O Beberrão Bebe Menos. O Planeta Agradece.

Capa Sugerida a Revista por João Canali

Por quatro anos seguidos os EUA vem diminuindo seu consumo de gasolina como atesta a matéria publicada no site da MSNBC está semana. Diversos fatores vem influenciando essa queda de consumo, a recessão pela qual o país passa, a mistura obrigatória de até 10% de etanol extraído de milho na gasolina (sim, muitos carros do mercado americano  vem incorporando, já há alguns anos, sem muito alarde, os chamados motores Flex), leis que obrigam os fabricantes a aumentarem a economia de combustível dos veículos fabricados e, a melhor causa, o aumento da frota de carros híbridos e movidos apenas a eletricidade.

Espera-se que até o ano de 2030 o país consuma menos 20% de gasolina do que consome atualmente, o que não parece muito em termos percentuais ou da necessidade de redução de emissão de CO2 que o planeta precisa para fazer frente ao projetado aquecimento global, mas que deixaria os EUA bem perto de uma total independência do petróleo do Oriente Médio, quando então, muitos – que não compreendem que a maior fonte de lucros internacionais do país vem do, “midiaticamente” camuflado, controle da distribuição (não da produção ou refino) de petróleo e derivados dominado por gigantes americanas do setor – esperam que os conflitos naquela região fiquem abrandados, acabando o financiamento para a guerra cultural instalada em ambas as partes.

A notícia não é totalmente boa para a saúde do planeta em função de vir acompanhada do conhecimento que China e Índia estão aumentando seus respectivos consumos de petróleo por conta do desenvolvimento explosivo que vêm obtendo nos últimos anos, em um caso típico onde a quantidade de gente consumindo compensa a qualidade do poder de compra dos consumidores. No entanto, o aumento de consumo dos países economicamente emergentes se contrabalançará com o início operacional de jazidas descobertas fora do Oriente Médio (entre elas o pré-sal brasileiro) gerando um equilíbrio nos preços, não favorecendo uma queda ou aumento dos mesmos e uma retomada de seu consumo em virtude de queda ou, ainda, atitudes criminosas por parte das citadas gigantes do setor, que além de possuírem fortes controles políticos são conhecidas por comprarem patentes que ponham em risco seus lucrativos negócios, impedido-as de se tornarem públicas em uso comercial.

Os efeitos do projetado peak oil (2006 ?), com a exploração em alto mar em grandes profundidades (há rumores que o Chile teria encontrado uma reserva talvez maior que a do Pré-sal) e o cada vez maior aproveitamento das gigantescas reserva de betume canadense (há rumores a serem ainda confirmados que já é ou estaria para ser o maior fornecedor isolado de petróleo dos EUA…) parece ter sido adiado por mais uma década. Sendo assim, somente a causa ambiental ou a vontade de eliminar as desnecessárias tensões econômicas, militares, culturais, estratégicas e políticas no Oriente Médio é que estariam em conflito com os poderosos interesses econômicos advindos de um mundo petro-dependente.

No que nos interessa em particular temos que a qualquer momento teremos no mercado o Volt da GM, a melhor promessa de carro elétrico do momento, já que é híbrido sem o sê-lo e é totalmente elétrico sem também o sê-lo. O motor a combustão que possui não produz tração diretamente em suas rodas, como em um híbrido tradicional que divide a tarefa de forma alternativa com um motor elétrico, é apenas um gerador a gasolina como outro qualquer, encarregado de alimentar automaticamente as baterias de lítio do veículo quando necessário e que também podem ser carregadas a partir de uma tomada elétrica caseira. Prometem 300 milhas (489 Km) sem necessidade de abastecimento. Detalhe, estamos falando de encher um tanque com 20 dólares de gasolina comum e mais, claro, algumas horas de carga na bateria, que o paraíso ainda não chegou.

No momento o Volt ou seu esquema de funcionamento ainda permanece como a grande promessa prática em termos de carros elétricos para o futuro próximo… Todavia, desconfio que aí encontramos alguma mão suja de óleo atrasando o nosso desenvolvimento tecnológico e forçando os fatos para que haja um esforço mundial contra as emissões de CO2. Os governos do mundo inteiro deveriam estar investindo (com a devida publicidade) o que fosse necessário para acabarmos com a ameaça do aquecimento global, assim como acabamos com a varíola no mundo… Eu sei… Não haviam economias inteiras, países inteiros e, principalmente, monstruosas corporações que financiam políticos que controlam exércitos, ganhando com a varíola… Na verdade, não quero saber se o aquecimento global é causado pelo efeito estufa ou se mesmo ele é algo inevitável da própria natureza, como eras glaciais cíclicas o são… O fato é que ao lutarmos contra as emissões de CO2 estamos automaticamente evoluindo em nossa capacidade tecnológica, até porque, por mais que descubram novas jazidas, o petróleo acabará um dia… Não podemos, nós humanidade, vivermos ou dependermos de insumos finitos… Temos que nos concentrar no que possa ser renovável, até por uma questão de princípio ou de sobrevivência da espécie… Temos que estar aptos a encarar o que significará a ascensão de consumo de países ultra-populosos… O que vai haver de itens exauridos é algo ainda não bem estudado ou dimensionado… De certo é um estudo politicamente incorreto por natureza…Só aí já temos diversas guerras agendadas, guerras que só não haverão se tivermos tecnologias para contrapô-las.

O que quero dizer? A transmissão de energia sem fio existe, é provadamente factível a pequenas distâncias, pego o carro ando menos de 5 milhas e trago aqui para minha casa a mágica em pessoa que está à venda em diversas lojas de produtos eletrônicos… Nem eu nem Tesla (outro link) que previu tudo isso somos loucos… Se Tesla já a descreveu a tanto tempo, deixou tantas dicas de como ela funcionaria, por que só agora ela foi desenvolvida? Ah… o que as irmãs do petróleo tem a ver com isso?! O óbvio ululante, que eu, por osmose telepática transmiti (deixa eu tirar uma casquinha e imaginar que eu já fui útil algum dia para toda a humanidade, sem ter que tirar o pijama… bolei isso antes deles…) para algum garoto alemão bolar… O resto eu deixo por conta da imaginação dos leitores do Blog Teorias.

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
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28 respostas para O Beberrão Bebe Menos. O Planeta Agradece.

  1. Max Dias disse:

    O Volt saiu para as ruas a um tag price de 41 mil US$, bem mais do que os rivais japoneses, o Prius e o novo Nissan, pelo menos 10 mil US$ mais baratos. E, ao que parece, com menos rendimento.
    Noticia curiosa que li em algum lugar, está se fazendo uma espécie de concurso entre os especialistas para definir o BARULHO que o carro elétrico terá, já que ele é tão silencioso que se torna um perigo para os pedestres, passaros e animais domésticos. Os carros terão de ter um altofalante que emitirá um zumbido audível, ou um trec-trec, ou aquele barulhinho que a gente fazia com carta de baralho e pregador de roupa, nos raios da bicicleta. Isso vai dar muita converseira…
    Dentro do tema, estive estudando com mais detalhe o carro a ar comprimido daquele engenheiro francês, pois não acreditava na coisa. Mas me convenci ao saber que o ar comprimido, quando sai do tanque, é quente, muito quente. E ao se encontrar, dentro do motor, com ar mais frio da atmosfera, sofre uma imediata expansão. E é essa energia que torna o carro viável. Aí, a bateria só servir mesmo para o rádio….

