Controle Populacional

Em comentários recentes neste blog, ilustres participantes afirmaram:

“Controle populacional – quem não nasce, não pode morrer.” Max Dias (em Palavra do Momento: Intensidade)

“Mas de um controle de natalidade este nosso planetinha não escapa mesmo. Se não for por bem, será por mal.” Fausto Barbuto (em Mais Água no Feijão)

Em diversos posts que já escrevi neste blog e seu desenvolvimento em comentários, acabamos batendo no que qualquer nazistão apressadinho chamaria de “Solução Final”. O fato é que durante a confecção do meu vídeo com o tema sobre o fim do mundo, que merecia como subtítulo algo como: “Escolha sua Catástrofe…” cheguei a conclusão que a maior ameaça a vida humana no planeta era a superpopulação… E isso deve estar no background dos meus comentários… Os nove bilhões de pessoas projetados para a metade deste século me parece algo inefável… Algo que só escaparemos se alguma coisa for feita ou acontecer… Ao contrário de grandes asteróides desgarrados, um “piti” solar ou múltiplos orgasmos vulcânicos, catástrofes as quais somos completamente impotentes de lidar, as quais, com ou sem sorte, só poderemos assistir até fecharmos os olhos para sempre, o problema da superpopulação tem jeito, mesmo que de maneira drástica. Olho para minha netinha e encontro razões para pensar sobre o assunto, ateus tem que inventar suas motivações, já que são livres de quaisquer outras obrigações ou complicações… No entanto, valeria igualmente se encontrasse motivações olhando no espelho (um jovem avô que ainda pode ser pai… desde que Virginia não saiba, ou melhor, ela sabe…), afinal minha geração ainda vai ver o começo da salvação ou o início do fim.

Mas… Estamos realmente correndo risco que os 75 milhões de novos habitantes que o planeta produz anualmente venham em algum ponto até 2050 a acabar com todos os recursos conhecidos e provocar um retorno a barbárie ou alguma reação de consequências incontroláveis? Será que se aproveitarmos os 40% de produção agrícola (dados da FAO) que vão para o lixo todos os anos em função de políticas de preços, ou que se aumente os ridículos 5.65 de áreas cultiváveis a disposição, que são hoje utilizadas, que os 20% da população mundial que hoje consomem 80% dos recursos produzidos ou extraídos topassem consumir menos para permitir o aumento populacional… os 9 bilhões de 2050 poderiam levar suas miserabilíssimas vidinhas em paz? Não vou lembrar da inexequíbilidade  de tudo isso… que não existirá água nem energia suficiente para irrigar o aumento das área  cultiváveis… que o desperdício de 40% de alimentos é em função também da impossibilidade de transporte para as áreas onde poderiam ser aproveitados e… que, politicamente, você não convence os 20% que possuem 75% das ogivas nucleares a repartir nada com ninguém… Vou lembrar apenas que não adianta comportarmos 9 bilhões em 2050 se não comportarmos 9.11 bilhões no ano seguinte… Não há como fechar essa conta sem que em um momento determinado se obtenha uma estabilização populacional em um patamar sustentável…

Se analisarmos os dados contidos nessas páginas (Página Um e Página Dois, onde os gráficos são arrumados diferentemente) verificaremos que está havendo um decréscimo no crescimento populacional… Que até antigos vilões demográficos estão conseguindo diminuir seu crescimento… A China está mais controlada que o Brasil, que por sua vez também está bastante comportado (o problema no Brasil continua sendo o de distribuição de ocupação da terra, muitas pessoas nos grandes centros em função do outro problema de distribuição que temos, o da riqueza…) e mesmo a grande vilã, a Índia cresce menos que os países mais pobres do planeta… Se bem que muitos deles, devido a grande mortalidade que apresentam, contrabalancem o grande número de nascimento que possuem. Mas, esse otimismo é em vão, mesmo que uma estabilização fosse alcançada em poucos anos, os atuais 6.5 bilhões de habitantes só fariam postergar o problema para mais algumas decadas a frente ao custo de não haver o desenvolvimento dos países que ora se desenvolvem e de estagnarmos os avanços da medicina que fazem aumentar cada vez mais a expectativa de vida das pessoas.

