Perguntas a Responder

Diante a esse especifico massacre, dos tantos que marcam a historia americana, diversas questões e pensamentos surgem…

Quem puxou o gatilho? O sistema capitalista como um todo? O sistema educacional norte-americano que não pode se dar ao luxo de retirar de seu currículo um nacionalismo umbelical que oblitera as noções universalistas e de justiça de senso comum sob a pena de ninguém pretender servir voluntariamente as forças armadas? As Oil Sisters, as Companhias de Seguro de Saúde, os Fabricantes de Armas, o casino de Wall Street, enfim o pessoal que financia os republicanos da vida que de forma inconseqüente, despreparada e despudorada usam o discurso do ódio para angariar votos com a ajuda de redes de mídia que visam lucros na mesma fatia de mercado, criando assim o caldo de cultura necessário a vicejar loucos assassinos e sádicos de todo tipo e feitio?

A falta de um verdadeiro sistema universal de saúde, coincidentemente, uma das razões da deputada ter sido alvo dos disparos, pode ter sido a principal autora oculta do ataque. Quem mora nos EUA possui noção da fortuna que sairia um tratamento psiquiátrico para o rapaz que puxou o gatilho. Somente milionários conseguiriam pagar um acompanhamento “just in case” de um rapaz que apresentava problemas comportamentais, não uma família de classe-média… Companhias de seguro de saúde não cobrem tratamentos psiquiátricos ou psicológicos caso a origem dos distúrbios apresentados não sejam comprovadamente fisiológicos. E então temos o conhecido caso psicológico, onde o louco defende sua doença…

Entre outras bobagens advindas da cultura popular, o rapaz se achava o criador de uma nova moeda para o país… Precisava de atenção para o seu mirabolante plano de salvação nacional… Ou seja, ele estava convicto que o país está muito mal… A culpa de não ter conseguido se encaminhar nos estudos não era mais dele, era do país… Curiosamente, apresentava um grau de politização que jovens norte-americanos não possuem aos 22 anos de idade. Afinal, trata-se de um “mal saído” de uma high school que normalmente é depauperada em ensinos sociais de história e geografia desde a era marcartista… E declarou, em seu profile no My Space, ter lido My Kampf!!! Os alemães tiveram que lançar um nova moeda depois da brutal inflação que tiveram após a Primeira Guerra Mundial… Ele misturou coisas aprendidas na Internet com a retórica republicana… Acredito que mais elementos fantásticos sairão dessa cartola… Contudo, não posso deixar de notar que mais uma vez, mesmo nesse pequeno exemplo, vemos o pensamento que permeia a direita pé-de-chinelo americana com comportamento kamikase…  São pobres para os padrões nacionais e não fazem outra coisa a não ser defender interesses dos ricos em diversas situações estratégicas e políticas. Será que desejam provar que são bons empregados? Que são capazes de “puxar o saco ” de seus patrões? Só para citar fatos recentes…  São contra o retorno de impostos mais caros para àqueles que ganham mais de 250 mil dólares por ano!!! Precisam tanto ou mais de seguros de saúde gratuitos ou baratos do que hispanos imigrantes e negros, tradicionalmente as camadas mais pobres da população… No entanto, rejeitam uma réles reforma que corrige apenas as maiores injustiças, só por imaginar que àqueles se beneficiariam tanto quanto eles… Desconsideram solenemente que estão trabalhando para os interesses de companhias que possuem um comportamento pra lá de ganancioso e sórdido, comercializando saúde humana… Uma nova moeda americana seria um verdadeiro suicídio econômico para o país que perderia todas as vantagens de ter sua moeda já instalada como a mais aceita moeda internacional… Na verdade, é o mundo que precisaria nesse momento de uma moeda única global controlada pelo Banco Mundial ligado a ONU…

A questão da venda de armas sem controles suficientes mais uma vez aparece como cúmplice da tragédia… Mesmo admitindo-se que haja mais de uma razão para armas não serem proibidas (afinal a polícia e o estado não são inteiramente confiáveis em nenhuma parte do mundo…) é inadmissível que não haja algumas restrições ou limites… Temos que ficar sempre entre o oito e o oitenta. Definitivamente, se não fosse tão fácil trabalhar no Mc Donald’s nas férias escolares e levantar o dinheiro necessário para comprar um Glock de 9mm (a mesma arma que os policiais americanos usam na maioria dos estados) com extensor de munição (não sei se foi o caso, mas é possível até limar o mecanismo que faz a seleção de tiros e transformar a coisa em uma arma capaz de dar rajadas… se bobear as instruções de como fazer isso estão em algum cantinho da Internet…) o atentado não teria se consumado com tantas mortes… Verificamos aí mais uma impotência da razão no país onde está depositado o maior conhecimento tecno-científico da humanidade e maior poderio militar do planeta, a decadência social, política e econômica ainda não debilitou essa supremacia. Quando chegará a vez de um maluquinho assassino desses passar nos exames psicotécnicos e chegar perto de um botão nuclear, já que esses são quase tão numerosos quanto as armas expostas nas lojas de armas americanas desses estados americanos unidos e loucos???