    • João Canali disse:

      A bateria do Volt acabou ficando muito cara… Mas ele é único em sua proposta, não podemos compará-lo com híbridos comuns nem com carros totalmente elétricos como os da Tesla Motors. Já eram para o terem lançado em novembro passado, estão adiando muito seu lançamento… Bom, a GM agora é uma estatal… vamos ver se assim consegue furar o bloqueio…

      Já vi um documentário detalhado do Science Channell sobre o carro a ar-comprimido (fora aquele inicial que foi produzido pelo próprio inventor da coisa). De fato a coisa funciona e fico me perguntando que fim levou o projeto do maior fabricante de automóveis indiano (que não faz muito tempo comprou a Jaguar da Ford… não são pequenos nem improvisados… Tata, creio ser o nome…) de lançar um baratíssimo veículo desses na Índia, onde há toda sorte de transporte circulando nas ruas, onde as “romisettas comerciais” ou “lambrettas com carroceria” iguais as da Genial (para quem se lembrar) são veículos de táxis regulares… Pelo tempo os carros já deveriam estar rodando… Noticiam e depois somem com a idéia, a mídia não acompanha, não dá mais notícia… E esse é apenas um exemplo de rumores em relação a sua fabricação em massa… Isso já vem sendo marketeado a uns 6 anos, no mínimo, desde o tempo que seu inventor europeu o lançou…

      A conclusão que chego é que, das duas ou uma, ou o carro a ar comprimido possui algum defeito ou limitação que inviabiliza sua comercialização, mesmo com o baixíssimo preço que possui ou as irmãs ficam sabotando a coisa subornando fabricantes ou coagindo-os financeiramente pelos inconfessáveis caminhos do crédito…

      O que o Wikileaks tem revelado e a reação da Corporate America a essas revelações nos faz imaginar que a coisa vai muito além de teorias conspiratórias em relação a ousadia na defesa de certos interesses políticos e comerciais… Como se não bastasse o caso Dick Chaney um réles lobista da industria petrolífera no congresso americano que é alçado a presidência da Halliburton, uma companhia dedicada a exploração de petróleo e serviços correlatos, e depois a vice-presidência de seu país, quando então participa ativamente, na qualidade de falcão fachistoide, da invasão ao Iraque e depois da guerra ganha, a Halliburton se transforma na principal companhia a reformar e restaurar os campos petrolíferos do Iraque (os campos foram “rachunchados” entre as irmãs… o negócio não é roubar o petróleo como infantilmente muitos imaginam, é ter a exclusividade na distribuição, é ter garantia de poder vendê-lo sem ameaça de embargo…)… O Irã é uma grande ameaça, não porque tenta fabricar bombas atômicas com cientistas que param as cinco horas da tarde para dar uma resadinha em direção a Meca, mas, por entregar toda sua produção sem refino a distribuidora chinesa, uma estatal que é a companhia mais rica do mundo (a única a vencer a Exxon) por conta da quantidade de gente a que serve com exclusividade… mas, que não ousará sair de seu país com algum dupping de serviço, como as demais companhias de seu país em outras áreas… Bom, certamente eu nunca ganharei um prêmio Esso de Jornalismo por relatar esse fatos… mesmo que eu corrija o meu português… 😉

      Max você ao lembrar das palhetas das rodas das bicicletas deu uma excelente idéia para o caso das motocicletas elétricas que já estão sendo vendidas já algum tempo, até mesmo pelo Best Buy, dizem que são umas delícias de se dirigir… a arrancada de um motor elétrico é insuperável… mas, ainda não vi nenhuma nas ruas… vai ver que passaram por mim e não as notei por ausência de ruido… 😉

    • fbarbuto disse:

      Me fascino com essas descrições de engenhocas que desafiam todas as leis da Termodinâmica que cientistas levaram séculos para descobrir e confirmar… O tal carro de ar comprimido, por exemplo. O ar comprimido no tanque só escoará para o motor porque este último encontra-se a uma pressão mais baixa do que a do tanque, óbvio. O problema é que o ar, quando se expande naturalmente (isto é, vai de uma pressão mais alta para uma mais baixa, o que é o caso) se resfria. Isso acontece com outros gases também, por exemplo o CO2 de um extintor de incêndio que provoca aquela fumaceira de “neve carbônica” quando é aberto. Ar também se expande quando é aquecido (sugerindo que o que eu falei acima é tudo mentira, mas na verdade não é o mesmo processo às avessas), então falta o engenheiro francês explicar como é que uma corrente de ar supostamente quente consegue se expandir ainda mais ao encontrar uma massa de ar frio, o que termodinamicamente não faz o mais pálido sentido já que a temperatura final da mistura é inferior à do ar “quente” que entra… Portanto no fim teríamos um efeito líquido de contração. Não quero dizer com isto que o carrinho não vai funcionar. Ele vai, mas com autonomia limitada (já fiz o cálculo tempos atrás).

      Vai ver que esse carro a ar comprimido esconde mais detalhes técnicos do que os que o tal engenheiro francês está deixando escapar. Do jeito que está, a coisa não faz sentido algum em termos do que a Ciência sabe hoje a respeito da energia, sua conservação e o sentido termodinâmico natural de processos. Será à toa ou por pura falta de sorte que um conceito tão limpo e simples de carrinho nunca explodiu no mercado com retumbante sucesso? Ou será que o seu criador venha jogando toda essa desinformação para cima do grande público para confundir os incautos, quando na verdade o verdadeiro segredo é outro? Tipo, tem um tanquezinho de gasolina ali do lado que aciona um pequeno compressor silencioso que comprime e aquece o ar que move a pequena engenhoca, vai ver é isso… Um engenheiro francês etnicamente português, peut être… 😉

      Enfim, desconfiem da minha opinião suspeita… Sou alguém que trabalha para o lado negro (literalmente) da força, portanto temeroso destas novas fontes de energia. Vai que um dia viabilizam o moto perpétuo — aí é que estou lascado de vez, vou ter que vender mate na praia…

      F.

      • Max Dias disse:

        Fausto, embuchei de novo. Achava que tinha serenado meu agitado espirito ao ler sobre o tal fenomeno que vc acaba de demolir. Então a coisa É AO CONTRARIO?! Francês fidapu, então é mesmo enrolação? Foudre toi-même, couchon.
        Fausto, nem um fiapo de esperança no carrinho a ar comprimido? As seven sisters, nesta altura já nem sei quantas, querem continuar com a fumaceira e o enxofre demoniacal? Dá aqui meu boné, para Vigo me voy.

      • João Canali disse:

        Fausto, que você está do lado negro da força, calculando quanto óleo a polícia montada do Canadá consegue extrair do seu betume… não tenho mais dúvidas… Tenho agora a prova que incrimina também o Max, que como motociclista de ocasião deve adorar motores a gasolina para ficar tão perto deles (assim como eu que escuto uma sinfonia arrepiante com o ruído pó-có-tóc-toc quase patenteado de uma Harley…). A prova é que eu trago a solução parcial ou completa para os carros elétricos e ele puxa essa conversa de carro Fionda (quem se lembra ou teve uma?) e você deixa de fazer os cálculos de quanto custaria eletrificar as rodovias do mundo, montar um gigantesco autorama wireless global para ir na conversa dele… Vocês estão desviando do assunto que eu trouxe, provavelmente estão a soldo da Canadian Betume’s Oil ou da Petroprésal 😉

        Fausto, por tudo que já li a respeito… e veja aqui o que eu estava dizendo acerca de como sumiram com a coisa… Se reparar a notícia é de 2007… O carro existe e funciona sem motorzinho (que seria elétrico, com uma ganbiarra para a bateria do rádio, para ficar bem disfarçado) nenhum… Mas, deve ter uma limitação ou risco que o inviabiliza… Apostaria em uma peça que não dura nada, que dá para o francês fazer diversas demonstrações e coisa e tal para enganar os “investitrouxas” e depois quebra… algo como um cilindro ou biela que por não rodar com óleo, se parte depois de poucas milhas, o tanque que contém o ar-comprimido explode depois de algumas enchidas… um que aguentaria o tranco ficaria muito pesado… enfim, algo assim… Por uma questão de prestigio, os que se deixam enganar não fazem alarde da furada que entraram, pois, demonstrariam falta de competência com o mico… Minha segunda aposta para cercar o bicho é que os caras chegam com truculência financeira e, literalmente, saem pagando geral para que a coisa não vá adiante… os caras promovem até guerras para não serem perturbados em seus lucros…

        Não seria isso, na verdade, um “imposto planetário” pago a Roma por sua pax romana democrática campeã da liberdade???

