en.wikipedia.org/wiki/Bretton_Woods_system

      Curiosidade: Os EUA consomem 20 milhões de barris por dia… Quarenta e nove por cento é ainda de produção doméstica e o resto vêm de 90 outros países!!! Sendo que 43% desse petróleo importado vêm do Canadá, México e Venezuela. Somente 17% do consumo é importado de países do Oriente Médio!!! Só que faltando 10% desse consumo a coisa pega de maneira não conhecida, até porque a existência das generosas reservas nas minas de sal que estimasse (isso é secredo de estado, obviamente) daria para uns 6 meses no atual consumo. O grande problema é que o governo só tem as reservas para combater os preços dos combustíveis. Não há controle direto sobre os preços do mercado interno, pois as companhias de petróleo que dominam a distribuição mundial possuem uma força política descomunal e no mercado externo (só as guerras e outras pressões, como não sempre estamos a ver) onde se disputa a coisa diretamente com os interpretes das vontades de Alah. O petróleo quando aumenta de preço força o aumento da base monetária mundial que precisa ser enxugada por agiotas que não constroem oásis, apenas emprestam a grana a quem prometer pagar melhores juros com maior segurança. Quando você falou de euro-dólares em 1970-73 estava se referindo a petro-dólares, era o dinheiro que eles estavam imprimindo para pagar a conta petróleo… um dinheiro já sem convertibilidade, daí a natural grita do narigudo francês.

  2. Max Dias disse:

    Canali, em 1970 o petroleo custava 5 dolares o barril. A zanga da OPEP foi em 1973, quando subiram os 160 litros de oleo cru para 30 dolares e deu aquela zorra toda. Claro que esta crise estava ligada ao futuro do dolar, &C, mas a questão dos eurodolares é mais ligada ao ataque americano à economia européia. O projeto da União Européia é muito antigo, vem desde antes da Revolução Francesa. Erasmo de Rotterdam falou nisso nos idos de 1500, Machiavelli também, assim como os iluministas, Napoleão e o Kaiser Guilherme II. Há muita gente que acha que Hitler tomou a metade da França com tanta facilidade porque muitos achavam que só ele poderia unir a Europa. Depois de todo o horror da 2a.Guerra, DeGaulle voltou da Inglaterra só falando em União Européia. E de fato, foi um dos principais articuladores da complicada engenharia economica e politica que produziu a atual Zona do Euro – que é uma aberração, diga-se de passagem: como pode o Euro ter o mesmo valor na Alemanha e em Portugal? (porisso falei em “nivelar os Alpes”). Isso vai longe, e a Alemanha ainda vai querer cair fora, para ficar como a GrãBretanha, que nunca entrou. Aí o guizado desanda para valer…

    Há um livro muito interessante, vc já deve ter lido, chamado “O Zen e a Arte da Manutenção das Motocicletas”, de Robert Pirsig. Para mim esse livro é tão importante para a formação de um adulto quanto é “O Apanhador no Campo de Centeio” para o adolescente. Lá, o personagem trágico, que recebe o nome de Fedro, professor de filosofia, acaba ficando dez anos internado num sanatório porque resolve discutir e definir “VALOR”, ou, o que é o mesmo, “QUALIDADE”. Para resumir, em Niezstche ele pira (admito que é fácil pirar com Nietzsche). A emocionante história de Fedro, contada em pequenas doses ao longo de uma viagem de motocicleta, se contrabalança com o cotidiano do narrador, cuja leitura principal, todas as noites, é Henry Thoreau (Walden), outro que se aventurou pelas nuances da definição de qualidade e valor. Outros escritores andaram por aí, como Norman Mailer. Ralph Waldo Emerson, embora um tanto cínico, é surpreendente

    Mas aqui, a partir de seu artigo inicial, o problema não é de filosofia, mas de economia. Sobre qual valor deve se apoiar o crescimento e a complexidade da sociedade humana? Chega de romance, porra. “Liberdade” não quer dizer nada, como mostrou George Orwell muito bem, assim como “Verdade” e “Felicidade”. Coisas materiais, como mostrou a falencia da Espanha afogada em ouro, também nada significam ao longo do tempo.

