Simulador de Planeta – O Profeta Eletrônico

A idéia não é totalmente nova, já teve até um jogo para PCs e Nintendos chamado SimEarth (do mesmo pessoal que fez o famoso SimCity) que, com um pensamento ao mesmo tempo que satírico e conservador, habilitava o jogador para ser um deus. Mas, a idéia por trás do Living Earth Simulator (links inglês e português) não é divertir, poderíamos a princípio falar de curiosidade cientifica, política e utilidade administrativa. Trata-se de criar um programa de computador que processa dados a partir de um banco de dados alimentado em tempo real de informações estatísticas do clima, deslocamentos humanos, produção e consumo de energia, movimentações financeiras, nascimentos, mortes, acidentes, etc. e a partir de parâmetros pré-estabelecidos gerar projeções que poderão ser vistas como previsões de caráter geral, servindo para alertas de toda ordem e consultas científicas. Evidentemente que a privacidade dos dados coletados será respeitada, não está previsto a individualização das informações obtidas. O receio de se criar um Big Brother (como uma simples ficção pode servir a humanidade, isso é impressionante e motivador…) é respeitado. A ideia de uma entidade humana ou artificialmente inteligente controlando e/ou regulando a vida das pessoas é um péssimo marketing, muito embora eu ache, meio que na base do que “não deve não teme” que não escaparemos de um certo Big Brother, se quisermos nos livrar do papel espécie e assim acabarmos com todos os crimes cometidos por conta da ganância financeira… mas, isso é papo para outros conversas…

O porta-voz do grupo de cientistas atrás do projeto admite que ainda não existe capacidade técnica em software e hardware para que o sistema comece a ser construído nesse momento, muito embora a NASA já esteja implementando um sistema de monitoração do clima terrestre que usa diversos sensores espalhados ao redor do planeta e satélites e que serve de exemplo das redes que se conectarão ao Living Earth Simulator quando ele existir. Contudo, acreditam que na próxima década, que ora começa, essa capacidade será encontrada… Quem observa a performance de busca do Google, por exemplo, não tem como duvidar que essa performance computacional possa ser obtida.

Analisando-se o que foi dito pelo responsável principal do projeto, que é baseado na Suíça, pode-se notar um certo viés político na montagem da concepção, até porque a grande novidade apontada é a tentativa de se criar um modelo matemático para fenômenos sociais, afastando assim a figura do sociólogo e sua agenda pessoal, de observador que interfere com o observado… Um sistema dessa natureza seria capaz de projetar/prever (muito embora jamais fosse capaz de inferir descobertas e inovações científicas e tecnológicas que mudam toda as expectativas humanas… escrevo em uma delas agora, só para dar um exemplo…) as diversas inviabilidades dos atuais sistemas sócio-econômicos humanos, com um poder de convicção superior a obtida por cientistas com suas teses, congressos e livros… O exemplo seria o Clube de Roma, um grupo de cientistas de renome internacional que se reuniu pela primeira vez naquela cidade (hoje a sede é na Suíça…) na década de sessenta e que se notabilizou midiaticamente na década seguinte com previsões sombrias para o crescimento humano, que nuca foi levado a sério, ao menos de forma pública, pelos governos do mundo… Assim como essas conferências sobre o clima, tão em moda ultimamente, e que não obtém adesão dos que realmente teriam que se sacrificar de fato para se enquadrarem. Todavia, um sistema que ganharia credibilidade a cada previsão de tempo acertada, previsão de apagões energéticos, congestionamentos, colapsos financeiros, etc… teria outra força política a partir de um dia-a-dia de utilidade… Algo como a expressão “vou dar uma googlada” ou li na Wikipedia…

Pensar em um bom e confiável sistema de previsão de catástrofes naturais ou sociais  nos remete a pouca força que órgãos internacionais como a ONU (Interpol, Corte de Haia, etc.) possuem diante as nacionalidades, etnias e  religiões planetárias… o que sempre acaba prevalecendo é a força dos canhões das plutocracias de poderio multinacional. Ainda não conseguimos consertar a Babel…

Eu, um profeta que ainda usa seus poucos neurônios “pifiobinados” pela nicotina, prevejo uma ONU com poderes triplicados instalada em uma Tenerife comprada da Espanha… Serve Açores, comprada de Portugal… Ou uma ilha de Santa Helena, comprada da França… Enfim, quem quiser vender… Com os super-computadores e servidores do Living  Earth Simulator instalados lá em abrigos anti-necleares e sem precisar da Visa e do Mastercard. Sem algo assim não teremos condições de combater nenhuma ameaça global e ainda corremos o risco de saber com data e hora marcada quando acontecerá o caos, sem que nada possamos fazer… Viagra na ONU.

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
Esse post foi publicado em Divulgação Científica e Tecnológica, Política Internacional. Bookmark o link permanente.

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