O Catecismo Moderno

Essa é uma parte da história que muitos ouviram falar mas poucos tiveram coragem de perguntar ao seu jornaleiro da esquina se ele teria um “Revistinha de Sacanagem” para vender. Falo de homens que tiveram sua pré-adolescência nas décadas de 50, 60 e 70 nas grandes cidades brasileiras. Esse post também poderá ilustrar diversas mulheres, principalmente as mais maduras, acerca dessa coisa que talvez só tenham ouvido falar… Claro que todas reviverão aquela velha impressão delas: “Como os homens são bobos!”

Tenho certeza que a maioria dos que me lêem nesse momento já se decepcionaram ao reverem um filme que tinham em alta conta, mas que foi visto há muitos anos atrás. Decerto que as boas estórias são imortais, mas, ao revermos alguns filmes que nos pareceram excelentes no passado, é como se o tivéssemos atualizado só em nossas mentes, já que revendo-os encontramos cenários, vestuários, maquiagens de uma maneira lamentável e caricata, que não bate com nossa lembrança dos mesmos… Foi isso que senti quando revi neste site diversos “catecismos” que fizeram a glória de meus momentos solitários da pré-adolescência… Na adolescência, além das meninas da esquinas do basfond carioca e das funcionárias domésticas do meu prédio, tive até filme sueco em Super 8… Nos tempos que a Suécia não tinha leis que consideram estupro não usar camisinha sem o consentimento expresso de suas louras…

Lendo o wiki de Carlos Zéfiro, o autor e desenhista da maioria dos “catecismos”, aprendo que ele não tinha nenhuma formação técnica em desenho e compreendo então porque os outros gibis (Superman, Batman, Tio Patinhas, Mickey, Fantasma, etc…) que lia avidamente eram muito melhor desenhados… O conteúdo era fraquíssimo, agora posso perceber. Tão fraco quanto o enrredo de filme pornográfico americano hey, hey, hey, Ohhh eye… Fora o fato de lidar com campeãs da masturbação masculina… freiras, professoras, tias, cunhadas e primas a questão se resumia ao fato daquilo ser proibido para menores de 18 anos… Sim, a ditadura militar não era somente contra comunistas, ela possuia a moralidade de carolas tijucanas, das broacas que esperavam seus maridos em suas casas perto dos quartéis daquele bairro carioca, enquanto torciam que eles conseguissem uma estatal para comandar e assim sairem do atoleiro cultural da classe média-média daqueles tempos.

Fico imaginando que marketeiros atuais, se pudessem, gostariam de colocar essa proibição de idade, catalizadora de sucesso garantido, em todas as produções que promovem…. Mas, o que nos nossos dias é realmente proibido ou levado a sério com o rótulo de indecência? É preciso talvez ir em algum país muçulmano do Oriente Médio para encontrarmos algo assim… Quem se anima em vender “catecismos” no Irã? Tudo que é proibido é melhor e atrai, um verdadeiro reflexo condicionado que se cria na infância, na primeira guloseima proibida antes da janta.

Para retratar melhor a idéia de proibição em torno do sexo daqueles tempos, conto um fato ocorrido comigo quando tinha 12 anos. Um amigo de escola vivia insinuando que tinha um segredo terrível no armário de seu quarto. Algo que não ousava contar para ninguém… Um dia, em uma festa de aniversário em sua casa, se bem me recordo, me chama em seu quarto e abre a porta do armário… Literalmente estou rindo até hoje com o que vi, quase meio século depois… Ele tinha pregado no fundo do armário embutido, atrás de suas roupas, as páginas centrais de uma revista O Cruzeiro, onde havia uma foto de duas páginas de uma menina índia… pelada. David Nasser, o jornalista que assinara a matéria e possivelmente as fotos, nunca soube quantas masturbações ocasionou com suas matérias na Amazônia fartamente ilustrada com fotos de índias peladas… foram rios de espermatozóides, trilhões de futuros seres humanos sendo chacinados sob o ponto de vista daqueles que são contra a legalização do aborto… Um ano depois apresentei a empregada do vizinho àquele meu amigo, deu uma confusão danada… mas, isso não vem ao caso… também estou rindo até hoje.

Pois bem, se fosse hoje em dia eu poderia dar um link para aquele meu amigo… Um somente não, milhões de links… Contudo, esse em especial resume o fato que nós homens continuamos bobos e atrás do erotismo perdido, todavia, melhoramos muito em vários sentidos. Não vou adiantar nada, mas peço aos meus leitores do Blog Teorias de ambos os sexos que não deixem de visitar essa página… caso não sejam pudicos, evidentemente, sou obrigado a avisar que essa página é Proibida Para Menores de 18 anos, ou seja, não percam.

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
Esse post foi publicado em Cultura Popular. Bookmark o link permanente.

6 respostas para O Catecismo Moderno

  1. cesarbarroso disse:

    J,
    O mais puro estilo de revistinha de sacanagem… adorei… bons tempos.
    Só mesmo você para desvirginar esse website para nós!