    Muita gente pode dizer que esse valor é a “Credibilidade”. Boa parte do mundo economico funciona apoiado nessa quimera – foi justamente o que Nixon fez quando substitui “Valor corrente” (em ouro) por “Valor Legal” – o aval do dolar era a credibilidade da economia americana. E agora?

    Como se vê, dialéticamente, voltamos à FÉ, que é capaz de tudo, até de nivelar os Alpes…E seguramente, por esse caminho, viveremos crises e mais crises – não há como dimensionar esse fator, embora sejam feitas pesquisas de “confiabilidade do consumidor” a todo momento. A pesquisa não mexe com o conceito, apenas tenta quantifica-lo. E a propaganda, aí, assume ares divinos. Como disse Orwell, a “verdade” se iguala à “mentira”.

    A ideiazinha da cesta básica, o Big Mac do Economist, acaba sempre aparecendo, acenando humildemente no silencio dos sábios. Mas isso significa tirar o dominio do dolar, Cadê a coragem para isso? De onde virá a nova racionalidade?

    • João Canali disse:

      Max, o euro não tem o mesmo valor em Portugal e na Alemanha, puxa-se uma carroça de mudanças em Portugal por bem menos Euros que na Alemanha, assim como no nordeste brasileiro a mesma tarefa sai bem mais em conta em reais do que no sul do país. O problema seria se Portugal tivesse a capacidade de imprimir Euros, mas para isso a União Européia conta com um banco central próprio…. Outro problema, aí sim, seria se o preço dos serviços fosse tabelado em toda a Europa, impedindo na marra que houvesse naturais desigualdades sociais e econômicas de região para região, tornando a vida cara para quem já é mais pobre… E o que acaba acontecendo através do mercado livre entre eles. Sempre lembrando que todos ali trocam figurinhas, ninguém produz tudo o que precisa para viver, a E-Coli mutante que ainda causa problemas, fez o favor de desnudar essa situação… Os espanhóis tascaram os imigrantes (não sei se disse aqui… nos últimos dez anos a população espanhola cresceu 18% ou uma barbaridade dessas, mais da metade imigrantes… claro que vai ter crise, com ou sem ouro…) nos campos e se tornaram os verdureiros da Europa… Extrapolando esse processo de interdependência de mercados, encontramos o comércio internacional e toda a barafunda protecionista…