E por falar em loucura… Seria a crise a dar mais contraste a uma tsunami de loucuras sociais? Na mesma semana um mendigo é visto por milhões na Internet, só porque – filmado pelo celular de um repórter – possui a voz de um autêntico locutor de radio, obviamente refletindo que muitos estão se sentindo como desvalorizados mendigos… Torna-se celebridade instantânea e é retirado da miséria onde chafurdava há anos por conta obviamente de serviços sociais a altura da riqueza nacional… O tratamento de mendigos nos EUA é dado por entidades privadas… esqueçam asilos pagos pelo estado… Viva o Exército da Salvação… Duas detentas irmãs são liberadas de uma exagerada pena de prisão perpétua por conta de um assalto que rendeu míseros 8 dólares, só porque o tratamento de hemodiálise estava saindo caro ao estado (alegação do governador!!!) e a outra se comprometia a doar seu rim em uma cirurgia que será paga sabe-se lá por quem… porque, normalmente, se não fossem detentas e não tivessem um caríssimo seguro de saúde (fora do alcance de quem rouba 8 dólares…) a cirurgia não aconteceria e a irmã receptora simplesmente morreria entre uma apelação aqui outra lá… Quer dizer… a exagerada prisão perpétua acabou sendo uma sorte, pelo menos para uma delas… Loucura social legítima!!!  Alguém fala em acabar com essas discrepâncias jurídicas interestaduais? Afinal, a última loucura da semana também se dá em função dessas discrepâncias legais entre os estados, no Arizona se compra uma arma como quem compra uma lata de cerveja no super-mercado, parece que a Drive License só é mostrada para verificação de idade, nenhum registro em nome do comprador é feito!!!

Mas, a pergunta que realmente interessa responder nesse momento é: Esses políticos republicanos estão falando para uma maioria ou quem os paga está querendo fazer as pessoas acreditarem que essa maioria existe? As últimas eleições indicaram que a mobilização da facistolândia caipira ignorante e kamikase é superior, mas, não que sejam, necessariamente, uma maioria… Será que esse episódio americano não está provando ao mundo que o voto obrigatório é o que melhor atende aos interesses das nações… Confesso que começo a ter dúvidas…

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
Esse post foi publicado em Comentários Políticos, Política Internacional. Bookmark o link permanente.

3 respostas para Perguntas a Responder

  1. cesarbarroso disse:

    João,
    É a velha tecla na qual bato sem parar: estamos todos absolutamente loucos. Estamos olhando para o outro lado da aeronave.
    Veja só, essa deputada aplaudiu com veemência quando a Suprema Corte rejeitou o banimento das armas. Ela disse que no Arizona, ter facilidade de adquirir e portar armas é “uma tradição”.
    Esse rapaz é louco realmente. Foi rejeitado pelo Exército, e sua escola expulsou-o. Ele só poderia voltar se apresentasse atestado de um médico que não significava “perigo para os colegas”. E pronto! Foi deixado na rua, com liberdade para comprar uma arma e se encher de munição num Walmart.
    O país fez hoje um minuto de silêncio. Na minha opinião, o minuto de silêncio foi para a insanidade mental do planeta.
    Isso tudo no dia em que recebi confirmação do meu Green Card.

    • João Canali disse:

      Cesar, foi também uma lição para os democratas que ficaram em casa e não foram votar nas últimas eleições… Gente que talvez tenha achado que seria bom um pouco de pressão sobre o governo por não ter feito ainda um milagre ou uma guerra… democratas de araque talvez…

      A ironia fica por conta dessa avaliação médica que exigiram do rapaz, que custaria a ele ou sua família entre uma ou duas visitas de avaliação, o preço de uma Glock e quantas munições quisesse comprar, que isso é barato por aqui… Compro uma caixa de 9mm por uns 15 dólares… Matar é barato, tratar da saúde que sai caro.

      Você recebe agora seu Green Card… Espero poder lhe encontrar na fila de votação que decidirá o sucessor de Obama, contando que ele vença as próximas… pelos meus cálculos dá tempo. Enquanto isso seguirei sozinho na fila, se tem gente olhando para o outro lado do avião só me resta continuar gritando… nem que tenha que enganar os padres e bispos: “Olha, você estão perdendo, Jesus acaba de aparecer na escotilha do disco-voador e está dando tchauzinho pra nós… Se continuarem olhando para o outro lado não vão ser abençoados…” Garanto que eles olhariam… Sabe por que? Teriam certeza que não veriam nenhuma verdade, vivem disso… e só a verdade causa medo.

  2. cesarbarroso disse:

    João,
    Quando tem gente que não pensa noutra coisa se não que o presidente não nasceu nos Estados Unidos…
    Definitivamente essas campanhas de Rush Limbaugh e Fox News aumentam a temperatura do debate e levam à radicalização.
    A questão é que essa é uma loteria com a qual a América terá que conviver para sempre, ou pelo menos enquanto não perceber que liberdade é para se fazer a coisa certa, e não para se fazer a coisa errada. Quando uma boa parte dos cidadãos acha que portar armas e comprar munição na esquina é exercício de liberdade, alguma coisa está errada.

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