Salvos por eles ou elas?

Pensei bastante, estava quase desistindo… Tinha a alternativa de falar do Pallhacci e sua guerra de quadrilha contra os que multiplicaram sua fortuna por apenas 10, 12, 15… vezes. Mas ai me deparo com a notícia que na Rússia, aquele país que tão bem aceita homens beijando outros homens nos comprimentos mais banais… Beijos que praticamente são na boca ou do lado dela… Eeeeuuuu… A justiça de lá acaba de proibir uma parada gay, assim como a justiça brasileira proíbe uma caminhada em prol da liberação do uso da maconha… A notícia em si não tem muita importância claro, mas se junta com os noticiários brasileiros e de outros lugares que indicam que depois de mulheres e negros, entra na fila da demonstração de fim de preconceito o primeiro presidente gay assumido, com passado de cabeleireiro, estilista, decorador, bailarino ou coisa do gênero… como se fosse um ex-operário para provar que é do povo… ou, quem sabe, tomando posse com um belo vestido de grife, caso seja um gay da categoria travesti… E por que não? Nessa coisa de provar que somos politicamente corretos de cabeça lavada, vale tudo. Inclusive sacrificarmos a liberdade de expressão e perdermos excelentes piadas.

Por causa desse primeiro parágrafo é que relutei em escrever sobre o tema… Não consigo deixar de me ver soando homofóbico ou um bullyingmaníaco preconceituoso. Sequelas de meu nome… Quem tanto sofreu na pele de “João Canalha”, deve estar buscando vingança… Muito embora o “canalha” as vezes retrate o mais “esperto”, o que se deu bem… O que me salvou na auto-estima de adolescente… Auto-análises são sempre tendenciosas a nosso favor…

E não é verdade, não tenho nada contra os homosexuais, desde que não seja com um filho meu e agora netos e netas… Tá vendo, de novo… Tenho muito ainda que aprender e em meu currículo de tolerante só tenho a aceitação de um filho flamenguista…

Essa campanha contra o bullying, na verdade, faz parte da campanha pela aceitação da homosexualidade, afinal eles são as maiores vítimas da chacota e da intimidação nas escolas.

Contudo, devo deixar claro que o pior não me ocorre, não tenho nenhuma condenação moral contra as pessoas que por razões psico-hormonais ou desviantes não intencionais do comportamento ditado pelo desenho biológico, prefiram ou admitam parceiros amorosos do mesmo sexo… ou ainda que se sintam felizes em emular o sexo oposto àquele que possuem, como conseqüência maior de sua condição homossexual. Até porque, sendo ateu, seria incoerente da minha parte, deixar de reconhecer que essa tralha moralista que dá base a condenação de gays, advém de crenças místicas… De ridículos tabus sexuais que geram sofrimentos injustificável e fomentam a falta de liberdade de todos além de covardias inomináveis.

Voltando a razão desse texto, tenho a declarar que estou prenho de mais uma baita teoria. Vamos a ela…

Toda essa movimentação em torno da aceitação social dos gays seja no Brasil ou em outras partes do mundo está significando um fato simples que não está sendo admitido ou estudado: O número de gays tem aumentado! Calma…

1 – Estou levando em consideração que na medida que o mundo se torna mais ateu ou, se preferirem, esteja evoluindo em conhecimento e compreensões libertárias, seja compreensível que homossexuais escondam menos sua condição e sejam mais visíveis em função da menor repressão.
2 – Que essa maior visibilidade ocorre também em função do Leviatã consumista e autofágico representado pelo capitalismo, que está abrindo novos mercados de consumo exclusivo.
3 – Que existe uma proporcionalidade que vista de maneira simplista que indicará que se há mais gente, obviamente, haverá mais gays, obedecendo a um percentual que irá variar de sociedade para sociedade, cultura para cultura, país a país.

