Viajando no Tempo… A Anatomia de Uma Traquinagem

Quem já perdeu tempo indo em minha pessimamente atualizada página  pessoal (canali.ws) deve ter lido sobre minha experiência com UFOs, as 3 vezes que achei ter avistado algo diferente nos céus e a conclusão que cheguei a respeito disso, se é que eu vi algo extraordinário de fato… Só uma máquina do tempo é que me possibilitaria saber se o que eu vi eram OVVTs (Objetos Voadores Viajando no Tempo – (C) 2011 by João Canali) do futuro ou do passado, ou uma outra ilusão qualquer…

Como assim do passado?! Novamente com essa conversa fiada de que o infinito é circular e repetitivo no que nos interessa? Não necessariamente nesse caso…

As mais velhas ossadas de Homo Sapiens encontradas são de aproximadamente 165 mil anos atrás e toda nossa atual civilização possui algo em torno de apenas dez mil anos! Será que nossos ancestrais levaram 155 mil anos para aprender a falar, relativizar a brevidade da vida inventando espíritos (o pensamento não verbalizado) e deuses com respectivos interpretes a ditar regras que permitiram a formação de grandes bandos, grupos, sociedades, nações e civilizações?

Qualquer civilização que tivesse ocorrido no passado com capacidade tecnológica a ponto de criar máquinas do tempo teria deixado rastros… É o pensamento lógico e linear… Mas, se por algum acidente com a máquina do tempo fossem todos parar no futuro levando junto toda a ilha onde estava a civilização que inventou a coisa, ou seja, sem deixar rastros??? Bobagem, uma civilização daquelas teria sido necessariamente global, teria usado todo o planeta… O que aconteceu nesses 155 mil anos mal explicados de aparente barbárie no qual, inclusive, convivemos e cruzamos com Neanderthais (se é que deles não descendemos diretamente como se suspeitava inicialmente… mas que agora começa a ser reavaliado com a conclusão do genoma deles…) são evoluções cognitivas, o software que evoluiu… as ossadas eram as mesmas mas o uso da memória era limitado pelo sistema operacional… Então Adão e seu Windows 27 cujos filhos inventaram a fala e, consequentemente o backup em HD externo da memória, a cultura… Nasceu em berço esplendido, não nos braços de uma macaca comedora de bananas no galho… Os processos de seleção natural são óbvios, Adão passou a conversa em um monte de trogloditas fêmeas e – para os padrões atuais – verdadeiras débeis mentais… Cains e Abeis passaram a proliferar e puderam então conversar em uma network social a base de saliva.

Viagens no tempo estão na exata fronteira do realismo fantástico e da ficção científica e ainda envolve filosofia, historia da humanidade e, principalmente, uma tremenda ginástica de lógica… Não vou aborrece-los mais com meus contos com esse tema, vou leva-los a uma real viagem no tempo. Uma viagem que podemos realizar com as incríveis máquinas as quais dispomos e estamos usando nesse exato momento…

Preparados? Vamos lá…


Esse é o Edifício Itaóca no Posto 2 de Copacabana, Rio de Janeiro, em uma foto do início da década de trinta (ele começou a ser construído em 1928) e outra de 2010/2011 retirada do Google (Mapas, Vista de Rua…)… Lá vivi dos 3 aos 25 anos de idade… Nenhum outro local dos tantos que já morei fiquei tantos anos e acho difícil que surja um outro local onde fique por tanto tempo… Ah… sim não estou contando com a urna onde ficará minhas cinzas… se eu não morrer junto com o mundo civilizado, claro está… Notem a curiosa arquitetura francesa do prédio… Aquelas janelinhas do último andar são dos quartos das empregadas… Parece que há mais dois ou três prédios no Rio com essa curiosa característica. Em Paris há diversos prédios com esses quartinhos em separado, que hoje foram transformados em  micro apartamentos devido ao alto custo da área quadrada na disputada cidade… e até porque eles, salvo os muito ricos, não possuem mais empregados domésticos, ainda mais que co-habitem o mesmo imóvel… Quantas lições não podemos tirar dessa disposição de quartinhos… A primeira delas é que a vista não era considerada um disputado privilégio, caso assim fosse, os quartinhos ficariam todos ao rés do chão… Mas, dar esse isolamento aos empregados não era de fato um sintoma de benevolência cultural advinda dos princípios da Revolução Francesa? Não sei. O que eu sei é que eu e outros garotos do prédio acrescentamos um “quarto” elemento  ao slogam revolucionário francês… Ficou assim … Liberté, Égalite, Fraternité & Forniquer… No entanto, a ótica francesa de inverter a pirâmide social, colocando os servos domésticos no topo, cujo maior benefício era poupar  as empregadas de prestar um serviço 24/7 (como acaba acontecendo quando o quarto destinado a elas fica dentro dos apartamentos dos patrões) acabou sendo algo bem conhecido da cultura brasileira, a senzala… que, repito, visitei diversas vezes tendo a sorte de não deixar nenhum FHC de rastro… que eu saiba…

