Brasil no Octogésimo Oitavo Lugar!!! Ótima Colocação!!!

Não é mais um desses lugares no ranking de subdesenvolvimento… Não é um lugar no IDH mundial ou essa última vergonha, a péssima colocação na avaliação PISA/ODCE de estudantes… Não estou ironizando o Patropi… É a nossa atual colocação na macabra lista de suicídios entre os países do mundo, que o leitor do Blog Teorias pode ver de forma completa e atualizada para até esse ponto de 2010 em:  http://chartsbin.com/view/prm

Poderíamos afirmar sem muito receio que essa pouco divulgada lista é, na verdade, o “felizcímetro” do planeta.

Notem como os ex-países da antiga União Soviética se destacam e estão em primeiro… Alguém tem idéia do por quê disso? Será que foi Chernobyl? Alguma radiação que ficou no ar? Muito frio e muita Vodka? Eu aposto algumas fichas na estranha passagem do comunismo para uma economia de mercado que nunca foi bem explicada pela mídia ocidental… Afinal o cara no regime comunista tinha um empreguinho o qual, para a maioria, rendia uma micharia qualquer, mas que dava para a Vodka de cada dia… isto é, quando esta tinha a disposição, como todos sabem havia muita falta de abastecimento, como na Cuba de hoje… O estado tinha que arrumar qualquer coisa para os indivíduos fazerem, ele não tinha muita escolha entre aceitar ou não aceitar, mas havia uma garantia de sobrevivência com o pouco que fosse… Então o regime muda da noite para o dia e o emprego certo se torna incerto, como é numa economia de mercado… Será que é essa insegurança em um lugar tão frio como aquele? Chamo atenção novamente para como somos mal informados acerca da transição que houve naquelas sociedades. O muro caiu e quero crer que foi para o lado direito de quem olha o mapa da Europa, em cima da cabeça daquela gente…

P.S. Buscava uma ilustração para esse artigo e fiquei estupefato com o que encontrei. Quem mata essa charada?

Anúncios

Sobre João Canali

Jornalista brasileiro e norte-americano residente em Miami, produtor e apresentador do Seriado Teorias (You Tube).
Esse post foi publicado em Cultura Popular, Uncategorized. Bookmark o link permanente.

16 respostas para Brasil no Octogésimo Oitavo Lugar!!! Ótima Colocação!!!

  1. cesarbarroso disse:

    Santos Dumont foi suicida.

  2. cesarbarroso disse:

    João, mate a nossa curiosidade.

  3. João Canali disse:

    A forma como Santos Dumont escolheu para se suicidar foi o enforcamento. Enforcou-se com a sua própria gravata e não com o tradicional nó de enforcamento que, nessa foto, é lembrado pelas amarras que suspendem o 14 Bis. Será que só eu percebo a semelhança com o nó de enforcamento que, pelo ângulo de tomada da foto, fica bem atrás do pescoço do nosso maior herói tecnológico… Talvez tenha ficado estupefato pela coincidência de estar procurando brasileiros famosos que haviam se suicidado… Poderia ter escolhido uma foto exclusiva do Getúlio morto na cama com o revolver na mão… Contudo, me rendi a essa foto que me pareceu uma espécie de premonição…

    Não vou perder a viagem… A lenda fala que Dumont teria se suicidado depois de ter visto o ataque promovido por aviões de Getúlio no litoral santista, onde estava durante a revolução de 32. Que o suicídio (ele possuía um largo histórico de maníaco depressivo) teria sido pelo profundo desgosto de ter visto que sua invenção estava sendo utilizada para a guerra e coisa e tal… Pois bem, poucos sabem que Dumont chegou a vender cerca de 200 aviões (uma versão do Mademoiselle, aquele modelo posterior com cara de avião de verdade, muito diferente daquela caixa de fósforos do 14 Bis, que todo mundo jura que voava de marcha-ré…) para governos fazerem uso militar do mesmo. Tendo sido também um dos pioneiros do uso do avião para fins militares… Afinal os dirigíveis eram manobráveis graças a seus aperfeiçoamentos e invenções e durante a WWI também foram utilizados em bombardeamentos… Aliás, foram os mais pesados que o ar que acabaram com aquela pretensão inicial… Uma invenção matou a outra.