      O americano saiu perdendo economicamente na Primeira Guerra Mundial… Há quem atribua a derrocada de 29 e a subsequente década perdida (embora eu ame a iconografia da década de 30 e ache que ali incríveis tentativas ocorreram e que ficaram ofuscadas pela WWII) rooseveltiana (tremo de pensar que os anos dez desse século repitam aquilo) ao que se perdeu na Primeirona, onde o americano salvou Ingleses e Franceses e não capitalizou nada… Tanto assim que a resistência popular para a entrada na WWII foi enorme, a coisa chegou no congresso (e desconfio, certeza não tenho, era menos corrupto… isso muda de tempos em tempos) e Roosevelt foi obrigado a prometer por volta de 1940 (portanto com a guerra comendo solta na Europa) em público que não entraria na guerra (mesmo com os alemães afundando cargueiros americanos – na Batalha do Atlântico já iniciada – que iam abastecer os ingleses), um documentário onde essa fala ao congresso estava reproduzida em filme… Daí a teoria conspiratória que o alto comando americano sabia do deslocamento da frota de Yamamoto, retirou as pérolas da coroa (uns 5 porta-aviões) de Pearl Harbor a título de manobras em alto-mar e deixou a coisa acontecer… Eu adoraria saber a reação do alto-comando alemão a esse ataque dos japoneses, os historiadores nos devem essa (vale a pena pesquisar). Somente uma ataque daqueles – que militarmente falando foi pífio, o tempo de sobrevôo sobre a ilha era muito curto por conta do combustível – mexeria com a opinião pública norte-americana. Roosevelt poderia perfeitamente ter declarado guerra somente aos japoneses, mas ao preferir declarar guerra ao Eixo, deu margem a todas essas interpretações conspiracionistas. Óbvio que naquele momento já tinham um plano econômico para não deixar acontecer o que ocorrera na Primeira Guerra… Ninguém entra em guerra achando que vai perder. E ainda aconteceu aquele Grand Finale Atômico… O Pato Donald falou grosso no final da guerra, vocês vão pagar pela primeira, pela segunda e pela proteção contra uma terceira, a moeda do mundo eu fabrico em meu quintal… Poderia ser a sátira da situação… Mas… como essa fabricação está intensa e causando brotoejas no mundo inteiro (ontem mesmo no O Globo Online que faz matéria paga uma atrás da outra… estavam falando de como o mercado imobiliário estava aquecido… até estrangeiros estariam comprando imóveis no Brasil, valorizações de até 15% em dois meses, ou mais… enfim a mesma receita da bolha americana… Por mais que qualifiquem melhor o comprador do que os bancos americanos daquele período o mercado atingirá um patamar de irrealidade de preços que o fará parar e todo aquele pessoal que comprou contando com a valorização deixará de ter caixa para continuar pagando e o refinanciamento cessa em função de não haver mais vendas… boom…) há uma chance de partirem para uma nova moeda emitida pela Banco Mundial (onde poderá estar com Hilary Clinto no comando), principalmente se isso significar um semi-calote nos chineses na base do é melhor entregar os anéis do que os dedos… eles que hoje são os maiores credores dos EUA. Meu sonho é uma moeda sem existência física, nada de papel, moeda ou plástico… Tatuarem na pele o circuito RFI para comprovar a pessoa, máquinas de transferência interpessoal de dinheiro via conta bancaria para livrar o feirante e outros (o bandido comum se ferra, todo o dinheiro seria rastreado via contas pessoais, o larápio de colarinho teria que apelar para a “consultoria”, mas uma rotina simples de descalabro entre ganhos e gastos detonaria investigações… Sem o por fora em espécie, a honestidade seria o único caminho, mostrar eficiência para ver se pega promoção… Claro, perda de privacidade, fim de sigilo bancário… mas eu acho que compensaria, a partir do momento que se obteria um aumento de segurança dramático nunca experimentado anteriormente por nenhuma outra sociedade. Imposto nas transações óbvio, nada de declarações no final do ano, nada de caixa dois e impostos baixo se quiserem que a coisa ande… mas sem o por fora, as ortoridades não conseguiriam mais ver caminhos para se benificiarem, iam ter que partir para o todo… Utopia? Bastante, mas veremos…

      A propósito da questão do valor e da qualidade… Reproduzo aqui um comentário meu recente em um fórum da Internet… O tema era acerca dos impasses das economias européias e saudavelmente descambou… para falarmos da necessidade de apresentar novas propostas, de jogar no lixo a tralha ideológica anterior… e essa entrada no filosófico pós-moderno…

      “Ninguém se transforma. Bactéria não adquire resistência, coisa nenhuma, isto simplesmente não funciona assim!!! Não tem resistência morre até, que com o tempo some a variante que não resiste.” Gyorgy, é tão raro ver alguém frisar essa recorrente má interpretação da sacação de Darwin e Wallace que me sinto compelido a complementá-lo. Cientista de um modo geral e, notadamente professores, constantemente caem na esparrela de confundir ou não deixar claro esse detalhe que faz toda a diferença. Evidentemente, que não é somente o afan de deixar fácil a compreensão e aceitação das mudanças seletivas, existe uma metástase da vontade de ver “inteligência” no mecanismo da evolução. Dispensável citar a origem da coisa… Então, diante disto, tenho convicção que você está apto a enveredar junto comigo por raciocínios que me deixam diante a grandes impasses.