Agora vejam só se isso é ou não é uma viagem no tempo… Estou montando algo que sempre quis fazer, um álbum de família… Não. Não vou digitalizar nada, só uma coisinha ou outra… O legal é ir prendendo as fotos velhas, algumas bem antigas, do inicio do século passado em uma ordem que faça sentido cronológico… Rever essas fotos são como rever historias que eu vivi e que me foram contadas… Estou ficando velho, deve ser isso… Por diversas vezes me emociono, claro… Antes de mais nada álbuns de família são viagens sentimentais. O que me salva da pieguice total é que fui muito levado… Nossa… Com o Google fui capaz de ir andando a pé (com a imagem de rua) até o colégio onde fui do maternal ao final do primário, com direito a  uma admissão… O Cirandinha não existe mais, eu já sabia, aquele casarão com piscina deu lugar a um prédiozinho cafona… Na vista de rua do Google maps dá até pra ver a cara do porteiro do tal prédiozinho… Outro dia uma foto dessas esclareceu um crime!!! Quem sabe esse porteiro não é filho do zelador do Cirandinha… Imagina que loucura… Tudo isso a 10.000 Km de distância diante de uma tela de computador… Imaginar um feito desses naquela época seria uma verdadeira ficção científica!!! Ou algo místico… Uma bola de cristal que me permite ver os locais do passado… Gostaria de ilustrar tudo isso para os leitores do blog – totalmente possível – mais ficaria muito grande e com cara de autobiografia… deixo a idéia para quem queira…

Contudo, não vou me furtar de viajar no tempo e mostrar uma das tantas traquinagens que eu aprontei no Itaóca… Vou fazer a reconstituição fotográfica de um pequeno delito que além de já ter prescrito nunca afetou ninguém… No máximo pode ter deixado alguém paranóico… por alguns dias, nada grave… Quando vi a velha foto preto & branco me dei conta que poderia mostrar dois ângulos diferentes da mesma situação com uma separação de mais de 40 anos… Resumindo: Da janela do meu quarto no Itaóca eu conseguia acertar com uma de minhas carabinas de ar comprimido o lampadário do poste da esquina da Rua Duvivier com a Carvalho de Mendonça, hoje uma espécie de passarela. O disparo não era suficiente para quebrar o vidro mas fazia um característico “plim” de pedrinha jogada no vidro… Eu apagava as luzes do meu quarto e ficava protegido pelo grande parapeito da janela, o meu desafio era acertar o tiro (não errava nunca, anos mais tarde ganhei medalhas de ouro em tiro livre de pistola…) quando alguém estivesse passando ao lado do poste… Quando o chumbinho batia de jeito no lampadário a pessoa escutava o barulho logo acima de sua cabeça e ficava olhando para os lados e para cima, as vezes até interrompia sua caminhada para ficar olhando sem entender… Me dava tempo até de um segundo disparo assim que tinha desistido de saber de onde vinha o ruído e parava novamente… A distância não permitia que ela escutasse o ruído do disparo da espingarda de ar comprimido que normalmente já não é muito alto, com o disparo sendo feito dentro do quarto seria como um tiro feito com um silenciador, desses que vemos nos filmes… Era uma brincadeira de sniper mirim ou “O Pequeno Louco da Torre” (mal sabia que viria anos depois ter a mesma nacionalidade deles…)… E sim, o irresponsável adolescente, um babacão que se ria até não poder mais com sua traquinagem… Felizmente, nunca aconteceu nenhum acidente nessa brincadeira… Agora, poder estar ilustrando o fato para os leitores do meu blog, depois de tantos anos… A evolução cognitiva da qual eu falava, todos nós passamos por algo semelhante da adolescência a fase adulta… Eu acho isso fantástico, uma diversão maior do que aquela que originou a coisa…


A seta mostra a trajetória do disparo desde a minha janela, notem como a prefeitura andou trabalhando todos esses anos… Na foto em P&B o poste aparece no canto direito, todavia, o lampadário não é enquadrado… eu não sabia que um dia no futuro eu estaria narrando minha traquinagem… Na foto do Google de 2010/11 o poste já não existe mais.

