Compartilhando

A noção de que empregos dependem de patifarias está no cerne da discussão ideológica… Até porque, mesmo com a apropriação dos meios de produção pelo estado a coisa continua sob outros disfarces.

Não seria o estado policialesco de pesada burocracia apenas um pretexto (a patifaria) para gerar empregos nessas áreas?

O controle demográfico (última ilação de uma real e coerente vontade de solucionar nossa incompetência de criar um sistema à prova de irracionalidades) igualmente significaria uma estagnação tecnológica, o mesmo que encerrar a grande aventura humana, a espera de um asteróide qualquer para acabar com nossa singularidade universal.

De qualquer forma, documentários como esse apontam o real caminho de debate para uma oposição de esquerda moderna, que foge das tradicionais e bolorentas fórmulas, sem a criação de falsos mitos e toscas palavras de ordem… Para observarmos como uma visão ambientalista se transforma em ideologia de qualidade. Muito bom mesmo.

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
Esse post foi publicado em Comentários Políticos, Divulgação Científica e Tecnológica, Economia, Ideias, Ideologia, Política Internacional, Teorias Conspiratórias. Bookmark o link permanente.

4 respostas para Compartilhando

  1. cesarbarroso disse:

    Sem dúvida, João, isso tudo é desgastante para nós, que somos forçados a ações de compra estressantes sob vários aspectos, e para a natureza, que recebe restolhos sem parar, em quantidades enormes.
    Lembro-me que na década de 50 o então deputado Tenório Cavalcanti levantou esse problema da vida curta das lâmpadas GE e, logicamente, foi atacado por todos os lados pela imprensa.

    • João Canali disse:

      A questão da obsolescência programada é batida, e seria fácil de se combater com consumidores se organizando na Internet e os próprios certificados ISOs da vida… Por exemplo: Não comprem impressoras Brother!!! Se já compraram a desliguem da tomada quando não estiver em uso… Certa ocasião comprei um caro cartucho novo, pois não consegui usar um retintado devido a proteção da porcaria… Fiz a impressão de teste para ver se tudo estava Ok e lá ela ficou ligada… Como na verdade tinha muito poucas impressões a fazer a impressora ficou sem uso durante uns 30 dias… Quando fui imprimir algo, a tinta tinha acabado! Como? Se só imprimi uma única página, a do teste?! Ela tem uma não “desabilitável” característica de ficar se limpando sozinha de tempos em tempos (onde está a sacanagem), o que vale dizer que espirra tinta para limpar sua cabeça de impressão… Pois então, ficou se limpando por 1 mês e acabou com o cartucho de 30 dólares sem que eu tivesse impresso nada. Ou seja, tudo é feito para que se tenha que ficar comprando tinta… A HP fez fortuna com isso, foi a primeira fabricante a entender que o lucro estava na venda de tinta, vende a impressora barato e a tinta/cartucho por um absurdo… Todas as outras fabricantes seguem essa lógica absurda, agem como se fosse um cartel… Não aparece uma outra fabricante que venda o cartucho de tinta a preços condizentes com o material usado, mesmo que compensando no preço da impressora em si mesma, nem pensando que ganhando a concorrência (como ganharia) iria ganhar na quantidade. Exemplos não faltam…

      O que me chamou atenção nesse documentário é o fato de que ele descortina a ponta do véu da impossibilidade matemática do sistema que nos metemos (foi injusto ou parcial ao lembrar que os produtos da cortina de ferro eram feitos para durar, se esquecendo que eram defasados tecnologicamente e de péssima qualidade, fora o que aqueles regimes criavam artifícios muito piores para manterem os empregos) cujo único lucro aparente é obter na grande figura um maior desenvolvimento tecnológico, de resto estamos sendo enganados em benefício próprio, isto é, somente com produtos de baixa durabilidade é que conseguimos gerar empregos… O pior que essa pouca durabilidade é induzida até no que se convencionou chamar de moda e design, que deixa o visual de produtos defasados através de uma espécie de hipnose coletiva, fazendo-nos trocar produtos por razões fúteis, como se todo os recursos naturais gastos nessas fabricações fossem renováveis. Mas saindo do capitalismo vamos encontrar a tecnologia sendo subtraida para poupar empregos. Lâmpadas de apenas 1000 horas é o mesmo que o governo proibir o self-service nos postos de gasolina para poupar o emprego dos frentistas.

      Gostei também daquela proposta do francês que ao invés do “rebolation” propõe o “desaceleration” (deve ser da turma do slow) que explica porque teríamos como desacelerar a economia voltando ao ritmo da década de sessenta… Em um páis com distribuição de renda e demografia equilibrada talvez isso fosse possível… Ficar só na pesquisa pura e deixar a aplicação industrial de lado (supondo aqui que o estado pagasse por essa pesquisa, o que é muito complicado como sabemos, se esse estado não estiver em uma guerra fria, por exemplo…). Mas, nada disso é possível tendo que renovar o contingente de contribuintes de tempos em tempos para pagar aposentadorias e nunca conseguindo…

      Na verdade, ser otimista ou pessimista está sendo apenas a vontade de olhar para uma lado ou para o outro. Enquanto houver dois lados para olhar ainda dá para tocar o barco.