        Não… não seria um carrinho que só agradaria a quem hoje possua uma bicicleta que deteria as transloucadas irmãs…

        Fausto, essa redescoberta tardia e misteriosa da eletricidade sem fio (que componente moderno permitiu isso? Ao que eu saiba é o mesmo esquema proposto por Tesla, qualquer engenheiro eletrofísico construiria algo semelhante seguindo os rabiscos de Tesla…) pode ser vista também como a maneira mais prática de recarga de carros elétricos de hoje em dia e mesmo híbridos… A concepção “autorama sem fio” pode funcionar de forma parcial com algumas vias principais tendo uma pista eletrificada que carregam ou poupam bateria alimentando diretamente o motor… O pagamento da energia seria fácil de ser efetuado, imagino diversas maneiras… Mesmo que achassem inicialmente inviável eletrificar o pavimento, o processo será ideal para estacionamentos públicos ou privados de carros elétricos… nada de tomadas para vândalos danificarem ou esquecermos de plugar, o que seria o mais comum… os carros automaticamente sentiriam a necessidade de carga se identificariam ao sistema e iniciariam a carga… quando essa terminasse, notificariam seu fim ao sistema, débito direto na conta do dono do carro… E o fantástico é que toda essa comunicação do computador de bordo do carro com o server da estação elétrica poderia passar pelos próprios fios de carga em uma rede dedicada totalmente isolada do resto da internet…

        Os cálculos que decidirão esse futuro são em relação a quantidade de energia necessária para alimentar as baterias de diversos carros ao mesmo tempo, se a grid aguentaria, se a eletricidade sem fio possui algum limite de wattagem necessária a baterias grandes… Mas, acho que tudo isso está dentro do campo de desenvolvimento possível, com tecnologia já disponível…

        Tomara que os garotos da universidade alemã não sejam subornados pelos agentes do lado negro da força… 😉

      • João Canali disse:

        Ilustrando melhor o que estamos comentando…

        Para eu não dizer que não falei das flores, vejam o site oficial do fabricante do carro de ar comprimido… não seria esse ar comprimido pum e na verdade isso é na realidade um carro a combustão??? Vocês todos sabem da clássica experiência que muitos adolescentes do sexo masculino (essa eu nunca vi meninas tentando imitar…) curiosos realisam queimando calças e pentelhos anais… Tem um filme passado em Luxemburgo logo de cara com o último modelo da coisa, que nem volante possui…

        Mas, o mistério da transmissão de energia elétrica sem fio pode ser muito bem resumido e explicado nesse link da wikipedia… Chamo a atenção para o Time Line… terríveis gaps… para algo que todos sabiam que já havia sido provado… Nos tempos modernos a coisa toma vulto com a brincadeira dos cientístas da Intel de reproduzir o modelo de Tesla… eu me lembro dessa apresentação… Tinha uma diciplina que estudava o desenvolvimento da ciência, não me lembro agora o nome da coisa… Mas, certamente estamos falando de algo muito estranho e que deveria ser analisado… Outras tecnologias de muito menor potencial, inclusive industrial e comercial, foram desenvolvidas… por que esta ficou gaguejando no tempo a praticamente um século???

  2. cesarbarroso disse:

    Fausto,
    Não entendo como iniciativas para encontrar novas fontes de energia poderão colocar em perigo o seu emprego. Os frutos práticos dessas pesquisas só começariam a aparecer comercialmente daqui a décadas, quando você já estiver aposentado. Elas favorecerão às novas gerações.
    O mesmo se aplica às corporações petrolíferas. As pessoas que nelas trabalham e são responsáveis pelas políticas dessas empresas, deveriam ser orientadas a pensar em termos humanos, do futuro da humanidade, não apenas do futuro da corporação. As corporações morrerão sem os homens.

    • fbarbuto disse:

      Cesar,

      Eu estava falando ironicamente. Minha ligação (somos apenas bons amigos, que fique claro…) de mais de 25 anos com Darth Vader em nada influencia a minha opinião. Em primeiro lugar, porque sei que este que vos escreve terminará sua existência antes do fim do petróleo. Em segundo, porque estou plenamente consciente que a indústria petrolífera e a sociedade hidrocarbon-based que construímos é uma lambança total, uma desgraceira poluente e suja, então não dá pra tapar o sol com a peneira… Tipo, “eu sou burro, mas não sou cego…”.

      Infelizmente, a única fonte energética que conjumina (dá-lhe, Odorico…) grandes quantidades de energia em volumes reduzidos, além da gasolina (não incluo aqui o álcool, que nada mais é do que um hidrocarboneto levemente modificado), é a nuclear. Essa sim é porreta, energia levada ao seu máximo. Mas acho pouco provável que no futuro próximo cada carro carregue um mini-reator nuclear que garanta sua propulsão, seria temerário e até anti-econômico.

      Em resumo: nos metemos numa bela encalacrada.

      F.

  3. fbarbuto disse:

    Max,

    O carro a ar comprimido tem todos os requisitos para funcionar, mas (1) não com a autonomia que se espera e (2) não da forma que o artigo que você leu te fez entender, pois os fenômenos citados não têm nenhum embasamento termodinâmico. Caso haja uma grande idéia por trás do carro a ar comprimido, ela deve estar em outro aspecto:
    da mecânica, dos sistemas auxiliares, etc. A Termodinâmica é uma ciência (na verdade um ramo da Física, mas deixa pra lá) tão linda quanto cruel, ao nos mostrar sem grande piedade que nossos esforços em atingir quimeras tais como carros econômicos e eficientes em termos de rendimento energético vão terminar, invariavelmente, em águas de bacalhau — ou entropias de bacalhau, se você preferir.

    E isso não tem nada a ver com o tipo de combustível usado. Mesmo no ramo dos combustíveis tradicionais, o desperdício energético é uma coisa estúpida. Quando olhamos uma locomotiva passando temos a impressão de pujança, de força bruta, da energia sendo colocada a nosso serviço em sua plenitude. Pois bem, a eficiência de uma locomotiva não passa de míseros 5%… os outros 95% são jogados fora. Em outros termos, para cada Joule que se usa para movimentar aquela trolha, outros 19 Joules tem que ser produzidos… para simplesmente serem desperdiçados!

    O sucesso dos combustíveis fósseis (líquidos) reside no fato que num volume reduzido daquela substância (seja gasolina, querosene ou óleo combustível) está concentrada uma quantidade supimpa de energia altamente disponibilizável, não importando que grande parte do que está no tanque vai ser usado para outros fins que não movimentar o veículo. Seria um grande salto se pudéssemos contar com motores com 90% de eficiência ou mais, mas infelizmente isto é mais um sonho do que uma realidade palpável.

    F.

    • Max Dias disse:

      Fausto, obrigado pela competente explicação. É verdade, o rendimento das máquinas térmicas é ridiculo, sempre foi. Já o da máquinas elétricas, é diferente, como vc está cansado de saber. Talvez seja mesmo uma quimera continuar bolando coisas que funcionam da base de explosões, continuas ou não. O tal scramjet, previsto para 8.0 mach, é uma máquina térmica, ou termodinâmica, what ever. E, como vc já frisou, se existirem motos continuos, vamos tomar muito sorvete. Mas gostaria de perguntar: tudo isso é verdadeiro no nível macro, dessa fisica clássica que tanto tem nos auxiliado, e infelizmente também prejudicado com suas brumosas consequências. E no nível da física quantica, como se comportam as coisas? Existem motos continuos quanticos? Cada vez que leio um artigo sobre fisica quantica, mais chego à conclusão que a fé voltou ao conhecimento. Isto é, não entendo blicas, mas garantem que funciona. Existe essa possibilidade, de novos perametros enrgéticos a partir da física quantica?

      • fbarbuto disse:

        Caro Max, Física Quântica eu não tenho a menor condição de discutir. É um assunto que está na minha interminável lista de “100o Coisas que Devo Aprender Antes de Morrer”, junto com Álgebra Tensorial (da qual só sei o extremamente necessário), Elementos Finitos y otras cositas más. Mas que sei que jamais aprenderei. Droga de vida…

        Agora, sei por cultura inútil que coisas bem estranhas ocorrem nas proximidades do Zero Absoluto (-273.16 C) com certos fluidos como o Hélio II (elemento hélio no estado molecular 2). Por exemplo, ele flui sem que se lhe aplique nenhuma força. Coloque um pouquinho de Hélio II num tubo de ensaio e ele sobe espontaneamente pelas paredes internas do tubo, como uma película, transbordando continuamente pela abertura do mesmo (não seria este um moto perpétuo molecular?). Imerja-se um pedaço de chumbo — um prosaico e desinteressante metal na Tabela Periódica — em Hélio II e imediatamente temos um superimã capaz de levantar outro pedaço de metal de peso muito superior ao do tal pedaço de chumbo. A questão é como usar coisas assim ao nosso favor em temperaturas caríssimas de se obter e nas quais o movimento molecular quase já não mais existe (e, com ele, a própria energia). Na minha ignorância, não vejo como.

