Conheça o Noelismo

Em meu último post, cujo objetivo era apenas ressaltar meu ponto de vista que a causa de todos os males seria a falta de um controle demográfico, não só do grande desrespeito a capacidade de sustentabilidade instalada, da degradação ambiental de todos os tipos (não só a climática, a maior vedete dos problemas) como também o aparentemente insolúvel problema entre tecnologia e empregos. Nem cheguei a mencionar os terríveis dados que mostram que esse ano, com nossa atual população de 7 bilhões e 16 milhões, já considerando o lucro entre os que morrerão e nascerão, estaremos ganhando no final do ano uma Uganda, com seus aproximados 38 milhões de habitantes, ano que vem uma Polônia e no ano da Copa (que perigo!) uma Argentina com algo em torno de 43 milhões de habitantes, espalhados pelo mundo, principalmente nas regiões mais pobres… Tudo nesse grande e aparente esforço (o E.T. que olhar de fora dirá que nos esforçamos para isso) de chegarmos aos projetados 9 bilhões de habitantes. Não poderemos dispensar a mecanização para alimentar tanta gente e… com a mecanização (tanto digital quanto analógica) e o esforço de obtê-la teremos, além da destruição ambiental de sempre, um catastrófico desemprego, esse muito mais perigoso (porque de efeito danoso mais imediato) à civilização global em que vivemos, do que os problemas ambientais (esse é o foco central do meu ponto de vista e que, reconheço, não deixei claro naquele último post) que, completando o terrível circulo vicioso, só poderão ser vencidos com mais tecnologia, na base do vai ou racha, já rachando como está.

Mas, não foi para falar da falta de uma placa de lotação esgotada, ou daquela do ônibus terrestre que limitaria o número de passageiros sentados e em pé que o senhor Nemo Cavalcante me escreveu (ao invés de normalmente interagir nos comentário do blog).

Estava doido para falar que uma simples moratória de 10 anos sem nascimentos, quando diminuiríamos a população planetária em 600 milhões de habitantes, indicando esperançosamente (ironia) que temos salvação… Não, o que chamou à atenção do Sr. Nemo foi o meu comentário inicial naquele post, de que nada poderia ser resolvido em termos globais por uma população onde 40% acreditam que tudo que acontece é por vontade de deuses diversos, 40% que dizem acreditar nesses deuses (mas ainda ponderam diante a razão de forma meio que inconsciente ou cínica), 10% de agnósticos que ficam em cima do muro como se isso fosse possível diante as evidências da ciência, da filosofia e da lógica e 10% de pessoas absolutamente céticas que, com seu único olho racionalista, tentam desesperadamente serem reis na terra dos cegos, descobrindo no final que o máximo que conseguem ser – diante os mitos que sustentam as esperanças da maioria humana – seria serem apenas zarolhas que cuidam do seu próprio umbigo, tendo que viver a maior parte do tempo com o olho fechado para que este não seja vazado pelos totalmente cegos, até mesmo na base do tato… com dedos perfurantes e infectados de besteiras.

O Sr. Nemo afirma que está entre os 10% de zarolhas, mas que aderiu ao noelismo, o que pode ser o culto dos ateus, depois da própria “não crença”, quando esta entra na fase proselitista raivosa. Não entendendo nada, resolvi montar com o meu leitor uma entrevista que hora reproduzo abaixo.

__ O tal Noelismo que o senhor chama de culto, tem a ver com o personagem bíblico Noé e sua arca? Alguma alusão a busca de salvação da vida enfiando todo mundo em uma arca a ser construída em alhures (teve aquele filme de poucos anos atrás… onde a arca era construída nas cordilheiras do Himalaia…). Pergunto isso porque o tema o qual tratava possui características apocalípticas. – perguntei na sequência de e-mails que condenso nesse único texto.

__ Não Sr. João Canali, o Noelismo se refere a primeira criatura mística que grande parte das pessoas do mundo ocidental, de um pouco mais de uma século para cá acredita, e depois renega como mentira e, invariavelmente, substitui por outros mitos místicos ou deuses diversos.

__ Então isso é um deboche de ateus… O senhor está se referindo a Papai Noel? (Essa é a vantagem da comunicação via email ou através de caixas de texto de um blog, por exemplo… se tem todo o tempo para pensar… Não mataria a charada em uma conversa regular, ou demoraria, deixaria passar…

__ Absolutamente sim, mas não é só um escárnio. Trata-se de resgatar a verdade para dentro do que parece ser uma necessidade humana, o que de uma maneira ou outra é inculcado nas pessoas através das culturas. “Verdade” porque é cultuar uma figura que assumidamente não existe ou nunca existiu, é percorrer o caminho inverso das religiões tradicionais e obter algumas experiências não nocivas trazida pelo culto e pelos rituais. Trata-se também de construir o mito e assim melhor entender a mecânica religiosa de forma divertida e instrutiva. Um exercício para a mente. Cada vez mais temos ateus que não tiveram contato nenhum com as religiões, seja por serem filhos de ateus ou agnósticos, um contingente cada vez mais assumido devido aos avanços culturais modernos , seja por não terem sido educados com o elemento religioso… enfim, esses ateus que não desenvolveram o pensamento cético por conta própria, podem se tornar vítimas fáceis da mentira organizada que embasa o nosso mundo… Não do conteúdo religioso que é pueril, mas do formato, da coisa de pertencer, de ter uma identidade com aceitação social, de seguir preceitos, ter uma disciplina… Coisa que para a maioria dos ateus é uma besteira, mas que para outros tantos não… parecem necessitar seguir um pensamento filosófico qualquer, terem um norte pré-fabricado, sempre acaba sendo… O ateu dificilmente se congrega com outros porque ele não sabe quais seriam os valores de freio do outro ateu. A maioria dos não ateus absorve valores de certo e errado em uma feijoada mística dada pela sociedade, eles acreditam em vida após a morte onde de alguma forma serão castigados ou premiados em função de suas atitudes. Ninguém acha firme a disposição do ateu em ver dignidade no que funciona para os relacionamentos entre as pessoas, isso soa falso até para outros ateus. O culto a Papai Noel dá uma resposta a isso tudo.

