Da Terra da Diplomacia das Canhoneiras à Lua

Ilustração do Livro Da Terra à Lua

Júlio Verne quando escreveu “Da Terra à Lua” em 1865 imaginou um canhão, como o método de propulsão para a cápsula que levaria astronautas à Lua. Verne, que freqüentava os círculos científicos franceses e realizava excelentes pesquisas para escrever seus livros, refletia em suas obras o conhecimento científico de sua época, embora já mencionasse problemas gravitacionais e descrevesse o conceito de órbita planetária, no livro, não cogitava da ausência de atmosfera na Lua, como sabemos hoje. No entanto, esse livro trouxe verdadeiras premonições acerca da conquista da Lua… Os astronautas imaginados por Verne eram 3 americanos e o canhão foi disparado de Tampa, a poucas milhas de Cabo Canaveral, de onde partiram as missões Apollo que chegaram a Lua na vida real. As coincidências não param por aí… O nome de um dos personagens astronautas, Michel Ardan, é semelhante ao Michael de Michael Collins; e Ardan, ao do astronauta Edwin Aldrin) que participaram da primeira expedição ao nosso satélite natural. Contudo, a maior premonição foi colocar o feito nas mãos dos americanos, afinal os EUA, à época do lançamento do livro, era menos que uma promessa de grande potência do futuro, Edison, Ford e os Irmãos Wright não haviam colocado o país na vanguarda da modernidade científica e tecnológica do mundo, o que, na verdade, só ocorreria após a WWII… e não falavam francês, eram anglófilos… e as duas grandes potências concorrentes da época eram a Inglaterra e a França de Verne… Bom, se alguém lembrou da presença e influência francesa no sul dos EUA naquele momento da história e se deu conta que a região onde fica Tampa é no sul dos EUA… pode ser que tenha chegado a um bom palpite… Mas, vejam esse vídeo abaixo, antes de continuarmos com esse papo…

Se alguém ainda não se deu conta, o vídeo mostra o início de um meio ideal, ultra-econômico e rápido de se lançar satélites em órbita. Júlio Verne imaginou um canhão gigantesco enterrado na terra que consumia diversas toneladas de pólvora, tudo eximiamente calculado. Se soubesse da existência de algo semelhante a esse canhão eletromagnético mostrado no vídeo, este é que seria usado por sua imaginação em um disparo em direção a Lua…

Mas existem outras coincidências nesse artigo do Blog Teorias que temos o dever de observar. Esse vídeo do Discovery Channell é recente, foi lançado no You Tube no início desse mês, anteontem uma matéria do site da AOL destacava esse canhão pesquisado pela marinha americana que acreditam estar operacional em meados da década de vinte desse século… Alguém nesse ponto deve estar imaginando que canhões são armas de guerra em extinção, quando sabemos da existência de  mísseis de precisão centimétrica e a coqueluche da aeronáutica moderna que são os aviões não tripulados operados a distância… No entanto, a velocidade alcançada pelo projétil desse canhão é diversas vezes superior as velocidades alcançadas por projéteis de canhões comuns, mesmo os mais recentes e de qualquer míssil existente nos arsenais modernos…  A velocidade é tanta que o projétil pode dispensar uma “war head”, ou seja, explosivos em seu interior, a energia cinética do impacto de um metafórico “tiro de doze” dessa arma, composto apenas de bolinhas metálicas, provocaria tremenda destruição numa área de significativo tamanho, uma verdadeira chuva de aço… Todavia, esse vídeo não menciona, o que o artigo do site da AOL lembra, que essa rapidez permitiria que o invento seja transformado no mais poderoso dos canhões antiaéreos, capaz de derrubar facilmente aviões e mísseis… O tal controverso escudo defensivo… sem os custos de uma Guerra nas Estrelas… a mais refinada Diplomacia de Canhoneira (que bem lembra a imperialista Inglaterra do século XIX onde viveu Julio Verne)… logo agora que a diplomacia tradicional americana sofre esse revés com o Wikileaks… eles resolvem mostrar que se não é de um jeito será do outro, a modo antiga, mas com um belo upgrade… em um momento de crise que mesmo sendo passageira não deixa de demonstrar todas as impossibilidades de longo prazo do sistema… e, para misturar mais ainda os assuntos, lembrando que a imagem do americano que foi a Lua foi a melhor momento da diplomacia americana… Falei em Julio Verne e isso ativou toda minha imaginação… só pode ser…