Contudo, não podemos ser pessimistas ao ponto de imaginarmos que não teremos nenhum grande breakthrough tecnocientífico nos próximos 20 anos… Algo no campo da geração de energia… ou mesmo o desenvolvimento do que já descobrimos ser possível… como bactérias que comem lixo e defecam combustíveis, por exemplo… Fora isso, seria um controle de natalidade que provocasse crescimento negativo na maioria dos países, fazendo diminuir o contingente humano no planeta todos os anos… O que significa dizer que para escaparmos da falta de liberdade (a China é o exemplo, sem o uso do autoritarismo nada estariam conseguindo, na verdade, estão se sacrificando, mesmo que inconscientemente, para ajudar não só a eles como a todos nós também…) ou ver sangue, temos que operar um verdadeiro milagre comunicacional interferindo violentamente com as diversas culturas existentes no sentido de retirarmos os entraves culturais ao exercício de um controle populacional  eficiente… Aí é que todos nós entramos ao simples fato de estarmos aqui e em outros lugares discutindo esse assunto ou correlatos a eles como política, religião, aborto, comportamento social, ideologia, tecnologia e seu uso, etc…

Por último, a questão mais preocupante em relação ao controle populacional… Algo que pode embaralhar qualquer tentativa de adequação de números populacionais… A questão da aposentadoria… Existe um número ideal de crescimento populacional em função da expectativa de vida, no caso do Brasil, ouvi dizer que seria de 2.1 nascimentos por brasileira e já estamos abaixo disso… Como reduzir a população terrestre a níveis sustentáveis, sem aniquilar os sistemas previdenciários ou darmos a estes mais recursos ou mais anos de trabalho (toc, toc, toc) como recentemente a França teve que fazer? Quem tiver pendores matemáticos poderá chegar a interessantes conclusões visitando essa página que trás informação resumida de fácil acesso as previdências de centenas de países. Os dados podem ser comparados com os apresentados nos links anteriores que mostram as taxas de nascimento e descobrirmos até quais velhinhos do planeta estão mais ferrados…

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
Esse post foi publicado em Comentários Políticos, Cultura Popular, Economia, Política Internacional. Bookmark o link permanente.

11 respostas para Controle Populacional

  1. Max Dias disse:

    Esse seu artigo está do ca**, João. Vc pegou todos os aspectos práticos do problema, sem entrar nem por nenhum momento em devaneios metafísicos. Como tive a honra de ser citado, agradeço a gentileza e me permito falar algo sob temas relacionados.

    O nobre Nobel Jacques Monod, em seu “O Acaso e a Necessidade”, define Vida como o resultado de uma “máquina química”, e fala, nessa aula magistral que é seu livrinho, do acaso como criador desse mistério que tanto nos fascina. A vida é produto do acaso, e a evolução também. Podia dar no que deu, como podia dar em outra coisa totalmente diferente. Na análise dos componentes do DNA, ele mostra claramente a característica programacional do mesmo, além de chamar a atenção para a quantidade imensa de lixo programático que lá existe. Muita gente sabe disso, 90% do DNA é nada, abobrinha solta e sem função. Desde que surgiram os estromatólitos, que consumiam CO2 e produziam oxigenio (e ainda existem alguns na costa da Austrália), as combinações quimicas nos organismos uni e multicelulares vieram acontecendo aos trambolhões, e provavelmente o que hoje sobrou não é nem a décima milhonésima parte do que não deu certo (ou a centésima milhonésima, tanto faz, o que interessa aqui é apreender a aleatoriedade do caminho da vida no planeta). Babamos de espanto diante de uma girafa, porque lá no fundo ficamos remoendo como é que um troço daqueles deu certo, mesmo que nos digam que o projeto da girafa é análogo ao nosso, com mudanças apenas de algumas proporções – craneo, vertebras, quadris e membros, e o maquinário quimico para fornecer energia ao sistema motor. Estrutura, energia, mobilidade, reprodução. Alguns organismo são surpreendentes – a agua viva, por exemplo, não morre, é imortal (justo aquela coisa venenosa!). Por enquanto, é o unico descoberto com essa característica. Claro, entre os vegetais, as coníferas são muito, mas muito longevas (sequoias de 4 mil anos, &C), mas não se sabe se são imortais – acabam caindo por causa do próprio tamanho.

