Ideal Para Passeios ao OM

Uma das maiores dificuldades em uma entrevista jornalística ou documental feita em vídeo é a edição. Se a equipe conta com duas câmeras (um custo a parte, fora a falta de agilidade…) o problema fica por conta do sujeito na ilha de edição. Se a equipe conta com apenas uma câmera, a imagem do entrevistador não será filmada, só se escutando sua voz  em off fazendo perguntas, ou se fará uma estratégica “paradinha”, para o cameraman mudar de posição e filmar o entrevistador na hora da pergunta, ou seja, duas inconveniências.

Talvez pensando nessa dificuldade (nunca se sabe…) e no assustador aumento de capturas de vídeo feito por amadores (essa coisa de filmagem feita com o celular), o que tem aumentado em muito a capacidade jornalística de trazer informação, a ION (?) bolou essa câmera baratinha e de limitados recursos de vídeo (apenas 640X480, mas que faz bonito no You Tube ou em TVs antigas ainda de tubo) que possui a utilíssima função de filmar dos dois lados. Aperta-se um botão e a câmera filma o operador da filmagem, no caso do nosso exemplo, o repórter. Cada vez que se aperta o botão a câmara filma o lado oposto. Se fosse eu a gerenciar o produto, colocaria o nome de Jânus, o semi-deus romano de duas faces. Na verdade, a grande vantagem é que o entrevistador não precisa de cameraman para realizar sua entrevista com aspecto profissional, basta ter um braço longo…

Para quem quiser ver o produto em ação basta ir em sua página e ver o péssimo filminho que fizeram para mostrar sua característica principal… Eu criaria algo de impacto… O repórter no meio de arruaças e revoltas no Oriente Médio filmando um miliciano que lhe dá uma cacetada com um cacetete… um corte para o dedo apertando o botão e o rosto do repórter todo ensangüentado… Horrível eu sei, mas seria um must, nesses tempos que vivemos… todos se lembrariam do produto. 😉

Agora vejam só… Apenas US$ 119.00 gravando em memórias SD com bateria para 4 horas de filmagem. Excelente diversão ou equipamento de trabalho… Sim eu sei… essa marca desconhecida… Mas, por um preço desses, convenhamos, dá para viver com isso, mesmo que viesse do Paraguai.

Esse post já é em função da pesquisa que estou realizando… Por favor, não deixem de responde-lo, são pouquíssimas perguntas. Se você ainda não respondeu clique aqui.

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
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7 respostas para Ideal Para Passeios ao OM

  1. Max Dias disse:

    Muito legal essa descoberta, Canali. Resta saber se as lentes produzem a encomenda. Por esse preço, acho dificil ter lentes que prestem.

    Esse é um problema comum nos celulares: a pessoa compra em função dos pixels, 4,ou 8 Mp, mas aí vem uma lente cheia de aberração e sem nenhuma profundidade de foco (nem foco, aliás). Isso acontece, por exemplo, com os Motorola. Em celular, hoje dá para ter lentes Zeiss (japonesas, mas boas).

    Nokia, Sony e Samsung em geral tem boas lentes, que permitem ampliar as fotos. Mas os Motorolas, passe longe. Os Palm, também. Para essa camera barata, seria interessante uma informação sobre as lentes.

    • João Canali disse:

      Max, no mundo da imagem digital a qualidade do filme ou do tape de gravação foi substituído pela qualidade do sensor de imagem o CCD e pelo processador dedicado que processa a imagem capturada e a guarda na memória (a velocidade e precisão com que faz isso), portanto, além da qualidade da lente, teríamos que verificar também esse conjunto de fatores para falarmos do conjunto da obra.

      Eles prometem os tradicionais 30 frames por segundo, o que daria uma boa filmagem, mas, se o CCD não capturar com precisão a luz trazida pela lente, você pode colocar uma autêntica lente Zeiss feita na Alemanha em 1942 para equipar as câmeras de filmagem instaladas na cabine de um protótipo do ME-262 para filmar material de propaganda com algum ás da aviação de caça alemã, portanto, no auge da tecnologia analógica alemã, que o resultado seria pífio. Se a lente conseguisse amarelar até os pelos do Milk (o nome já diz tudo) um de meus dois cães, que me inspira montar uma fábrica de barbas de Papai Noel e o CCD fosse honesto e o processador de vídeo corrigisse as variações médias dos pixels capturados, dando ganho de luz na imagem, o resultado poderia ser melhor que o esperado para aquela lente.

