Segurança: Atração Turística Para Brasileiros

Gostaria de pedir desculpas aos participantes do Blog Teorias pela ausência de novos posts na última semana. Tenho estado ausente em função de novas atividades que me levam estar em contato com brasileiro que visitam o Sul da Florida.

Amigos, nesses dias pude reforçar a idéia de que o Brasil está em meio a um novo falso milagre econômico… Não vou falar desse capital ocioso fruto da inflação mundial causada pelos sucessivos anos de aumento do combustível que move o mundo, o vil e viscoso mineral negro, que pousa de mercado em mercado causando grande impulso econômico que leva para o alto uma sociedade ou setor econômico sem cuidar, necessariamente, da força da gravidade que faz descer tudo que sobe com força relativa e proporcional ao impulso que faz subir. Vou falar que é impossível qualquer desenvolvimento sem que coisas básicas sejam resolvidas de forma permanente e/ou colocada em bons termos.

Reclamam do que os brasileiros tem gasto no exterior em função da queda do dólar e ascensões do real e de classes sociais… Mas não é só produtos de melhor qualidade e inovação a preços sem impostos exorbitantes que brasileiros tem ido buscar no exterior, é a possibilidade de andar com o seu Rolex no braço novo rico, é de não estar que se preocupando em parar no sinal com seu carro alugado que não é blindado. Lembra aquela velha piada dos tempos da Guerra Fria que contava que a razão da fuga do cachorro que fugira da cortina de ferro era em função de poder latir um pouco. A sensação de segurança  é o que brasileiro mais curte em uma viagem turística aos EUA ou Europa… As compras cafonas e baratas da busca de status é secundária, Ele busca experimentar um lugar onde possa usufruir dos bens de consumo que o aumento do fluxo econômico de petrodólares investidos nas especulações agiotas em terra brasílis lhe proporciona no momento. Mesmo que a criminalidade nos locais citados não esteja em seus melhores dias em função da crise econômica, ela ainda é bastante superior àquela encontrada no Brasil.

O tempo passa antes que ocorra algum retrocesso econômico e não se aproveita a ilusão passageira para se criar uma modificação nesse quadro de insegurança pública. Falo justamente nesse momento em que a opinião pública não está escandalizada por alguma tragédia criminosa, para não repetir o esquema de sempre… Insegurança é item infraestrutural, o primeiro da lista.

Agora fica a pergunta… Se essa gente toda que viaja para países com maior índice de segurança pública não tivesse esse seu momento de príncipe do parque temático onde polícia existe e funciona, não resolveria o problema (leis mais rigorosas, presídios, reformas nos aparelhos de segurança, etc.)? Todos sabem que se Cuba fosse distante mais 100 milhas de Miami, a família Castro já teria sido destronada a muito tempo atrás, mas enquanto resolver o problema é apenas arranjar uma balsa… Quem fica é porque não está interessado em resolver nada e quem parte é aquele que reagiria.

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
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2 respostas para Segurança: Atração Turística Para Brasileiros

  1. evandro barreto disse:

    Olá,

    Estava sentindo falta de um comentário novo, mas entendo que cada momento determina sua prioridade. Eu também tenho deixado intervalos maiores do que gostaria, tanto nos “Comensais” quanto nos comentários em blogs alheios.
    Achei extremamente lúcida essa sua reflexão sobre o turista brasileiro e os motivos que o impelem à Oropa, França e Miami. Mas o que percebo é que não basta se sentir seguro na terra do camundongo. É preciso ufanar-se disso na volta, sem se dar a trabalho de pensar no que poderia ser feito, do voto na urna à ética pessoal, para espalhar ratoeiras por aqui.

    Abraços,

    Evandro “Dodô” Barreto

  2. cesarbarroso disse:

    Eu diria que nós brasileiros somos um povo com características muito diferenciadas dos outros povos. Temos algumas características extremamente antiquadas e outras muito modernas. Precisa de um bom catedrático de sociologia para fazer um estudo profundo.
    Vou começar com um exemplo. Os latino-americanos que foram colonizados pela Espanha, chamam a mesma de “la madre España”. Nós, brasileiros, estamos cada vez mais distanciados de Portugal. Parece que após a nossa independência, desenvolveu-se um sentido de galhofa em relação ao português, que nos faz sentir ojeriza de tudo o que tem relação com Portugal, que é justamente a nossa pátria mãe. Sem mãe, passamos a adorar as nossas tias, as nações mais desenvolvidas da Europa. Tudo que tem o cheiro de França, Inglaterra, Itália, Holanda, Bélgica, tem um valor exagerado para nós. Somos meio desajustados.
    Aqui nos Estados Unidos, somos um dos povos latino-americanos menos integrados. Nossa representação como grupo chega perto do ridículo. Seguimos modelos antigos de imigrantes, e nossa presença nem se compara com a dos mexicanos, colombianos, venezuelanos, para não falar dos cubanos. Há grupos de pressão aqui até da Coréia do Sul. Em geral, imigrantes de uma certa nacionalidade se unem pelos seus direitos. Os brasileiros, fazem isso muito pouco.
    Aqui em Miami, tem um número enorme de rádios e estações de TV hispânicas. Essas rádios e TVs não são repetidoras do que vai no seus países de origem. Elas são parte ativa e importante da sociedade americana. Há deputados e senadores originários desses países que lutam pelos direitos de seus compatriotas que moram nos Estados Unidos. Elas não lutam pelos países de origem, mas pelos cidadãos daqueles países e seus descendentes que se integraram na sociedade americana. Nossa imprensa nos Estados Unidos é fraca, para não dizer fraquíssima. Conversando com um editor de revista brasileira daqui, falei que se poderá tentar a melhora do nível. Ele me respondeu que o leitor brasileiro daqui não consegue ler mais do que dois parágrafos! São quase todos evangélicos atrasados.
    Até como turistas, como atesta o João, somos diferentes. É verdade que há um grupo de brasileiros que vêm aos Estados Unidos visando aumentar o seu universo cultural. Principalmente em Nova York, frequentam museus, boas livrarias, bibliotecas, teatros… São minoria. O resto, compra bugigangas e objetos de grife.
    O shopping Bal Harbour, que é a meca das grifes em Miami, está lotado de brasileiros. Desfilam com suas bolsas da Prada, Louis Vuitton, Salvatore Ferragamo com muito orgulho. Parecem carregar troféus e não conseguem ver como são ridículos. Não percebem que classe está noutra esfera. O que pode melhorar num ser humano, resultado de milhões de anos de evolução, uma bolsa com a marca Louis Vuitton? Tenham pena!
    João, eu não acredito que haja uma bolha para estourar no Brasil. Não desejo isso para o Brasil, nem principalmente para os trabalhadores que aproveitam a abundância de crédito para adquirir bens dos quais realmente precisam.
    Evandro, na questão de lutar pelos seus direitos, inclusive e principalmente o de segurança, os brasileiros estão pior do que Egito, Líbia e outras nações árabes, que estão mostrando suas exigências aos dirigentes corruptos. Nós elegemos o Tiririca e o Romário. Não conheço outro povo que tenha feito esse tipo de decisões políticas inconsequentes.

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