__ Me desculpe seu Nemo, eu acho que falta muita coisa em um simples culto a uma figura assumidamente inexistente para se poder ter uma consistência próxima a experiência religiosa, do que eu suponho que ela seja através da observação, já que não participo disso, vejo a coisa religiosa da própria cultura que participo como um cientista, um antropólogo vê as crenças primitivas de uma tribo de índios. Pelo menos tento, ou melhor, se não é assim estou me enganando, admitiria humildemente. Seria preciso uma cosmogonia, uma explicação de mundo qualquer, promessas de vida após a morte, milagres… Como vocês resolvem isso.

__ Já entendi o que você quer… Mas no noelismo cada pessoa inventa uma explicação de mundo qualquer… Afinal trata-se de um culto de livre-pensadores, inventamos o que seguiremos dentro dos parâmetros que adotamos… ou seja, no popular, tem que ter Papai Noel no meio, esse é o talismã, a nossa âncora na realidade, a nossa bússola, o nosso acento ejetável, nosso salva-vidas… Eu tenho uma cosmogonia para explicar os poderes de Papai Noel.  Os deuses, os semi-deuses, os “santos” ganhariam consistência através do inconsciente coletivo, seriam seres formados por uma rede sem fio de neurônios presentes nas pessoas. Papai Noel é o ser mais poderoso porque a crença das crianças é muito mais forte do que a dos adultos… a criança não tem barreiras cognitivas, acreditam de verdade, o adulto, por mais ignorante que seja sempre acaba tendo um pé atrás, se da conta que deve ter alguma coisa errada com seu deus por permitir tanta injustiça e sofrimento… Como há a promessa da vida além da morte ele acaba aceitando a patuscada, promove uma anulação de sua racionalidade. O adulto na maior parte das vezes não encontra substitutos para a  esperança ou significado de uma vida que ele sabe que é finita… Prefere até imaginar que a vida dele é uma espécie de provação do que aceitar o fato de que não existe deus algum e que a morte é como dormir, não sonhar e não acordar mais.

__ Então se o senhor me falar do noelismo vai apenas falar do que o senhor imagina, outro ateu imaginaria outra coisa qualquer? Não fica difícil propagar esse culto?

__ Em síntese seria isso sim, mas nada me impediria de escrever um livro com uma coletânea de filosofias de para-choque de caminhão e atribuir esses “ensinamentos”  a Papai Noel e outro ateu adotar isso de forma inofensiva, já que sabe que é apenas mais um caminho de Papai Noel, presentes psicológicos que saem daquele saco que o bom velhinho carrega nas costas. Aliás deixe-me alerta-lo que o noelismo também dá vazão as superstições humanas, mas há diferenças sutis. Na minha construção Papai Noel segue fielmente o seu propósito que é dar presentes, ele adota a lógica que é dando que não se perde (perceba a diferença no emprego do verbo final), no caso a nossa crença nele, o que ele precisa para existir, enquanto uma imaginação coletiva e abstrata. Portanto, não se pode pedir milagres a Papai Noel, ou melhor, não se pode pedir nada a Papai Noel, a postura correta é estar atento para reconhecer os presentes que Papai Noel nos dará ao longo da vida. Ele escolhe o presente que nos dá porque quis, porque achou necessário, lhe deu vontade, seguiu sua função, não porque merecemos ou fizemos isso ou aquilo. Não existe a tradicional chantagem do relacionamento dos deuses descritos nas religiões regulares. Como um deus poderia ter preferidos entre idiotas que obedecem uma bula qualquer em troca de milagres e ingressos para o paraíso descrito em algum panfleto turístico dado como sagrado? Como o senhor pode deduzir o culto a Papai Noel permite uma critica profunda das relações religiosas, coisa que um ateu precisa esmiuçar de forma corajosa.

__ Eu não duvido que haja ateus nominais (apenas no nome) que acreditem que se “deus” (do monoteísmo judaico-cristão ou o dos muçulmanos) não aparece ou gostaria de brincar de esconde-esconde é porque deseja que não acreditemos em deuses… Então ele seria ateu para atender essa vontade… esperando, claro, no fundinho hipócrita, alguma recompensa qualquer… porque é difícil, suponho, o ser humano não se libertar dessa negociação mágica…

__ Muito engraçado Sr. Canali, eu também acredito que haja “desateus”, o nome correto para esse caso, chutaria. Mas, voltando a Papai Noel ele é mágico e os pais cometem um grande engano ao ameaçarem seus filhos com ausência de presentes em função do mau comportamento das crianças, esse é um dos problemas que enfrentamos com o noelismo. A crença em Papai Noel deveria ser estendida o mais tempo que fosse possível. Os pais teístas tem muita pressa em trocar um deus que só dá sem pedir nada em troca por outro, Papai do Céu, cheio de condicionantes e imposições, isso é arrasar com a infância.

__ Eu acho que o Bicho Papão faz a ponte… nessa transição… No fundo são os país de antigamente ou os ainda ignorantes querendo controlar as crianças sem se dar conta que eles também foram vítimas dessas fantasias todas. O problema de imposição de valores de conduta na cabeça dos jovens é de fato um problema, qualquer sociedade terá um código a ser obedecido que esbarrará com a formação incompleta das crianças, sua falta de experiência, aqueles hormônios todos… Realmente estender a crença em Papai Noel até que a própria criança se de conta que aquilo não pode ser verdade não é solução, é acostumar as crianças a ter crenças inverossímeis, amigos invisíveis, esquizofrenias de graus variados… a criança acostumada aceitará de bom grado substituir a sua perda por outra ficção mística qualquer.