      O acidente mutacional que possibilitou o raciocínio, o processamento de memórias que dá nessa espécie de vortex de dados que proporciona a auto-consciência, ou seja, eu, nós, eles… pode ser dicotomizado abstratamente dos princípios básicos que levam a seleção e a evolução, que na verdade deveria ter o nome de melhor adaptação da sobrevivência (obviamente uma reação química que compele estruturalmente átomos, moléculas e posteriormente células and so on…a um movimento entrópico,a uma queima…). O ser que nos interessa e que aqui estamos exercitando é uma espécie de parasita etéreo… Sim, a metafísica primitiva encontrou nesse ser (o pensamento) o gancho que necessitava para imaginar espíritos e outras bóias de salvação anestésicas da pré-consciência da morte.

      Deixe-me pegar um atalho… Esse ser não tem nenhum compromisso com uma arquitetura social, ele é ainda um acidente, não somos formigas ou abelhas que possuem a estrutura social estipulada em seu DNA… Eu sei que é difícil e faltam-me palavras… Para complicar a situação, esse chupim é dependente de informações externas, via de regra da cultura onde está inserido (vamos imaginar aqui que o problema alimentar e sexual do ser parasitado esteja resolvido)… Como criar uma seleção dentro desse quadro? Okay, melhor capacidade de processamento, isso pode ser obtido… Mas a que preço (risco)? Que seleção é essa que os gregos fizeram? Sempre lembrando que eles tinham escravos (ou só tiveram escravos depois da seleção? Afinal escravos sempre eram oriundos de povos conquistados…), significando tempo de sobra para pensar… Não teria sido a miscigenação feita com os escravos que se cansaram de ser escravos, até porque já eram filhos do seus senhores? Olha a luz do risco piscando…

      O último resumo… Como selecionar o abstrato se não há bem uma direção apontada por algum outro parâmetro biológico com as mesmas características? Um modelo vencedor? O que é um modelo vencedor? Apenas o “espírito chupim” servindo melhor a “matéria” do João de Barro? Não será toda essa experimentação que vai e vem, um retrato de como deve ser a coisa. Bom, essa é a porta por onde penetrei e me confesso sentir sozinho nessas elucubrações, que diria bem gregas… dos antigos, que a dos atuais é muito mais complicada ainda.;-)

    • cesarbarroso disse:

      Prezado Max,
      Excelente o seu comentário.
      Como havia lido no fim da minha adolescência “O Apanhador no Campo de Centeio”, resolvi ler, agora que estou no final de minha vida adulta “Zen and the Art of Motorcycle Maintenance”, de Robert Pirsig, que você recomenda.
      Estou na metade do livro, mas já posso dizer que minhas expectativas estão sendo realizadas. Sinto-me recompensado por ler um autor que concorda comigo que precisamos criar novos modelos de pensar e até de não-pensar. Nossos problemas não são superficiais, mas de raiz. Pouco importa em que vai resultar a tentativa de Phaedrus, mas pedir que seus alunos definam “qualidade”, e confessar que ele pede uma definição porque ele mesmo, o professor, não consegue definí-la, é o que de mais revolucionário pode existir em educação, em criação de uma nova mentalidade.
      Obrigado pela indicação do livro.

  3. Max Dias disse:

    Ótimas considerações, meu amigo. Mas me permita comentar: a consolidação da UE é uma tarefa impressionante, e precisa muito mais do que inteligencia e boa vontade para chegar lá de forma pacífica. O exemplo do Nordeste versus o Sul num mesmo país com a mesma lingua e quase a mesma história é muito diferente do desnível Portugal-Alemanha. Para isso mudar serão necessárias algumas gerações de esforço continuo.

