Psicogenética Previnirá Cornos

Esta semana foi divulgada uma pesquisa que indica que a presença de um gene, o DRD4, predispõe seus portadores a um comportamento de incontinência sexual e maior predisposição a infidelidade nos relacionamentos amorosos.

O gene, apelidado pelo chefe da pesquisa Justin Garcia da Binghamton University do Estado de Nova York, como o “gene da traição”, está presente em uma entre cada quatro pessoas e foi alvo de uma investigação que envolveu 181 estudantes voluntários.  O resultado da pesquisa revelou  que os portadores do DRD4 traiam seus parceiros de relacionamento amoroso duas vezes mais do que os sem esta característica genética.

De forma mais abrangente, Garcia relata que, na verdade, a presença do gene parece induzir a uma menor satisfação com doses de dopamina, o hormônio do prazer, que satisfariam pessoas não portadoras do DRD4.  Os desdobramento da descoberta, admitem os pesquisadores, são mais abrangentes que a questão sexual. Acreditam que o gene tenha surgido na cadeia do DNA humano entre 30 e 50 mil anos atrás, período este em que o ser humano saia da África para povoar o resto do planeta. A presença de pessoas portadoras do DRD4 teria sido importantíssimas nessa imigração, já que seriam responsáveis pelo impulso em rumo ao desconhecido, já que seriam pessoas “aventureiras” por natureza.

Apesar de serem enfáticos em relação a possibilidade dos valores adquiridos da sociedade serem capazes de permitir escolhas e auto-controle das atitudes em sociedade, os pesquisadores acreditam também que poderá se tornar comum, em futuro próximo, as pessoas testarem a presença do gene DRD4, como parte dos rotineiros exames pré-nupciais de compatibilidade conjugal.

Feito o dever de casa de dar a notícia, passo a comentar, tentando resistir ao máximo as diversas piadas fáceis que me ocorrem… Resisto em função da importância do que deve ser observado nesse momento de início da psicogenética, que, creio, dominará o estudo da mente, agregando valor as terapias e conhecimentos pré-existentes. Todavia, estamos assistindo ao início de uma tecnologia com alto potencial de mudar rapidamente as sociedades humanas como a conhecemos, ainda dentro de nossa geração.

Se até esse ponto da história humana a esmagadora maioria dos preconceitos eram baseados em fatos fúteis de origem cultural ou sem fundamento científico, o conhecimento das predisposições genéticas poderá nos levar a uma sociedade que escolhe trabalhadores, maridos, esposas, sócios, amigos, dirigentes, etc., em função de características facilmente identificáveis através do material genético. Fatalmente, embriões serão abortados para se formar uma sociedade eugênicamente perfeita.

De certo, não trago nenhuma novidade maior, já tivemos diversas obras de ficção científica que abordaram o tema, para não falarmos no nada ficcional “ensaio” nazista, o que estou tentando fazer na verdade é flagrar para o leitor do Blog Teorias o começo desse inevitável futuro.

Que os próximos passos da evolução da espécie humana se dará por um processo de “seleção artificial das espécies” não tenho a menor dúvida… A dúvida que possuo é se a geração anterior a seleção estará apta ao serviço de fazer boas escolhas e se a transição para o próximo passo da espécie será bom de se assistir por quem, certamente, não será “mudado”.

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Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
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8 respostas para Psicogenética Previnirá Cornos

  1. evandro barreto disse:

    O tema me lembra uma das reflexões mais lúcidas de George Bernad Shaw:

    “Nada prova que a espécie humana seja a derradeira experiência da natureza”

    Abs,
    Dodô

    • João Canali disse:

      Evandro, engraçado que já li uma reflexão muito parecida com essa e que provavelmente foi uma adaptação… Não sei quem foi que disse… “Nada prova que a espécie humana seja a última evolução dos símios”. Se Darwin fosse posterior ou contemporâneo a Bernard Shaw seria uma forte candidato a essa autoria… como não é, deixa eu hackear essa autoria que costumeiramente “achados” são “roubados”… 😉

  2. fbarbuto disse:

    Antes desta manipulação psicogenética terão que inventar um remédio potente que combine Viagra com Dramin e Gardenal, pro sujeito fazer sexo sempre com a mesma mulher sem enjoar nem enlouquecer… 😉 Piada à parte, me fascina ver como a Ciência descobre a cada dia que passa detalhes cada vez mais obscuros da nossa natureza animal. Aliás, a Ciência é o único caminho que nos permite chegar a mais de um destino sem exclusão, aproveitando toda a viagem e a paisagem.