    Outra que eu já lhe contei… O pai de Santos Dumont foi quem inventou/desenhou aquelas primeiras barcas do rio Mississipi com aquelas pás rotativas na parte de trás servindo de propulsão… para o cassino flutuante onde o Bat Masterson e o Maverick jogavam poker… Havia um DNA nisso tudo pois… No velho oeste ele nasceu e muito cedo ele se fu… 😉

  4. fbarbuto disse:

    Canali,

    Curioso você ilustrar o artigo com a foto de um suicida, e mais curioso ainda eu não ter ligado os fatos, já que eu sabia que SD tinha se matado.

    Mas sobre o artigo em si… Embora não raro liguemos condições econômicas adversas com suicídio (“Fulano perdeu tudo e se matou”, quem nunca ouviu esta frase?), deve haver algo mais. Cultura é um fator importante. Há países, como o Japão, em que o suicídio é visto como uma saída honrosa, e quanto mais doloroso e chocante o suicídio, mais honroso.

    Você falou do comunismo e a vidinha frugalíssima embora segura que ele provinha. Pois bem, nos tempos da antiga cortina de ferro, anos 60, 70, por aí, o país campeão de suicídios no mundo era a Hungria, comunista mas flertando com o capitalismo (era o país da esfera soviética onde a iniciativa e propriedade privada era mais bem aceita/tolerada — uma espécie de laboratório de experimentação capitalista do regime da URSS). E ainda hoje o suicídio na Hungria é dos mais altos da Europa, com 27/100 mil habitantes. No entanto, ali do lado, fazendo fronteira com a Hungria, temos um dos países que mais sofreu durante a era comunista, a Romênia, com uma taxa de suicídios 2,5 menor (11/100 mil). O que dizer da Albânia, país quintessencialmente comunista e o mais pobre da Europa? 4,0 por 100 mil, menor inclusive do que o feliz (?) Brasil com seus 4,6/100 mil. Quer dizer, não há um paralelo claro entre situações aparentemente lógicas. Se houvesse, ninguém bateria a taxa de suicídios do Zimbábue, país na pior situação econômica do planeta — e que no entanto tem taxa menor do que a do Chile e da Argentina e metade da do Uruguai…

    F.

    • João Canali disse:

      Fausto, o estado de felicidade ou de infelicidade é do ser humano, a cultura só molda (ou tenta) o que nos deixaria felizes ou infelizes. Mantenho essa tabela do suicídio, digamos assim, como um bom indicativo de sociedade estatisticamente feliz ou infeliz, o “felizcímetro” (nem os japoneses se matam porque estão felizes… isso não existe…eles se matam por não suportarem a desonra, são muito mais sensíveis ao julgamento social do que nós, caras-de-pau e safados…). Agora, se a coisa ocorre por conta da cultura (aqui nos dois sentidos, falo abaixo), das condições sócio-econômicas, da comida (tem comidas que deprimem… as nozes por exemplo…) ou de algum possível envenenamento (água, radiação, etc…), por questões climáticas e/ou geográficas é o que nos compete tentar descobrir…

      Estabelecer uma relação de causa e efeito nesse caso é arriscadíssimo, mas estranhei tantos países da ex-cortina de ferro entre as primeiras posições e vi ali uma pista em comum a todos eles para tentar explicar, como disse não apostei todas as fichas… Mas deixa eu apostar um pouco mais…

      Acima mencionei a item “cultura” nos dois sentidos… No antropológico e no educacional. Se antes de ver essa relação de países nessa tabela, alguém me perguntasse qual deveria ser a característica principal dos primeiros colocados, eu diria sem pestanejar que haveria uma coincidência entre os países “melhores”colocados com uma maior e melhor qualidade educacional e bem estar social… Não que eu me ativesse a antiga fama dos paises nórdicos de possuírem altas taxas de suicídio… Mas, por achar que nos países pobres e com baixo nível educacional as crenças místicas seriam mais fortes, logo, as pessoas desse grupo seriam mais obedientes aos controles sociais, teriam mais esperanças de um porvir no além de melhor qualidade, seriam mais conformadas e teriam um propósito de vida azeitado por séculos de sua própria cultura, portanto algo pré-moldado de fora para dentro. Naqueles outros países com melhor IDH, digamos assim, o nível de questionamento intelectual seriam muito superior, logo, na presença de algum desses desconfortos maiores que a vida pode proporcionar, se sentiria mais encorajado a interromper aquele sofrimento por conta própria, ao se matarem não estariam estragando sua “morada futura” nem seriam julgados por deuses e santos diversos… nem pensariam em futuras moradas e fantasiosos aprimoramentos espirituais na escola dos fantasmas celestiais de muitas moradas, simplesmente acabariam com aquela experiência sem sentido na primeira grande depressão, decepção ou descontentamento (tipos de infelicidade não faltam…). Temos ainda, por último, aquela coisa do indivíduo que tem algo ainda a ter ou conquistar e aquele que já tem ou teve, existe uma motivação de vida muito maior no primeiro grupo.

