Eu Não Disse?!

Vale recapitular um pouco do que andamos discutindo…

O que estamos assistindo hoje no Oriente Médio é fruto do que mostra esse estudo da FAO. Após a WWII e o incrível aumento do consumo de combustíveis fosseis verificado, a região passou a ser a maior produtora de petróleo do planeta, principalmente após 1970 quando os norte-americanos perderam sua auto-suficiência. Mesmo sendo absurdamente mal distribuída e gerenciada, a riqueza do petróleo propiciou um significativo aumento populacional em cidades do OM, estressando a questão alimentar. Ano passado importantes safras quebraram e o preço dos alimentos triplicou de preço na região.

Deram-se conta então talvez, que os depostas que os governavam colocavam no bolso de sua “tribo” particular um dinheiro que deveria estar sendo investido em usinas de dessalinização da água do mar, que funcionam maravilhosamente bem desde que se tenha energia (o que não falta na região) para operá-las. O ocidente totalmente condenado devido a dependência do petróleo articula a “batata quente” tendo em vista sua extrema necessidade. Não há mocinhos nessa história de dependência.

O conceito emblemático dessa problemática sem “solucionática” é que o os povos do Oreinte Médio estão há muito tempo trocando petróleo por água, elemento esse embutido no alimento que importam para sobreviver, já que perderam o controle populacional proporcionado pelo modus vivendis do deserto em torno de poucos oásis (que se transformaram em cidades). O tempo corre contra ocidente e oriente médio (acidente e desoriente médio, como já chamaram) o primeiro tem que substituir o petróleo como principal matriz energética ao mesmo tempo que mudar esse seu sistema que depende de inchar consumo como um câncer para obter tecnologia e bem estar social e o segundo investir tudo que tem em usinas de desalinização e promover uma quase impossível relativização de seus elementos culturais mais primitivos. Façam suas apostas de fim de mundo civilizatório, em outras palavras… Quem não conseguirá?

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
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8 respostas para Eu Não Disse?!

  1. evandro barreto disse:

    Canali,
    Sabe aquilo do “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”? Pois é. Óleo dá guerra, átomo dá câncer -e anda chovendo muito para energia solar. Convém reler o noticiário da “Nostradamus Press, codinome “Centúrias”.
    Abs,
    Dodô

    PS – Obama e a feijoada vegetariana da dona Dilma. Detalhes nos Comensais.

  2. cesarbarroso disse:

    Se eu estivesse em outra fase de minha vida, certamente abriria um negócio de engarrafamento de água potável, que é abundante no Brasil. Esse, junto com a agricultura, é um dos negócios que mais lucrará com a super-população do planeta e o aquecimento global. Comida e água ficarão cada vez mais caras e indisponíveis.
    Dentro do quadro que você traça, João, não há muita saída para o governo do país maior consumidor de petróleo, os Estados Unidos. Em pesquisa de hoje, a CNN pergunta se Obama está explicando direito sua política com relação à Líbia: mais de 70% respondem que “não”. Ora, o móvel político para toda aquela região é um só: petróleo. Bush ainda inventou aquelas armas de destruição de massa para invadir o Iraque. Obama, como evita quanto pode a hipocrisia, não se sentiu na obrigação de repetir o óbvio.

    • João Canali disse:

      Eu tenho a impressão que eles conseguem esconder deles mesmos, isto é, do povão, a questão do petróleo. Eu acho que tem mensagens submiliminares nessas TVs americanas, não é possível… Ou é isso ou é vergonha enrustida, sentimento de culpa quiçá… Como alguém pode ter dúvidas quanto a razão de estarem se incomodando com um deserto pavoroso habitado por somente 6 milhões de pessoas que aguentaram aquele Waldick Soriano das arábias por tanto tempo e, do dia para noite, resolvem mudar… Merecem o salafrário que possuem, assim como os maranhenses a família Sarney… Imagina se perguntassem para os americanos se eles sabem dizer se existe mais gente entre os pró Kadafi ou entre os rebeldes… Mas, não é a resposta que ninguém sabe, é a pergunta que ninguém faz, dai eu desconfiar de mensagens subliminares… Não pergunte isso… Não pergunte isso… Vai que se dão conta que a maioria da população… ou melhor, que a tribo de Kadafi é a tribo mais populosa… pior ainda se alguém lembrar que democracia é a vontade da maioria dos maranhanses que decidem qual Sarney será governador ou senador.

      Agora veja como são as coisas… Alguns deputados democratas (os famosos traíras de sempre) lembraram (erradamente) que os EUA não poderiam estar participando dos ataques sem autorização do congresso… Parlamentares republicanos pretendiam recepcionar Obama com esse questionamento publicado em tudo quanto é lugar, falavam até em impeachment… E de repente zipp, calam a boca… Alguém chamou os incompetentes em um canto e lhes lembrou que existe uma aliança militar do Atlântico Norte no qual os EUA faz parte, onde existe cláusulas de alinhamento e engajamento militar automático sem a necessidade de autorização prévia do congresso americano (coisas da guerra fria, quando não haveria tempo para chamar a quadrilha do Ali Baba para enfrentar um ataque soviético na Europa)… Aí lembraram para os caras que eles deveriam ficar caladinhos com essa historia, pois isso obrigaria o presidente declarar acordos secretos em público para se defender… E ninguém fala mais do assunto… (nem a mídia, o que é mais grave… Censura?!) mudam de conversa e começam a reclamar quanto ao dúbio posicionamento de Obama, o que em outras palavras significa dizer: O que é que você está fazendo lá se o petróleo líbio vai só para a Europa? Claro que o Obama não vai dizer.