Querendo exibir ainda mais essa incrível máquina do tempo aciono o satélite alugado pelo Google e mostro a coisa vista de cima…

No entanto eu sei que vocês leitores amigos não ficaram satisfeitos com minha curta viagem no tempo para mostrar uma das minhas tantas traquinagens… Deixa então eu aproveitar, já que falamos do Itaóca, para apertar a alavanca do tempo e retroceder a uma época em que ele começou a ser habitado e mostrar-lhes imagens que meu avô trouxe de sua incrível viagem na década de trinta, uma década que apresenta uma incrível perturbação temporal (quem viaja no tempo conhece essas insólitas tempestades) já que as incríveis tecnologias de grande ousadia que nela surgiram ou se revelaram, foram como que esquecidas ou ofuscadas pela subseqüente WWII. Meu avô saiu do Brasil no transatlântico Europa (essas imagens a seguir foram produzidas pelo meu péssimo scaner…)…


… que possuía a bordo uma catapulta que lançava um hidroplano… Meu avô comprou essa foto do fotógrafo de bordo, devo deixar claro… Não me pergunte qual seria o uso dessa coisa…


… Será que era para o capitão ser o último a sair do navio? Será que era para oferecer vôos turísticos aos passageiros? Será que era para sair em busca de socorro? Mas… já havia radio e telegrafo sem fio… Só pode ser para um insopitável luxo, levar a correspondência dos passageiros… Não. Aposto que isso não passava de um marketing de modernidade, o marketing já existia desde o século anterior…


Não. Não é uma vista aérea feita a bordo do hidroavião do Europa é a vista do aeroporto de Berlin feita a partir do Graf Zepellin (que foi lançado em 1928… mesmo ano que começaram a construir o Itaóca… olha a coincidência…) onde estava meu avô indo para Nova York. Essa sim foi a tecnologia que mais lamento ter praticamente findado seu uso nos anos 30 do século vinte (esse post pode atravessar décadas é bom eu especificar…). Eram 3 dias atravessando o Atlântico em uma ambiente confortável (embora eu acredite que devesse fazer um frio danado na cabine… como é que iam ligar qualquer tipo de aquecedor com tanto hidrogênio acima da cabeça de todos?) e espaçoso… Se os americanos tivessem cedido o gás hélio aos nazistas, não teria havido o incidente com o Hindenburg  que haveria de ser o substituto do Graf Zepellin que meu avô viajou… Com o trauma causado pelo acidente e o surgimento dos bombardeiros de longo alcance na WWII que acabariam sendo a base tecnológica para os aviões de passageiros de voos internacionais das décadas subsequentes… Bem, eu desconfio que os dirigíveis foram sabotados… não só porque estavam muito associados a propaganda nazista como também porque seria o grande e natural concorrente dos fabricantes de aviões que acabaram de perder vendas com o fim da guerra… Um dirigível de casco rígido tendo seus balões internos inflados com o não inflamável gás hélio seria até hoje algo muito mais confiável para uma travessia transatlântica do que o mais moderno dos Boings… Airbus então… nem se fala… Um dirigível, se tiver que cair, cairá devagar (diversos sobreviveram a queima do Hidenburg, que caiu de uns 100 metros em chamas… se fosse inflado com o gás hélio não teria morrido quase ninguém… aliás, não teria caído…) se for sobre o Atlântico, abre-se um barco salva vidas e já… Todavia, já sendo um avião… Nem a caixa-preta é certa de ser encontrada… Essa coisa da pressa (sou adepto do movimento Slow… vamos curtir o tempo, não abrevia-lo…) Quem tivesse pressa que fosse de avião… Mas, isso não me preocupa mais agora que posso fazer turismo sentimental com o Street View do Google Maps… essa é a dica.