      Então eu teria errado, os ex-países da cortina de ferro ficam no meio dessa questão sócio-econômica (o frio não permite grandes misérias, ficam pra trás no primeiro inverno de sem teto…) A não ser talvez, pelas décadas de um ensino social muito mais próximo do ateísmo do que do deísmo… Um fato igualmente comum a todos aqueles países… Mas, se isso fosse o caso, a China, que combate a ferro e fogo as religiões, muito mais que na antiga URSS onde igrejas ortodoxas eram permitidas, por exemplo, deveria estar entre os primeiros… A menos que esse combate na verdade esteja sendo fracassado, que a religião proibida (e não racionalmente desmoralizada) acabe sendo/ficando mais forte ainda, mesmo que as escondidas… o gostinho do proibido… gerando um círculo vicioso onde encontramos o estado chinês aumentando cada vez mais sua intolerância… ou, último talvez, também, por terem tanta gente querendo ter algo que nunca tiveram, se enquadrem naquele caso de motivação de vida turbinada pela ausência de ter.

      Bom, o debate está em aberto… eu ainda fico querendo saber mais da transição, de como tudo aquilo aconteceu… (detalhes… tipo: o cara morava numa casa que teoricamente era do estado… ele recebeu um título de propriedade? coisas assim… compreende Fausto, isso foi muito mal coberto…) eu acho que tem informação sonegada ao ocidente…

      • fbarbuto disse:

        Canali,

        Concordo com você em dois pontos: gente feliz não se mata, e aspectos religiosos/culturais têm muito a ver com a desobrigação de alguém para com a vida, isto é, para com o continuar vivendo apesar de toda a infelicidade. Os mais místicos, não necessariamente os católicos, desencorajam o suicídio punindo-o até mesmo depois que este foi bem-sucedidamente cometido… Nas culturas judaica e cristã, por exemplo, o enterro não é negado aos suicidas, mas estes têm que ficar num cantinho do cemitério, numa ala própria, privados do “convívio”, digamos assim, com cadáveres de pessoas que morreram por outros meios que não aqueles vindos de suas próprias mãos.

        Por isto, paradoxalmente, não se pode ou deve ver a baixa taxa de suicídios como um “felizcímetro”, mas talvez como um “atrasímetro” ou “ignorancímetro”. Não que só pessoas esclarecidas cometam o suicídio, mas aquelas mais presas a convenções atrasadas e superstições sem sentido tendem a não cometê-lo, como você bem sugeriu.

        F.

  5. cesarbarroso disse:

    João, acho que nessa do nó da corda da forca você viajou… de 14 Bis.
    Concordo com o Fausto que nem tudo que reluz é ouro, nem tudo que balança cai. Ou, como dizem os italianos, si non è vero è ben trovato.
    O suícidio é um pouco como o bocejo… pega. Às vezes está no DNA, como o da família Hemingway, por exemplo. Se há suícidios constantes por perto, esta solução se apresenta mais facilmente para alguém em profundo estado de depressão. Se não é da cultura da terra, a pessoa passa pela crise e… bola prá frente.

  6. João Canali disse:

    Eu viajei só porque você não matou a charada… Tá bom… Da próxima vez eu entro no Photoshop e providencio o nó de forca que usaram no Saddan, só pra pegar uma “gravata” atualizada… 😉

    Sua hipótese de que se criou um costume dentro da cortina de ferro, do suicídio ser uma saida comum para os deprimidos pode ser melhor entendida se imaginarmos como eles comunicavam o fato a sociedade quando a “moda” se formou, se é que comunicavam: “O camarada Suicidich terminou com sua existência por livre e expontânea vontade ontem a tarde, contrariando as regras de convívio expressas nas diretrizes do partido.” Para não falarmos naqueles que foram “suicidados”.