    Há uma gozação generalizada com a Alemanha na zona do Euro, principalmente com as estrepolias dos velhos malandros citados por vc, os gregos. De fato, a Alemanha está pagando a construção da UE, enquanto a Grécia faz de tudo para não trabalhar (já falam até em vender o Parthenon para algum museu de Berlim), a Irlanda só pensa na briga de amanhã, a Itália trapaceia com os paesani e Portugal…bom, deixa Portugal para lá. Até quando os alemães vão aguentar essa parada? Já não bastou ter de absorver os irmãos do lado oriental, que até hoje funcionam como os Trabants dos tempos soviéticos? Sim, os alemães tem noção de QUALIDADE, mas de novo estão ficando isolados, apesar dos esforços em se compor com os demais.

    De fato, os americanos pouco levaram com a Primeira Guerra, a não ser a destruição da concorrência (assunto de honra para o capitalismo saxônico), mas tinham nessa época Woodrow Wilson como presidente, cujo sonho era a Liga das Nações, que chegou a fundar e inaugurar, considerando (só ele, Wilson, claro) a entrada dos americanos no fim da guerra como uma ajuda para a paz, que daí em frente seria eterna com a sua Liga. A pureza e honestidade (ingênua) do democrata Wilson caiu no poço negro dos presidentes que o sucederam, Harding e Coolidge, dois republicanos da pesada. A Liga sumiu no oblivio, a Alemanha se encheu de pagar contas e deu no que deu. Claro que as raízes dessa cisma da Alemanha com a Europa estão longe, e vem desde a ContraReforma, e isso não pode ser deixado de lado.

    VC tem toda razão nos comentários sobre a evolução. Jacques Monod, premio Nobel de 1965, dá uma aula monumental em seu livrinho “O Acaso e a Necessidade”, desmantelando toda a metafísica em volta do tema. Já a questão do DNA “social” de certas espécies é controversa: as colméias os formigueiros e cupinzeiros tem um limite quantitativo, acima do qual sobrevem a destruição completa do organismo social. Mesmo entre os primatas (babuinos, chimpanzés, mandris, orangotangos), há um limite populacional a respeitar, ou a comunidade se autodestrói. O que aconteceu e acontece em grande parte da África depois que os colonizadores saíram é bem típico: o mapa real se organiza em função do alcance e dominio territorial de cada tribo (e aí entra um componente da evolução) e não nas fronteiras politicas, em permanente mutação.

    A idéia do controle individual de honestidade é uma velha recorrencia, e desponta no Brasil com a hilária mania das “Certidões Negativas”, que supõe uma integração de poderes fiscalizatórios que não interessa a ninguém do próprio governo. Só as ações que correm em segredo de justiça e a proibição de investigar, pelo nome, as estrepolias na Justiça Trabalhista desmontam a eficiencia do “certificar negativamente”. É comum se adquirir bens já penhorados pela Justiça Trabalhista, porque isso nunca é informado. Mas isso é o Brasil, onde se manda uma carta pelo Correio a um individuo pedindo um “comprovante de residência”…Se o individuo receber, já está comprovado, se não receber o que adianta pedir?

    Mas imaginemos que com toda a parafernália cibernética consigamos avaliar individuo por individuo – onde estará baseada a economia? No valor de seus participantes? Onde isso iria parar, no Admirável Mundo Novo?

    Cruz credo.