  2. evandro barreto disse:

    A cada cultura, um kama sutra da sua importância

  3. cesarbarroso disse:

    João,
    Como você disse, nos dias atuais os links se contam aos milhões. No nosso tempo, encontrar um “link” já era muita coisa. Lembra-se do personagem de Machado de Assis que passou dias sonhando com um calcanhar que viu na rua da Urugaiana? (Calma lá, não estou dizendo que somos do tempo de Machado de Assis!)
    Lembro-me que no colégio interno católico em Niterói, bastava uma pequena figura na enciclopédia da deusa Flora – não tinha mais do que 2 cm. – com um seio de fora, para provocar tremores de terra e erupções vulcânicas. Como a gente era bom de fantasiar, de imaginar coisas as mais eróticas…

    • João Canali disse:

      Cesar, as culturas humanas tendem todas elas a criarem tabus em relação não só ao sexo, mas aos prazeres de um modo geral… Daí aquela afirmação: “tudo que é bom é ilegal, imoral ou mata…” Isso provavelmente esta ligado a cadeia de comando, ao sistema de recompensa hierárquica… Aquela coisa de que o macaco mais forte, chefe do bando possui mais fêmeas… Paulatinamente trocamos a força física por um sistema simbólico, mas, o grande lastro das moedas inventadas sempre foram os prazeres da carne, como um fanático religioso mencionaria. Tem mais, quem “transa” mais… Então… Como evitar que o plebeu transe mais que o rei para que os papeis não se invertam? Como fazer o cara obedecer e cumprir seu papel social de se unir ao esforço coletivo de trabalho se ele já tem o que ele quer? Se ele é feliz? Parodiando: Só serve o escravo infeliz, os outros não obedecem. Deram certo as sociedades que ritualizaram os prazeres, criando tabus morais em torno dos mesmos… O exemplo típico temos em nossa própria cultura… Levamos séculos para organizar um sistema eficiente de obtenção, armazenagem, embalagem e distribuição de comida… Até alcançarmos o atual grau de eficiência, as mulheres gordas eram o padrão de beleza (afinal temo até a questão da maciez…), quando industrializamos a comida e essa chegou de forma abundante a um maior número de pessoas, o padrão de beleza muda para as mulheres magras… Como que para acabar com uma grande distribuição de prazer, que agora estaria ao alcance de todos…

      Paradoxalmente, ainda temos que no processo de ritualização dos prazeres surge o proibido moral… Só que romper esse proibido artificializado pelas crenças de valores sociais pode tanto gerar sentimento de culpa como, de outra forma, servir de incremento do prazer, ou mesmo, um prazer isolado. Ou seja, a tentativa de conter o prazer, gerou outros…

      No entanto, o que estou sentindo falta mesmo é do comentário de alguém aqui do Blog que se lembrasse do filme que inspirou a historia exposta naquele catecismo moderno e colorido da encosto.com O John Dastin reescreveu um dos grandes filmes eróticos do cinema mundial e que na época causou um grande escândalo, apesar de não ter rolado nenhuma nudez ou beijinho no rosto que seja… Esse filme expressa exatamente essa época que você menciona, onde o erotismo era um jogo as escondidas… e óbvio ululante muito mais intenso e poderoso que o erotismo moderno, se é que ele ainda existe… Bom, não podemos ficar defendendo a irracionalidade moralista das sociedades para sentirmos mais tesão, mas, até que havia suas vantagens… 😉

  4. cesarbarroso disse:

    João,
    O erotismo moderno existe. A gente tem que ter jogo de cintura para encontrá-lo, pois, no fundo, é tudo a mesma coisa, com relação às décadas passadas. Acontece que vivemos as mesmas experiências noutras galáxias, as quais já não estão mais no nosso firmamento. Mas o erotismo está aí. Talvez no futuro, como no filme do Goddard(“Alphaville”, que assisti outro dia depois de 40 anos, uma verdadeira chatura) o amor ficará cada vez mais difícil de encontrar-se, e com ele o erotismo, pois andam de braços dados…

    • João Canali disse:

      Cesar, claro que o erotismo moderno existe, se não existisse a gente inventava, ou melhor, a gente inventa espontaneamente, até porque proibidos a serem transgredidos é que ainda não faltam, mesmos os a moda antiga… Topas uma paquera na porta do convento? 😉 Todavia, há diversas tentativas de modernização que não funcionam conosco que ainda temos um pé em uma geração passada. E mesmo que dependêssemos dos Viagras da vida, ainda assim qualquer coisa é melhor do que pretender um mundo que se conforma com falsas moralidades e hipocrisias diversas em troco de momentos de escondidinho.

      Mas, para não perder a viagem e não desistir de uma política de luta por direitos de classe (de maduros quase passados)… Abaixo esses breves contra a luxuria que são essas tatuagens e essas unhas coloridas com cor berrante de coaxe de jardim de infância… Não dá para inventar nada diante esses alhos e crucifixos estéticos da modernidade, desses corta tesão de vampiro velho… 😉

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