Midas Patinhas da Silva a Seu Dispor

Está na hora de uma revista brasileira de negócios estabelecer o seu próprio ranking anual de grandes fortunas brasileiras.  Afinal, uma matéria como essa tem tudo a ver com um grande e meritório esforço de reportagem em virtude dos milionários e bilionários de todo mundo e em especial os brasileiros terem, em tese, grandes razões e possíveis motivos para esconderem suas fortunas:

__ Medo da criminalidade do país, perda de privacidade com aumento da segurança.

__ Medo da origem escusa ou politicamente incorreta da fortuna.

__ Medo do elemento cultural que favorece a inveja e a maledicência correlata.

__ Medo da responsabilidade política que acarreta uma grande fortuna.

__ Medo da exposição pública, por timidez pessoal e/ou elitismo/elegância.

__ Medo da solicitação de pedintes em geral ou pretendentes a “grandes” novas parcerias.

__ Medo do encarecimento de todos os bens e serviços que lhe serão ofertados.

__ Medo de aumento de bajuladores e falsos amigos interesseiros.

Para facilitar a reportagem temos que a exposição de fortuna pessoal  também trás algumas vantagens:

__ Abertura de novos negócios com o crédito auferido pela publicidade da fortuna.

__ Aumento da influência/imunidade política e social. Em outras palavras: Poder.

__ Aumento de ofertas sexuais… Alguém tem dúvidas? Pergunte a um mentiroso.

__ Auto-afirmação pessoal e vaidade. Muito comum entre os novos ricos.

__ Enfrentamento psicanalítico dos medos associados a riqueza.

__ Suporte que a riqueza dá a posicionamentos místicos, políticos e filosóficos.

Correndo por fora a qualquer tipo de escolha do afortunado, temos a inevitabilidade da exposição pública da riqueza… Não dá para esconder quando a fortuna é grande demais. E esse parece ser o caso de Eike Batista, oitava fortuna mundial segundo a revista Forbes e, até segunda aclamação, o homem mais rico do Brasil. Essa semana a revista Época Negócios trás uma matéria que informa que Eike estaria montando seu próprio partido político…

O que posso dizer do Eike é que ele tem bom gosto, a Luma de Oliveira realmente foi/é uma diva da sensualidade brasileira. Qualquer preço em escândalos que geralmente  se associam aos relacionamentos com uma vedete (uma condição de ser de algumas mulheres), foi bem pago, nesse caso específico. Sua fortuna foi obtida no modo tradicional das grandes fortunas brasileiras, um pai que foi ministro e ele não fez cara feia, aproveitou-se até o talo das inevitáveis vantagens e ligações… Mexeu com vantagens indevidas, dizem as más línguas de sempre… Claro, que o cara mais rico de qualquer lugar do mundo sofreria com inveja e maledicências, contudo, não é de Eike que quero falar, mas dessa possível “saída do armário”, desse ato de assumir a plutocracia. Alguns líderes mundiais foram e são pessoas ricas, como o Berlusconi da Itália, por exemplo, no entanto, a maioria dos governantes mundiais, de qualquer forma, estão a serviço das maiores fortunas de seus respectivos países. Poderíamos até ir mais longe e verificarmos que no frigir dos ovos… as democracias não passam de disfarces para a plutocracia que na verdade impera como o regime mais comum do planeta.

Mas não é das plutocracias que eu quero falar também… Quero falar da excelente oportunidade que se consubstancia no fato de um homem de negócio fundar um partido e afirmar que os seu integrantes seriam pessoas consagradas por serem bons gestores. Partidos ligados a empresários não é novidade nem no Brasil nem no mundo, como vimos o que impera é a plutocracia…

Poderia até aproveitar esse ponto do texto para desmascarar uma recorrente farsa e dizer que os impostos são exorbitantes no Brasil – partidos de empresários, como o partido republicano americano, lutam sempre por manter impostos baixos – porque no fundo a burocracia de recolhimento entrava de tal modo a ascensão dos pequenos negócios que acaba compensando as corporações tradicionais e quatrocentonas não terem um determinado volume de concorrência que os faria cair… Os altos impostos de importação do Brasil, que passam como uma proteção ao empresariado local, são o exemplo do que estou falando, de forma semelhante, os altos impostos e correlata complicação de pagamentos de subornos a fiscalização e caixa-dois, inviabilizam a maturação da maioria dos pequenos negócios, deixando livres o alto empresariado de uma concorrência que lhes seria mortífera… ficam só na reclamação, não acionam os políticos que possuem nos bolsos para mudar a situação… a coisa é estrutural, não adianta tentarmos encontrar nomes nessa questão…

A idéia de que empresários bem sucedidos em seus negócios particulares dariam excelentes administradores públicos também é da turma da Sé de Braga… Já foi tentado diversas vezes e não há nenhum caso notável no mundo, vai ver porque não se pode fazer downsizing com funcionários públicos (e logo Cuba vai tentar fazer isso… que mundo louco…). Temos também  a recorrente e fracassada ideia de que homens ricos não precisam roubar ou, pelo menos, não roubar tanto quanto um Zé Mané que chafurdou em vida partidária para alcançar um cargo de relevância política… Quem pensou isso esqueceu-se da doença que é a ganância… Ontem mesmo os meliantes de Brasília, na caverna do Ali Babá do congresso, “mais uma vez de sempre” coonestaram essa ideia aumentando exorbitantemente seus próprios salários… Aquilo deveria sofrer uma invasão do BOPE também, enfim… acho que a Marinha não quis emprestar os blindados por não serem a prova do odor de excremento…

O que há de bastante aproveitável nessa possível intenção do Eike de fundar um partido é que, de fato, precisamos de partidos que tenham em sua direção fundadora uma diretriz voltada para a eficiência de gestão a ponto de ter uma bancada uníssona com as propostas e metas adotadas. O político empresário por si só não garante a meta de eficiência, já uma organização partidária pode sim se comportar como uma empresa e quem sabe daí termos alguma bela surpresa, para fugir da mesmice do cenário público brasileiro que na verdade, poderíamos dizer, não passa de um grande partidão único da fisiologia, com sucursais que fingem fazer concorrência.

Fora isso… Não posso deixar de encarnar um dos medos da exposição da riqueza… Como pedinte, gostaria de lembrar ao Eike, – que boas línguas disseram ter simpatias alvinegras – o quê adianta ser o homem mais rico do Brasil se o nosso time do coração está precisando tanto de um apoiador/armador, um Gérsinho, um Didizinho, um Rivelinozinho… Se eu pudesse eu ajudaria… Mas essa crise americana está sendo realmente um castigo…

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
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