__ O senhor está sendo pessimista… A crença em Papai Noel é ultra-recente em termos históricos, coisa que só assumiu o formato atual em pleno século vinte, antes era uma lenda mística bastante regional e, nesse período, coincidentemente ou não, os ateus tem aumentado de forma significativa. Quando a criança aprende que Papai Noel não existe, passa a ter o assento ejetável, aprende que pode estar sendo enganada mais uma vez em relação a deuses maiores, todos eles cheios de regras e preceitos elaborados. Mas acredito que já satisfiz a minha vontade de passar o culto à Papai Noel em frente.

__ O senhor não explicou o que a sua construção do noelismo diz a respeito da vida após a morte, que segundo venho repetindo a anos é o grande ticket das religiões.

__ Quando morremos não nos tornamos nem fantasmas, espíritos, anjos ou demônios, nos transformamos em anões e vamos trabalhar na fabrica de presentes de Papai Noel no Pólo Norte.

__ Eu não gostei dessa história de trabalhar de graça para Papai Noel, mesmo contando com a possibilidade de ter por lá uma anãzinha jeitosa para me aquecer do frio do Pólo Norte… Mas, admito que ainda é melhor do que me transformar em uma das renas da carruagem alada de Papai Noel , aquela galhada deve incomodar pacas. 😉

 

 

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Miami menos 20, o que deixou de ser dito há duas décadas

“O que pensar sobre o futuro de uma espécie onde 40% dos indivíduos acreditam que tudo que acontece é pela vontade de deuses ou que tudo será resolvido em outras vidas no além, onde outros 40% fingem ardorosamente concordar com os primeiros, onde 10% estão indecisos e 10%, que se salvaram do conto do vigário, chegam rapidamente a conclusão que é melhor tratar do presente, na única experiência de vida que possuem?”

O que vou falar já é sabido, mas se mentiras repetidas muitas vezes se tornam verdades, estas quando repetidas devem surtir algum efeito diferente do que a indiferença, vale a tentativa.

Todos os grandes sistemas sócio-econômicos hoje existentes ou, mesmo já inventados, não conseguem garantir empregos produtivos para todos, logo todos eles são insatisfatórios, pois em algum momento os desempregados ou desocupados não sustentados promoverão ou serão motivo e/ou pretexto de guerras internas ou externas, para a conquista dos mesmos empregos e ocupações. Esta pode parecer uma afirmação exagerada, mas, se trocarmos os nomes na história sempre encontraremos, tanto nas análises do materialismo histórico quanto da antropologia de ponta, passando pelo evolucionismo darwinista, freudiano ou não, que as tensões econômicas é que levam a necessidade do expansionismo ou a pretensão de um crescimento sem fim: guerras, decadência, declínio e aniquilamento de determinada civilização.

O problema demográfico não é só um problema de depleção da natureza, é um problema de inviabilização de sistemas sócio-econômicos. Nenhum desses sistemas dará certo ou será plenamente justo e funcional (feliz) se a mão de obra disponível não for na exata medida necessária a atender as demandas de um determinado número populacional ideal em uma relação de contingente e espaço a ser ocupado. A falta de mão de obra nem de longe é uma ameaça tão grande quanto o excesso de mão de obra, mas, o ideal é não faltar nem sobrar.

Povos nômades da África e da Ásia, ameríndios da selva amazônica, assim como povos primitivos da polinésia, apresentam ou apresentavam (melhor dizendo) uma estabilidade existencial em suas sociedades. Não se trata apenas do modelo extrativista, restrito a determinados ambientes naturais. O perfil demográfico dessas sociedades sempre foi espontaneamente baixo, devido a grande mortalidade nos nascimentos, a baixa expectativa média de vida em função de hábitos primitivos e o hábito de cindir os agrupamentos, na presença do esgotamento dos recursos a serem coletados no perímetro do agrupamento. Obviamente que não é o que queremos, muito menos sendo uma opção forçada, como se desenha em um horizonte pessimista porquanto possível diante a catástrofe.

A agricultura organizada, a segunda maior aquisição tecnológica após a estrutura lingüística, possibilitou o surgimento das grandes civilizações e centros urbanos. Com as cidades, o homem passou a acumular mais conhecimento e a transmiti-los de forma mais eficiente para as sucessivas gerações, logo o conhecimento se transformou em industrialização, que se tornou imperativo para um quadro onde as populações sempre aumentavam.

Guerras, costumes que tornavam o sexo proibitivo em para crenças primitivas, grandes epidemias, assim como diversas formas de  absolutismo impediram a visualização do óbvio problema, até porque não havia métodos efetivos de controle demográfico, a lotação demorou a ser atingida.

No final do século XIX o homem descobre a existência de uma vida invisível que lhe matava, talvez o último regulador demográfico espontâneo ou natural… Quantos milhões de pessoas não deixaram de morrer e continuaram procriando pelo simples fato de parteiras, médicos e tira-dentes passarem a esterilizar suas mãos com álcool, além da difusão de outros hábitos higiênicos?

Muitos, sempre embebidos em mitos sociais, se esquecem dos bilhões de pessoas que Pasteur pariu e Fleming depois cuidou, o resto é conseqüência.

Curiosamente, na sequência da descoberta de Pasteur eclodiram duas grandes guerras mundiais, onde morreram ou deixaram de nascer muito mais pessoas do que foram contadas. Se os micróbios encontraram a penicilina, os homens encontraram a bomba atômica, pura e sinistra coincidência…

Mas, a ameaça nuclear não abrandou o uso de métodos convencionais de controle demográfico, nem poderia. Outros formatos de extermínio, agora baseados em tolas disputas ideológicas de sistemas fadados ao insucesso (sempre lembrando da inviabilidade social de qualquer sistema que não controla sua expansão demográfica, do cachorro que corre atrás do próprio rabo, com gráficos de crescimento que sempre levam fatalmente ao desemprego e os atritos decorrentes…) se globalizaram onde era possível ou mais fácil de acontecer.