      Por óbvia dedução sabemos que o fabricante não está perdendo dinheiro, logo sabemos que os componentes da câmera (e nesses gadgets a horizontalização da fabricação é enorme) não são de primeira linha. O mundo das câmeras digitais é cheio de ilusões de marketing, multiplica-se pixels em contas matemáticas automaticamente processadas e se faz megapixels e zoons… As câmeras de fotografia ou de filmar até 300 dólares são porcarias, quebram um galho amador, mas não se comparam com as câmeras semi-profissionais (com lente intercambiável, no caso das máquinas fotográficas), que começam na faixa dos 600…

      Vale lembrar que tem muito video maker profissional filmando em full HD (1080p na vertical) usando máquinas que primariamente são para fotografia profissional e tem como função extra (como a maioria das câmeras mais recentes) de realizar vídeos. Já tive a informação que até comerciais assim já foram feitos. A captura de som é inferior, claro, mas em muitos caso o som é mixado na edição final, logo o que importa é a qualidade da imagem. Outra, aquela do paparazzi ficar disparando uma série de fotos para não perder a calcinha da atriz com microsaia se tornou uma besteira, desde que tenha uma boa câmera que filme em HD… Ele captura o frame onde aparece a calcinha com mais nitidez e a transforma na foto que desejava. Usando a filmagem ao invés de uma sequencia de disparos ele não perde nada… A mesma coisa para aquele fotógrafo que fica na beira do campo para tirar o instantâneo do momento que a bola entrou no gol, deve agora filmar ao invés de fotografar. Após a partida, baixa a memória em seu laptop, chama o editor de vídeo e retira os frames/fotos mais incríveis a partir da filmagem e dali mesmo faz o upload para a redação.

  2. cesarbarroso disse:

    Embora fotógrafo profissional, tenho dificuldades com esses gadgets. Durante algum tempo tinha um Blackberry e andei tirando fotos e mandando para amigos, mas a geringonça caiu no chão, e… voltei ao celular tradicional, aquele que escuta e fala apenas. Qualidade não era o que me preocupava, mas apenas a foto apressada, mostrando minha mãe tomando sorvete no shopping em Miami, para deleite dos netos no Brasil, que a recebiam dois minutos depois.
    Infelizmente vejo a tendência crescente a se confundir a fotografia com “fotografia”. Não se atenta mais para a qualidade de uma foto, seu enquadramento, o tratamento de cores, o foco, a profundidade de campo… Tudo se consome muito rápido e acho até que muitas das fotos que são tiradas nos celulares e point-and-shoot, não vão a lugar nenhum, e perdem-se em cartões de memória.
    Sociedade de consumo é isso aí… o que vale é a cerimônia… o conteúdo se perde pelo caminho.

  3. Max Dias disse:

    Canali, muito interessante o que vc comenta. Mostra como todo o processo de captura de imagens está sendo revolucionado. Mas a velha frase de que o preço de uma camera “está diretamente proporcional à qualidade das lentes” não mudou. As grandes e lendárias lentes da Leica hoje pertencem à Panasonic (Zeiss incluida), que, dizem, até as melhoraram, diminuindo o “circulo de confusão” do foco plano, que não é, a rigor, foco perfeito.

    Tenho umas 3 cameras digitais, Fuji, Sony, Samsung – todas deram problemas com os CCDs, que de repente ficaram borrados, com manchas azuis e amarelas, fazendo as fotos parecem pinturas de Cézanne, alguns até bonitos, mas inaceitáveis. Me mexi e todos foram trocados for free pelas concessionárias, independente de nota fiscal ou recibo paraguaio. Foi mesmo um recall mundial, um tanto silencioso. A Fuji me pagou até o correio de ida e volta. Foi aí que fiquei sabendo que só existe uma fábrica de CCDs no mundo, a da Sony, e esses primeiros fabricados (milhões) deram problema por um componente quimico (um ácido) que desestabilizou e melou tudo. (Aliás. também só tem uma fábrica de LCDs grandes no mundo, a da Samsung, pelo que garantem os insiders).

    O que varia nos CCDs é o tamanho e mesmo assim são só 2 ou 3 tamanhos. A qualidade ótica, realmente, tem de vir das lentes. A Casio andou inovando com as lentes cerâmicas, espetaculares, sem nenhuma aberração, mas parece que o custo, sei lá, desanimou, não ouvi mais muita coisa (aparentemente não foi possível uma técnica de fabricação para grandes lentes).

    O que não entendo é porque está demorando para aparecer no mercado o CCD concavo, que reproduziria a curva do fundo do olho (a retina) e permitiria que as maquinas fotográficas, aí sim, se tornassem sistemas óticos perfeitos, como o olho humano.