        F.

  4. fbarbuto disse:

    Canali,

    Bom você ter colocado o link para o site do fabricante. Com ele pude ver alguns detalhes técnicos do carro, por exemplo os do Air Pod: ele usa um tanque de 175 litros a uma pressão de 350 bar. Nestas condições, a energia contida neste tanque é algo como 6.1 MJ (megaJoules), que é o equivalente a 0.05 galões ou ainda 190 ml de gasolina. Sim, um pouco mais do que meia latinha de Coke da mardita gasosa. Toda a energia disponível está ali, não tem de onde tirar mais… Assumindo perdas de 25%, bem modestas até para um motor, te sobram uns 143 ml de equivalente de gasolina pra movimentar o bichinho, no más…. E uma coisinha destas vai andar 220 km na cidade? Façam me o favor…

    Mas não é nem o ar comprimido que me ocupa a cachola no momento, é como produzi-lo. Para isto precisamos de um compressor, que é um engenho que funciona acionado por um motor. Esse motor por sua vez pode ser acionado por eletricidade ou combustível fóssil (gasolina, diesel, gás natural). Se usarmos combustíveis fósseis, bem, aí ferrou pois vamos estar trocando seis por meia dúzia ou menos do que isso se considerarmos as perdas em cascata no processo todo. E de quebra anulando o efeito benéfico para a eliminação de poluição que um carro limpo como este proporcionaria, pois se é preciso queimar petróleo para produzir ar comprimido… qual é a graça? É a tal estória dos engenheiros suecos Manuelssen e Joaquinssen, ora pois pois… Caso usemos eletricidade e esta for oriunda de fonte eólica, solar ou nuclear, muito que bem. Aí, OK. Mas se for energia vinda de termoelétricas, voltamos ao ponto inicial onde o ouro negro entra em cena novamente. Ou até pior se for carvão, muito mais poluente por ser muito mais rico em carbono do que diesel ou óleo combustível. Junte a isto um carro de baixa autonomia e rendimento e fica a pergunta: a malha de distribuição de energia do mundo tem condições de arcar com milhões destes carrinhos rodando pelas ruas de Tokyo, Mexico City, São Paulo, New York e outras? Sei não…

    Olha, torçamos para esse carrinho tornar-se um dia um sucesso retumbante mas, como dizem, “let’s not hold our breath…”.

    O conceito da eletricidade sem fio me parece outra quimera. E não que o conceito seja novidade ou ficção científica. Afinal, o rádio, a TV, o telefone celular se baseiam neste princípio — ondas eletromagnéticas que se transformam em impulsos elétricos fracos no aparelho receptor. Mas ainda não se conhece nenhum outro material melhor para se transmitir energia elétrica com menos perdas do que um metal chamado prata. Como não podemos ter cabos de prata devido ao custo (imagine o que se ia roubar de fios no Brasil, puribela…), temos que nos contentar com metais menos nobres como o cobre. O ar, mesmo úmido, é um péssimo condutor de eletricidade. E ainda bem que é assim, caso contrário estaríamos expostos a descargas fatais de raios que caem mesmo a dezenas de quilômetros de distância.

    Sonhar é preciso, viver não é preciso… mas vamos maneirar um pouco, né? 😉

    F.

    • João Canali disse:

      Fausto, esse cálculo já fizeram, o atual grid elétrico americano não aguentaria uma total substituição da atual frota, caso fosse possível claro. O cálculo entre aumento previsto de demanda em função da expansão das vendas de carros elétricos plug-in não vi em nenhuma lugar e acho que é aí que mora o perigo… Poderíamos imaginar uma ordem governamental proibindo a venda de carros elétricos em função do esgotamento da capacidade do grid… Não vi ninguém falando nisso e esse é um assunto potencialmente perigoso para a indústria. Mas, entre a emissão das termoelétricas a carvão (cerca de 45% da geração cedendo terreno rápido para as termos a gás natural, que tem a seu favor o fato de favorecer as oil sisters que os extraem, já perfazem 23% do total gerado) e a que é causada pelos veículos a combustão de fosseis, os últimos são muito piores ou mais profícuos em emissão de CO2… A esperança da galera é que os carros elétricos (e eu acho que a solução encontrada para o Volt é estupenda e vai imperar…) vão aos poucos substituindo os carros a combustão enquanto, concomitantemente, a nova geração de usinas nucleares (muito mais eficientes e baratas, inclusive com a característica de reciclagem do lixo nuclear, assim como os franceses já fazem em suas usinas…) entre em ação, mais termoelétricas a gás natural (cuja a queima apresenta um baixo perfil de emissão e é mais fácil de ter o carbono capturado) aumente sua fatia na produção (dando dinheiro para as irmãs tudo é possível…), assim como outras formas alternativas de geração elétrica que não param de ser introduzidas no mercado…

      O pessimismo fica por conta do braço político das irmãs, do receio de perderem muito com a distribuição mundo afora, já que estariam dando o exemplo e tecnologia para todo o mundo…

      Analistas acreditam que os chineses, atualmente o país que mais polui no mundo (termoelétricas a carvão gerando a maior parte da eletricidade que consomem), mas, igualmente, o que mais investe em fontes alternativas de energia, suplantarão os EUA no quesito carro elétrico, já que a companhia de maior faturamento no mundo (deixando a Exxon em segundo), o monopólio estatal que cuida do petróleo chinês (não deixaram as irmãs entrarem…) age em comum acordo com o governo do país… não vou arriscar que não tenha lobby no partido, tratando-se desse setor… Mas, não vamos escutar no congresso chinês Drill Baby Drill…

      Agora Fausto, você falou da má condutividade do ar… Mas, no caso de transmissões eletro magnéticas o ar entra como meio condutor? E no espaço,no vácuo, em transmissões de radio, aproveitando a sua comparação com a transmissão de eletricidade wireless com as transmissões de rádio, como sendo fatos diferentes de um mesmo fenômeno???

  5. fbarbuto disse:

    Canali,

    Ondas eletromagnéticas não precisam de meio condutor, de outra forma não teríamos transmissões de fotos da superfície de Marte ou da Lua nem de outros planetas e satélites. E a Terra seria gelada quase ao zero absoluto, já que o calor que recebemos do Sol nos chega como radiação térmica, outra forma de radiação eletromagnética, que cruza o espaço (quase) vazio que existe entre os dois astros. A eletricidade não existe sem o deslocamento de elétrons, o mesmo não ocorrendo com as ondas eletromagnéticas, cujo comportamento oscila entre onda e partícula (fóton). O que não quer dizer que os elétrons não possam viajar no vácuo — afinal quem não se lembra daquelas antigas válvulas de rádio e TV, que funcionavam a vácuo? Mas aí já é um papo um pouco diferente.

    O ar é um péssimo condutor de eletricidade, e corrente só flui através dele depois de achar um caminho ionizado, de traçado aleatório, entre dois pontos de extrema diferença de potencial (i.e., voltagem). Como estes experimentos de museus de ciência em que arcos voltaicos se fecham entre duas esferas carregadas com dezenas de milhares de Volts . Ou em dias muito secos, quando fagulhas pulam do dedo da gente quando os aproximamos de uma maçaneta (aí é eletricidade estática, mas o princípio é o mesmo). Ou um raio que “cai” (na verdade, sobe). Mas mesmo assim há uma distância-limite para esta transmissão de fagulhas. Portanto, não vejo a menor possibilidade de uma transmissão intencional ou não de boçais quantidades de energia elétrica usando o ar como meio condutor.

    F.

    • João Canali disse:

      Fausto, mas você tem certeza que o processo que estão usando para transmitir eletricidade sem fio, que na verdade é o mesmo descrito e experimentado por Tesla a cem anos atrás, se dá utilizando o ar como meio condutor, através de uma ionização? Quer dizer que se eu for lá e comprar aquela base que aparece à direita ao centro na ilustração desse post, passar um plástico em volta dela com o celular que deveria carregar, retirar o ar com um aspirador (digamos que eu consiga um bom vácuo) e fechar… A coisa não vai funcionar, ou seja, a bateria do celular não seria carregada?