  7. Anésia disse:

    João,
    Cá estou à convite do blog do Cesar.
    Fui procurar essa Nietzsche sobre suícidio e encontrei essa do Woody Allen…rs
    – A ideia do suicídio é um potente meio de conforto: com ela superamos muitas noites más. – Friedrich Nietzsche

    – Todas as minhas tentativas de suicídio foram um fiasco. Eu vivia abrindo as janelas e fechando o gás. – Woody Allen
    Ainda não sei porque essa me fez lembrar Carlito.
    Abs.

    • João Canali disse:

      Seja bem vinda Anésia,

      Engraçado que esses pensamentos que você trouxe bem sintetizam o pensamento típico de duas culturas que já foram antagônicas. A franqueza tronitoante e utilitária dos alemães e a franqueza lamurienta e despojada dos judeus. O pensamento otimista e o pessimista… poderiamos configurar.

      Vai ver que a afirmação do Wood Allen lhe lembrou o Carlitos porque este também era judeu e reflete a mesma ordem de pensamento cultural.

  8. João Canali disse:

    Deixe-me anexar em nosso painel outro medidor então, o “atrasímetro”. Desconfio que haverá uma coincidência de ponteiros, como entre o velocímetro e o conta-giros. A felicidade plena seria como uma velocidade em torno das 80 milhas por hora na quinta ou sexta marcha com o giro do motor o mais baixo posível… No entanto, se esticarmos uma marcha, tanto o velocímetro quanto o conta-giro sobem junto. Claro que existe uma analogia entre o atraso e a felicidade do povo, basta observarmos qualquer malcheirosa (quanto esnobismo, o mundo não sabe o plutocrata que perdeu em mim…) festa popular que sentiremos uma felicidade nada condizente com a qualidade material e cultural de tudo que ali está presente. Mas, é em cima dessa contradição que as sociedades se sustentam ao longo da história… Os pobres e miseráveis do mundo não entornam o caldeirão (ou pelo menos demoram muito) porque conseguem obter a mesma felicidade por igual tempo do que aqueles a quem servem. Existe um equilíbrio nessa coisa que é facilmente manipulável pela administração de crenças e mitos… Isso surgiu com as primeiras sociedades, o que temos até hoje são variações sobre o mesmo tema, as vezes sofisticadas as vezes chulas.

    Mas… Sabe… repensando tudo que falamos até agora… a hipótese levantada pelo Cesar em relação a uma questão genética talvez corra por fora e seja o fator preponderante da questão. Os suicídios são intimamente associados a estados depressivos e a pesquisa moderna aprendeu que existe uma parcela química muito importante na formação desseo quadro psicótico, algo muito mais significativo do que os elementos psicosociais que viemos discutindo até aqui. Esse pessoal da ex-cortina de ferro são eslavos, temos uma etnia onde um determinado gene circulante pode estar gerando uma tendência, uma predisposição maior para os quadores maníacos depressivos. Se assim for, os nossos medidores de felicidade e atraso só medem as nossas aleivosias.

    Amanhã vou lançar um post sobre uma recente descoberta que vem bem a calhar em toda essa situação…

  9. cesarbarroso disse:

    É isso mesmo, João. O humano recebe uma herança genética que, se continua vivendo no meio em que nasceu, é reforçada.

  10. cesarbarroso disse:

    E hoje suicidou-se o filho mais velho de Bernard Madoff. Ganhava dez milhões de dólares por ano para não fazer nada. A mulher já mandou mudar o sobrenome seu e dos filhos, para evitar humilhações. A vida tem dessas coisas… Enforcou-se com a coleira do cachorro.

    • João Canali disse:

      O suicídio foi ocasionado pelo hardware ou pelo software do rapaz? Um soft mal programado por uma família maluca dentro de uma subcultura aleijada ou um harware que não é proficiente em liberar dopamina, anulando a adrenalina causada pelo medo de não poder curtir 10 milhas todo ano? Nunca saberemos, até porque pode ser um pouco de cada.

      “A concomitância estraga nossas conclusões maniqueistas.” Ass.: João Canali – 12/12/2010 (Essa é boa para colocar na lápide.)

  11. cesarbarroso disse:

    João,
    Falta confiança na nossa natureza humana. As pessoas estão cada vez mais tresloucadas, não conseguem olhar dentro de si e ver as riquezas que podem ser desenvolvidas sem todas essas ilusões da mística-dependência(palavra que você criou).

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s