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
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13 respostas para Viajando no Tempo… A Anatomia de Uma Traquinagem

  1. Cesar Barroso disse:

    João,
    Fantástico esse post. Muito evocativo, não só para você, como para outros cariocas.
    Eu também acho que o Graf Zepellin foi sabotado, e pelo motivo de sempre: fazia concorrência ao combustível fóssil.

    • João Canali disse:

      Muitos podem se perguntar como algo assim pode ser sabotado…

      Em relação aos Zepellins a coisa começou pela negativa do governo americano em ceder aos alemães o hélio, único gás não inflamável capaz de substituir o altamente inflamável hidrogênio, a base de sustentação dos dirigíveis a gás. Em primeiro se deve esclarecer que os EUA detiam na época o monopólio absoluto da extração desse gás (hoje detém 78% da produção mundial) que é extraído de poços de gás natural… O hidrogênio pode ser produzido de forma artificial através da hidrólise e é mais comum de ser encontrado e produzido em poços de gás natural, de onde é separado da mistura de outros gases… Na verdade, são os dois elementos mais abundantes do universo conhecido, o problema é produzi-los ou extraí-los. Os alemães haviam utilizado militarmente os dirigíveis na Primeira Guerra Mundial como naves de observação e leves bombardeios noturnos (de dia qualquer seriam facilmente alvejado por armas comuns…) e os próprios americanos tinham nas décadas de 20 e 30 diversos projetos militares com o uso dos mesmos… Até mesmo dirigíveis porta-aviões chegaram a construir… Assista a esse curto documentário que conta como o último desses porta-aviões do ar se afundou no pacífico…

      Algumas da imagens são reais da época e mostram como os aviões saiam de dentro do dirigível e depois retornavam…

      E havia o Tratado de Versailes que servia de desculpa para quem não quisesse fazer esse ou aquele negócios com os alemães que haviam transformado sua frota de dirigíveis de casco rígido em arma de propaganda do regime nazista mundo afora… Os alemães vendiam uma imagem de prosperidade e modernidade… o que todos gostam de fazer…

      Por ocasião do desastre do Hidenburg em Nova York não faltou quem desconfiasse de sabotagem, tal era o sucesso que os alemães faziam com aquilo… O pacto com os japoneses, a formação do eixo… aconteceu depois de uma visita de um dirigível a Tókio… Os japoneses foram a loucura com a coisa… Cesar, imagine esses dirigíveis infláveis aqui de Miami multiplicado 5 vezes em tamanho… Um charutão prateado flutuando no ar… em uma época que não se via helicópteros e a maioria dos aviões eram pequenos…

      Oitocentos e quarenta e oito dias depois do desastre do Hidenburg, os Alemães invadem a Polônia e a Segunda Guerra Mundial se inicia… Os americanos invadiram o Iraque quinhentos e cinquenta e quatro dias depois da destruição das torres gêmeas… Dois grandes desastres em Nova York, não importa como ou porque e duas invasões não necessariamente conectadas como causa e efeito depois… Apenas uma coincidência fraquinha…

      Depois da guerra e da divulgação das atrocidades cometidas por Hitler e sua patota de micos amestrados ninguém ia querer saber dos dirigíveis tão associados ao regime nazista, ainda mais todos aguardando a versão civil dos aviões de longo alcance que advieram das tecnologias surgidas durante a guerra… Quem quisesse conforto poderia cruzar o Atlântico em um dos tantos transatlânticos a disposição em coisa de uma semana, com direito a piscina, cinema bar, grandes e excelentes restaurantes e baile toda noite… Quem estivesse com a pressa de quem viaja a negócios ou gostaria de aproveitar mais dias na origem da visita poderia ir de avião… O fato é que não aconteceu uma grande quantidade de desastres com aviões que justificasse uma tentativa de fazer renascer os Zepellins… Mas isso até o fim dos anos 60… A partir dos anos 70 com o fim da auto-suficiência americana em petróleo, os combustíveis tornaram tudo muito mais caro de forma direta ou indireta, afetando todos os preços… Se as coisas estão mais caras todos tem que trabalhar mais e trabalhando mais sobra menos tempo ainda… A vida moderna também roubou o tempo das pessoas e viagens transatlânticas de navio que eram relativamente comuns até o final dos anos setenta passaram a se restringir a viagens de cruzeiro com altos preços na década seguinte… Fui e voltei a Europa partindo do Brasil em linhas regulares de navios, sendo que na classe econômica estavam pessoas que estavam indo de navio porque era mais barato do que ir de avião… Isso tudo mudou, e acredito que naquele ponto que os Zepellins foram brecados…