    F.

    • João Canali disse:

      Fausto, o pior cenário é se todos os avanços científicos que estamos obtendo não forem seguidos de um avanço nos costumes sociais… Estamos acostumados a ver sair da mais pura das ciências terríveis armas de guerra… Como será sair da ciência armas para uma mentalidade falso-moralista imperante? Afinal avanços e descobertas como essa que noticio são feitas em um país onde policiais femininas se disfarsam de prostitutas para prenderem incautos solitários noturnos… Podemos ficar imaginando coisas assim:

      “Senhor juiz, o suspeito de uso de prostituição foi encontrado em um night club e recusou-se a cuspir no detector de DRD4, digo, doar sua saliva para o exame…”

      “O acusado é portador do virus HIV, do gene GBV24 que indica tendências homossexuais e do gene DRD4 que indica tendências a uma maior promiscuidade sexual… Em outras palavras, senhor juiz, é uma bicha louca que deve ser afastada do convívio sexual, antes que consiga entrar em algum seminário.”

      Mas, concordo contigo e acrescento que o preço a pagar pelo conhecimento tecno-científico será sempre baixo se pensarmos que só através desse saber conseguiremos encontrar e/ou dar um sentido para a existência humana que, como já lhe disse algumas vezes em comentários passados, não pode ser apenas esse exercício de como melhor nos conformarmos com a inevitável morte, com esse historico enfeitar da sala de espera da grande funerária que é o nosso planeta.

  3. cesarbarroso disse:

    João,
    Acho que a seleção artificial das espécies está sujeita a não ocorrer por causa da destruição que será causada pelas catástrofes oriundas do aquecimento global. Haverá certamente uma diminuição formidável do número de humanos na terra, devido às grandes fomes que ocorrerão com perdas de colheitas. Hoje, não me lembro onde, houve protestos pelas vítimas humanas do aquecimento global: enchentes na Colômbia, desmoronamentos na América Central, e por aí vai.

    • João Canali disse:

      Cesar, lógico que a possibilidade aventada por você está na pauta dos possíveis acontecimentos futuros que determinarão a existência do homo sapiens sapien 2.0 e/ou do almejado “Imortalicus Intergalaticus Customizable Homo Sapiens X3 – Semi-God Model”.

      Mas, não posso deixar de reparar que a projeção que você trás para o debate carrega uma cruel saida para uma ameaça maior (porquanto mais concreta e previsível) que o aquecimento global, que é o problema demográfico que se conjuga com a excasses dos recursos naturais, mesmo não se considerando os agravantes do aquecimento global.

      As duas ameaças são como que de certa forma excludentes uma da outra, a depender da rapidez com que ocorram de forma concomitante e do equilibrio que se alcance entre uma e outra. O aquecimento dezimaria a ameaça populacional de forma proporcional, sou obrigado a dar esse funesto detalhe.

      O que coloca o HSS 2.0 em risco é a perca da base de conhecimento humano, que só ocorreria diante de uma grande caos social de escala planetária ou uma interrupção abrupta dos meios físicos onde se elabora a ciência no mundo. Ao contrário da nossa grande ameaça de estimação (que não está totalmente fora de questão, até mesmo como resposta as outras ameaças… voltarei a esse tema… que é a cara do Blog Teorias), uma devastadora guerra nuclear, essas novas duas ameaças não possuem um “Day After”, isto é, o perfil de destruição que apresentam se dá ao longo de décadas, dando chance a descoberta de novas tecnologias que façam frente aos problemas e até que se encontre um equilibrio qualquer, uma salvação qualquer… o que precisamos é de tempo.

      Em outras palavras, a grande ameaça é a Guerra Nuclear, ela é a que ceifa com maior contundência nossas chances de lidar com as ameaças. Como toda guerra ela é resolvida politicamente, e, sendo assim, nos dá chance de participar da salvação da espécie sem sermos laureados cientístas do MIT ou alguma das poucas outras universidades que realmente importam quando se fala de ciência. Aproveitemos pois.

  4. cesarbarroso disse:

    João,
    Imagine que eu havia esquecido da guerra nuclear. Certamente ocorrerá nas próximas décadas.

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