Ah sim, só para terminar… Os astronautas de Verne acidentalmente entraram em órbita da Lua de onde avistaram água e vegetação e o livro termina assim… para haver uma continuação no livro seguinte…”À Roda da Lua…” quando usam retrofoguetes da cápsula/projétil para tentar aterrissar na Lua, mas, acabam mesmo retornando a Terra por engano com uma descrição completa, muito semelhante àquelas amerissagens dos tempos das Apollos, que caiam no mar para serem resgatadas por porta-aviões…. as mais recentes canhoneiras da mesma diplomacia e que no futuro terão esse canhão eletromagnético… Oh crazy boy… Chega de tomar Verne na veia… 😉

Anúncios

Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

22 respostas para Da Terra da Diplomacia das Canhoneiras à Lua

  1. fbarbuto disse:

    Canali,

    É claro que você está certo: esse canhão eletromagnético não foi pensado para colocar nada em órbita, e sim para acabar com belonaves de nações beligerantes. A esta velocidade, um projétil de apenas 1 kg tem a mesma energia cinética de uma carreta de 10 toneladas métricas a 98 km/h. Dá uma belíssima porrada para um objeto tão pequeno (pense na dissipação de energia por área… holy cow!…). Haja casco de encouraçado pra resistir ao impacto de um treco destes.

    F.

    • João Canali disse:

      Se imaginarmos milhares de pelotas de aço indo em direção a um míssil ou avião, temos um canhão anti-aéreo perfeito, imaginando somar essa capacidade destruidora as capacidades dos radares modernos e a computação gerenciando a mira do canhão… Alguns navios estrategicamente posicionados nas duas costas dotados desses canhões seriam capazes de fazer o tão sonhado guarda-chuva nuclear e fechar o espaço aéreo americano contra qualquer ataque de surpresa… Quer outra? Vamos aliar isso ao desenvolvimento dos capacitores eletrolíticos de alta potência, juntar isso com a captação de energia solar e colocar a coisa toda no espaço a bordo de um satélite militar… Fausto, me corrija se eu estiver enganado, essa coisa não tem recuo, como qualquer canhão regular possui… Logo, podemos imaginar um canhão desses flutuando sobre nossas cabeças, podendo dar tiros precisos e indetectáveis capazes de atingir grandes alvos na superfície terrestre… Melhor do que isso só mesmo algum raio laser muito potente que se inventaram não contaram…

      Agora podemos roubar essas ideias de masturbação de militares e imaginar coisas realmente boas e extraordinárias… Além do meio baratíssimo de colocar uma payload em órbita (o custo de mandar uma satélite de merda em órbita é papo de 20 a 30 milhões) podemos imaginar substituir o projétil por uma cápsula habitável e reduzirmos a potência para termos uma aceleração suportável pelo ser humano… Teríamos um meio de transporte fabuloso… o verdadeiro trem bala, sendo que o cano do “canhão” se estenderia até o “alvo” destino… Atrás dessa coisa, definitivamente, temos um acelerador eletromagnético de objetos, não podemos deixar de nos dar conta disso. Embora o princípio da coisa seja conhecido, há alguma inovação secreta por trás disso, caso contrário não estariam divulgando o projeto, entregando a idéia para concorrentes e/ou inimigos mesmoa antes de estar pronto… tudo ficaria em segredo, se mostram é porque dominam algum detalhe inovador que outros estão longe de conseguir… ou então, a pior hipótese… esteja havendo uma necessidade de intimidação… como a tal Guerra nas Estrelas acabou sendo, mesmo não tendo saído do papel…). O marketing da intimidação ou diplomacia das canhoneiras nem sempre é pouco sutil…

      • fbarbuto disse:

        Canali,

        Colocar algo em órbita ou atingir um caça ou bombardeiro já é outro busílis. Não creio que se dê para fazer isso com Mach 8 “apenas”, pois a força de atrito (a fricção, no popular) que age na superfície do objeto é proporcional ao quadrado (*) da velocidade deste mesmo objeto. Portanto, em alguns poucos quilômetros grande ou maior parte da energia do projétil já teria sido dissipada, sem falar naquela parte que é gasta para compensar a atração gravitacional. Esta aliás é a essência de todo e qualquer míssil ou foguete: queimar combustível para compensar as perdas causadas por estas forças enquanto se mantem ou se aumenta a velocidade do projétil. Contar com apenas um impulso inicial, ainda que um tremendo impulso, pode não ser o suficiente para se atingir o objetivo desejado, a depender do que seja este.

