Catástrofe Energética

Isso está até parecendo história mitológica com os deuses helênicos…. “Zeus diz a seus filhos que deseja resolver o problema de energia  dos mortais terrestres. Cada um de seus filhos apadrinha uma solução energética, enquanto por ciúmes e inveja (aquela coisa adorável da mitologia grega que atribui sentimentos humanos a seus deuses) sabota a solução adotada por seus irmãos….”

Ano passado aconteceu aquela tragédia ecológica no Golfo do México, provando a todos que a solução para o, já próximo, inevitável fim do petróleo em terra firme, encontrar enormes reservas nos confins do oceano, era  uma solução de alto risco. Não bastasse todas as outras condenações relativas a queima de combustíveis fósseis, o asqueroso poder político e estratégico gerado pela dependência da produção, refino e distribuição do vil mineral liquido, sua obtenção tornou-se quimérica. Lembrem-se, nenhum reserva na profundidade do pré-sal entrou ainda em produção comercial… Isso ainda tem que ser provado…

Dois mil e onze inicia-se com o petróleo mostrando mais uma vez  sua faceta encrenqueira, sendo o natural pano de fundo de uma crise geopolítica no Oriente Médio… Dessa vez isso só estava servindo de mais uma prova que os carros elétricos (Volt da GM o carro do ano de 2010, o óbvio em forma de rodas…) ganhariam nossas estradas assim que fosse possível… Que era insustentável a posição das temíveis oil sisters em sua constante atuação de sabotagem de alternativas ao petróleo… Que teriam que surgir logo com os combustíveis a base de algas ou decomposição de material orgânico… ou mesmo a gasolina sintética que os alemães (hoje extraída de carvão e gás natural e que em breve dará autonomia de combustíveis a USAF, I hope, como exemplo de alternativa…) usaram na WWII em 10% de sua frota militar e 25% na de uso civil… Se quisessem continuar controlando a distribuição de combustíveis líquidos em postos tradicionais.

Então algum filho de Zeus (Seria o veloz Hermes, vulgo Mercúrio para os romanos? O sempre marrento Marte? Não… Deve ter sido Plutão, o deus das profundezas oceânicas, o nome já diz tudo…) causa um tremor de terra no fundo oceânico no ponto estratégico de gerar um onda gigante que danifica usinas nucleares em um país não só propenso a tremores de terra como também a depender – e muito – de energia nuclear, já que é um dos líderes na fabricação de carros elétricos e terceiro importador isolado de petróleo cada vez mais caro… Como uma resposta malcriada a uma humanidade que já se acostumava com a idéia de quintuplicar suas usinas nucleares como maneira mais rápida de se livrar do petróleo… Todos devem ter visto no noticiário diversos países dando passos atrás contra a tecnologia para, a princípio, acalmar suas respectivas opiniões públicas… Todo mundo, no fundo, anda assustadíssimo com a quantidade de catástrofes e tragédias que se sucedem, não importando o quanto elas sejam previsíveis ou tenham causa específica ou sejam apenas a maior quantidade de câmeras mundo afora… Todavia, é bastante racional concordar que em um planeta com tantos terremotos, maremotos, furacões, guerras e terrorismo, usinas nucleares são realmente uma opção de alto risco…

Vamos torcer não para o deus que protege Belo Monte ou os Kadafi da vida . Vamos invocar a deusa da beleza Vênus (que me perdoem as feias…) que, com procuração de Zeus, nomeio a deusa do Hidrogênio, o elemento mais farto do universo… Que descubram uma maneira rápida, eficiente e barata de extraí-lo sem ferir as leis da termo dinâmica, preferencialmente “on demand”, para que não haja explosão “hindemburguiana” em algum reservatório… Aliás, com o atual desenvolvimento da “fuel cell” que promove uma espécie de eletrólise reversa, gerando eletricidade da mistura de ar (oxigênio) com hidrogênio (ainda liberando água, excelente para veículos elétricos no Oriente Médio, por ironia do destino… Chega de beberem urina de camelo na emergência!!! Deve ser isso que os faz serem tão malucos na média… fora as virgens do paraíso, claro… que ninguém resiste a tanta loucura…).