      O experimento na Alemanha prova que utilizando o ar como condutor ou não, é possível passarem uma quantidade de energia elétrica sem fio suficiente para carregar a bateria do carrinho… bateria esta que serve apenas como uma espécie de buffer… já que se fosse diretamente para o funcionamento do motor o carrinho ficaria sem tração toda vez que saísse da faixa de emissão de eletricidade, como os carrinhos de autorama quando saiam da trilha… (hum… isso já me deu uma outra idéia que me levaria novamente a China…) e ainda não teria como ir para a garagem… Não vejo razões para duvidar desse experimento alemão e acredito que ele pode ser o início, pelo menos, da solução do problema de recarga dos carros elétricos do futuro (que deixariam de ser apelidados de “plug in” para se chamarem de “wi in”, ou coisa do gênero), mesmo se levarmos em consideração que o plano de Tesla de eletrificar o mundo (em seu plano original, cada residência teria receptores no telhado, o que, quero crer, se equivaleria aos polos das baterias dos gadgets que o moderno tablet carrega) seja uma quimera cabeluda… esse foi meu ponto desde o início.

  6. fbarbuto disse:

    Canali,

    Pelo que entendi do autorama sem fio alemão, o carrinho trabalha na base da conversão de magnetismo em eletricidade, outro fenômeno pra lá de dejà vu.
    Magnetismo e eletricidade são irmãs siamesas, onde tem uma lá está a outra e a conversão entre de uma na outra é fácil e manjadíssima. E a explicação deles para “o quão eficiente o carro [E-Quickie] é”, descrita da seguinte forma no penúltimo parágrafo:

    “We went to the start with half-filled batteries and returned with full ones.”

    é simplesmente paupérrima de detalhes e não serve de nada para se chegar à real eficiência do engenho. A eficiência, grosso modo, é o trabalho mecânico realizado dividido pela energia fornecida, e é um número sempre menor do que 1 (ou 100%, caso se esteja representando com porcentagens) devido às perdas. Sem saber o quanto de energia foi despejada naqueles trilhos (e quanto dela chegou efetivamente ao carrinho), nada pode ser afirmado. Do jeito que foi descrito, até uma Ferrari de trocentos e cinquenta mil cavalos é uma máquina eficiente, basta que para isto você vá reabastecendo-a ao longo do caminho sem se importar muito com contabilidade de combustível, fechando os olhos para os números que aparecem na bomba de gasolina… “Querida, cheguei e estou muito feliz com a nossa Ferrari nova!!! Imagine você que saí de casa com meio tanque e coloquei a bichinha na garagem com o tanque cheio! Que eficiência!! Estou até com pena das Sete Irmãs…”. Peraí, né…

    Da mesma forma, desconheço o tal experimento do Tesla em seus detalhes reais. Precisaria ler muito, muito mais para poder separar o joio do trigo, o mito da realidade, o boato do fato, a lenda urbana da fatualidade laboratorial. Estes experimentos, se é que existiram e foram mesmo bem sucedidos, foram realizados numa época em que tudo era deficiente: medições, aparelhos de laboratório, o entendimento de diversos fenômenos físicos (ainda nem se conhecia a estrutura do átomo, por exemplo), o registro científico era precário, as comunicações idem, a imprensa era ingenuamente sensacionalista… Outros tempos. Sabe-se lá o que ocorreu nas brumas do passado dentro do laboratório do Tesla no über-jeca e distante Colorado? Lembre-se que faz uns 10 anos que cientistas anunciaram que realizaram fusão a frio; foi aquele alvoroço e no fim das contas era tudo um embuste, um grande e crasso engano no mínimo.

    Não existe nada melhor do que um metal para conduzir eletricidade, e a razão para isto é simples: os átomos de um metal estão muito mais próximos um dos outros do que em um líquido ou um gás, e é esta compactação que os faz serem sólidos (existe o mercúrio, metal líquido, que não surpreendentemente tem condutividade elétrica 63 vezes menor do que a prata) e que favorece o movimento dos elétrons de um átomo para os vizinhos. Segundo, nos metais os elétrons das camadas mais externas de um átomo estão mais aptos para “pular” (i.e., escapar do núcleo atômico de carga positiva que os prende) do que em outros elementos como o carbono.

    Todo transmissor necessita de um receptor adequado. Não creio que o teu celular, na presença do mastodonte do Tesla, fosse se recarregar já que ele não foi projetado para isto. Sem falar na diferença entre as tecnologias de gerações tão distantes. É como querer receber HDTV naqueles aparelhos dos anos 60 que tinham controle de sintonia vertical e horizontal…

    F.

    • João Canali disse:

      Fausto, novamente não me fiz entender… Desculpe-me, não tenho formação em física, matemática ou, resumindo, de engenheiro e, provavelmente, seja um mal empírico em detalhes importantes da questão que estamos abordando. Pelo que tenho entendido do que você falou, estou na suposição que você está colocando a transmissão da eletricidade sem fio como sendo a atmosfera, o ar, como o condutor dessa transferência de átomos, daí você ter mencionado mais de uma vez que o ar seria mau condutor e que a prata seria a melhor condutora de energia elétrica (e eu que pensava que era o ouro o melhor condutor… como que para provar ironicamente que o silêncio que é de ouro… e teríamos ainda que lembrar da hipercondutividade obtida com metais em ambiente congelados, que deixam os átomos como que doidos para se movimentarem, como que para combater o frio… dá-lhe empirismo 😉 ). Eu acho que essa indução elétrica, tanto no tablet/pad que carrega baterias de gadgets quanto no carro dos estudantes alemães, como você mesmo disse, provoca a transferência de átomos sem usar o ar como condutor, que isso funcionaria no vácuo do espaço sideral também, como acontece com as ondas eletromagnéticas do radio… Afinal a discrição da coisa é que ela pega a corrente de uma fonte qualquer, transforma em campos magnéticos e a transfere a uma determinada frequencia que será recebida por um receptor próximo, que decodifica aquilo novamente em corrente, tudo sem a interferência das tantas moléculas de oxigênio, hidrogênio, etc. do ar.

      Concordo com você que não são confiáveis as tantas informações acerca das transmissões de eletricidade sem fio que Tesla realizou diversas vezes em apresentações públicas que mais pareciam shows de mágica, além de tudo se misturar com a provocação de manifestações eletrostáticas que arrepiam cabelos e tudo que tem direito para confundir… Você até esqueceu-se de outra grande dificuldade para a informação do que ele inventou, que era a questão das patentes, algo que pontuou tudo o que Tesla fez em sua carreira. No entanto, em tese, o que estão fazendo agora é exatamente o que Tesla dizia estar fazendo (não se esqueça que ele é o real e reconhecido inventor do radio, Marconi só chegou lá por conta de 17 patentes de Tesla), transformar corrente em campos magnéticos, transmiti-los em uma determinada frequencia de tal forma que a ressonância provocada no receptor ocasionasse uma transformação reversa, a tal da indução de corrente… Aliás deve ser algo relacionado a velocidade de frequencia obtida, dai só funcionar a curtíssimas distâncias, quanto mais perto mais rápido, algo assim que meu empirismo desconfia e entende… Como transformam os pólos de uma bateria recarregável não preparados para esse fim em receptor é que não consigo entender, seria uma espécie de estupro energético como diria o nosso Odorico Paraguaçu… Mas, o link (aconselho de todo sua leitura, esclarece quase tudo acerca do assunto de forma clara e simples) que achei esclarece que isso ocorre por que existe de forma genérica nesses gadgets que usam baterias recarregáveis um circuito de recarga que acaba sendo compatível com o recebimento da frequencia emitida pelo pad recarregador. Esses tablets ou pads existem, são reais e podem ser comprados, e, o que mais me espanta, servem para carregar qualquer tipo de bateria recarregável presente em diversos tipos de gadgets diferentes, basta jogarmos o aparelho em cima da coisa que começam a carregar automaticamente como se tivéssemos plugado o fio do carregador…