        Só para constar, uma velocidade de Mach 33 (11.2 km/h ao nível do mar) é necessária para um objeto escapulir para sempre do campo gravitacional do nosso planeta – a chamada velocidade de escape. Não é por outro motivo que as missões Apollo com destino à Lua orbitavam a Terra algumas vezes antes de arremeterem com destino ao nosso satélite… em órbita e sem atmosfera para atrapalhar os foguetes conseguiam acelerar até o ponto de escapar pela tangente (num ponto criteriosamente calculado, claro…), e lá em cima a velocidade de escape é menor. Enquanto a velocidade de escape não era atingida no ponto desejado, algumas poucas voltas tinham que ser dadas em torno do Planeta Azul.

        F.

        (*) O quadrado da velocidade é apenas uma aproximação. Não há um expoente assim redondo e determinado para este cálculo, que depende de outras variáveis. A Mecânica dos Fluidos, em especial a parte que estuda os escoamentos externos e a turbulência, é uma ciência bastante complexa e
        com vários pontos ainda em aberto.

      • João Canali disse:

        O melhor que poderiamos retirar desse canhão, de fato, seria podermos lançar objetos em órbita a custos baixos… Mas, quem sabe não imaginarmos tudo em dois estágios, com o impulso inicial forte dado pelo canhão, foguetes de combustível sólido poderiam alcançar a altura de órbita… Sem usar combustíveis líquidos a coisa, em termos de preço e peso, ficaria bem melhor e simples…

      • fbarbuto disse:

        Outra coisa: há o risco de um objeto a Mach 8 disparado de um hipotético satélite em órbita desintegrar-se ao penetrar na nossa atmosfera com o calor gerado pela dissipação da energia cinética.

        Mas não, por sua concepção este canhão eletromagnético não daria coice, ou o famoso “rebuceteio” tipíco dos canhões e armas de fogo convencionais.

        F.

      • João Canali disse:

        Fausto, parece que tudo é uma questão de ângulo de entrada… Se meteoritos de material muito menos resistente do que aço e cápsulas espaciais com escudos de cerâmica entram… Imaginando ser possível essa entrada o projétil poderia ser bolado de modo a se comportar como alguns meteoritos que explodem antes de se chocar com a superfície, como aquele que no começo do século passado explodiu sobre a Sibéria com potência equivalente a diversas bombas de hidrogênio (só na base do deslocamento de ar acredito, praticamente não foram encontrados detritos), destruindo uma gigantesca área (tenho que rever meu documentário… para dar números precisos que pesquisei na ocasião…). Segundo astrônomos e astrofísicos acreditam, parece que cai um desses meteoritos a cada 300 anos, sendo que a maioria cai no mar, para nossa sorte… Parece que explodem a uma determinada altura pois existe uma diferença de potencial entre o calor do interior da rocha e seu exterior… assim como as proibidas balas com mercúrio dentro, ou coisa de gênero… ou seja, dá para simular artificialmente esse tipo de munição para o canhão eletromagnético disparado do espaço.

        Quanto a hipótese do canhão eletromagnético servir como arma antiaéreas ela foi aventada na matéria da jornalista da AOL, não consegui pegar o link, mas acredito que a idéia tenha sido retirada do press-release da marinha sobre a arma pesquisada… Temos que lembrar que a questão da proximidade do alvo entrará em jogo no disparo antiaéreo, afinal a impedância de atrito e efeitos da gravidade descritos por você também afetam munição regular e não é por isso que deixa de haver canhão antiaéreo…

      • fbarbuto disse:

        Canali,

        Ainda que tudo se resuma a um simples ângulo de entrada, há que se considerar que (1) esse ângulo é uma janelinha caprichosa… a antiga URSS perdeu ao menos um cosmonauta (que é como os astronautas se chamam naquelas bandas), o Komarov, por causa deste ângulo. A conjuminação (para usar uma expressão do saudoso Odorico Paraguassú…) de fatores que tornem possível o alvo estar na posição certinha esperando um projétil do espaço acertá-lo é quase uma loteria e (2) depois de atravessar a atmosfera, a maior parte da energia cinética do petardo terá se perdido, isto é, convertido em energia térmica. Melhor e mais barato um tiro de couraçado ou um míssil ar-terra ou terra-terra.

        O que aconteceu na Sibéria, na região de Tunguska, é até hoje um mistério. Acredita-se que foi um pedaço de cometa (isto é, gelo sujo de poeira cósmica) que se desintegrou subita e totalmente pouco acima da região após penetrar na atmosfera, resultando numa lufada de vapor que derrubou árvores sem queimá-las, nem deixando resíduos sólidos estranhos ao local e nem crateras. Isso em 1908… A região era tão desabitada que o evento não matou ninguém.

