Trôco Real

Outro dia um de meus dois cães defecou no deck de madeira que tenho atrás de minha casa. Diferencio o cocô do Milk (um West Terrier Highlander todo branquinho, o melhor pelo para fazer barbas de Papai Noel…) do “trôco” do Tom (um Bassethound maluco) pelo tamanho, o do Milk é bem menor, proporcional a sua diferença de tamanho do Tom, diria. Sentado em meu relaxante fumódromo privado noto que um dos pedaços do cocô se movia… Sozinho!!! Não ventava forte… Me aproximei e vi uma cena bastante curiosa, um besouro, freneticamente, empurrava aquele pedaço de merda umas dez vezes maior do que ele!!! Eu nunca tinha visto um besouro em meu backyard e aquele tinha uma espécie de coroa dourada… Um verdadeiro escaravelho do tipo sagrado no antigo egípcio!!! Ou seria um “escarabosta”? Aquilo merecia ser documentado e posto no YouTube, pensei… Quantos títulos sugestivos me vieram a mente em frações de segundo… Besouro da Crise, Obama em Ação, Lição de Vida e por aí afora vai… Corri para pegar a câmara dentro de casa… E quando eu corro o Milk fica nervoso, ou melhor histérico, um chato predicado de todo cachorro que se pode levar no colo… Deve ser isso, aquela vibração toda que assustou aquele escaravelho… Quando retornei, ele já havia sumido… Fiquei com aquilo na cabeça e me senti um ignorante por não saber que besouros gostam de merda… Nunca soube disso… Aliás eu nunca vi um besouro de tamanho médio andando rápido ou fazendo alguma coisa objetiva… E agora, quando é assim, não se come mais espinafre nem se pronuncia “Shazam” corremos para o Google… Direto no Images chamei por Beetles insetos (caso contrário ficaria horas vendo fotos do  Fab Four de Liverpool…) e feito uma testemunha que reconhece fotos no álbum de fotos da polícia tentei encontrar aquele besouro com a coroa de ouro cravado nas costas… Não encontrei com a coroa, mas encontrei com o mesmo formato e aproximado tamanho, peguei o nome fui para lá e pra cá e bingo encontrei todas as respostas nessa página. Sim, os besouros sagrados do antigo Egito, feito seu conterrâneo Mubarac, empurram merda com a barriga até sua toca onde a fêmea coloca os ovos dentro e… nesse berço de “ouro” os futuros besourinhos nascem bem alimentados… De fato são conhecidos como “Dung” Beetles… “Dung” em inglês é esterco, merda… em português do Brasil com o sufixo “a”, também… Mas, algo deve ser dito em sua defesa e onde encontraremos uma explicação para terem sido reverenciados… Eles retiram/comem os elementos negativos nas feses… são absolutamente ecológicos…

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
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4 respostas para Trôco Real

  1. Max Dias disse:

    João, se vc quiser ver mais desses besouros, é só misturar agua e sabão e jogar em uma area de terra descoberta do jardim. Virão minhocas e besouros em pouco tempo, indignados, para olhar quem é o fdp que está aprontando tamanha baixaria.

    Quando não há besouros é sinal que a coisa está muito ruim. Às vezes, sem motivo aparente, eles desaparecem de alguma pastagem (aplicação indevida de algum inseticida, na certa). É um péssimo indicio – logo começarão a aparecer bovinos com as canelas esticadas.

    O besouro é o arado da terra saudável. Na falta dele, o sol forma uma casca sobre o esterco dos bovinos, que, por falta dos pequenos tratorzinhos, não são misturados à terra. Por baixo dessa casca, surge uma mistura quimica venenosa de nitratos, e o capim que daí brotar também é venenoso. O gado, quando a seca é forte e a pastagem enfraquece, acaba comendo essas touceiras (normalmente as evitam) e aí, babau – morrem de monte.

    Se eram sagrados no Egito, é porque os Imhoteps da vida entendiam sua importancia na regradíssima agricultura que praticavam. O Egito foi o que foi por causa de uma agricultura superior, que gerou conhecimentos até de geodésica. Já os Maias poderiam ter ido longe, se tivessem estudado o chão em vez das estrelas – para êles agricultura era coisa de subgente. Foram mudando as cidades de lugar, atrás das terras novas, até ficarem sózinhos no meio do deserto. Sumiram na poeira. Se vir seu escarabosta de novo, mande-lhe minhas saudações.

    • João Canali disse:

      Max, o que você já pode ver no vídeo que postei não é aquele que vi da primeira vez, mas mandei suas saudações do mesmo jeito. Que curioso! Eles são aparentemente da mesma espécie, pelo menos possuem o mesmo formato e tamanho, mas o desenho multicor de suas asas é totalmente diferente… Eles possuem individualidade artística! 😉 Acredito que deva se passar o mesmo com as borboletas… Sim, diversos animais, até mesmo de uma mesma ninhada nascem com cores e desenhos diferentes… Até parece que eu, com minha reconhecida ignorância zoologica e botânica – estou chegando no planeta agora… Esse “Homo Urbanus Pouquis Sapiens” lhe agradece.

      Há controvercias quanto ao que ocasionou o fim da parte da civilização maia que interessa, o pessoal que construiu aquelas pirâmides e dominava a astrologia… Etnicamente eles continuaram e estão lá até hoje, o que confunde muito as coisas… Arthur C. Clark achava que o colapso daquela civilização (entre os séculos 7 e 8, bem antes dos espanhóis) era um dos poucos mistérios da história humana que valiam a apena ser investigados, ele não encontrava uma boa explicação para um declínio tão avassalador e rápido, afinal haviam diversas cidades…

      A tese adotada por você é uma das mais fortes, mas esbarrava no fato de que eles poderiam ter enfrentado a fome decorrente da eventual exaustão do solo e da caça com a pesca, afinal estavam entre dois oceanos cheios de peixes e frutos do mar… Falam até de super-população!!! Relacionando encontramos um sêca de 200 anos, mudanças climáticas, furacões (é uma área de tremendo risco até hoje…) e epidemias… O fato é que foi algo tão rápido como o arrancar do coração de uma virgem para oferecer em sacrifício a seus primitivos deuses… A hipótese que eu apostaria algumas fichas seria de um suicídio coletivo que saiu de controle… O pagé (a lá Jim Jones) quis dar uma contra-balançada na super-população e inventou uma qualquer… e uma sociedade que aceitava sacrifício de virgens – logo fanática – resolveu ir embora para conhecer o paraíso imaginado por espiritos ancestrais, a bobajada de sempre… Talvez tenha sido o resultado de um dos primeiros confrontos entre o saber proto-científico e uma teocracia, a última ganhou aquele round… Devemos nos lembrar que do outro lado do Atlântico também estavamos observando o mesmo fenômeno… Curioso pensarmos desse modo.

      • Fausto disse:

        Eu conhecia o besouro rola-bosta desde a mais tenra infância, mas só de ouvir minha avó falar. Mas nunca tinha visto um “pessoalmente” até que um dia, não sei precisar exatamente onde nem quando, me deparei com um no ato de rolar a iguaria de suas larvas até a toca onde estas estavam… Se não o surpreendesse assim no flagrante jamais saberia o diferenciar de outro besouro de jardim qualquer.

        No Google, escreva “rola-bosta” (com ou sem aspas) e quando a busca estiver completa selecione “Images”. Lá vais encontrar diversos rola-bostas, dos cinzentos e negros até daqueles de carapaça multicor.

      • Fausto disse:

        PS: “dung beetle” funciona melhor do que o “rola-bosta” que sugeri.

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