      Em relação ao experimento alemão, devemos notar que o site que dá a notícia é, digamos, “ecofriendly”, o foco de importância é dado na possibilidade de termos veículos elétricos sem o maior inconveniente relacionados a esses veículos, o tempo de recarga da bateria… As relações de eficiência de gasto de energia se tornam secundárias, o objetivo é deixar de queimar combustíveis fósseis. Se for preciso inaugurar mais usinas nucleares para alimentar pavimentações eletrificadas, nessa visão de emergência de salvação planetária, elas seriam providenciadas, isso suplanta em importância as visões econômicas regulares… Na verdade, Fausto, estamos aqui, com nossa conversa exatamente em cima do que esses caras estão discutindo nesses tantos fóruns internacionais sobre o meio ambiente que inundam os noticiários. De um lado o pessoal querendo discutir eficiência econômica e do outro, o pessoal que diz que tudo é uma questão de vontade política capaz de suplantar os interesses econômicos ligados ao uso de combustíveis fósseis. Se estivesse vindo um meteoro gigante em direção ao nosso planetinha, ninguém iria pensar no custo de mandar todos os foguetes que pudéssemos na tentativa de explodir a coisa, só iríamos querer saber da melhor forma de atingir o meteoro e se isso era possível ou não… O experimento alemão só faz demonstrar que é possível sim desenvolvermos aquele processo para acabar confortavelmente com a necessidade de tanta emissão de CO2 dos veículos atuais… Sem termos que apelar para bicicletas… Mas, a questão do aquecimento global ainda não é tão clara como um meteoro gigante na ponta do telescópio seria, isso todos temos que reconhecer… e por isso a conversa segue…

  7. fbarbuto disse:

    Canali,

    Quem não se fez entender bem fui eu mesmo, portanto sou eu quem deve desculpas.
    Vou procurar ser sucinto para não me enrolar. Na mensagem passada me enrolei e abordei de novo o tema da condutividade elétrica do ar sem necessidade, daí toda a confusão, pela qual peço desculpas mais uma vez.

    Não há transferência de elétrons entre a pista magnética e o carro, nem o ar serve como meio condutor do que quer que seja nesse caso. O fenômeno que existe aí é o de indução eletromagnética, que dispensa meio condutor. Também não há, pelo que entendi, frequências de transmissão/recepção entre a pista e o carro. Não existe este conceito de “frequência” quando se fala de um campo magnético. Portanto, o tal experimento do Tesla, de transformar correntes em campos magnéticos (algo perfeitamente factível e ao alcance de qualquer criança de posse de um prego, uns dois metros de fio de cobre encapado e uma pilha AAA), tudo bem. Mas depois transmitir tais campos a uma frequência determinada como se fosse uma transmissão de rádio ou TV é que não faz muito sentido para mim.

    (Neste ponto fico pensando se você não estaria fazendo uma pequena confusão entre campos magnéticos e ondas eletromagnéticas, e se eu deveria tentar esclarecer a questão ao risco de te confudir ainda mais…)

    Continuo acreditando que eficiência é pivotal no desenvolvimento do próximo meio de transporte que virá a substituir os motores a explosão. Afinal, foi por causa de baixas eficiências compensadas por energia barata e facilmente utilizável que nos metemos neste cipoal de poluição global (para não falar nos conflitos armados e outros imbroglios movidos pela sede de petróleo). Sem viabilidade econômica (a viabilidade técnica somente não basta, por mais bem-intencionadas e eco-amigáveis que sejam as intenções em relação ao futuro do nosso planeta), nenhuma solução sairá do papel nem deixará de ser mais uma curiosidade desenvolvida por alunos de alguma universidade de país de primeiro mundo como projeto final de curso de engenharia mecânica ou mecatrônica. Porque simplesmente não haverá quem queira aportar capital massivo numa iniciativa que não esteja fadada ao suce$$o. Você já visitou o site dos “investors” do tal carro a ar comprimido? Visitou? Pois é.

    Termino com uma estória curiosa. Nos anos 70, nas imediações do entroncamento da Dutra com a Washington Luiz (BR-116 e BR-040) havia a antena transmissora de uma rádio, a Nacional AM se não me engano, e uma favelinha (como sempre) nas vizinhanças da poderosa antena de alguns kW. Bem, dizia meu tio, que era médico do INSS e fazia perícias residenciais na região, que os habitantes daquela favela não tinham problema com iluminação doméstica: bastava pendurar uma lâmpada fluorescente no teto do quarto ou sala do barraco que ela acendia sem precisar de energização. As ondas da antena, naquela proximidade, provinham radiação forte o bastante para ionizar (acender) o gás das lâmpadas. Estou vendendo o peixe como o comprei, pois nunca visitei nenhum barraco destes nem nunca vi o fenômeno “in loco”. Mas que, se for verdade, faria o velho Tesla ter orgulho daqueles favelados.

    F.

    • João Canali disse:

      Fausto, campo magnético são aquelas linhas de limalha de ferro sobre um papel com o imã embaixo, agora ondas eletromagnéticas são as que geram a radiofonia, estão no microondas fazendo pipoca e são até a luz e são sujeitas a frequencias, que aliás, dizem o que são, ao contrário das primeiras, entendi… mas esquece, definitivamente essa não é minha praia… me considero satisfeito de ter entendido superficialmente o que acontece na eletricidade sem fio e ver bastante futuro no desenvolvimento disso, que como vimos já é uma realidade tangível que poderá ser usada para sairmos do cipoal. Você haverá de concordar que existe um potencial nesse desenvolvimento… e que a ideia é ótima.

      Claro que temos que ver que foguetes é que lançaremos contra o meteoro do meu exemplo anterior, até para não darmos tipos no próprio pé e coisa e tal… No entanto acredito que a urgência da situação é que ditará a viabilidade econômica, não o contrário… Afinal encontramos aqui os mesmos conceitos que discutiamos na questão da saúde americana… Eu acho que se tem como fazer o transplante não será o dinheiro da seguradora que impedirá isso… Eu concordo que o que impediria isso é a constatação de que o transplante não resolveria, que outro tratamento possa ser uma melhor opção tendo em vista a necessidade do paciente, não da companhia de seguro… eu tenho certeza que é disso que você está falando…

      Eu acho que o senso de urgência ainda não tocou os principais governos, espero que não haja nada que os obrigue a mudar de idéia, poderia ser tarde de mais… quem sabe nesse caminho vagaroso não surja algum breakthrough que as irmãs não tenham como segurar… O negócio é mobilizar as mentes, estamos nesse estágio ainda…

      • fbarbuto disse:

        Canali,

        Sim, ondas eletromagnéticas são tudo isso que você citou e mais ainda infravermelho, ultravioleta, radiação térmica (aquele calor no teu rosto mesmo você estando a vários metros da fogueira), raios gama e raios X.

        Quando eu falo de eficiência é no sentido de não trocar seis por meia dúzia. Um monte de carrinhos elétricos num planeta de apagões. Ou queimando o que resta de óleo ou carvão para obter energia elétrica. Ou, ainda pior (sim, sempre pode piorar…), óleo vegetal ou madeira. Eu creio que as fontes de energia limpa devem vir primeiro, ao ponto da superabundância; depois, as novas alternativas de transporte que iriam paulatinamente substituindo as atuais. E isso não é engabelação, não. Pode ser feito em alguns anos. É bom lembrar que a indústria do petróleo existe desde bem antes da invenção do carro ou do avião. Naqueles tempos, o objetivo era produzir querosene de iluminação, substituindo o óleo de baleia. A gasolina, mais leve, era um subproduto do fabrico de querosene. Por não ter uso e ser muito volátil e perigosa, era simplesmente descartada.

        Na minha opinião a eficiência vai sempre suplantar a urgência por um motivo muito simples: é o dinheiro que move o mundo, e ninguém vai colocar dinheiro em iniciativas que não dêem retorno, ou pelo menos não o setor privado. Um mundo sem poluição mas superpovoado e falido também não é interessante. É a tal estória: eu posso parar de usar meu carro ou mesmo ser forçado a isto, caso a poluição chegue a um ponto em que medidas drásticas obriguem a tanto. Mas não vou colocar meu dinheiro em ações de alguma companhia de carros elétricos ou a ar comprimido se eu não conseguir enxergar uma boa razão financeira para fazer isto.

        F.