        F.

      • João Canali disse:

        Fausto, entradas e re-entradas hoje em dia são corriqueiras, até voos turísticos se iniciarão brevemente… Se habilita? Duzentos e cinquenta mil pilas… Não é para quem quer… E só para ver MMs flutuando na cabine… Não teriam dificuldades de calcular ângulos adequados, até porque os testes seriam baratos, já que os projéteis poderiam até ser de cerâmica, a mesma que usam nos “ladrilhos”que cobrem as space shuttles…

        A princípio você tem toda razão ao argumentar que disparos realizados na própria superfície terrestre ou quem sabe desde C-130 preparados para isso, aliás existe uma versão desse avião cargueiro que já possui canhões de médio calibre a bordo para ataques ar-terra, mesmo com o “rebuceteio”… Só que estamos falando de 2 fatores fundamentais em uma ação militar, tempo e “indetecbilidade”, que se resumem em um único fator, o fator surpresa. Posicionar um satélite sobre um determinado alvo e disparar lá de cima, inclusive de fora do espaço aéreo inimigo, já que falamos de ângulos, dá uma tremenda de uma vantagem. Entre uma ordem de ataque e o alvo sendo atingido está toda uma possibilidade de vitória… Por isso os americano iriam as vias de fato na crise dos mísseis, não tenho a menor sombra de dúvida… De Cuba, com os mísseis russos da época, Washington DC seria atingida em algo em torno de 40 minutos… No fundo os americanos sempre impuseram aos russos uma certa desvantagem militar (algumas bases avançadas na Europa conseguiriam tempos semelhantes contra Moscou e os russos aguentaram calados), os submarinos nucleares é que evitaram uma guerra nuclear naqueles anos de guerra fria, eles garantiam que ninguém venceria totalmente ou sairia gravemente ferido.

        Mas, prá quê canhões em satélites se o mesmo fator surpresa pode ser obtido com mísseis a bordo de satélites, uma tecnologia totalmente manjada que corre solta desde a malfadada Guerra nas Estrelas? E note que mísseis anti-satélite tem sido desenvolvidos tanto por americanos, russos e agora, também pelos chineses… Pensando em satélites espiões, que fique bem claro… Por que isso envolve um fato terrível… Que acredito já tenha sido banido em acordos internacionais… Colocar armas nucleares no espaço é uma temeridade contra toda a humanidade, não só contra “inimigos”… Um risco fabuloso… E apenas um míssil com cabeça convencional… bom, já sabemos que as V2 não ganharam a guerra e diversas delas acertaram Londres…

        Fico preocupado de estar imaginando artefatos e meios de destruição, mas o canhão eletromagnético seria o meio mais apropriado de militarizar o espaço, não só por teoricamente poder realizar diversos disparos, não só contra a superfície como também contra outros satélites e naves… Claro que a questão de geração de energia para alimentar o disparo do dito cujo está em aberto… acho que é aí que a coisa pega… O que gasta mais energia, um fecho de laser ou um disparo eletromagnético?

        E por falar em Tunguska… Está vendo só… até gelo entra em nossa atmosfera… 😉 Se aquilo foi um blast de vapor d’água… bicho, vamos inventar então o canhão eletromagnético espacial com balas de gelo… 😉

        Dois anos depois passaria bem perto da Terra o famoso comenta de Halley… pode ser mesmo que tenha sido um fragmento de cometa… a hipótese faz sentido… Um século atrás…

  2. cesarbarroso disse:

    Em suma… está garantida a destruição em massa do futuro, com custo menor, e maior eficiência.

    • fbarbuto disse:

      Com toda a certeza, Cesar… Infelizmente o homem vive pensando em aniquilar o próximo. E não é curioso que as maiores descobertas que hoje usamos como confortos no nosso dia-a-dia tenham sido desenvolvidas para a guerra e/ou durante tempos de guerra? O radar, os foguetes, a turbina a jato, a liberação da energia do átomo, síntese de produtos orgânicos necessários em grande escala a esforços de guerra (acetona, borracha, penicilina), circuitos integrados… e a lista continuaria se a memória não me faltasse.

      F.