Admitindo-se que estou certo, que houve de fato um aumento de homossexuais de todos os gêneros, isso poderia ter uma explicação ainda não contemplada…

Uma espontânea defesa da espécie em um mundo que corre o risco da super-população! Para quem ainda não entendeu a coisa é simples e óbvia. Havendo mais homossexuais nascerá menos gente, o que levaria a uma reversão do crescimento não sustentável. Como se trataria de um fenômeno híbrido (de natureza biológica e cultural, aliás como a própria homossexualidade) sem um comando intencional, a coisa não estaria obedecendo a uma lógica padrão… ou melhor, de difícil visualização pela ciência… A menos que houvessem informes de que na Índia, no Paquistão e em outros lugares de visível desequilíbrio populacional estivesse ocorrendo um aumento desproporcional da quantidade de homossexuais, poderia ser lembrado… No entanto, devemos lembrar da natureza híbrida do fenômeno, onde a parte psico-social ou cultural poderia explicar a razão pela qual lá a coisa não estaria ocorrendo… Como aparentemente ocorreu no ocidente, onde até o decréscimo populacional de alguns países está sendo compensado pelo aumento migratório de regiões onde as precárias condições de vida e o próprio movimento migratório mantém o status quo populacional em bases aceitáveis.

Isso é coisa para zoólogos e antropólogos estudarem. A homosexualidade existente em grupos de símios aumenta de incidência diante o aumento da população do grupo? Fico devendo uma explicação do mecanismo pelo qual essa espontaneidade estaria ocorrendo, embora minha teoria admita ou desconfia que ela exista sob o ponto de vista biológico ou do comportamento puramente animal também.

Pelo lado cultural ou psicosocial é fácil entendermos que o aumento populacional propicie um aumento da homossexualidade em função do aumento do ajuntamento humano, da contra-partida no aumento proporcional da promiscuidade (aqui longe de uma condenação moralista), de novas divisões do trabalho, onde a mulher assume outras e mais tarefas sociais antes exclusivas do homem, da banalização do sexo devido a sua facilidade… Vale lembrar que as fixações erógenas são enormemente elásticas e criam hábitos… Enfim, não é de se estranhar que nas grande cidades surgidas no último século e meio é onde aparecem com maior freqüência o fenômeno da homossexualidade (que, vale lembrar sempre esteve presente na história humana, o que, sob o ponto de vista evolucionista, prova que a bi-sexualidade é o fator causal mais ocorrente), sempre lembrando que somente de uns anos para cá, em vários países, a maioria da população passou a viver em grandes cidades.

Podemos então traçar um paralelo que seria interessante analisar sobre o ponto de vista estatístico. Relacionando países com maior índice cosmopolita, homossexualidade existente e taxa de crescimento populacional. Se consideramos isoladamente os principais países do mundo ocidental verificaremos em conjunto um grande número de pessoas vivendo em grandes cidades, uma quantidade cada vez mais assumida (porquanto maior, em minha tese) de homossexuais e uma tendência de estabilidade no crescimento populacional com problemas já apontados para as aposentadorias.

Antes que alguém lembre que os modernos métodos anticonseptivos e a admissão do aborto (decorrente da mesma evolução de mentalidade que facilitaria a admissão da homossexualidade) seja a maior responsável pelo equilíbrio nos índices de natalidade, devo lembrar que esse aspecto ou consequência da homossexualidade não tem sido estudados, talvez até pelas brumas de preconceito que ainda existam… Afinal, nos formulários dos sensos demográficos ainda não é discriminada a opção sexual dos indivíduos, apenas suas atribuições de gênero biológico.

Portanto, voltando ao velho João Canalha de sempre, compete a seguinte pergunta: Será que o mundo vai ser salvo pelas bichas? 😉

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
Esse post foi publicado em Ateísmo, Cultura Popular, Divulgação Científica e Tecnológica, Ideias, Teorias Conspiratórias. Bookmark o link permanente.

3 respostas para Salvos por eles ou elas?

