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Eu sei que eu sou o cara, Sr. Embaixador...

Ainda está vindo coisa por aí, mas, até agora os danos causados pelos vazamentos divulgados até o momento não podem ser considerados graves ou não trazem novidades maiores que possam merecer o label “Top Secret”. Tudo na verdade está dentro do senso comum da maioria das pessoas que acompanham o noticiário internacional… Não é entregado nenhum suposto inimigo que na verdade é “amigo” e tão pouco o inverso. E sabemos que o embaixador não manipula o conhecimento que determinado conglomerado de mídia de um determinado país é manipulado a partir de suas dívidas nos EUA, isso é um affair da CIA e não da diplomacia americana…  As informações estão sendo filtradas em interesse a partir de grandes conglomerados de mídia, fica a dúvida se haverá outros tipos de filtragens… Seria útil se fosse montado um database específico com o conteúdo das mensagens, algo como o Google faz com uma quantidade milhões de vezes maior de texto, por exemplo. Poderíamos assim, fazer busca por palavras chaves, o que ficaria muito mais transparente.

Claro que algumas informações podem nos levar a desconfiar de muita coisa, mas, se pensarmos bem, são coisas que apenas reforçam antigas desconfianças e não danificam desconfianças pré-existentes. Sempre soubemos que os EUA, como qualquer outro país, defende seus interesses e, igualmente, sempre soubemos que alguns rotulam essa defesa de interesses como imperialismo… Ok, o incômodo ficou por conta do conhecimento explicito (nomes de personalidades conhecidas, ao invés de suposições) de como os embaixadores americanos encontram interlocutores dentro dos governos de outros países e como existe uma espécie de subserviência ao “grande irmão do norte”, mas todos sabiam que no fundo era assim… que existem ajudas financeiras e acordos pré-existentes diversos que dependem desses “diálogos” de quem beija a mão do poderoso chefão… Como se cada embaixador tivesse a cara de Marlom Brando no papel de Don Corleone.

Continuo com a opinião que o fato mais extraordinário realizado pelo Wikileaks foi o de demonstrar como o chamado quarto-poder está atuando de uma maneira dependente de uma censura indireta de anunciantes, patrocinadores e investidores privados ou estatais. Afinal, desde o caso do Watergate, há redondos 40 anos atrás (puxa, como estamos velhos!) nunca mais tínhamos visto um vazamento de informação que tivesse tido tanta repercussão. Hoje sabemos que os dois repórteres do Washington Post foram informados por um indivíduo de dentro do próprio FBI, apelidado por eles de Deep Throat ou garganta profunda. E olha que não intimidaram os dois repórteres tanto quanto estão intimidando o Assange… que não fez o que seria o pior, que é interpretar e ou julgar a atuação dos embaixadores americanos levando em consideração o relacionamento com os países envolvidos e os fatos em si mesmos…

Como não está havendo interpretação e julgamento das informações vazadas, vamos pegar alguma coisa só para exemplificar onde realmente mora o perigo:

Manchete: Laboratórios dos EUA temiam Lula sobre patente de remédios anti-Aids

Isso ocorreu no primeiro mandato de Lula e bem demonstra como o governo americano defende os interesses de suas companhias multinacionais, principalmente, no quesito das patentes de propriedade industrial e intelectual (software principalmente). As conversas demonstram a existência de aliados ou pessoas e grupos que concordam com os interesses americanos por conveniências não inteiramente esclarecidas (como disse anteriormente, qualquer colaboracionismo pago ou obtido através de chantagens de qualquer natureza não é da alçada do corpo diplomático… portanto, o que será informado sempre terá um freio natural em termos de relevância para possíveis escândalos). Temos ainda que o vazamento demonstra um ponto fraco, o que temem que aconteça… que na realidade, na maioria das vezes, é o que fariam estando na posição adversária. Então, se quisermos usar a imaginação podemos supor acordos do tipo: Não mexa nas patentes que eu (ou meus aliados daí…) não revelo que “você sabia”… Para bom entendedor meia palavra basta… Isso é apenas um exemplo dentro de um quadro hipotético feito com ilações… Então, como disse, nada além do que supomos que possa acontecer ou aconteceu, entretanto, ao interpretar a notícia eu coloquei um veneno, uma pimentinha, Assange não fez isso.

Vocês querem mais dessas interpretações venosas? Se dez pessoas diferentes disserem que sim… Eu continuo com isso no blog… até que me arranjem  3 louras suecas para eu traçar consensualmente sem camisinha… 😉

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
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