P.S.: Lista de beneficiados com a tragédia japonesa até o momento:

1 – As baleias… Com tantos barcos baleeiros jogados em terra pela Tsunami.
2 – Kadafi.
3 – A hidroelétrica de Belo Monte.
4 – Oil Sisters… Se somente 30% por cento da energia elétrica da terceira economia mundial vinha de usinas nucleares… De onde vem o resto? Aquela ilha não tem rios caudalosos, mas mesmo que tivesse… hidroelétricas e terremotos são incompatíveis por natureza.
5 – Os EUA, se considerarmos o arranque que esse país teve depois de ter ajudado na reconstrução do Japão e da Europa no pós-guerra.

P.S:(2): Vinte por cento da energia elétrica americana vem de usinas nucleares, 60% de termoelétricas a carvão mineral, o resto é uma sexta básica de hidroelétricas, termoelétricas a gás natural, óleo combustível, energia solar e aeólica.

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
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2 respostas para Catástrofe Energética

  1. Cesar Barroso disse:

    Eu não sei imaginar qual o impacto que todos os fatos que vêm ao meu conhecimento têm sobre a minha psiqué. Sei apenas dizer que na história da humanidade muitas pessoas passaram por traumas tremendos: guerras, assassinatos, fome… Mas ninguém(dessas gerações mortas) em sua vida tomou conhecimento e viu através da televisão o que nós, viventes atuais, vimos.
    Quando eu era menino, me fascinava a possibilidade de poder ver uma foto de alguém morrendo. Um desejo mórbido me perseguia, e, quando vi pela primeira vez, fiquei realmente fascinado. Hoje, a morte está banalizada. Vê-se morrer ao vivo e a cores.
    A consciência da morte foi o divisor de águas para Buda, e para muitos outros nessa marcha histórica da humanidade. Ao tomar conhecimento realmente do que é a morte, e em consequência a nossa vida, ele decidiu ser feliz, “apesar da morte”. Simplesmente não se entregou ao desespero.
    Ao ver essas multidões estóicas no Japão, que esperam pacientemente em filas ordenadas por um pouco de água e comida, penso na formação budista daquela sociedade. E não me venham falar em niilismo, numa sociedade que tanto criou e cria em todos os campos.
    Precisamos de vida interior para poder aguentar o tranco da vida do século XXI. Precisamos cultivar as coisas do que chamamos espírito.
    Ou isso, ou nos incorporamos a uma manada de gente que se entrega a um consumismo desenfreado, como vi hoje no Sawgrass Mills Mall.

    • João Canali disse:

      Cesar. Qual seria a tradução cultural do japonês ao sentimento de pânico? Só posso dizer que ao pânico causado pela possibilidade de desonrra eles costumeiramente cometem (ou cometiam) o haraquiri… E aquilo não é só um escape, seria um doloroso pagamento para resgatar a honrra ou a culpa. Quanto mais alto conseguirem trazer a faca afiadíssima para cima, mais “honrra” e nobreza o gesto carregará. O que tem isso a ver com o budismo? Nada. Mas, explicaria talvez a enrrustição dos sentimentos, principalmente do medo. Uma sociedade opressiva. A maior taxa mundial de suicídios entre adolescentes… Por que não vão bem na escola, parece ser a causa supérflua… Não teriam eles vergonha de demonstrar que estão encagaçados de medo, daí a ordem na fila? Uma espécie de machismo oriental? Bom, o aeroporto deles estava cheio de gente. As “zelites” (que nunca comungam muito com as tradições populares, já que não necessitam de doses de conformismo de nenhuma espécie) vão se mandar para algum lugar qualquer onde não tenham que entrar em filas, nem ter que ficarem preocupados em desenvolver um câncer ou gerar um Godzilla, daqui a nove meses. Ok… No Sawgrass você não viu nenhum turista japonês? Provavelmente não nesses dias… no entanto, se fosse o caso, você teria visto furiosos consumidores (não de eletrônicos, claro está), mas de tudo quanto é buginganga, eles assim são conhecidos… Se são da banda budista ou da maioria xintoísta, não sei dizer… quase que digo que são todos iguais, de qualquer forma…

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