    • João Canali disse:

      Ainda trazendo posts de outro forum mas que são ultra-pertinentes ao que aqui discutimos… O contexto lá é da galera estar buscando os vilões de sempre…

      Todos estão em busca dos vilões… Como eles são muitos, cada um encontra um diferente, a depender de seu ponto de vista geográfico ou político. O meus vilões preferidos foram aqueles que colocaram Bush no poder em 2000 através de uma fraude (eu estava aqui, literalmente bem no olho do furacão e pude observar tudo bem de perto… O mundo morreu por causa dos 666 votos a mais que Bush obteve na Florida… Calma gente impressionável e mística… o “666” fui eu que literariamente “arredondei”, foi um pouquinho menos do que isso…). Mais adiante explico porque eles são meus vilões prediletos… Antes deixem-me tentar levá-los a verdadeira vilã oculta… Sim, bem na moda, na nossa língua, o vilão está no feminino, portanto é uma vilã: A verdade. Ela sempre é a culpada. Todavia, antes de falar da mais pura e simples verdade (longe de mim ser dono dela) vamos tecer uma ficção, a melhor maneira de falar a verdade é contando uma mentira.

      Super Homem – A Explicação Final

      Jor-el fez uma gravação mental para que seu filho Kar-el “sentisse” quando entrasse na idade adulta. Ele “pensou” o seguinte: “Meu filho, ao “sentires” essa mensagem eu já terei morrido e você estará no planeta MNYOIL-235 que seus habitantes chamam de Terra. Para que compreenda o que vou lhe pedir é necessário que saibas a razão da destruição de nosso planeta Kripton. Há uns 200 anos atrás – Kripton tem rotação e translação solar muito parecida com a da Terra – iniciamos um processo de aquisição de conhecimento muito grande que redundou na aquisição de muita tecnologia. Com o bem estar adquirido a população planetária se expandiu de forma desproporcional aos recursos disponíveis em cada região habitada, obrigando a uma grande intensificação do comércio entre todas as regiões do planeta, o que demandava o gasto de muita energia. Compreendemos rapidamente que se não aumentássemos a produção energética haveriam muitas guerras. Como você poderá verificar aí na Terra, nós de Kripton somos mais evoluídos e, por natureza, somos uma espécie humanóide mais pacífica. Para nos livrar das guerras intensificamos nossas pesquisas científicas – mesmo contra a vontade daqueles que a produziam energia de modo primitivo – e descobrimos que o núcleo aquecido do planeta era uma fonte praticamente inesgotável de energia. Bastava perfurarmos a crosta do planeta que uma sonda especial trazia o aquecimento necessário para girar turbinas elétricas. Com essa energia abundante a população planetária não parava de crescer. A cada bilhão de pessoas novas no planeta, tantas perfurações se acrescia para suprir as novas demandas. Reciclávamos basicamente todos os minerais e nossas plantações eram verticalizadas, com energia abundante e de baixo custo o próprio comercio entre as regiões passou a ser desnecessário, com energia tudo resolvíamos localmente. E fomos crescendo demograficamente sem parar. Aparte o grande desenvolvimento cultural, artístico e recreacional, toda nossa ciência voltou-se para o bem estar das pessoas, entendemos o processo evolutivo que causava o envelhecimento e em Kripton só se morria por acidente. Passamos então a desenvolver um programa espacial, afinal sabíamos que teríamos que imigrar para outros planetas, pois em dezenas de anos a frente, a grande quantidade de pessoas iria causar incômodos para todos. Já que as paisagens mais bonitas, os melhores lugares para se morar estavam todos tomados por milhões de pessoas… Eu, na qualidade de maior cientista de Kripton, trabalhava em nossas naves espaciais, quando soube, de primeira mão, que Kripton estava condenado… Todas as perfurações geotérmicas que realizamos ao longo dos anos, para atender a demanda de energia, tinham fraturado de modo irreversível a crosta planetária. Kripton explodiria em poucas semanas, não haveria tempo para mais nada… Como nosso programa espacial não sofria grande pressão, não havia naves disponíveis para uma fuga em massa. Na verdade, nossa tecnologia sempre se direcionou para necessidades e urgências de momento, a ausência de guerras trouxe pouca variação tecnológica, descobrimos a geotermia antes da falta energética ocasionar guerras, coisa que só houve entre nós no passado distante. Mas agora, enquanto “penso” essa mensagem para você, é tarde, os primeiros tremores de terra já se manifestam, enquanto preparo a nave que o levará para a Terra. Segundo meus cálculos você, ao “sentir” essa mensagem, será um ser praticamente indestrutível e com super-poderes que o transformam em praticamente um dos mitológicos deuses que tivemos nos tempos primitivos de Kripton, quando não sabíamos como lidar com a velhice e a morte… O que lhe peço é que não use esses super-poderes para livrar seu novo planeta de guerras, epidemias, desastres naturais, fome em massa, religiões, ideologias assassinas e grandes convulsões sociais e, muito menos, lhes forneça as tecnologias e conhecimentos científicos de Kripton. Todas essas mazelas mantém o nível populacional em níveis sustentáveis. Quando eles obtiverem o controle da velhice vão saber, por experiência histórica, que o nível demográfico tem que ser controlado.