    • João Canali disse:

      Temos sempre que ser otimistas César… Veja o lado bom da coisa… Muito embora a recuperação das áreas atingidas de Hiroxima e Nagazaki vá contra a ideia de que guerras nucleares deixem vastas áreas inabitáveis por um periodo de tempo muito grande, superior a geração dos “vitoriósos” que acionaram o gatilho nuclear… Temos que canhões eletromagnéticos, como os tradicionais canhões que tantas guerras acalentaram ao longo da história humana, não causam um tipo de destruição ambiental, como fazem armas nucleares e químicas.

      Poderiamos chamá-los então de armas de destruição de massa ecológicos?

      Não sei… O fato é que eles significam o ressurgimento dos coraçados…

      Vale lembrar que durante o ciclo do pré-sal, digo da borracha, no início da primeira metade do século XX torramos dinheiro adquirindo o que era considerada a segunda esquadra mais poderosa do mundo, só perdendo para a esquadra inglesa… Nessa época, as armas de maior prestígio militar e demonstração de poderio eram os coraçados. O Brasil comprou dos estaleiros ingleses o que seria o mais poderoso coraçado do mundo, à época de sua construção, o coraçado São Paulo, no famoso estilo dreadnought.

      Pois bem, com a curiosidade registrada, tenho a dizer que apenas um coraçado (dentro dessa categoria de navio devido ao tamanho necessário para portar um canhão eletromagnético, com a geração de energia elétrica necessária… seria naturalmente um navio de propulsão nuclear como os modernos porta-aviões…) posicionado no Estreito de Ormutz seria capaz de acabar com as pretensões persas de enrriquecer urânio, sem causar severas baixas entre civis… Digo isso só para exemplificar como seria esse glorioso retorno dos coraçados… Na verdade, me parece que não há mais nenhum em operação… iam descomissionar o New Jersey, último coraçado americano que, aliás, já só eram usados como artilharia contra a costa em bombardeios de saturação, apoiando possíveis desembarques em virtude de seus canhões de longo alcance e projéteis explosivos de grosso calibre… Nada mais contra outros navios em uma clássica batalha naval…

      Bom isso é o que dá ter ficado montando coraçados da Rewell… quando criança e… claro… essa irresistível atração pela arte Guaporé… coraçados necessariamente possuem a anacrônica mística Guaporé… 😉

      Contudo, num ponto você tem razão, uma destruição de massa sem os efeitos colaterais de resíduos radioativos ou químico poderia tentar as grandes potência a tentarem resolver os inevitáveis (até o momento) problemas de um futuro onde o crescimento populacional e consequente aumento de consumo de recursos naturais, condenam a todos.

  3. cesarbarroso disse:

    Acho tudo isso uma grande loucura. Não aceito que povos tenham que ser dizimados, como estão sendo atualmente, para alimentar os nossos carros de gasolina barata, para que a gente possa ir aos shoppings comprar quinquilharias e aumentar os ganhos descomensurados de Wall Street.
    Como ser otimista com a loucura da ganância comandando soberana o relacionamento entre os povos e a economia mundial?
    Você fala, João, de Hiroshima e Nagazaki como o Tim McVey falou de “danos colaterais”. O sofrimento individual não tem mais nenhum valor? Só tem valor quando somos a bola da vez?

    • João Canali disse:

      Cesar, eu entendo o horror moral da situação e o “otimismo” que mencionei foi absolutamente irônico…

      Agora, esse tipo de assunto tem que ser tratado com a crueza necessária para que tenhamos lucidez sobre os acontecimentos… temos quase que chegar ao nirvana da neutralidade em algo que é horror puro… Médicos discutindo como a doença está atuando, para então decidirem o que vão amputar no paciente, pessoas de bem pensando como um ladrão agiria para entrar em suas residências, para então colocarem proteções e alarmes… São exemplos de quando temos que focar apenas nos fatos técnicos da questão. Se enterrarmos a cabeça no buraco como o avestruz não faz, ficamos sendo apenas testemunhas indefesas e sempre pegas de surpresa… É recorrente o pensamento que devemos deixar de falar daquilo que condenamos ou temos medo, como se o pessimismo ou o hiper-realismo atraísse o malefício… mas, isso é cacoete místico… Acredito que ficamos mais preparados para saber qual será o próximo lance de quem mata para poder encher o tanque da SUV ao invés de estar buscando com mais afinco energias alternativas…