Nova coincidência, como que para alimentar a cabeça fraca dos místicos, acontece de forma salvadora. Quando estávamos prestes a usar o “grande inseticida nuclear” em uma Terceira Guerra Mundial… é descoberta a pílula anticoncepcional e na sua sequência, a liberação da mulher, a popularização de métodos abortivos, a epidemia da AIDs que se tornou um grande biombo para uma forma oculta de contenção demográfica, não só pelas mortes que causou, como também pelos que deixaram de nascer em função do uso de preservativos e, agora, por último, a aceitação cultural do homossexualismo.

Obviamente que nada disso foi planejado, da mesma forma como também não o foi todos os avanços da medicina moderna que contrabalançaram a questão, impedindo mortes prematuras de tal forma que em apenas um século a maior parte dos países saíram de uma expectativa de vida de 40 anos para mais de setenta, para não falarmos nos diversos métodos de fertilização e até mesmo do folclórico Viagra e drogas similares.

O grande problema, no entanto, é a cortina de fumaça com que todos esses fenômenos deixam de ser discutidos. Foi montada uma máquina lá atrás que depende do crescimento contínuo e mesmo desenfreado do consumo para sobreviver. Ela tem vida própria. Países culturalmente mais avançados (curiosamente, para farta análise de antropólogos, onde o sexo deixou de ser um tabu e onde poderia se esperar um aumento de nascimentos, ocorreu o inverso…) conseguiram o ideal do declínio demográfico, mas, foram obrigados a permitirem a entrada de excedentes humanos (desempregados) de outras regiões não evoluídas de forma consentânea, para poderem satisfazer a máquina que não poderia mais parar, afinal, todas as estruturas sócio-econômicas se alastraram por todo o planeta na insana busca do crescimento sem fim através do comércio e jogatinas financeiras…

A sustentabilidade, que ainda buscam é a dos empregos dos países mais poderosos ou adiantados, que não assumem que talvez fosse melhor criar uma “bolsa planetária” que mantivesse o homem desempregado em seus países condicionando a ajuda a implantação  de um controle demográfico flexível, onde metas de nascimento fossem alcançadas.

Paralelamente, a todo esse fenômeno temos o fato mais paradoxal de todos. Não existirá salvação em troco do abandono da conquista do saber e da tecnologia, definitivamente, o saber não tem volta. Se a tecnologia é a grande ameaça, sem ela não haverá salvação.

O homem só poderá substituir os deuses e a vida eterna do além imaginário que obviamente nada resolverão para impedir o fim do mundo, quando tiver nas mãos o controle do envelhecimento. Enquanto houver desenvolvimento científico a meta será sempre essa, custe o preço que custar, a humanidade, mesmo sem saber é “alquimista”, mesmo que isso soe ridículo ou exagerado. Se uma solução demográfica não for encontrada por mortais, nunca se poderá chegar a imortalidade concreta, a humanidade nunca vencerá seu grande desafio, não adiantou ter consciência da existência da morte. O pensamento não foi uma evolução, foi apenas uma infeliz mutação que proporciona o sofrimento do portador, por não lhe dar sentido algum, apenas um tempo inconsequente e fugaz.

Mas, para entender o paradoxo que a tecnologia trás não é preciso concordar com os  ensaios filosófico de quem escreve esse texto e resumidamente o expressou no parágrafo acima. É fácil entender que a tecnologia é uma “ceifadora” de empregos. Milhões de empregos foram ceifados em todo o planeta pela automação que se implantou em todas as áreas. Talvez isso não tenha sido tão forte nos países onde os computadores foram fabricados ou nos países que não tiveram estrutura para tê-los de início… Mas agora, obviamente, a automatização e a robotização de praticamente todas as indústrias é um fato consumado e irreversível. As tecnologias que mais lucros e benefícios proporcionam são aquelas que, invariavelmente, trazem o desemprego. A velha e poluidora indústria está sendo ainda aceita para manter empregos… Bobagem estarem atacando os meios de destruição da natureza enquanto a verdadeira causa de é deixada de lado.

Simbolicamente, essa velha indústria, que tantos malefícios trás a natureza e sorrateiramente luta contra alternativas energéticas ou tenta retardá-las ao ritmo de sua sobrevivência e conveniências, está agindo como dentistas conservadores que, por interesse consciente ou não, rejeitam os implantes dentários em função da perda futura de serviços… Daí tais implantes não caírem de preço com a velocidade que era de se esperar ou já terem se tornado um tratamento padrão, para alívio de protéticos também. Esse prosaico exemplo do dentista que chamo de conservador expressa o problema de se implantar soluções que prolonguem a agonia… Que é o que agora a humanidade está fazendo, ao não reconhecer com todas as letras que é necessário baixar a tripulação terrestre de 7 para 2 bilhões de pessoas, ao invés de querer estar imaginando métodos de dar sustentabilidade ao insustentável.

Mas, indubitavelmente, será da tecnologia que poderá surgir mais uma salvação para a questão demográfica: a pílula do homem, que venceria diversas barreiras culturais e psicológicas que a vasectomia não é capaz de vencer. A falta de investimento em pesquisa nessa pílula ou uma busca mundial por ela faz parte dessa cortina de fumaça que impede que as pessoas aceitem encarar o fato demográfico de frente, assim como a China o fez de forma tardia é verdade, mas que salvou nosso planeta de assistir a mais uma carnificina até o presente momento. Sim, a China que se recusa a participar de cúpulas internacionais que visam a formulação de políticas de preservação ambiental em escala mundial foi o único país onde implantou ou pôs em prática, o único remédio possível… outro curioso paradoxo.

Contudo, o verdadeiro drama começa justamente quando for de aceitação geral que para resolver o problema social e ambiental, a nossa mais elementar liberdade, a de procriarmos, está em risco, como esteve e está na China, onde uma revolução cultural foi tentada para que se pudesse impor um controle de natalidade.