    • João Canali disse:

      Max, essa questão de um fabricante só para determinado produto eletrônico não implica que a qualidade seja igual. Esses fabricantes oferecem diversos modelos para o OEM e o preço determina controle de qualidade (basicamente tempo), materiais empregados e sofisticação técnica. No mercado de memórias para computador, por exemplo, que conheço razoavelmente bem, existem poucos fabricantes que cortam o waffer de silício e montam a pastilha (a Samsung é uma delas)… Agora, vendem sem nome silkado no chip para dezenas de pseudo-fabricantes e acontece algo curiosíssimo: a marca mais falsificada, a Kingston, nunca produziu uma pastilha sequer, apenas monta os pentes cravando as pastilhas em uma placa de circuito de excelente qualidade, assim como as controladoras usadas… A fama conquistaram com controle de qualidade, testando as memórias produzidas (há testes rápidos e demorados, o bom montador gasta mais tempo e homens hora), boa política de garantia e muito marketing.

      Por último, o caso mais comum… A coisa se assemelha a antiga Fórmula Ford, que não sei se ainda existe. Todas as equipes trabalhavam com o mesmo motor e diversas outras especificações fixas. Por sua conta ficava o desenvolvimento de alguns elementos. Colocando a parte o piloto (que no caso seriamos nós os usuários), a diferença entre o último e o primeiro colocado era todo por conta de ajustes, acertos e inovações dentro da área livre de desenvolvimento. Assim também ocorre com a indústria de bens de consumo eletrônicos. E ainda temos que lembrar da Intel que produzia micro-processadores de velocidade igual, mas os limitava para compor uma linha de venda diversificada… Houve quem descobriu como retirar a trava do fabricante e alterar a indicação de modelo, ganhando uma grana comprando modelos vendidos mais barato em função da velocidade mais baixa e revendendo-os como se originalmente tivessem uma velocidade mais alta… A Intel sofisticou a trava e acabou com a farra. Mas, ninguém gostou de saber que comprou uma ferrari com o cachimbo da vela não conectado corretamente em dois ou quatro cilindros, só para ele poder pagar o preço de um fusca.

  4. Luiz Camargo disse:

    Canali, voltando à questão da função de filmar dos dois lados, você sabe que já há algum tempo os “xing-lings” da vida estão por aí fazendo suas imitações dos produtos de marca.

    Eu mesmo, há mais de um ano, já tive uns dois xing-lings que tinham esta função. Desisti por que a bateria acabava muito rapidamente. Mudei para um Nokia. Mas o xing-ling custava, e ainda deve custar, cerca de 190 reais.

    Diziam, os brincalhões, óbvio, que esta função era para uso dos vaidosos, dos narcisistas, que filmavam os outros mas podiam também filmar a si próprios para ver como estava indo sua própria beleza, funcionando como um espelho, e possibiilitando selecionar apenas as mais belas auto-fotos, ou auto-vídeos.

    Com esse preço, US$ 119.00, essa ION talvez seja mais um xing-ling no mercado.

    Luiz

    • João Canali disse:

      Pelo que você está falando Luis, fico na dúvida se você está se referindo a celulares que possuem câmaras dos dois lados, visando a famosa conversa de Dick Tracy (que era no relógio) ou vídeo conferência e outra para fotos e vídeos normais. O Iphone 4 oferece essa característica, só que não é com o intuito de possibilitar uma edição rápida… Como fazer aquela tomada da montanha russa no vídeo do produto, que mostra a queda e a cara do filmador em cortes rápidos sem usar duas câmeras ou celulares em cada mão e tendo que depois editar na base do fácil mas chato? Esse aparelho da ION é dedicado exclusivamente ao vídeo com essa facilidade e vi sua resenha na Popular Science de janeiro desse ano, sendo apresentada como uma espécie de novidade.

      Mas, sem dúvida, passou a ser mais comum os xing-ling inovarem o conceito do produto, mesmo preservando a “vagabundeza” do mesmo, quando antes só eram apenas uma imitação barata de um produto já popularizado por fabricantes de peso… Como comum também tornou-se irem direto ao Paraguai ou ao Ebay (já comprei diversos produtos típicos de camelô diretamente de Hong Kong, leva uns 15 dias para chegar, mas chega…), sem fazer um debut no mercado americano de varejo, os Wall Marts da vida… que é fechadíssimo e caro de se penetrar para fabricantes sem grande investimento em marketing. Sendo assim, talvez você possa estar falando de algo que serve de exemplo a esse caso.

      Na era do arranque japonês, no tempo que marcas que hoje são de primeira linha, como Sony, Toshiba, JVC, Panasonic, Casio, etc. não existiam ou não tinham peso, a inovação que eles ofereciam era em relação a miniaturização dos produtos… Quem não se lembra dos radinhos de pilha e outros gadgets que primavam pela miudeza Made in Japan? Os chineses estão trilhando o mesmo caminho de japonêses e coreanos, apesar de ainda não terem nenhuma marca de grande prestigio associada a qualidade e inovação, mas isso é questão de tempo.

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