      • João Canali disse:

        Fausto eu poderia fazer a defesa de meu posicionamento em favor da “urgência” lembrando como deixaram de cortar as asas de Hitler quando ele desrespeitava o Tratado de Versailles e mostrava em suas paradas militares na década de trinta que possuía armamentos superiores a tudo que havia na Europa na ocasião, quando demonstrou suas pretensões hegemônicas anexando na base da moral a Tchecoslováquia e a Áustria… Não… esperaram… Chamberlain falhou em nome dos custos econômicos de uma possível guerra, até que ele fizesse uma agressão armada insustentável para o equilíbrio de forças da Europa, para então declararem guerra… tarde de mais, deu no que deu, o prejuízo foi muito maior… Mas, talvez você alegue, não totalmente despossuido de bons números, que os 42 milhões que morreram na WWII foi importante para o equilíbrio demográfico futuro da Europa…

        Vou usar os seus próprio argumentos em prol da eficiência econômica para lembrar-lhe que o capitalismo ocidental está morto e que uma tentativa, mesmo que atabalhoada de mudança da matriz energética com o pretexto do aquecimento global seria a redenção desse capitalismo. Não sou eu que digo isso, o próprio Obama não para de falar nos milhões de empregos que serão gerados nessa tentativa. Usando o que eu trouxe, só um exemplo claro, imagine você a eletrificação das estradas de todo o mundo, seria o retorno da valorização da mão-de-obra braçal hoje bastante reduzida em função da robotização das fábricas, isso sem tirar o ganha pão da mão-de-obra barata da Ásia. Para que haja superabundância de energia limpa há de se ter uma idéia de como gastá-la, caso contrário ninguém poria dinheiro nisso. Ora, se eu não tenho um modelo viável de carro elétrico, se eu não sei que é com ele que combaterei o aquecimento global, eu não construirei usinas nucleares algumas… ficarei enganado trouxas com poucas fazendas de energia eólicas que são bem baratinhas… Aliás, colocar turbinas aeólicas no mar e as usinas de espelhos de aproveitamento da energia solar também serve ou ajudariam a criar a superabundância de energia que só surgirá se for para atender uma demanda definida.

        Mesmo que se mude a matriz em função do petróleo ser finito, a superabundância só ocorreria se houvesse necessidade de um uso dessa abundância, não existe lucro em nenhuma superoferta de mercado, não há eficiência econômica nisso. Portanto, a necessidade tem que surgir primeiro.

        O que vejo na verdade é que a única eficiência que estão visando é aquela que favorece quem já tem o poder político nas mãos… aliás sempre foi assim, a visão de quem tem maior poderio econômico é a que prevalece, até esclerosar ou ruir sobre si mesma… enganando a todos até lá… é o caso das companhias que controlam a distribuição de petróleo… Os governos estão controlados por elas, é a eficiência do lucro delas que está imperando, não a nossa ganância individual… Estamos atrasando uma solução em nome do lucro delas, o nosso seria ver a economia ser forçada a construir algo.

        O capitalismo, o mundo movido a dinheiro, se revigora com novos negócios e novos investimentos… carros elétricos já são uma nova fronteira de consumo… O sistema depende de consumo, inventaram um sistema chamado capitalismo onde a maioria não pode capitalizar, tem que gastar, consumir… o baixinho na bicicleta alta, não pode frear totalmente se não cai, porque o pé não alcança o chão… Não é o que estamos assistindo quando medem a recuperação econômica? Pelo que as pessoas compraram ou deixaram de comprar nesse ou naquele natal? Compraram além da conta… então está bom… Não vejo eficiência nisso, vejo um suicídio, já que os recursos são finitos e eu já estou sendo melodramático.

  8. fbarbuto disse:

    Usando de alguma neutralidade, posto aqui um link para uma pequena reportagem a respeito do carro a ar comprimido que saiu na CNN:

    http://edition.cnn.com/video/#/video/international/2010/10/27/ef.air.pod.car.bk.c.cnn?iref=allsearch

  9. fbarbuto disse:

    Canali,

    Eu acredito que demanda para energia elétrica já existe e sempre existirá. Quantos lugares sem eletrificação há por aí, mundo afora? No futuro, quem sabe, carros elétricos e movidos a hidrogênio (únicas opções minimamente viáveis que posso ver) vão necessitar desta energia.

    Para mim, olhando a coisa de um aspecto mais basal, a solução para os problemas do planeta — todos — passam pela redução da população. Com 3 bilhões de pessoas sobre a Terra, um pouco mais ou pouco menos, as coisas se ajeitam. Nosso planeta é auto-sustentável, mas com esta superlotação não dá. O problema de reduzir a população é fundamentalmente político, apesar do viés econômico (quem vai sustentar uma população envelhecida até que o perfil etário se estabilize?).

    A melhor coisa do futuro é discutir sobre ele, uma vez que ele nunca vai chegar… 😉

    F.

  10. João Canali disse:

    Sem dúvida Fausto, sem a metade da população atual de cerca de 6 bilhões obteríamos um corte de emissões de CO2 sem precedentes… É sem dúvida o nosso maior problema engatilhado e sem dúvida alguma um problema político, metaforicamente, decidir quem vai ficar na metade que fica… Se a salvação só for obtida com 3 bi então somente a guerra, a catástrofe climática (Olha o que estamos vendo nessa virada!!! A coisa não para de piorar e surpreender…), epidemia ou rabo de cometa, nos salvaria… Seria o caso de torcermos pela cirurgia de amputação mais controlável, um exercício sadomasoquista…

    Com o atual contingente daria para levar o barco mantendo a atual desigualdade (se todos forem consumir dignamente, babau… país emergente é ameaça séria…). Estabilizar é possível, aumentar é suicídio. Fausto, estamos falando de implantar governos autoritários não democráticos, iguais ou aproximados ao da China em praticamente metade dos países, os países mais pobres, onde ainda nascem mais do que morrem… Mas, até que ponto os chineses conseguiram segurar (desrespeito a liberdades individuais que não são nem culturais, chegam a ser instintivas…) politicamente o crescimento demográfico em troca do desenvolvimento econômico que obtiveram? Se a metade de países que tem que estancar o crescimento for paga com crescimento econômico chinês… os recursos conhecidos e sustentavelmente exploráveis não seriam suficientes…

    Com um cardápio desses só nos resta ser otimistas, pessimismo passa a ser perda de tempo, exercício tautológico, melhor cuidarmos do que pode ser feito e torcer por algum milagre tecnológico, porque o preço de termos apenas 3 bi, necessariamente, seria feio de se ver, mais feio do que acabarmos com o sistema de aposentadorias, levando-se em consideração que trabalho é somente o que não gostamos de fazer…

    Seria frustrante ver um retorno a barbárie sem antes termos inventado um sistema social que, sem explorar ou escravizar terceiros, sem criar tolas fantasias místicas ou ideológicas, agradasse a maioria.

    • fbarbuto disse:

      Canali,

      O problema todo é que o controle da população deveria ter sido feito antes que as coisas chegassem ao ponto em que chegaram. Hoje, é nada mais do que tentar apagar um incêndio que saiu de controle.

      Países como a Índia não possuem um controle populacional eficaz (eles até tentam, dando rádio de mesa ou TV pra famílias que toparem se esterilizar, mas fatores culturais/religiosos/supersticiosos são sempre mais fortes…) e são estes os problemas. Estávamos falando em 3 bilhões de habitantes. Pois bem, é essa a população conjunta de Índia e China. Esses países precisavam de uma moratória de nascimentos, algo bem radical, tipo, em 2012 não deve nascer ninguém, e repetir a dose a cada 2 ou 3 anos de forma a estabilizar o perfil populacional. Exceções poderiam ser feitas, tipo um casal sem filhos que vem comprovadamente tentando há anos engravidar sob tratamento mas
      não consegue, e aí não seria justo nem sensato interromper o tal tratamento. Ou uma mulher com mais de 30 que nunca engravidou (essa já fez sua parte deixando de parir dos 15 em diante). Mas isso é uma utopia inatingível, pois mexe com os direitos do cidadão e do uso do próprio corpo. Uma epidemia seria uma tragédia, pois não escolheria idade nem sexo nem o “fator utilidade” de cada cidadão no grande esquema das coisas, embora pareça claro que os mais idosos e fracos iriam preferencialmente. Uma guerra… não, não é por aí, batamos na madeira… Nem que fosse uma guerra entre Índia e China, países notoriamente possuidores de nukes.