      Cesar, você já deve ter notado que as máquinas de encher pneu nos postos de gasolina aqui de Miami são a coisa mais atrasadas do mundo… ultra desconfortáveis e não dão tempo conveniente para se encher todos os pneus, nos obrigando a colocar mais moedas… Incrível que isso seja assim por tanto tempo, quando vim do Brasil já há 16 anos atrás as bombas de encher pneu dos postos brasileiros eram muito mais modernas, convenientes… e gratuitas!!! Pois bem, soube da história de um brasileiro que imaginou que faria sucesso instalando bombas de calibragem modernas nos postos daqui importando-as do Brasil… Se deu mal coitado, bateu com um máfia bicuda que tinha contratos de longa duração com praticamente todos os postos… A coisa é um caça-níquel e a eles não interessa que o usuário possa fazer a coisa de forma conveniente, quanto mais complicado e desconfortável (a coisa tem sequer um relógio analógico que seja para indicar a pressão… a noite tem que se ter uma lanterna para se ler a varetinha que sai da mangueira… inacreditável…) mais chances eles tem de ganhar mais moedas…

      Isso é um dos exemplos de como máfias setoriais conseguem sabotar não só o progresso como também alternativas que sejam mais convenientes para a maioria… O capitalismo só existe em pequenos espasmos, de resto ele é sufocado por monopólios. Por mais que tentem ou haja leis contra o monopólio, ele surge de forma espontânea. O maior monopólio existente hoje no mundo é o da distribuição de petróleo, eles estão em todos os gargalos.

  2. evandro barreto disse:

    João,
    Fantástica viagem no tempo, em múltiplos sentidos. Tempo interior, lembranças; tempo arquietetônico, mansardas; tempo tecnológico, hidroplano; tempo compartilhado, tiro à Light. .
    O “meu” edifício da infância também continua de pé, equilibrado sobre a Pizzaria Guanabara e suas mesas de artistas da TV Globo com muzzarella e orégano. The show must go on.
    Agora, me esclarece uma coisa: além de manipular o tempo, você também manipula o espaço? Por mais que eu entorte o pescoço virtual, não consigo visualizar a esquina de Duvivier com Ronald de Carvalho. A não ser que as paralelas realmente se encontrem no infinito. Ou será que eu é que me perdi nos corredores tortuosos do filme “O ano passado em Marienbad”, traduzido em certo país como “Se não me falha a memória”?
    Abs,

    • João Canali disse:

      Evandro, ótima… Já corrigi… O bom do blog é que podemos ir atualizando (corrigindo as mancadas) e o texto vai tendo um upgrade, no final, o texto, mais os comentários, acabam se transformam em uma obra compartilhada… Ou seja, nossa máquina do tempo é um coletivo, um buzão sem cobrador… o motorista aqui às vezes almoça algumas moscas e mesmo com o Googles Maps (melhor GPS impossível) erra as ruas… e troca de Carvalhos… Coloquei Ronald de Carvalho quando deveria ser Carvalho de Mendonça… Outra coisa que esqueci e vou corrigir, para leitores que não sejam do Rio é que esses dois Carvalhos foram plantados em Copacabana, dá para ir a pé… Agora deixa eu tentar um truque aqui nos comentários…


      Se deu certo você estará vendo a foto do prédio em cima da Pizzaria Guanabara… Caso contrario um HTML de improviso, vamos ver… Desculpe o teste.