  3. Fausto disse:

    O “conceito emblemático” não exatamente é o que foi exposto, pois no mundo do comércio e negócios sempre foi assim: dá-se o que se tem em troca do que não se tem… O conceito emblemático real é que a despeito de quanta água ou petróleo disponhamos, a população mundial vem crescendo desorganizadamente, e isso não pode continuar. O petróleo vai acabar um dia, para bem ou para mal, mas a H2O vai estar sempre por aí em quantidades exorbitantes. O problema será obtê-la num grau de pureza (digamos assim) em que possamos utilizá-la em um cenário em que o crescimento de seu consumo será sempre superior ao vegetativo. “Quantidade” e “qualidade” são palavras similares em suas sonoridades, mas não guardam entre si nenhum parentesco — o pessoal de Teresópolis e Friburgo que o diga…

    F.

    • João Canali disse:

      Fausto, a troca de petróleo por água simboliza (é emblemático) de uma situação que não fica clara para todos quando se fala que aqueles países todos estão ultra-dependentes da importação de alimentos. Não existe uma associação rápida implicando com o fato de que alimentos só se produzem com água em doses variadas de alimento para alimento.

      Posto isso, eu gostaria de chamar a atenção que o Obama falou que preferiria usar a inteligência (aqui temos uma dupla interpretação do termo inteligência… que pode significar uma estratégia de alguém com 190 de QI ou ações dos serviços de inteligência) do que atos de guerra como Bush fez.

      Se enfocarmos a questão da troca, temos pela frente uma quadro totalmente novo… Esses caras não podem estar cagando preços, criando bolhas financeiras mundo afora, já que mais papel pintado sem lastro é impresso para pagá-los (1970 fim da auto-suficiência americana, 1971 fim do dólar lastreado pelo ouro… para quem queira perceber a coisa), ou seja, criando inflação, quando são uns merdas que dependem de importação de comida. Uma nova geração que assumirá os que serão agora destronados talvez entendam melhor o principio comercial que você Fausto lembrou.

      Agora, a água está em toda parte, principalmente no mar… O paradoxal é que para se construir e operar usinas de dessalinização é necessário muitos barris de petróleo que servirão para serem vendidos e pagar o know-how envolvido e, principalmente, a energia que essas usinas demandam… Funcionam redondo, volto a dizer. O engraçado é que os países do OM que a possuem, creio que o Kuwait e aqueles emirados, tenho que pesquisar, não estão dando problema para eles mesmos. Esses príncipes das arábias ao invés de estarem levando vida de playboys internacionais e criando bolhas mundo afora, deveriam estar construindo uma usina atrás da outra, única maneira de terem comida made in home, sem ter que voltar a vagar pelos desertos a cata de um oásis aqui outro lá, equilibrando sua cultura altamente prolífera (claro, mulher fica em casa só para fazer a janta, levar vara e gerar filhos) com a extrema mortalidade infantil verificada em tendas do deserto.

      Será que estamos diante de um savant? Algo extraordinário do qual ainda não dimensionamos onde a coisa pode chegar… Que aquela reunião com o pessoal da informática não era uma reunião de gênios criados em laboratórios secretos, no tempo que os americanos e russos faziam experiências incríveis em nome da guerra fria… Eu ainda farei ficção científica por aqui… 😉

  4. cesarbarroso disse:

    João,
    O problema são as perguntas que não queremos fazer. Não passamos todos de covardes por não enfrentar as questões cruciais. E inventamos deuses, diversões, modas, tudo para nos desviar das questões que precisamos responder racionalmente. Existe toda uma cultura para nos direcionar no caminho errado.
    Evidente que os detentores do dinheiro e do poder, têm mais motivo ainda para manter esse status quo, para de certa forma ajudar a massa de manobra, a que carrega o mundo nos ombros, a continuar iludida. A imprensa americana certamente faz parte desse esquemão, com salários de milhões anuais, e com o sustento da publicidade das corporações.
    É evidente a parcialidade da informação dada em jatos que ao invés de suscitar perguntas, adormece consciências.
    Vergonhoso a CNN abandonar no meio a cobertura no Japão para sair correndo para a Líbia. Esse fato mostra apenas a superficialidade da informação, a necessidade de não aprofundar nenhum assunto. Quem não tem estrutura, entra nessa dança estonteante sem fim, e perde cada vez mais seu equilíbrio interior. E gente sem equilíbrio interior não consegue raciocinar direito. Daí vivermos num mundo totalmente louco.

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