      E por isso que o Super-Homem, que completou 21 anos em 1959, não acabou com a Guerra Fria que ameaçava destruir o mundo e tem, desde então, feito um poltrão, deixado tanta merda acontecer em nosso planeta…” Unauthorized by DC Comics – J.Canali (C) 2011 “

      Voltando aos vilões… O dono da usina nuclear onde trabalha Homero Simpson, fazendo um circuito de palestras nas sedes secretas da Skull and Bones, do Bilderbergue Group, dos Illuminatti, da Trllateral Commission, dos Maçons (Loja 51 Grau Língua-Presa), dos Rosa Cruz Credo e dos Seguidores da Meninha do Gantoá disse para quem quisesse escutar: Somos 7 bilhões e só há petróleo, comida, minérios, etc. para 3 bilhões. A verdade é essa… Há um asteróide vindo em direção a Terra. Se dispararmos todos os mísseis contra ele será o mesmo que trocarmos um tiro de 45 por um tiro de 12… Se não encontrarmos uma alternativa energética que desintegre esse asteróide de uma vez só e rapidamente, ele irá nos atingir em cheio, aliás alguns pedregulhos que orbitam o tal asteróide, já estão caindo sem que os identifiquemos como tal. Com pouca gente até reinado absolutista com crença no Coelhinho da Páscoa funciona e é feliz. Com o atual contingente humano, todos os sistema estão condenados… Outro dia eu falava que, nós humanos, não temos um modelo social registrado no nosso DNA e esqueci de acrescentar que as espécies que o tem – lembrou-me um velho companheiro de debates Max Dias – as formigas, as abelhas e os cupins, não só não possuem nenhuma forma de controle populacional espontânea como, quando atingem determinado número populacional, se desfazem em meio a um caos social… assim chamaríamos…

      Agora, aqueles vilões que colocaram o Bush no poder (de forma isolada o grupo de maior poder), quando se convencerem dessa situação do asteróide do exemplo, não vão contratar o Al Gore nem ficarem examinando o que os chineses fazem com esse problema… Vão passar a ler avidamente George Malthus… Afinal não pensaram duas vezes antes de articularem pretextos e guerras onde aviões matam civis… O que essa gente não fará para resolver o problema de maneira rápida?

  4. cesarbarroso disse:

    João e Max,
    Estamos num processo acelerado de salve-se quem puder.
    Esta manhã a Suprema Corte acaba de desaprovar uma lei do Arizona pela qual o governo completaria o financiamento eleitoral do candidato cujo rival tivesse recebido muito dinheiro de milionários e instituições privadas, como grandes corporações. Isso coloca mais ainda o governo nas mãos dos ricos e poderosos. O poder do voto americano está se diluindo, num processo acelerado. Num país em que muita gente tem arma, quando os ouvintes da Fox News perceberem que estão trabalhando contra si mesmos e sendo enrabados, o pau vai comer firme.

  5. evandro barreto disse:

    Como vocês já disseram tudo o que vale a pena, acescento apenas:

    Diágnóstico brilhante, prognóstico sombrio. Ao vencedor, as laranjas.

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