Na Surdina

Eu pergunto: Com todo mundo vendo no noticiário mundial que o grande desafio de nossa civilização planetária é a questão energética, não era para a inauguração dessa usina híbrida – ocorrida a poucos dias – receber um destaque especial na mídia internacional? Será que a mídia só está funcionando a base de propina?  “Bom, se a FPL não pagar, não vamos mostrar nada…”, devem ter pensado… Ou será incompetência mesmo de saber o que deve ser destacado? Esperança não vende mais jornais? Só as tragédias?

Tenho acompanhado de perto as evoluções no setor energético, algo que virou praticamente um interesse pessoal… E essa usina apresenta uma novidade em relação a outras do gênero, algo bem mais prático do que colocar todos os espelhos apontando para um único ponto fixo, como aquela famosa usina espanhola que ainda nos agracia com uma bela visão futurista… O aquecimento proporcionado pelos espelhos é concentrado em um cano onde a água é aquecida e sai feito um jato de vapor que faz girar a turbina do gerador de energia ou do dínamo, lembrando aqui daquela garrafinha que encostava sua parte giratória nos pneus das bicicletas de antigamente… aquelas bicicletas de “paraíba”, cheias de lanternas e até buzina…

Uma usina como essa seria capaz de sozinha alimentar uma usina de dessalinização… Que funcionasse só de dia, para evitar o uso do caro gás natural… Já seria o suficiente para irrigar diversas plantações… Diversas partes do mundo poderiam comprar uma solução integrada como essa que imagino…

Bom, o que sei é que da próxima vez que pagar a conta de luz para a FPL (Florida Power and Light), estarei fazendo isso com satisfação, o que é difícil diante qualquer dolorosa… Afinal, essa companhia está colocando o meu Sunshine State (o apelido/logo marca da Flórida) dentro de sua ensolarada vocação e apontando para um futuro salvador.

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
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5 respostas para Na Surdina

  1. Fausto disse:

    Aquele monte de espelhos que se vê a partir entre 1:33 e 1:37 do filme dá para abastecer somente 11 mil residências? Puxa… Bom, já é alguma coisa… E afinal são casas de americanos da Flórida, gente rica que deve torrar energia elétrica com aparelhos de ar condicionado, fogão elétrico, etc, né? Não podemos ser muito exigentes, já deveríamos estar contentes desta energia ser 100% limpa. Não vai funcionar nos Países Baixos (pouco espaço, pouca insolação), mas espelhos desses poderiam cobrir o Saara e o Rub-al-Khali onde espaço inútil e luz solar não faltam (olha nós aí dependendo dos árabes, de seus regimes malucos e nos submetendo aos seus maus humores de novo…). Dali, linhas de transmissão levariam esta energia aos países civilizados, mais exatamente na Europa onde moram os sahibs. Quer dizer, isto se até lá os europeus bona fide já não estiverem extintos por falta de reprodução. Mas isso já é outra história.

    • João Canali disse:

      Fausto, pensando nos desertos do OM, no problema deles com falta d’água para irrigações de grandes plantações… eu acho que o melhor uso de usinas como essa seria alimentar com exclusividade uma usina de dessalinização (aliás tem uma aqui, igualmente recente, nas imediações de Tampa, nesse meu rico Sunshine state, do tipo que filtra a água do mar, não é daquelas que consumem muito mais energia decantando a água do mar e depois tratando-a). Chuto que se essa usina consegue eletrificar 11 mil residências, conseguiria facilmente sustentar todo o sistema de bombeamento que ocorre na dessalinização por filtragem. Sendo assim, as duas usinas seriam capazes de forma independente gerar água potável durante o dia para irrigar uma enorme plantação posta atrás das mesmas ou estábulos de criação de animais (ou criar algas em grandes tanques, o que serviria para continuarem vendendo combustível líquido)… Plantar no deserto com sistemas especiais de irrigação, consta a lenda, foi obtido em Israel (aliás eu tenho para mim que a maior bronca contra eles por parte dos demais da região não é por causa de questões étnico-religiosas-culturais, é que eles passaram a mão no melhor oásis da região, assim como Jacob conseguiu o melhor ponto para a lojinha de Raquel, sua esposa)… Logo, em outras dunas isso seria possível também… Ora, ao invés de estarem construindo torres para novos ricos gritarem Oohhh em Dubai, esses narigudos deveriam estar seguindo essa minha idéia que os deixaria independentes, pois teriam comida para continuarem morando em cidades, sem ter que voltar para aquela economia feita no lombo de camelos depois que o petróleo acabar… que é dura, mas que comprovadamente é feita sob medida para os desertos em que vivem se conformando com as virgens que surgirão no paraíso… Povo de barriga cheia não reclama e nem quer saber se é xiita, sunita ou flamenguista… Claro que eles teriam que continuar cedendo seu petróleo a preços não inflacionários para a economia mundial, afinal a bomba que bate aqui bate lá também, afinal onde é que eles iriam continuar comprando jatinhos particulares do tamanho de um A380?