      F.

  11. João Canali disse:

    Fausto, nesse quadro de terror me vem a memória as tantas teorias conspiratórias que rondaram o surgimento da AIDs… Alguns do movimento negro americano chegaram a acusar sabe-se lá quais brancos da KKK de terem criado o vírus de forma artificial com o intúito eliminá-los aos poucos, já que a raça negra era a mais infectada… Os gays de formologia masculina foram na mesma onda, já que eram o grupo mais afetados… Após todos esses anos temos que: Milhões deixaram de nascer pela disseminação do uso da camisinha em função do medo da AIDs (Quantos poderíamos calcular? Esse é um cálculo difícil… 500 milhões?) ; Nesse período as ciências correlatas nos informam que sim, há conhecimento para a confecção de um vírus “amestrado”, seja pela seleção artificial, seja por modificações genéticas; A categoria humana que a AIDs genericamente mais eliminou foram os pobres… A AIDs é capitalista, poderíamos ironizar.

    Antes de pesquisarmos o que Maltus sugeriu de fato, se é que sugeriu… Temos que tentar ver o que a natureza selecionou com outras espécies animais que vivem em sociedade colaborativa ou bandos distintos (o caso dos nossos primos macacos e gorilas, por exemplo). Pelo que sei todas essas espécies acabam tendo também problemas de superpopulação, sempre existindo um número máximo de contingente que após atingido uma solução comum a todos surge de forma espontânea e que se resume no verbo cindir. Rainhas abelhas, formigas e cupins são criadas especificamente para formarem outros formigueiros, colméias e cupinzeiros… Surpreendentemente, parece que não é controlando o número de nascimento que o equilíbrio demográfico é mantido… Fico surpreso porque existe um controle dos nascimentos, uma escolha de gênero (escrava trabalhadora ou escrava soldada) em função das necessidades do formigueiro em determinado momento… não seria então o caso de esperarmos que o controle demográfico fosse obtido com o mesmo mecanismo? O problema ao analisarmos esses insetos sociais é que caímos fácil no antropomorfismo… Os símios também cindem. Atingido determinado contingente um determinado elemento rival do “chefe da turma” sai fora levando fêmeas e capangas para formar sua própria gangue ou bando… Se com as formigas o antropomorfismo ocorre fácil, imagina com os primos…

    Bom, se analisarmos meus insights de hoje temos que:

    1 – Arranjar um vírus que cause infertilidade, preferencialmente em pobres, que são os mais férteis…
    2 – Arranjar outro planeta habitável para que possamos também cindir.

    Terrível…

    Contudo, estamos deixando de lembrar que diversos países obtiveram um equilíbrio demográfico satisfatório e outros que passaram da conta e até emagreceram de gente… tendo até que incentivar (vários europeus) a fertilidade de suas famílias e importar imigrantes.

    O Brasil tem conseguido seguidamente censo após censo estabilizar para baixo seu crescimento populacional, mesmo carregando legalmente o tabu sobre o aborto.

    Em tempo… A China chegou a um bom termo em seu controle, até porque eles possuem 9 milhões de Km quadrados… Li em algum lugar que desde que iniciaram suas políticas de controle de natalidade deixou de ocorrer uma projeção de 300 milhões de novos nascimentos… Coincidentemente hoje, 300 milhões é o contingente que mais está usufruindo do crescimento econômico… Os recursos naturais estão apitando porque a expansão de consumo está indo rápido em direção aos um bilhão de habitantes restantes… que ainda estão com o mínimo necessário. Existe até o ponto de vista que a China, devido a sua política autoritária de controle da natalidade, é o país que, na verdade, mais corta emissões de CO2… cada um que deixa de nascer deixaria seu rastro de emissões… seria o raciocínio…

    De fato a Índia e seu redor asiático são problema… Nascem muitos muçulmanos também, se formos separar pelo o viés religioso… Na África o problema não é tanto de quantidade, é de falta de estrutura para receber mais gente… qualquer crescimento populacional não é sustentável na maioria dos países.

  12. Cesar Barroso disse:

    João,
    Como diria seu xará, o João Saldanha, estamos sendo comidos pela beiradinha.
    Enquanto olhamos para o lado errado da aeronave, a natureza vai mostrando aos poucos o que está esperando a humanidade: calamidades metereológicas mais frequentes e mais arrasadoras.
    Há nesse momento uma área da Austrália maior do que o Texas(o Texas é grande!) toda inundada. As tempestades de neve assolam os Estados Unidos cada vez maiores, e em épocas inusitadas.
    Repito: a gente está olhando para o lado errado da aeronave, como os bispos no avião da VASP.

    • João Canali disse:

      Cesar, a pérfida figura do Henry Kissinger tinha uma teoria que levava a risca em suas atuações a frente da diplomacia americana: Todo o problema só se resolve quando chega ao seu limite… Ele provavelmente empurrava com a barriga os problemas até que eles maturassem em malignidade, como uma espinha ou furúnculo que só podem ser espremida com sucesso após vermos a cabeça de pus.

      Evidentemente, essa idéia de Kissinger chuta todas as noções em relação a ações preventivas, principalmente, se lembrarmos daquelas que salvam vidas… Mas como esse thread acabou demonstrando, a vida humana pode ser na verdade a maior ameaça aos próprios humanos ainda vivos… Sim, sob a mais pura das verdades, até o presente momento do conhecimento científico, nós humanos, temos que, em nome da correção temporal, usar o advérbio antes do adjetivo … ainda não vencemos a morte, esse chato componente da natureza como a encontramos, ao menos nesse planeta.

      Não seria pois esse descaso uma inteligência inconsciente… Não será que a falta de urgência em fazer algo mais drástico em relação ao problema climático é em função de verificar que a humanidade precisa diminuir seu contingente humano para seguir viva, levando sua bagagem de conhecimentos adquiridos, o nosso único tesouro? Não seria essa catástrofe climática o cirurgião salvador que amputa a perna gangrenada? Não seria a morte por catástrofe climática mais suave do que a morte por guerras ou epidemias naturais ou artificiais, quando então correríamos risco maior de não salvar nossos arquivos…

      Falo isso sem nenhuma agenda escondida na manga. Minhas interrogações são absolutamente sinceras. Na verdade, só estou pontuando as conclusões que foram alinhavadas nesse thread. Muito embora tenha convicção absoluta que esteja comentando sobre o fato mais importante da humanidade nesse momento.

      Se o aquecimento global com todas suas imprevisíveis catástrofes climáticas for inevitável, a questão do fim dos recursos naturais utilizados pelo homem em função de uma super-população também é. As duas coisas se interligam e se resolvem ao mesmo tempo. Vai que um pensamento desses passa em alguma sala de think tank patrocinado pelas oil sisters? Se fizermos cálculos com todas as variáveis envolvidas (e que são muitas) eu apostaria que existe um convite explicito para a não ação, o que implica em dizer que vale impedir que haja uma ação, um convite a todo esse conservadorismo político que se recusa a morrer e observamos cotidianamente no noticiário, assim como as catástrofes climáticas.

      Olha a curiosidade: Os suecos possuem uma fortaleza na neve onde estão fazendo uma espécie de cofre do tempo, que resistiria as mais diversas catástrofes que possam ocorrer com o planeta. O intuito é preservar desde sementes de plantas a DNAs de animais, assim como uma biblioteca que guarde o que puderem de informação sobre as civilizações terrestres. Os motivos e razões dessa ação e quem financia isso ainda não sei, pretendo descobrir para fazer um post… O que sei no momento é que se trata da mesma Suécia que é totalmente estabilizada demograficamente e economicamente, é uma democracia, mas ainda sustenta um Rei… Que é um país/povo que lida com questões climáticas adversas há milênios e que encontrará temperaturas amenas no caso de um drástico aquecimento… Que acolhe os servidores do Whikleaks em um bunker, ao mesmo tempo que se deixa usar por vontades políticas estrangeiras para prender o chefe chefe do próprio Whikleaks que abriga… Que sempre foi um país campeão da liberação sexual, mas que possui leis esdrúxulas que supõe que possa haver sexo consentido onde o não uso de um preservativo não seja igualmente consensual… Como você bem o diz é muita loucura junta… Mas aí tem um fio de meada que pretendo descobrir…

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