    A vida no planeta é um fenomeno quimico fantástico, formidável, espantoso. Principalmente para nós, os espertinhos, que mesmo apesar disso não entendemos nada e nem sabemos o que fazer com sua extraordinária vitalidade e ubiquidade. E, olhando para nós mesmos, ficamos girando em falso sem tomar atitude quanto ao futuro. Aborto é uma palavra feia, nojenta, demonizada pela intolerante e ignorante Igreja, que só pensa mesmo é em seus próprios interesses. Alimentação é um problema de distribuição, não de produção. Mesmo que não tívessemos agricultura, é só lembrar que o peso dos insetos no planeta é pelo menos 10 vezes maior que o de toda humanidade – e eles também comem. E comem o que produzimos, nas lavouras, nos silos e até dentro de nós. E nós nunca pensamos de um outro lado: porq

    • Max Dias disse:

      (deu uma zica por aqui) – continuando: porque nunca pensamos em comer insetos, sériamente? São muito alimentares, possuem gordura e açucar, os dois unicos elementos que dão sustentação a toda e qq espécie de vida no planeta. Entre alguns (ou muitos) povos, isso é comum, mas visto com nojo e aceito apenas porque “seria” uma solução desesperada. Bobagem, espetinho de escorpião é uma delicia, crocante e saboroso. Já comi, numa feira chinesa. Gafanhoto também e ótimo e super alimentício.

      Mas o fato triste é que, embora haja comida téorica e prática para dez vezes a população mundial, há também a certeza que uma tal densidade demográfica levaria ao exterminio, como na famosa experiencia dos ratos alimentados e saudávelmente mantidos num espaço limitado, que, ao esgotarem as possibilidades de acomodaçaõ e circulação, entraram numa guerra total, das mais sangrentas e violentas imagináveis. A preocupação do ilustre blogueiro quanto ao “wellfare state” fica impossível num cenário destes.

      A propósito, pensando que talvez o o corido com a Ratalandia também possa acontecer às cidades, Pierre Laboriaux, em “L´homme e la cité”, propõe diluir prozacs e calmantes na água das cidades… E quem pode dizer que não é uma solução? Equem pode dizer que já não estão fazendo isso?…

      Para quem leu Steven Levitt, seu “Freakonomics” chega a chocar. O quarto capítulo faz um estudo profundo, ao longo de 20 anos, da deliquencia e do numero de prisões antes e depois da lei que autorizou e regulamentou o aborto em alguns estados norteamericanos. E fala em “filhos indesejados” como a principal causa da existencia da legião de revoltados, drogados e psicopatas, que tanto problema causa a nós mesmos. Mostra, com estatísticas inegáveis, como esse problema diminuiu depois da legalização do aborto. Houve muita polemica com esse texto, mas mesmo revisando alguns dados sobre as prisões (que foram corrigidos), ele continua válido e intrigante.

      Há muita ficção boa escrita sobre a superpopulação, e a maioria toca em dois pontos: migração interplanetária e/ou aniquilação total. Não conheço, com exceção de Arthur Clarke, na sua “early” fantasia sobre “A cidade e as estrelas”, nenhum livro factual sobre a superpopulação que termine de forma diferente…

      Em tempo: o texto anterior, que subiu porque devo ter feito alguma bobagem no teclado, não foi revisado. Peço desculpas e boa vontade com ele…

  2. João Canali disse:

    Max, o único mérito de meu post foi ensejar o seu comentário, me sinto como um levantador da seleção de vôlei brasileira que levantou a bola no lugar certo para um grande batedor cravar no piso adversário…

    Renegamos a tal ponto nossa paternidade no acaso que demos uma ordem em todo o universo, pelo menos em nossas sintomáticas ficções…

    Ao lembrar da imortalidade, que estranhamente foi tão pouco burilada pelos autores de sci-fi, como se o movimento alquímico tivesse esgotado o assunto, o que não é verdade em absoluto… Você lembrou um dos objetivos mais importantes de um controle populacional… Veja em que absurdo lógico que nos encontramos hoje, com a ciência as portas do “hackeamento” do código genético (hoje apenas debugamos o código e fazemos pequenas intervenções aqui e ali…), encontrando mil maneiras de levar as pessoas até seu ponto de programação terminal (ao contrário do que imaginam amiúde, não prolongamos nada ainda, apenas somos capazes de dar boa manutenção e reformar peças danificadas…) e assim procedendo, contribuindo para a morte da coletividade como um todo através de um caos advindo da superpopulação (seja por conta dos mesmos sartrenianos problemas dos ratos com o “outro”, seja por falta de comida ou energia para transportá-la). Como poderemos pensar em imortalidade sem termos um total controle da população? De que valerá a imortalidade se não tivermos mais a liberdade que perdemos ao controlar a população? Para que controlar a população se vamos morrer de qualquer forma? Nós filhos do acaso temos cada problema… Não é a toa que reneguemos esse pai… Mas existe resposta sim, o primeiro é controlar a população e depois implantar a imortalidade, esse é o caminho lógico que qualquer autor de sci-fi chegaria… A ordem contra o acaso… aquele restinho de DNA bem engendrado pela seleção da espécie… meio lambão a ponto de deixar mamilos em mamíferos machos que não o usarão… mas que é capaz de nos fazer ser essa coisa que se dá conta de seus próprios erros… Esse acidente de criar uma máquina pensante em um macaco pelado foi incrível, olhando de fora como você sugere…