      Mas, saindo do deserto, continuo me candidatando àquela famosa vaga no sanatório… Vestir a camisa (de força) dos tantos loucos que buscam o motuo-perpétuo ou algo próximo disso, o que já seria algo bem significativo. Dr. Fausto, o senhor que é um engenheiro psiquiatra, me diga se o que imagino é viável (vale chute claro) tendo em vista a primeira lei da termo dinâmica:

      A usina de espelhos gera X de energia durante o dia, metade dessa energia é usada para bombear água do mar para um grande reservatório de água, a outra metade é usada para alimentar o meu ar-condicionado (sem o qual não vivo tal qual você não vive sem a calefação de sua casa no Canadá). Pois bem, quando chega a noite, os espelhos não mais esquentam a água que vira vapor comprimido que gira a turbina do gerador de eletricidade, mas, aquela água que está no reservatório gigante posto no alto do penhasco adjacente ao mar, se transforma numa espécie de hidroelétrica e toda aquela água que foi bombeada durante o dia é liberada por comportas que giram as turbinas ligadas a um gerador que gera metade da energia da usina solar, para eu continuar tendo eletricidade para o meu ar-condicionado… Bom você entendeu, tenho certeza… Isso funcionaria, teria alguma chance… ou só me garante mais um novo acesso ao sanatório para tratamento com choques, quiçá uma lobotomiazinha? 😉

      • Fausto disse:

        Canali, o que você propõe funcionaria mas às custas de perdas muito grandes. Simplificando, a energia necessária para bombear a água até o reservatório (+ perdas) seria bem maior que a energia produzida pela queda da água (- perdas). Então essa “metade” que você pretende usar de noite é na verdade uns 20% ou menos, ao invés dos 50% que você pensou. Usar esta opção somente se não houver outras, ou seja, na base do “se não tem tu, vai tu mesmo”.

        O ideal seria um sistema híbrido que juntasse energia solar com eólica, esta última disponível dia e noite, com céu nublado ou não. De dia, o sol (e o vento); de noite, o vento somente. Em recente visita à Hungria, Rep. Tcheca e Eslováquia, vi centenas de cataventos-turbinas. Parece ser uma opção primissora. Ao contrário dos coletores solares
        que mostra no filme, esses cataventos não ocupam muita área (base) e o espaçamento entre eles permite que se faça outras coisas no intermédio (lavouras, indústrias, etc). E com uma vantagem adicional: a energia do vento é transformada diretamente em energia elétrica, dispensando a etapa extra que a usina solar necessita (transformar calor em vapor).

        A China está investindo maciçamente no ramo da energia eólica:

        http://tinyurl.com/3rtpvb4

        E olha que eles também tem um deserto enorme com muito sol (deserto de Gobi).

        F.

      • João Canali disse:

        Vejo aqui em um anúncio da Globo que os “cataventos que dão choque” estão até no Nordeste Brasileiro, onde foi inaugurada uma fazenda capaz, segundo o reclame educativo, suprir energia para mais de 50 mil pessoas… Há regiões onde o tanto o vento quanto o sol são constantes outras não… O que nos remete ao velho problema de armazenar grandes quantidades de energia, das super baterias que nunca existiram em usinas elétricas de qualquer tipo.

        As vezes fico imaginando que grandes tanques de combustível poderiam ser ultracapacitores gigantes com capacidade de segurar grandes quantidades de energia gerada por usinas elétricas de qualquer tipo… Se a rede elétrica pudesse ser alimentada de um buffer haveria diversas novas possibilidades… Se imaginarmos o quanto melhorou antenas, radios e baterias desde a nossa infância (eu tinha um Walkie Talkie que aparentemente era embarreirado por qualquer parede doméstica e quando essa não havia a bateria acabava em poucos minutos de uso… detestáva-o, oh brinquedo ruim…) somos obrigados a ficar otimistas que isso será resolvido em alguns anos ou já está resolvido e aguarda comercialização.

        De qualquer forma, obrigado pela consulta… Só ter uma confirmação que não estava delirando totalmente em relação a usar a água como buffer de energia, já me afrouxou o laço da camisa… 😉

  2. Fausto disse:

    Canali,

    Uma “super bateria” estocaria (com perdas) corrente contínua, e usamos alternada. Na hora de usá-la, teria que ser reconvertida nesta última (com mais perdas).

    Para guardar uma grande e usável quantidade de energia, capacitores eletrolíticos teriam que ter área e volume gigantescos. E ainda assim só estocariam corrente
    contínua. Corrente alternada não existe na Natureza. É invenção do Homem.

    Energia elétrica é complicada. Por sorte, está sempre em alta demanda. Ainda mais nos EUA. Gerou, tem quem compre.

    F.

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