O que seria necessário para que o mundo iniciasse uma revolução cultural onde as pessoas aceitassem ter filhos, caso houvesse vaga na região? Que a imigração fosse orientada em função dos postos de trabalho a serem preenchidos, significando em um primeiro momento uma total proibição das imigrações externas e internas, que ocasionaria o estrangulamento do crescimento contínuo de produção e consumo ora posto em prática? Conviveríamos com essa falta de liberdade e o retardo de aposentadorias? Ou seria mais fácil imaginar uma esterilização em massa, quando a novas descobertas permitissem uma vacinação anticoncepcional? Como acabar com os tabus de origem mística que impedem a prática voluntária do aborto ou o ideal de famílias com muitos filhos? Como operar todas as grande transformações necessárias dentro de um clima de liberdade política e aceitação das tantas crenças místicas que servem de muletas para o conhecimento da morte?

Claro que é possível, seja pelos métodos autoritários da China ou aqueles surgidos na evolução cognitiva refletida em modelos culturais, como ocorreu espontaneamente em alguns países europeus (nos esquecendo aqui que a China não conseguiu a redução populacional e que os europeus importaram mão de obra).

O importante é que isso seja debatido com todas as letras, sem subterfúgios e pisando em ovos pois sem quebrá-los o omelete não será feito.

 

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Você fará o teste?

Caso um dia seja vendido em farmácias, o Kit poderá ter essa embalagem… Brincadeiras a parte, esse quadro é a cara do mundo, não é a toa que é tão valioso.

A impressão que tenho é que desta vez realmente entrei no futuro, ou melhor, cheguei a conhece-lo, muito embora, vou logo dizendo, me negue a fazer o teste. No entanto, eu acho que aqueles que estão nascendo agora ou que ainda sejam crianças e/ou adolescentes, não terão tanta rejeição daqui a uns dez anos… talvez até eu mesmo, se é que meu prazo de validade permita mudar de idéia.

Particularmente, devo confessar, que me sinto vingado de um monte de chatos. Na qualidade de tabagista sedentário, que odeia academias de ginásticas e correrias de absorção de CO2 de escapamento de veículos, estou rindo a toa. Mudo de calçada quando diviso uma casa de suco, faço lobby para que supermercados tenham corredores só com alimentos diet, fat free, sugarless, unsalted, etc (pois assim nunca os comprarei por engano como sempre acontece… o que me obriga a ginástica de voltar ao supermercado para trocar…). Sou amante de churrascarias e botequins, enfim, segundo o exército de hipocondríacos que tomou conta do planeta, um viciado em tentativas de suicídio diárias. A evidência máxima do teste é um torpedo em toda essa aborrecida indústria que serve a famigerada geração saúde. Agora eles não vão mais achar que estão alongando suas vidas com seus hábitos conflitantes [com os meus]… Muito embora eu tenha consciência que após o murro no estomago, eles vão voltar com toda força [ou talvez até mais] em busca de garantir sua chegada no limite. Segundo o patologista suíço de nome sugestivo, o Dr. Enus Vigarittus, o teste revoluciona a maneira pela qual o médico abordará as doenças daqui para frente… A quantidade de mortes por ataque cardíacos, não relacionada ao prazo de validade detectado, prova que o mau uso do organismo abrevia um percentual muito alto de vidas. Contudo, definitivamente, a coisa se profissionalizou, chega de professor de educação física dando aula oral [deviam ser proibidos de falar ou comprar um DVD com seu discurso único], terapeutas do oriente ameaçando o sabor dos alimentos e as mais refinadas artes culinárias…  Eles agora tem a precisão que faltava para dar evidência o óbvio ululante, toda pessoa é uma bomba relógio, sendo sua explosão a própria morte, que ocorrerá de maneira inelutável [pelo menos com o atual conhecimento] em um mês após o último período da última subdivisão celular produzida por seu organismo.

O teste não falhou em sua predição uma única vez em 357 mil experiências realizada em 704 hospitais espalhados em todo o mundo, por um período de 5 anos antes da coisa ter sido revelada… E, por falar nisso, acho ridícula a banca de advogados que anunciou ontem que acionará o laboratório para que revele o nome das cobaias, para que assim possam formar uma associação com familiares das pessoas que serviram de cobaia sem saber. O teste foi feito com material cedido para outros exames, os “cobaias” não foram avisados de nada e nem seus nomes foram revelados publicamente, parece até que a confirmação da morte foi feita com filtros aplicados nos computadores das redes hospitalares. O teste acusava que um determinado cobaia teria sua último espaço de vida após a última sub-divisão unicelular para, digamos, o mês de fevereiro de 2010 e seu nome entrava no filtro naquele mês para confirmação. Caso um óbito com aquele nome não ocorreu passavam a investigar o que acontecera com a pessoa.

Se conseguem formar uma associação os advogados vão acabar querendo processar o laboratório alemão os hospitais, por não terem avisado os cobaias testados de que estes iriam morrer ou teriam seu limite alcançado em um determinado mês e ano, com a contagem e cálculo da proteína associada a subdivisão, mais a confirmação no par de DNA… enfim, como todos já cansaram de ler na literatura mais especializada. Mas, como é que poderiam avisar de alguma coisa se tudo ainda era uma experiência?

Não posso avaliar o risco financeiro dos laboratório com esse processo, mas o fato é que se conseguirem convencer mais países além da Servia a tornarem o teste obrigatório para o cálculo do sistema previdenciário local, isto é, o montante da contribuição previdenciária e o início da aposentadoria sendo estipulado em função do resultado do teste, o laboratório tem o potencial de vender milhões do kits de reagentes químicos, software, equipamentos, treinamento e royalties a cada certificado [que já está sendo chamado em tradução livre para o português como “Certidão de Morte”], poderão pagar todos os processos, caso percam.