      Se tivermos que anexar condenações morais óbvias quando tocamos temas militares, embotaremos o lado técnico da coisa e esse lado técnico, além de ter aspectos prá lá de interessantes e úteis (como o Fausto lembrou) é onde se esconde muitas vezes o truque do mágico que todos queremos descobrir, para saber exatamente o que se passa atrás de grandes decisões de interesse da humanidade. O mundo militar é encoberto de segredos e articular esses segredos com estratégias políticas é chegar bem perto das provas do crime… e aí sim a coisa vai para júri popular para a devida condenação dos gorilas, já que somos chipanzés e orangotangos… as vezes micos também, vá lá…

  4. Max Dias disse:

    Fausto (grande abraço), João, esse assunto é mesmo muito interessante, e o desenvolvimento desse principio já velho só continuou adiante pelo interesse militar. De fato, como arma, a aplicação do eletromagnetismo já existe há mais de 20 anos, quando vi publicada na Popular Science uma matéria sobre o “Fuzil Eletromagnético”, um objeto do tamanho de uma metralhadora, que disparava um projétil cúbico. Na nota, a revista comentava que o unico defeito do “device” era que ele se auto-destruía após o uso. Pelo jeito evoluiram; o problema é saber que energia precisariam ter as baterias do caminhão para ficar livre da tomada. Mas o “MagLev” alemão, que tem um exemplar construido em Shangai para chegar ao aeroporto distante 40 km em oito minutos, a mais de 400kmh, também segue o mesmo principio e, como vcs sabem, levitando sem tocar a superficie do “trilho”. Esse principio foi criado pelo genio croata Nicola Tesla, ao criar o motor elétrico do tipo “gaiola de esquilo”. O Maglev e o canhão eletromagnético são de fato motores elétricos abertos, de raio “infinito”, e teóricamente poderiam atingir 150mil kmh, desde que não fossem expostos ao atrito com o ar. Aliás, Canali, já conversamos uma vez, sobre a lenda do meteoro de Tunguska ser resultado de uma experiencia de Tesla em Springfield, que resolveu homenagear o Almirante Peary pela conquista do Polo Norte com uma aurora boreal especial e errou a dose, e a bola eletromagnética passou por cima do Polo Norte foi explodir lá em Tunguska… Interessante como tudo se interconecta. Não é atoa que os ultimos anos da vida Tesla são um mistério, pois o governo americano o recolheu a um laboratório e nunca mais se ouviu falar dele! Um abraço.

    • João Canali disse:

      Max, o Cesar deve ter lido o seu comentário e me mandou o seguinte link:

      http://www.reformation.org/tesla-and-tunguska.html

      Agora deixa eu falar de arrepio… Eu li o email do Cesar antes de ler o seu comentário… E já estava achando uma tremenda coincidência estar comentando sobre o canhão eletromagnético, cogitar de disparos desde um satélite militar e o Fausto lembrar de Tunguska e o Cesar me mandar um email relacionando a coisa ao Tesla (que tem tudo a ver com um canhão eletromagnético, já que foi ele que inventou (entre tantas coisas, inclusive o radio… Marconi “usou” nada menos do que 17 patentes anteriores de Tesla… hoje ele é reconhecido oficialmente como o inventor do radio… e isso é outra historia…) o motor elétrico alimentado diretamente por corrente alternada… E aí começo a ler o seu post mencionando Tesla… Que que é wilson, deixa dilson… Até eu me tocar que o Cesar deve ter pesquisado em cima do que leu em sua mensagem… Pensei que a centelha de coincidências de 2010 tinha sido acionada novamente em grande estilo no apagar das luzes…

      Não me lembrava de que já havíamos conversado sobre esse tópico… Tenho pesquisado a vida de Tesla de tempos em tempos, uma espécie de febre que vai e vem… Uma das versões do fim de Tesla, escrita por uma admirador (quem não se admira…) fala que ele morreu em um hotel cabeça de porco de New York (pouco antes de ter a patente do radio reconhecida a ele… Marconi quis cobrar royalties da marinha americana por ter usado o radio na WWI… aí já viu né… a juizada desarquivou o processo movido por Tesla contra a patente de Marconi e lhe deu ganho de causa… como Tesla nunca casou ou teve filhos, não houve herdeiros e o radio virou domínio público para sorte geral de todos nós…) em um quarto com o número 3 (se não me engano… imagine só que o cara era supersticioso aos extremos só morava em casas de um determinado número, segundo esse relato… coisa de cientista maluco cercado por campos eletromagnéticos… se atraindo e se repelindo…). Estaria meio louco, conversando com uma pomba que sempre lhe vinha a janela (há uma interpolação quanto ao aviso da morte dado pela pomba, vale a pesquisa…) e com pouquíssimos recursos…

      Já acharam até que Tunguska é prova de aterrissagem de UFOs… Me custa crer que o Pentágono e outros gorilas do resto do mundo não tenham igualmente ouvido essa história e posto gente pesquisando o assunto… Temos que imaginar que se nela houvesse alguma verdade tangível já saberíamos da pior maneira possível, inclusive… A genialidade de Tesla resistiria a todo o avanço de conhecimento tecnocientífico que se obteve desde sua morte?