    Olha Max… como você, eu também estive na China e lhe garanto que se é para ter que comer aquela lesma gigantesca que eu vi saindo de uma pequena concha em uma aquário eu começo a torcer por um controle populacional a base de guerras… 😉 Não dá para triturar todas essas proteínas, sais minerais e açucares presentes nos insetos e outros alimentos culturalmente inaceitáveis em um biscoito do tipo do Soylent Green (lembra-se?)? Aquele tipo de controle populacional ninguém quer, eles tinham que esconder que o biscoito era feito de carne humana… Mas, todos sabiam e aceitavam que era melhor uma boa hora de morte naquele cinema (hoje seria 3D) vendo paisagens da natureza que não haviam mais do que envelhecer dentro daquela cidade murada… onde, imagine você, ainda haviam típicas divisões de classe social… Os ricos não iam ao Cine Suicídio nem comiam aquele biscoito… Bom, o Charleton Heston só aceitou fazer o filme por causa disso…

    Obrigado por lembrar o nome do autor do Freakonomics… Tenho citado sempre aquela descoberta estatística, sempre na tentativa de fazer os “anti-abortistas” terem uma visão real do que é o amor… Por mais piegas que isso possa parecer a princípio… Eles – aqueles que tem vergonha de falar que acreditam em sopros divinos dentro de óvulos fecundados e aqueles que confundem vida humana com batidas cardíacas – falam da necessidade de cultivar o amor pela vida e coisa e tal e deixam de notar que é a falta de amor que gera o criminoso que leva a morte de suas vítimas. A maioria das mulheres que desejam fazer um aborto não está preparada para dar amor ao filho que, sem outra alternativa, terão. Impedir por força da lei e/ou criar uma áurea pecaminosa ou criminosa em torno da vontade de abortar é estar contribuindo para o estrago do tecido social, para haver menos amor entre as pessoas… Não há razão absolutamente nenhuma para se arriscar uma gravidez indesejada emocionalmente ou financeiramente ao invés de se esperar pela a ocasião correta. Filhos desejados serão amados, cuidados e bem educados e estarão aptos a fazer o mesmo por seus filhos… Chamo isso de Eugenia do Amor. Mas, tenho evitado falar do aborto em relação ao controle de natalidade, até porque as pessoas logo imaginam soluções da eugenia nazista, onde o estado obrigaria o aborto… Isso não ocorre nem na China, com toda aquela política autoritária de contenção populacional.

  3. João Canali disse:

    Me faltou acrescentar uma curiosa observação… Na linha do tempo a população humana aumenta de maneira quase que proporcional a tecnologia que desenvolve. Perversamente, aumento de tecnologia redunda quase sempre em substituição de mão-de-obra humana por máquinas de automação… A partir de 2007 a humanidade passou a morar mais em cidades do que nos campos… O desemprego é uma das grandes ameaças que ameaçam a civilização industrializada… Parodiando a afimação do Max… “quem não nasce não fica desempregado…”.

    Alguém sempre arguirá que seria melhor então proibir o uso de tecnologia que substitua empregos… Como o Brasil que proibiu o self-service nos postos de gasolina para que milhares de frentistas não perdessem emprego… Nesse passo carros elétricos vão ser proibidos no Brasil, ou então, seus proprietários serão obrigados a chamarem um “frentista elétrico” (ora pois…) para vir ligar/plugar a tomada que abastece a bateria durante a noite… “Ôh Manoel, me venhas as 9 horas que durmo cedo… vou deixaire a tomada desempedida… Não me erres o buraco…” Ou seja, não adianta nenhuma proibição… Eu quero ver é 7, 8, 9 bilhões de pessoas retornando para a singela vida do campo para um desses retornos naturebas que muitos imaginam como solução para os males do desenvolvimento tecno-industrial…