Aqui nos States, políticos, advogados e diversas associações ligadas aos direitos civis já declararam que obrigar alguém a realizar um teste dessa natureza é absolutamente anti-constitucional e se equivaleria ao crime de tortura, que pode ser punido até com prisão perpétua. Um deputado democrata de Nevada de 46 anos, no entanto, já declarou que fará o teste e revelará o resultado ao grande público, usando os números obtidos para fazer  simulações previdenciárias, seu objetivo é fazer com que o teste seja introduzido no sistema previdenciário americano que, como a maioria dos sistemas do gênero no mundo, trabalha no vermelho; alega que o teste poderá ser uma solução que permitirá não só o equilíbrio das contas do governo como também trazer um ganho para seus usuários. Do que pude entender, seria estipulado um tempo de aposentadoria fixo para cada previdenciário, se, por exemplo, o previdenciário está programado para morrer aos 80 anos poderia escolher entre se aposentar aos 65 e aproveitar 15 anos de aposentadoria ou contribuir com uma parcela maior de seus rendimentos para se aposentar aos 60 anos e assim pagar por um tempo maior de aposentadoria. Maior justiça obteria aquele que estivesse programado para terminar aos 65, quando então teria direito de se aposentar aos cinquenta anos. Acho que diversas variáveis estão sendo desconsideradas… como por exemplo a qualidade de vida associada a idade e o período de tempo durante a aposentadoria… Complicado… Vale mais uma aposentadoria que vai dos 50 aos 65 do que uma dos 65 aos oitenta… Mas, o outro vai viver mais, elas por elas… Enfim, dá para perceber que esse teste tem o potencial de criar uma explosão do pensamento social, com as pessoas saindo de túmulos do conformismo das soluções pré-fabricadas para soluções obtidas através  da interatividade de grandes debates, única maneira de novos consensos serem obtidos… A reação do Vaticano ao teste:  “a coisas que deveriam ser deixadas somente para deus…” já bem indica a busca do obscurantismo do não pensar quando a questão é difícil.

O fato é que ainda não foi divulgado oficialmente as estatísticas coletadas pelo laboratório alemão realizada durante os últimos 6 anos. Especula-se que cerca de 70% do prazo de validade dos seres humanos fique entre 80 e 90 anos, o que varia muito é o percentual de alcance do prazo de validade, algo que é decidido pela qualidade do sistema de saúde dos diversos países e a questão da segurança pública de um modo geral.

Explicando o primeiro parágrafo, repito aqui uma opinião colhida no blog “Filhos do Ou”, onde um usuário anônimo teceu o seguinte comentário: “Conhecer o nosso prazo de validade será um desconforto, principalmente, quando ele estiver abaixo da média… Mas, convenhamos… esse prazo de validade sempre esteve lá, a precisão é apenas um espinho adicional a partir do momento que sabemos que não há ainda nenhuma opção para estender esse prazo. Entretanto, as pessoas continuarão acreditando cada vez mais que serão fantasmas de um paraíso qualquer, quem vai sentir o desconforto são aqueles que dormem com a verdade todos os dias.”

O futuro chega sem pedir licença, se instala, se acomoda e deixa de causar surpresa, somos apenas testemunhas passageiras (aliás com prazo de validade já conhecido) da historia. Os vendedores de seguro de vida, por exemplo, deverão ver suas vendas crescerem nas mãos de pessoas que fizeram o teste e tiveram noção que restava pouco tempo de vida, o que pode lhes causar um grande prejuízo, mas poderão mudar o perfil de seu negócio passando a cobrar prêmios maiores e a exigência do teste antes, para cálculo dos mesmos. Afinal esse asqueroso negócio estará mais em evidência do que nunca daqui para frente.

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Intensidade

Intensidade

Outro dia um pesquisador lançou a idéia de que as palavras, figurativamente, competiam uma com as outras para não serem esquecidas ou obterem maior evidência e uso. Meu voto para a palavra que mais deveria estar em evidência é: Intensidade.

A intensidade se esconde atrás de um fato comum, ela é dependente de algo que existia anteriormente… “Puxa que chuvarada! Parece até chuva de verão…” a intensidade estava ali escondida, totalmente anômala para aquela época do ano, mas como era igual a uma chuva de verão, passa de fininho. Na imagem que trago acima é mostrada a onda de calor que se abateu sobre os EUA na semana retrasada, bateu alguns recordes para essa época do ano e não atingiu estados que normalmente já são muito quentes, não acontecendo uma tragédia proporcional, a coisa se passa em estados que ainda são frios nessa época do ano.

O que falo não é novidade, os cientistas que defendem a tese do aquecimento global, hoje uma maioria – praticamente só há discordâncias em relação as causas – já declaram que os primeiros sintomas do aquecimento global seria em relação a intensidade dos fenômenos climáticos. Mas, acredito estar sendo mais temerário do que original em sugerir que a intensidade não está restrita aos fenômenos climáticos, está atacando em todos os lados da natureza percebível e até nos abstratos oriundos dos humores humanos. A princípio, para chegar a essa conclusão, tenho que fazer uma exegese da minha subjetividade de observador… Estou ficando mais velho e os objetos estão ficando mais pesados, não tenho a mesma força física que tinha antes, logo posso estar achando as coisas mais intensas… Outro dia, andando a pé, me distraí de uma forma tão intensa, como nunca aconteceu antes em minha vida de distraído profissional (portanto eu sei o que é uma distração) que acabei me perdendo pensando estar indo para um lado quando na verdade estava indo para outro… Preocupado com o tal de Alzheimer em meio a hipocondria que se alastrou pela sociedade e pela coincidência de ter tido uma empregada chamada Alzemir, não sosseguei enquanto não fui no Google Maps para ver onde e como eu errei o caminho… Acabei descobrindo ao menos que os lugares que eu andei existem (confirmado graças ao Street View da Google), eu não tive um apagão sonhador (eu sei o que é loucura barra pesada, eu tive juventude…), não entrei em outra dimensão temporal, nem fui abduzido por uns tempos e depois me retornaram no lugar errado (ETs podem errar também, vai saber…)… O que eu descobri é que exatamente no ponto onde minha bússola falhou de forma absurda há uma estação elétrica da companhia local de fornecimento de energia, a FPL que tem um pequeno reator nuclear a poucas milhas daquele ponto de Miami… Bom, na verdade, para todos os efeitos práticos foi uma distração muito intensa, como intensa também foi a experiência de após talvez uns 20 anos pedir informação a alguém no meio da rua… Outro exemplo sujeito a subjetividade, é em relação a minha impressão de que as gripes estão cada vez mais fortes e freqüentes… Com catarros absolutamente aderentes depois de secos… Dá para industrializar… Desculpem… Pode não ser o clima mais quente que facilita a proliferação de supervírus ou bactérias, pode ser o meu corpo mais vulnerável depois de tantos antibióticos (a única coisa que de fato cura… quando cura), mas eu vejo os mais jovens também contraírem mais gripes e até terem problemas de coluna que os jovens de antigamente não tinham… Estou vendo mais intensidade em todos os lados… Olhem para trás nos últimos 4 anos quantos terremotos terríveis… Ah mas já houveram tantos… Mas assim juntos? A crise econômica… quantas não houveram antes… mas essa exige que conquistas sociais tenham que ser abdicadas… quem poderia imaginar… Líderes políticos e ditadores já haviam sido mortos ou presos durante revoluções e revoltas… Saddan foi achado barbudo dentro de um buraco… Mas… linchado como foi Kadafi?! E a corrupção no Brasil?  Poderia ainda espantar alguém? Mas espanta cada vez mais…