  5. cesarbarroso disse:

    João,
    Não fiz menção ao comentário do Max porque achei que você já o havia lido. Fui pesquisar após ler a informação do Max sobre Tunguska.
    Certamente americanos e russos sabem a verdadeira história, mas não convém trazer a público, se realmente a catástrofe foi provocada por Tesla.

  6. fbarbuto disse:

    Canali,

    Em primeiro lugar deixe-me retribuir o grande abraço que o Max me mandou.

    Sobre o episódio em Tunguska, ou melhor, na região de Vanavara, na Sibéria… Estamos lidando com grandes quantidades de energia aí. A Wikipedia diz que o evento dissipou o equivalente a 1000 bombas de Hiroshima, uma quantidade bestial de energia. Mas digamos que a Wikipedia errou feio, e o evento dissipou “apenas” 10 bombas iguais à de Hiroshima, ou 150 kilotons (630 trilhões de Joules) em algo como 5 segundos. Isso daria uma wattagem 1260 (mil duzentos e sessenta) vezes maior do que a tal maquininha do Tesla que aparece no link que o Cesar mandou, que seria capaz de “juntar” 100 bilhões de Watts. É muita energia, meus preclaros conterrâneos. Indisponível na época, mesmo nos EUA, país industrializado. Ponham-se na época: era o ano da graça de 1908, na Rússia imperial tzarista. Houve uma expedição oficial de cientistas russos pré-soviéticos ao local, que além do espanto não trouxe para Moscou nenhuma explicação para o fenômeno. Que é aliás como estamos ainda hoje, apenas divagando sem ter certeza do que realmente aconteceu.

    Perdoem este chato de galochas que gosta tanto de fazer contas… É cacoete da profissão. Mas ou as minhas contas (ou as dos outros) estão muito erradas ou tem gato gordo nessa tuba. O certo é que há contradições, e nada melhor do que a ponta do lápis para colocar as coisas no devido prumo.

    Essas lendas urbanas, combinadas com a fama de cientista louco do Tesla mais a tal torre mostrada no link deram adubo para um filme, “The Prestige“, no qual o próprio Tesla é retratado. No caso, bossais quantidades de energia são usadas não para sacanear a vida de esparsos e ocasionais siberianos, mas para duplicar pessoas… Mais não contarei para não estragar a alegria de quem ainda não viu o filme mas pretende fazê-lo. Eu até gostei da película, mas eu tendo a gostar de qualquer coisa com a Scarlett Johansson… 😉

    F.

    • João Canali disse:

      Fausto, também vi The Prestige… Estrelado pelo último Batman e pelo atual e único Wolverine no papel do Tesla… Como você deve saber, um cenário totalmente Guaporé com maquinários antigos capazes de feitos extraordinários… Aliás, Tesla, em final de carreira ou levantando fundos para a próxima experiência, fez diversos shows de teatro demonstrando efeitos eletrostáticos e outros… Quanto a Scarlett Johansson você tem excelente gosto ou, melhor dizendo, igual ao meu… que passei para meu filho do meio… a mãe do Victor, do Nikolas (coincidência?) e da Isabela, meus netos, é do porte da Scarlett, impressionante a semelhança… O Cesar poderá atestar o que digo…