  4. Cesar Barroso disse:

    Caros Amigos,
    Esse artigo e os comentários estão realmente muito bons.
    Estou voltando do trailer do fim-do-mundo, uma cidade que teve sua população reduzida de 1,8 milhões para menos de 800 mil em 60 anos(isso é que é controle populacional!), onde os serviços básicos são sofríveis, onde o racismo imperou e impera: Detroit.
    Ali está mostrado o que acontecerá no futuro: os ricos sobreviverão, e os pobres, bem, esses virarão semi-vivos andando pelas ruas enregeladas.
    Há sempre a esperança de uma virada mental, de uma conversão ao altruísmo. Que tentativas poderiam ser feitas nesse sentido?
    Em Detroit encontrei um ateu que faz e distribui a sopa dos pobres com um padre católico, numa igreja pentecostal, cujo pastor é metodista. Ecumenismo forçado pelas circunstâncias. Não poderá ser essa a solução do futuro? Ideologias e religiões à parte na salvação do todo?
    Coincidentemente, vi uma entrevista pela tv essa manhã com James Wolfensohn, ex-presidente do Banco Mundial, e que durante a sua gestão, para surpresa de todos, trabalhou intensamente com organismos religiosos pela causa dos pobres: “Essas organizações têm know-how, elas já estão há séculos espalhadas pelas áreas mais necessitadas. Se eu tivesse que começar do começo, não conseguiria nada”.
    Em suma, é preciso ousar para encontrar soluções.

    • João Canali disse:

      César, nós temos um exemplo que a meu ver é mais ou menos o que você sugere em termos de ação e benefício e que deveria ser o padrão… a Cruz Vermelha Internacional e o próprio Exército da Salvação… todos dois são oficialmente laicos e ecumênicos em termos ideológicos.

      Organizações religiosas que já estão a séculos no mercado da salvação caridosa cobram um preço muito alto por seus serviços, a ignorância de quem salvam… Até prova ao contrário são remédios com efeitos colaterais que retroalimentam a doença… Basta dizer que todas as organizações religiosas são contra métodos anticonseptivos… Sim, pregam o controle de natalidade por um método que só faz incentivar a procriação… Ao levarem as oligofrênicas noções de pecado ao sexo sem fins procriativos só fazem criar o saboroso gostinho do proibido, servem de contra-ponto a instintos naturais que jamais serão dominados, ainda mais por besteiras místicas que a todos só servem na hora que estão sofrendo e pensando na própria morte.

      Muitos renegam o racionalismo por achá-lo “desalmado”, por não levar em consideração os sentimentos humanos… Mas esse é o mau racionalismo, aquele que não dá o devido peso as emoções que a todos nós motiva ou faz sofrer.

      Temos ainda que essa gente na maioria das vezes está a cargo dos ricos e poderosos direta ou indiretamente… Ao darem conforto e esperança (de melhorias somente no além paraíso… claro…) aos desesperados do mundo nada mais estão fazendo do que impedir as revoltas que mudariam de fato toda aquela situação de opressão ocasionada pelos usurpadores de sempre. Alegoricamente poderiamos dizer que impedem uma seleção natural, onde os usurpadores não conseguiriam se manter no poder e acabariam sendo extintos enquanto espécie ou modelo mental e cultural… O rato acuado ataca, se dermos uma saida, ele foge de um confronto onde muitas vezes poderia sair ganhando. Essas organizações todas só tem feito prolongar o sofrimento o qual socorrem, como se ficassem preocupados com o dia que não fossem mais precisos… ricos e poderosos agradecem e até fazem generosas contribuições…

  5. Cesar Barroso disse:

    João,
    Eu e você, de barriga cheia e com a casa confortavelmente aquecida, temos facilidade em denegrir a caridade religiosa. Para aqueles que enfrentam a morte pela fome e pelo frio, elas são a salvação. Interessante notar que onde você encontra as mentes mais arejadas da religião é justamente entre aqueles que lidam com o sofrimento humano.

    • João Canali disse:

      Cesar, de bom grado, eu troco a caridade religiosa pela solidariedade que deve existir entre os homens, até por interesse próprio de todos. Em outras palavras, eu prefiro alguém agindo para que a caridade não seja necessária do que abnegados cegos agindo somente como anestesistas, sem nada curar de fato. Mas, essa minha opção não tem nada a ver com meu lar aquecido, nem o seu, eu sempre falo em tese, quando não, deixo saber.