A intensidade tem sido avassaladora e poucos se dão conta porque, como disse, a intensidade se esconde em fatos que já ocorreram antes e as pessoas tendem a não se dar conta do grau das duas formas em que ela se manifesta sorrateira mas sentida:

a) Na frequência, repetição ou quantidade

b) Na qualidade, na maior concentração ou em sua gravidade, nas consequências.

Talvez eu esteja escrevendo de um ponto errado, em um momento de relativa calmaria em função de uma tentativa midiática de deixar as coisas calmas, pois é necessário passar a ideia de que as coisas estão melhorando, temos eleições em vários pontos chaves do planeta e isso concorre também com a teoria comportamental do mar de merda, onde todo mundo com a “coisa” no pescoço, quase na boca, intuitivamente fica quietinho para não fazer incomodas marolinhas… Ainda explicando a calmaria, temos os salva-vidas que alertam sempre que o pânico (ficar se debatendo) é pior do quê o afogamento em si, se você ficar quietinho ninguém te vê afogando, você morre e não enche o saco do salva-vidas que inventou essa teoria (na verdade ele só quer um pretexto para dar uma boa porrada no idiota que se aventurou no mar sem saber flutuar)… E, sim, claro, o raio dos economistas com aquela conversa fiada de geração de expectativa… Se todos os investidores se apavorarem com as más notícias, todos correm para vender suas ações e todos saem perdendo, ficando a culpa para cima de quem quis alertar que um sistema que depende da anulação da observação e de alertas está errado por princípio.

Mas também, por outro lado, esse é o momento certo, mesmo considerando que desde que comecei a escrever esse texto poucos dias atrás um terrível tornado arrasou uma cidadezinha no Texas (que não tem tradição disso), uma terrível tempestade matou não seu quantos na Argentina (que também tem tradição disso)… Enfim, tudo o que eu não quero é passar por um profeta regular, aquele que fala de suas previsões depois dos fatos ocorridos… Mas, péra aí… Será que eu sou charlatão? Lembrem-se que eu falei da bolha brasileira a dois anos atrás… ainda estão na fase de se endividarem até as raízes do cabelo, setor público, privado, misto… Dona Inadimplência só aparece na janela de vez em quando… mas quando vê os secretas de Sofia subornando os Institutos de pesquisa,  a impune corja aliada se preparando para abocanhar prefeituras com ou sem obra de Copa (que vale mais), aí ela volta para dentro correndo e liga para o gerente do banco para ver se consegue mais um empréstimo “aMantegado”… Para conter sua impaciência Dona Inadimplência conjuga o verbo da moda… Eu ufano, tu ufanas, ele ufana… enquanto afana… oops…

Por último, gostaria de alertar sobre um ponto do pensamento humano – sim, até nisso – onde verifiquei com minhas observações que está havendo a presença de intensidade anômala: Na certeza. Portanto, se você ficar com muita certeza que eu estou errado ou certo (a intensidade corta dos dois lados) no fenômeno que aponto, desconfie da intensidade dessa certeza… Mas cuidado, vai que a intensidade bata na sua incerteza, você fica parado em cima do muro…

P.S.: Por que eu não usei o GPS do meu “smart phone” pela primeira vez (detesto essas telas de toque, eu quero um mouse, teclas e botões para viver… que experiência frustrante…) quando me vi perdido? Claro, por que só me lembrei disso agora no final desse texto… De qualquer forma, usei algo que sempre funcionou para todos os gagás, a boca que vai a Roma, aliás estou sendo atual, os smart phones mais modernos melhoraram o já antigo reconhecimento de voz e lhe respondem de forma inacreditável… mas eu duvido que falem melhor que o entregador de pizza que me indicou o caminho de volta… pelo menos ainda.

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Blog Teorias Entrevista o Anônimo Capitão Binary Load (Capt. Bload)

Os piratas do Caribe nos livraram de ver a Inquisição instalada na Espanha se capitalizar de uma forma inimaginável, com consequências terríveis para a evolução da humanidade. Entrevistamos nessa matéria um representante moderno desta secular saga.

Capitão, em meio a essa crise internacional onde já se questiona os próprios fundamentos dos sistemas sócio-econômicos inventados até aqui pela humanidade, somos surpreendidos por diversas tentativas, tanto nos EUA (SOPA e PIPA) quanto na Europa (ACTA) de aumentar os controles dos governos sobre as atividades da Internet. O que o senhor acha disso?