  2. Max Dias disse:

    Boa a proposta do alemão, que parte do principio de que tudo na natureza acaba virando nutriente, portanto a industria devia produzir bens comestíveis. Quando acabasse a vida util do sofá, vc o comeria… Canibalismo total da revolução industrial; ainda bem que não falou em comermos nossas sogras.

    Brincadeiras à parte, o que ele no fundo fala é algo fundamental: RECICLAGEM. O Brasil é tido como um dos países que mais reciclam (90% das latinhas), mas é por um problema social: uma classe vive do que outra joga fora ou desperdiça. Nos USA, o pais do consumismo, durante muito tempo reciclagem foi palavrão e catador de lixo era algo inconcebível, mais pária impossível.

    E dentre os inimigos da sociedade de consumo, tem aqueles que querem coibir, multar, taxar todos os setores que consomem ÁGUA, da agricultura à industria: 150 mil litros para produzir um carro, 5 mil litros para produzir um hamburger e por aí afora. Pensam na água como na gasolina: usou, babau, foi embora na entropia do universo. Besteira absurda, nada é mais reciclável na natureza do que a água: a inundação de hoje foi a irrigação agricola de ontem ou mesmo a descarga do vaso sanitário (no caso de SP, continua sendo :)).

    Alguém deveria calcular qual a perda da água nos processos humanos: mesmo a agua retida nas argilas e cerâmicas acaba por evaporar e tornar a chover mais adiante. Iriam descobrir que a perda da agua é muito pequena, e ao saber que todos os anos 40 mil toneladas de meteoros caem na Terra, metade composto de água, muita bobagem pararia de jorrar.

    E teremos sempre água, mesmo que às vezes mal distribuida (e aí entram os climatologistas), por um processo natural que o consumismo reluta em assumir: reciclagem.

    • João Canali disse:

      Max, a coisa aqui nos EUA em relação aos recicláveis está bem encaminhada e vejo que a população adere bastante a coisa, existe uma consciência da necessidade de reciclar totalmente estabelecida, fora o interesse econômico. Tenho um latão (maneira de falar, trata-se de um… container de plástico com rodinhas) verde e outro azul. O verde é para jogar o lixo orgânico em sacos plásticos, o fedido e o azul o lixo sêco, o reciclável… na China… o grande comprador do lixo reciclável americano hoje em dia… São navios e mais navios de garrafas pet, latas, etc… Tudo amassado em grandes blocos para o embarque… Dispensável dizer que volta tudinho, fora o que ainda vai para o Paraguai… Com a globalização, recicláveis viraram turistas… Aquele problema na África, mostrado no documentário é por conta do que não pode ser reciclado facilmente e, mesmo assim, encontra comprador nesses países.

      Mas, na verdade, o mundo vem reciclando a várias décadas, só que não tinha o glamour preservacionista de hoje em dia… Eu que adorava desmontar brinquedos quando criança… eu tinha uma coleção daqueles motorzinhos elétricos… bem me lembro de quantas vezes robozinhos japoneses de lata (estou falando do início da década de sessenta quando o Made in Asia da vez era Made in Japan, os mais velhos haverão de se lembrar evidentemente…) do lado de dentro ainda se lia Standar Oil ou Mobil… Eram feitos com latas de óleo de motor que os americanos para lá exportavam… Para que pintar o lado de dentro de um brinquedo? Estampavam o formato do brinquedo direto na lata e pintavam a coisa ou então cobriam com a pele de ursinho que batia tambor… Consumindo pilhas National… sim do National Kid que tanto sucesso fez entre nós… que depois virou Panasonic se bem me recordo. Baterias e/ou pilhas são chatas de reciclar até hoje… Nenhuma novidade, só para lembrar que a reciclagem também é uma maneira de obter de forma barata um material que custaria muito mais caro se viesse diretamente do poço de petróleo ou da companhia mineradora.

      Quanto a água… Ainda bem que você se lembrou que é um problema de distribuição… e sério, muito sério e de solução cara, muito cara… Outro dia vi um How It’s Made do Science Channel que mostrava em detalhes como funciona uma usina desalinasodora que tem em Tampa (eu jamais diria que eles teriam problema com água doce, tendo o Everglades logo aqui em baixo. O nome da usina para quem se interessar é a Tampa Bay Seawater Desalination Plant. Tratam milhões de galões daquela água pra lá de suja do Golfo do México (que no meu entender é meio amarronzada a depender da praia) com uma quantidade incrível de produtos químicos e filtros de areia e sai um copo d’água perfeito, trilhões deles na verdade… O processo de limpeza e desalinização, apesar de altamente complexo, é rapidíssimo, a água salgada sai pronta para ser bebida como água doce em questão de minutos. Agora não sei responder se os componentes químicos utilizados na retirada do sal e impurezas diversas são da categoria em extinção, como o fosfato (sim, aquele das lavouras de todo o mundo e que é abundante na natureza, só que de forma não coletável e que estaria com seus dias contados, considerando-se as jazidas ou depósitos naturais conhecidos… aliás perto de Tampa também tem um dos maiores…), mas, com certeza, aquilo tudo consome uma quantidade brutal de energia, pois ainda temos que computar o gasto na obtenção dos tais componentes químicos, além do bombeamento daquela quantidade enorme de água.

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