      O que me impressiona é o wireless de Adriadne (vamos modernizar) em toda essa conversa… Existe de fato um aproveitamento midiático e ficcional em torno da figura de Tesla… Afinal muitos reconheceram ao longo do tempo que o que ele inventou e desenvolveu em Niagara Falls, a primeira hidroelétrica funcional do mundo, todo o maquinário necessário a geração e transmissão de corrente alternada, causou um adiantamento tecnológico de uns 30 anos para toda a humanidade… Se a corrente contínua que o ganancioso e reconhecidamente usurário Edison tanto queria implantar para a eletrificação dos EUA (e que seria imitada pelo resto do mundo pois, na época, os EUA lideravam os conhecimentos nesse setor importantíssimo, apesar de ainda ser uma “roça de aventureiros” aos olhos europeus, onde estava o centro do mundo…) fosse escolhida, isso atrasaria e muito todo o desenvolvimento tecnológico do mundo… Edison inventou a cadeira elétrica com o intuito de denegrir a transmissão de corrente alternada, onde os choques poderiam ser fatais… Por sorte (nossa) houve um fiasco técnico e o primeiro executado (que – para piorar – parece que as provas de sua culpabilidade não eram convincentes… a tal “roça” ainda enforcava ladrões de cavalos nas pracinhas dos estados onde os Bush da vida seriam governadores…) não morreu de primeira… Foi uma carnificina, sentia-se cheiro de churrasco em volta do presídio!!! Tudo para marketear o método de transmissão de energia elétrica por corrente contínua… Essa é uma historia que tem que ser repetida muitas vezes para que as novas gerações tenham um bom exemplo de como a ganância pode ser perigosa, se a considerarmos como mola isolada dos avanços tecnológicos.

      Seguindo o nossa corrente wireless temos que o grande sonho de Tesla era a transmissão de eletricidade sem fio… Que significaria o fim de todo um colossal faturamento e uma alforria produtiva que teria mudado os nossos destinos… O suficiente para sumirem com ele, matá-lo, desacreditá-lo, etc…

      Somente agora, praticamente um século depois, a coisa de uns 2 anos foi liberada a informação de que ela é possível… Ainda está limitada timidamente a carregadores de celulares e gadgets, mas o princípio de escala pode ser imaginado… assim como um dedo de controle industrial do tipo conspiratório… diante uma nova possibilidade que trará prejuízo a indústrias estabelecidas…

      Eu diria que para aceitarmos a possibilidade de Tesla ter provocado o blast energético sobre Tunguska – você tem razão – teríamos que imaginar que ele inventou um amplificador elétrico, algo capaz de aumentar uma simples voltagem em um terrível choque… Algo como uma arma de choque elétrico é capaz de fazer, pegando a energia de uma bateria de 9 Volts e provocando uma descarga capaz de derrubar um ser humano… Aquela mesma bateria quadrada a qual encostamos os dois pólos na língua para saber se ainta tem carga ou não… Sei que você terá a explicação do que se passa aí na ponta da língua… mas uso essa idéia para explicar o que Tesla teria que ter feito em termos de arranjar energia para provocar Tunguska… e sendo assim não seria o caso de fazermos contas para sabermos como ele teria gerado tal energia…

      Meu próximo post… com sorte ainda hoje… voltará a todo esse assunto seguindo esse wireless de Adriadne…

  7. Max Dias disse:

    Amigos, vai ver o croata fez de fato o primeiro canhão eletromagnético e queria acertar o JP Morgan em Boston, que fechou a bica do dinheiro e pediu a falencia dele, segundo a história do site. Tesla é realmente uma figura fascinante. A essa versão (oficial) de que morreu num hotelzinho é contraposta uma outra, de que na verdade foi sequestrado pelo governo americano e morreu muito tempo depois. Bem, toda lenda motiva mais lendas.
    BTW, estou muito curioso sobre o novo carro Tesla, elétrico, a ser posto no mercado em 2012, em dois modelos, um esportivo e um 4 portas. Zero a 100 em 3.7 seg, 400 km de autonomia com uma carga, &C. Tem um site muito atraente. Quando apareceu a primeira vez numa revista, era o tal modelo esportivo (“roadster”) e dizia que era movido por 700 baterias de celular. Quanto dá isso em peso? Uns 15 kg? Uma bateria comum pesa mais que o dobro… Que é que vcs tem ouvido falar por aí? Essa história é mais um golpe, ou é pra valer? Um abraço, Max.

    • João Canali disse:

      O próximo post está saindo do forno e não deixa de abordar o mesmo tema que você está puxando, aliás vai em cima do tema… Estou impressionado com a telenetworking wireless dessa conversa…

  8. cesarbarroso disse:

    Olá, Max,
    Prazer em conhecê-lo através do Teorias.
    O defunto Leia Junto tem algumas notícias sobre o carro: http://leiajunto.wordpress.com/2010/05/20/toyota-investe-us50-milhoes-na-tesla/
    abraço,
    Cesar

    • Max Dias disse:

      Olá César, o prazer é todo meu. Agradeço o link, e também ao prezado amigo João, que está fazendo blog de bom material. Quanto ao Teslacar, o preço do bicho é que é espantoso: US$109,000.00. Espero que as pilhas sejam mesmo recarregáveis…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s