  6. cesarbarroso disse:

    João,
    De boas intenções o inferno está cheio. Eu não falo em tese. Eu falo de fome e de frio mesmo. Quem precisa curar alguma coisa a não ser a fome e o frio, quando está com fome ou com frio?
    A solidariedade entre os homens existe porque, religiosos ou não, quem faz a caridade é homem. Não precisa haver religião para haver solidariedade, mas acontece que há muita gente que escapou de morrer por causa desses homens religiosos.

    • João Canali disse:

      Cesar, uma ocasião eu debati com um republicano que nem americano de nascença era… um desses que se fantasiam de cawboy para se fazerem merecedores da cidadania, algo como pretenderem ser mais realistas que o próprio rei. Afinal é mais fácil se fantasiar de Nixon, Ronald Reagan ou Bush do que de Kennedy, Carter ou Obama… O debate, para variar, era sob o sistema de saúde americano e a conversa foi para a pergunta que não quer calar quando o assunto é esse… Como é que faz uma pessoa nos EUA quando somente uma operação muito cara (qualquer tipo de transplante, por exemplo, é impagável para a maioria das pessoas) e o sujeito por uma situação imprevista e acidental estiver sem a cobertura de um seguro? Até porque, antes da reforma, eles poderiam alegar qualquer razão cretina para cancelar o seguro do cara… Pois bem… Sabe o que ele me respondeu que essa pessoa deveria fazer e que muitos na verdade fizeram? Apelar para a caridade das pessoas… Que seus familiares, caso a vítima não tivesse condições, deveria correr uma lista de ajuda e procurar as instituições de caridade e coisa e tal… Em outras palavras que as pessoas deveriam esmolar por sua vida… E isso, com o mundo inteiro, paises com IDH inferior e superior ao dos americanos, países onde o capitalismo nasceu e foi inventado, tendo o estado como primeiro ou último recurso, tendo no contrato social com a sociedade o direito de recorrer a ele, assim como possuem ensino básico e segurança… Alguém deve pensar que esse cara que debatia comigo devia ser um radical, pertencente a uma minoria… Ledo engano, nada disso, já ouvi a mesma resposta de diversas antas iguais, muitos, praticamente metade da população ou mais pensa exatamente desse forma sadomasoquista… E, de fato, diversos conseguiram salvação com essa tal caridade e, muito provavelmente, pessoas que pensam assim contribuem para a tal caridade de uma maneira ou de outra… de repente são até voluntários… Cesar, eu te garanto que se essa caridade não existisse, há muito tempo atrás tinham virado a mesa e o Obama não teria que estar passando esse sufoco para aprovar essa reforma meia-boca que só é importante por ser o início, por retirar os piores sintomas da coisa… Essa caridade é errada, não deveria existir, ela ajuda a manter um sistema de saúde perverso em essência, que só vê os interesses de uma indústria que está longe de ser uma grande empregadora de pessoas a ponto de poder chantagear a todos com sua atividade gananciosa.

      “Mas, como recriminar quem esteja ajudando a alguém a salvar a própria vida não é mesmo?”

      Pura chantagem! É errada, todavia… saindo da tese… Se fosse comigo, eu não pensaria duas vezes, recorreria a ela caso não tivesse outra alternativa… Contudo, continuaria estando certo na tese, usaria a máscara social para me safar, somente isto.

      O que eu quero dizer Cesar é que antes de enaltecer o analgésico eu vou procurar saber se ele não está retardando a tomada do antibiótico.

      A ação caridosa de cunho religioso, embora em muitos casos efetiva e salvadora, não enaltece a ação solidária espontânea, fraternal, humanista e de cunho racional… ela se dá sob o pretexto de se estar seguindo os ditames de um deus inventado e interpretado por eles, porque o deus fulano ou beltrano quer que seja assim e coisa e tal… Um tremendo sistema de trocas fictícias que loteia pedaços do Paraíso ou do Inferno, que na verdade deturpa o próprio sentido de solidariedade se vermos a coisa pelo lado idealista.

      Não se trata de denegrir… Mais uma vez… Não é por que funciona como analgésico que eu vou deixar de preferir a bandeira da solidariedade sendo levantada por pessoas que façam isso em nome da razão ou, quem sabe, da vocação de ajuda ao próximo espontânea ou mesmo profissional. O modelo da Cruz Vermelha Internacional, do Exército da Salvação e de diversas ONGs é que me agrada mais como analgésico. Abaixo a aspirina viva o ibuprofen.

  7. cesarbarroso disse:

    João,
    Vá dizer isso para o cara com fome e com frio…

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