      Sua análise do texto me fez lembrar um filme que assiste há muitos anos.atrás estrelado pelo Christopher Reeves, o melhor dos Supermans do cinema (aquele que teve o trágico acidente andando a cavalo e depois se transformou em exemplo de superação e coisa e tal…) e a maravilhosa Jane Seymour que levantava qualquer filme Somewhere in Time, que teve uma boa tradução (uma raridade) no Brasil, ficando como “Em Algum Lugar do Passado”. Na verdade se tratava de um grande sci-fi humanizado, ou melhor, verdadeiramente romantizado… O personagem fazia uma viagem no tempo para encontrar um grande amor que ficara em um passado que ele não vivera… a viagem no tempo era através de uma forte indução hipnótica que o personagem submeteu-se depois de ter conhecido uma senhora a qual ficara obsecado por sua história… O sci-fi escondido que podemos supor, agora a partir de nossa era, é que na verdade ele havia conseguido através da hipnose fazer a leitura das informações do passado de um DNA presente nele, como se nas transmissões hereditárias passasse também, além dos planos de construção do ser biológico, conteúdos das gravações da experiência de vida do ancestral. Essa leitura se transformava em uma verdadeira encarnação da outra vida, um sonho totalmente desperto, poderiamos descrever… Ele apagava no presente. O filme conseguiu – não só a mim, quero crer, já escutei outros elogios ao mesmo – passar uma melancolia fora do normal… eu também fiquei apaixonado pela Jane Seymour… 😉 E foi uma produçãozinha sem maiores badalações de 1980… Mas, a idéia é a mesma, uma recordação muito forte é uma viagem no tempo.

  3. Cesar Barroso disse:

    João,
    Quanto às máquinas de calibrar pneus aqui de Miami, eu já desisti delas. No posto em que boto gasolina, tem uma loja de troca de óleo e um sujeito com um tambor de ar comprimido que vai até os carros. Dou um ou dois dólares de gorjeta, conforme o humor, e estamos conversados.
    Mas, a bem da verdade, isso é uma exceção. As coisas aqui costumam funcionar muito bem. Não dá para comparar com outros países, inclusive o Brasil. Apenas para ficar no ítem automóvel: ruas bem asfaltadas e bem sinalizadas, automóveis baratos, gasolina mais barata, seguro mais barato, estradas policiadas…
    Voltando ao Graf Zepellin: há ligações entre os Bushes e a Alemanha nazista. Pode ser que, como intimamente ligados ao petróleo, os Bushes tenham ajudado a explodir a idéia do Zepellin.

    • João Canali disse:

      Cesar, as máquinas de calibrar são o exemplo perfeito de como não é necessário imaginarmos teorias conspiratórias para entendermos como as sabotagens acontecem… O pequeno interesse que você coloque mais moedas na máquina impede a dezenas de anos que a melhor tecnologia seja empregada, felizmente isso só funciona quando associado a um quadro de monopólio ou oligopólio… esse é o verdadeiro inimigo do sistema.

  4. evandro barreto disse:

    João,
    Claro! Eu deveria ter percebido logo a confusão de um Carvalho com o outro. Só não notei porque a rua Carvalho de Mendonça era muito mais conhecida como “beco do joga a chave”. Segundo o folclore noturno de Copacabana da época, os quarto-e-sala da Carvalho de Mendonça era em sua grande maioria habitados por moças muito liberais, que costumavam receber visitas noturnas. Numa dada noite, um bêbado teria gritado lá de baixo: “Joga a chave, meu amor!’. Morreu soterrado por uma avalanche de chaveiros.
    Mas será injusto não lembrar a outra virtude da rua: seus bares, com destaque para o Manhattan, onde assisti a show memoráveis da MPB – Leni de Andrade, Johnny Alf e vai por aí. Menos famoso que outro beco, o das garrafas, também transversal à rua Duvivier, o “joga a chave” teve igual importância na afirmação da Bossa Nova
    Com respeito ao “seu” edifício, estive algumas vezes lá, no apartamento do Pedro Corrêa de Araujo, campeão de caça submarina e talentosíssimo escultor/designer (o lustre do Min. das Relações Exteriores, em Brasília, é criação dele). Foi seu contemporâneo lá?
    Para fechar, obrigadão pela gentileza da exibição do meu cafofo do artista quando jovem. O apê era exatamente o da esquina, logo acima do letreiro, com janelas para a Ataulfo de Paiva e e Aristides Espínola.
    E o filme que você lembrou é ótimo. Lembra do detalhe da data na moeda?