  1. cesarbarroso disse:

    João,
    Deixa eu lhe contar o que eu acho dessa questão: eu sou um cara profundamente liberal. Acho que deve ser dada completa liberdade para as pessoas seguirem as suas tendências sexuais, contanto que não interfiram negativamente nos direitos dos outros. Logicamente não considero “interferência negativa” escandalizar pessoas que estabelecem normas morais baseadas em ilusões religiosas.
    Algumas manifestações sexuais me causam nojo. Mas, e daí? Não tem gente que tem ânsias de vômito ao ver um prato de dobradinha, que eu adoro? Porra, se a gente não é flexível e procura ser compreensivo com as outras pessoas, onde vamos parar? Aliás, já paramos…
    Uma das regras da vida é que para toda ação existe uma reação igual e contrária. Opor-se contra os direitos dos outros serem como querem ser, se volta contra os que se opõem. Portanto, oposição aos direitos legítimos dos outros é contraprodutivo. Isso no que diz respeito ao presente.
    Quanto ao futuro, a diminuição da necessidade de procriação e consequente queda do número de gente pode ter solução com o homossexualismo. Nesse momento, embora o índice de crescimento populacional esteja diminuindo, a população está crescendo assustadoramente. A China adicionou 79 milhões de pessoas nos últimos dez anos, com a metade do índice de crescimento da década anterior. Os Estados Unidos seguiu o mesmo padrão na década passada. Pombas, e eles não estão preocupados com o aumento populacional, mas com a queda do índice de crescimento!!! É mole!!!
    Levando em consideração a estupidez atual, olhando para o futuro, o verdadeiro futuro, daqui a um milhão de anos, haverá humanidade se houver grandes adaptações. Teremos que comer menos, e comer capim. Talvez a gente diminua muito de tamanho, chegando a ter o tamanho de baratas. Não haverá mais lembranças de computadores, cremes faciais, futebol, nem churrasco a campanha. Será a pura sobrevivência.
    E seremos felizes para sempre…

    • João Canali disse:

      Cesar, como você deve saber, está tramitando no senado brasileiro uma lei “anti-homofobia”, como batizaram a coisa. Os gays pretendem uma proteção anti-discriminatória igual a que foi dada aos negros em nossa constituição… Todavia, como que para sedimentar o estereotipo de “exageraaadas” incluíram o seguinte parágrafo na lei proposta:

      § 5º O disposto neste artigo envolve a prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica.”

      O que bastou para uma grita geral por parte dos elementos reacionários ligados tanto a corriqueiros católicos quanto aos tais evangélicos. O pior de tudo é que em nome da mais simples defesa do direito de expressão e opinião (eles negam, mas o texto dá margem a que qualquer opinião contrária aos homossexuais ou – pior – que eles assim pensem que seja, possa ser sujeita a uma processo legal…) somos obrigados a dar razão a “urubús de sacristia” e/ou “roda sacolinhas” (digo isso enquanto não aprovam alguma lei que me proíba de chamá-los assim)… Não que leis, em um país onde qualquer assassino covarde e confesso (mas que não dê trabalho a carceragem) fique apenas algo em torno de 3 anos encarcerado, sejam para ser levadas a sério, mas comento isso pelo debate que isso pode ensejar.

      Em tempo, a relatora da lei, a senadora Marta Suplício abriu um incluso para permitir que dentro dos templos religiosos opiniões contrárias ao homossexualismo possam ser expressas… O que você acha disso tudo César?

  2. cesarbarroso disse:

    João,
    Acho que esse tipo de coisas não pode ser imposta dessa forma extremada. Como o costume brasileiro manda, sempre começamos pelos extremos. E depois saimos de um extremo para cairmos no outro.
    Acho que a sociedade brasileira, como a maioria das sociedades ocidentais, já progrediu muito no que diz respeito ao respeito ao homossexualismo. Uma legislação se faz preciso, que nada mais seria do que o reflexo do sentimento geral da sociedade. Mas os legisladores gostam de ser mais católicos do que o papa, para aparecerem ao máximo, e o que acontece é que acabam atiçando os reacionários.
    Sou contrário a se abrir exceção a uma lei comedida para quem quer que seja. Acho que já existem buracos demais na legislação brasileira favorável a esses marmanjos que nada mais fazem do que abusar da crendice popular para ganhar dinheiro.

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