    • João Canali disse:

      O Itaóca foi durante muitos anos, assim como outros prédios na vizinhança, devo ser justo, uma espécie de ilha no meio do basfond zorra total que rolava pelas calçadas ao seu redor… Hospedava o Consulado da Espanha (durante a ditadura havia um PM de plantão na porta do prédio) e a Aliança Francesa… De celebridade tivemos a Doris Monteiro (acho que ainda mora lá) e nada mais nada menos que o Castor de Andrade que já havia saído de lá quando foi fuzilado… Brinquei com o Paulinho seu filho, igualmente fuzilado… Ah… uma coisa engraçada… já que falamos dos moradores… No prédio morava a irmã do ator Ítalo Rossi a qual ele visitava sempre… Eu era muito sacana… Quando eu via a careca passando no corredor da entrada dos fundos eu corria para deixá-lo preso no elevador (eu puxava a grade calculando para que antiquíssimo elevador parasse entre um andar e outro…). Ele era minha vítima predileta… Um dia com aquela voz grave acostumada aos palcos que berrava pedindo socorro ao porteiro e que me fazia rir… ele me surpreendeu… Joãozinho (ele tinha descoberto meu nome…) eu sei que é você… Não faça isso!!! Eu fechei a porta correndo e pirulitei…

      Daquela mesma janela vi de camarote dezenas de brigas, muitas delas, as melhores, entre damas da noite… e até mesmo a morte do “leão de chácara” (o antigo nome dos seguranças de hoje em dia) da boate Dominó, o incidente mais grave ocorrido na rua… Consegui recolher no dia seguinte até mesmo uma bala .50 intacta entre diversas cápsulas deflagradas… O camarada havia matado ou ferido, em uma briga dentre de um ônibus, um oficial pára-quedista… Um batalhão inteiro foi lá buscá-lo naquela noite. Fecharam com um caminhão militar, com uma .50 instalada em cima da cabine, a Carvalho de Mendonça, bem ali naquela esquina que aparece na foto… A boate ficava no meio do beco que na época era uma rua normal onde se atravessava da Duvivier à Rodolfo Dantas (parece que fecharam o outro lado também)… Pois bem, o negão se vendo cercado puxou o revolver e saiu correndo e atirando em direção ao dito caminhão… um verdadeiro suicídio… Na calçada bem em frente a minha janela… eu tinha uns 10 anos… Quando estava vendo o cara naquela situação, minha avó me puxou para baixo… Eu só escutei o estardalhaço da .50, coisa de fogos nas copas do mundo, o eco entre os prédios eu escuto até hoje… tenho a exata noção do que seria uma guerra civil no Rio de Janeiro… Por instantes me livrei de minha avó e vi o negão lá no chão em meio a uma poça de sangue… Ele ainda havia conseguido acertar um soldado dentro do caminhão… Acho que até hoje tem marcas de balas naqueles mármores, quando, mais de 14 anos depois, sai de lá, elas ainda lá estavam…

      Aproveitei muito aquele basfond todo ao redor… Até que o Itaóca acabou sendo “invadido”, para minha sorte bem no meu andar… Um apartamento pensão que abrigava diversas meninas da noite, algumas que eu já conhecia das ruas… Resumindo, foi uma encrenca danada… teve direito até de uma batida da minha avó no meu quarto com uma menina escondida no meu armário e trancada a chaves para não ter nenhuma surpresa… Isso não durou muito… Saímos de lá e fomos para o Mondesir, ao lado do Othon Palace da Atlântica… Mas, as esquisitices tecnológicas da década de 30 estava lá também me esperando… Uma caldeira a óleo (que vinha da refinaria de Manguinhos… O prédio era praticamente todo dos Peixoto de Castro…) no subsolo aquecia toda a água do prédio… Era fogo de verdade!!! Um boiler gigante!!!
      Evandro, se o Pedro que você menciona tem um casal de filhos gêmeos, se não me engano, e morava no 805 eu me lembro dele sim… Minha lembrança está em torno de ser campeão de pesca-submarina… Fiquei lá até 1977…

      P.S. A saída da garagem era na Carvalho de Mendonça. Eu tinha que saltar do carro para fechar a porta da garagem com o cadeado… Um dia indo para a PUC não me jogaram um chaveiro… De um clássico cabeça-de-porco que ficava colado ao Itaóca me lançaram uma faca de cozinha que passou a centímetro de mim… Teria me matado… Morar no meio do basfond tem seus problemas pode estar certo…

      • Fausto disse:

        Castor de Andrade fuzilado??? Pra mim ele tinha morrido de morte natural.

        F.

      • João Canali disse:

        Você tem razão Fausto, ele morreu de ataque cardíaco, seu filho e herdeiro nos negócios, o Paulo de Andrade, o qual cheguei a brincar nas áreas internas do Itaóca é que foi metralhado dentro de um automóvel… Devo ter ficado com a impressão que o Castor também fora fuzilado em função de outros bicheiros de peso terem sido mortos da mesma forma que o Paulinho.

  5. Doutel de Andrade disse:

    Eu também estudei no Colégio Cirandinha. Foi uma grande surpresa ao deparar com esse blog ao dar busca no Google, na crônica e quase secular procura de outros raros como eu, que também já dinossauros humanos, tiveram seus tenros estudos naquele colégio. Acho que esse foi o segundo ponto onde encontro alguém que lá estudou. Estudei do jardim de infância I até o segundo ano do primário, quando, em 1968 o colégio terminou, porque a família Matarazzo, dona do imóvel, pediu de volta e o vendeu para então no período de 1972-1974 edificarem aquele conjunto de dois blocos. Gostaria de manter contato com ex-alunos do Cirandinha.

  6. Como busco encontrar ex-alunos do Colégio Cirandinha, há décadas em incansável missão, eis que seu blog me surgiu pelo Google.

    Assim, posto porque também lá estudei e compartilho suas lembranças de Copacabana, onde moro e a maior parte de meus 54 anos sempre morei.

    Então, ao se falar do Cirandinha, nomes como Dr. Carlos (dono e psicólogo), Décio (coordenador e pedagogo) como, em crescentes séries, nomes das professoras não lhe serão estranhos: Glória, Berenice (Baby), Lucy, Marília, Judith, Sonia, Elizaida e Beatriz.

    Pois é, as lembranças não morrem, quando importam…

    Abraços, Doutel.

    • João Canali disse:

      Que bom Doutel… O mesmo se passa comigo em relação a você, isto é, você é meu primeiro contato de primeira grau de interação com alguém que estudou no Cirandinha, que representou toda a minha infância, pois lá estudei do maternal 1 até o admissão (aquela classe antes do ginásio de antigamente) que foi inaugurado por mim e mais 5 ou 6 colegas mais… Era a última classe oferecida pelo colégio, finda a qual tive que procurar outra escola para fazer o ginásio… Ou seja, deixe-me calcular que ano foi isso… Creio que foi 1966… Em julho passado entrei para o senado (se considerarmos os critério romanos e que eu seja da classe dos patrícios, 3 filhos, 5 netos e morando a 20 anos nos EUA) e, portanto, fica garantido aqui que não tivemos classes juntos mas que, certamente, nos cruzamos naquele jardim encantado… que ao fundo e acima possuía uma misteriosa ponte que não levava a lugar nenhum… Acredito que devam ter demolido aquilo… Pelo menos não a vi mais em minhas pesquisas com o Google street view… Também fiz incansáveis buscas pelo Google e até pelo arquivo digital de O Globo… E, como você, encontrei um blog abandonado de um ex-aluno, inclusive com uma daquelas fotos coletivas feitas no jardim, onde tenho dúvidas se sou eu que apareço nela ou não… estranho mais explico… nos recreios as turmas se misturavam e eu era bastante requisitado por conta daquele perigoso rema-rema, onde levava todo mundo ‘prá lua’, uma verdadeira experiência coletiva de terror infantil, o que me tornava bastante querido por diversas turmas abaixo da minha, a ponto de fazerem questão de me chamarem para as fotos feito um astro… Ou seja, não reconheço a turma como sendo uma que tenha estudado… Estou lhe dando pistas para ver se você se lembra de mim… Já que sua memória ou sua pesquisa é muito melhor que a minha… Me lembro da maioria dos nomes que você citou, fui educado por eles, era querido de todos eles e vice-versa… Mas não sabia ou lembrava que o Dr. Carlos era psicólogo, o Tio Décio pedagogo e o nome de todas as tias que você citou… Onde encontrou esses dados ou como se lembrou? Vamos fazer o seguinte… Vamos trocar e-mails, vou reproduzir essa resposta no seu e-mail.

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