Trata-se de mais uma prova da existência de uma plutocracia globalizada. Essa plutocracia herdeira do governo dos mais fortes fisicamente, dos diversos esquema monárquicos e imperiais e hoje encarapuçados atrás de grandes corporações transacionais aproveita-se de uma crise financeira do absurdo sistema que criaram para, de forma descarada, usar seus empregados e lacaios postos em todos os governos ditos democráticos para passar leis que os pretejam. É como se disséssemos que a propina com que subornam esses miseráveis que ganham a vida enganado a opinião pública ficasse mais em conta. Nossa sorte é que se trata de um segmento plutocrata sem muita importância ou poder político, ou melhor, nesse momento existe mais dinheiro do lado da Internet livre, novas formas econômicas se sobrepuseram aos antigos modelos de faturamento, muito embora estejam tentando defender pilares importantes do sistema que implantaram… O 1% plutocrata vive de mitos implantado na cabeça das pessoas como se fossem valores de fundo religioso, aliás, muitas vezes se confundem com os mesmos.

O senhor se refere a noção de propriedade intelectual?

Sim… Isso tudo por conta dessa invenção que nunca foi debatida de forma aberta. Não fossem tão ineficientes e também só interessados nas benesses do poder os regimes ditos socialistas que houveram teriam promovido grandes debates onde desnudariam os mitos recorrentes do sistema que teoricamente condenariam. Até meados do século IVX a humanidade viveu muito bem obrigado sem “proteções” legais a produção intelectual, que na verdade é um mero reflexo de uma produção coletiva, a cultura onde o indivíduo foi criado… Seria então o caso de todos pagarem um royalty a coletividade por pensarem com dados fornecidos por esta… Quem sabe esse não seria o único imposto de retorno garantido? Na verdade, o problema todo nasce por parte daqueles que não conseguem produzir bem intelectual de qualidade que possa ser remunerado… os intermediários de sempre… A reclamação maior, junto com a burra ganância, vem de oligopólios corporativos, editores, distribuidores, empresários, agentes, marchands, usurpadores e cafetões em geral que exploram quem de fato burila de forma inteligente e criativa os dados que adquire da sociedade que o cerca e captura e edita a luz fornecida pelo Sol, que ainda é e sempre será de todos, tentem o contrário ou não…

Mas esses intermediários são responsáveis pela divulgação em larga escala dos bens culturais para um maior número de pessoas, aumentando assim o acervo a disposição de mais criações intelectuais. Na medida que podem provar sua utilidade não estariam aptos a tentarem legitimamente defender o mecanismo econômico que lhes possibilita a nobre tarefa?

Estão defendendo um modelo de faturamento que só pode ser obtido através da violação de comportamentos naturais do ser humano… Isso chega as raias do místico. Querem nos envolver numa esfera de crenças falsas para defender seu farto ganha pão. O modelo que pretendem dar longevidade foi imposto de cima para e houveram teriam promovido grandes debates onde desnudariamOs argumentos a favor da existência da propriedade intelectual são aparentemente indestrutíveis e tem por base a vontade que todos nós temos de pagarmos nossa cota social com o produtos graciosos e etéreos de nossa individualidade intelectual e criativa… Um sonho de independência desse sistema de merda que foi muito eficiente em maquiar a escravatura e a servidão com empregos sem os quais, na urbanidade, não sobrevivemos. Mas, é falácia afirmar que sem o incentivo pecuniário não produziríamos pensamentos, filosofias, artes em geral e mesmo ciência e tecnologia. Só dou um exemplo: Darwin, autor do livro mais importante produzido até hoje sob o ponto de vista quântico (e reparem que a relatividade é sempre presente também) da racionalidade humana… Esse epistemológico autor nasceu em berço de ouro, seu pai era rico toda vida… Darwin nunca teve que ter um empreguinho burguês para viver com todo o conforto de um homem de posses. O que incentivou Darwin? A morte prematura de sua filha preferida (ele tinha uma penca de filhos…) que o fez ficar mais irritado ainda com aquele mundo que idolatrava um ser inexistente? Ele escreveu seu livro contendo sua descoberta durante dezenas de anos, era praticamente um hobby… Teria sido a vaidade? Quando viu que o pobretão do Wallace, com quem trocava cartas descobrira a mesma coisa e acabaria sendo o primeiro a escrever o livro? Temor de ver sua grande sacada perder-se quando ele se fosse… amor a ciência? Ele tinha plena consciência do que teria que enfrentar na sociedade em que vivia… Era meio gago! Devia ser tímido. Imaginem um gago defendendo a idéia de um possível Adão macaco! Não sei se recebeu direitos autorais por seu livro que, por sinal, teve inúmeras edições revisadas por ele… Seu enfrentamento com o mundo da época foi suavizado pelo fato de interessar ao Império Britânico tocar a sua Revolução Industrial sem os entraves místicos que vinham do continente europeu, sua relativização da influência cultural da igreja romana estava dando mais certo do que nunca, a ciência combinava com as novas tecnologias que surgiam na Revolução Industrial a qual lideravam bem a frente, era necessário uma explicação melhor ou alternativa ao clássico “por que deus quis…”, aquele deus era melhor manipulado por outros do que por sua igreja “anglicanamente” dissidente, de sua cópia pirata.

Mas não seria justo que os produtores de bens intelectuais, sejam quais tenham sido suas motivações, tenham direito a uma remuneração por sua produção? Mesmo considerando-se que as produções intelectuais não deixariam de existir sem a existência de uma remuneração, seria errado supormos que a qualidade das mesmas cairia em função dos custos de uma produção mais sofisticada? ia de uma remunerair sem a existoduns intelectuais  

Platão não recebeu direitos autorais alguns. Mateus, Lucas e João, literalmente, plagiaram descaradamente Marcos e ninguém nunca lembrou disso! Os grandes compositores clássicos nunca viram ou souberam o que significava direitos autorais… e todos viveram de suas habilidades intelectuais… e não é de nossa conta se eles ficaram satisfeitos ou não com o que receberam (diante a curtição de tanta criação eu acho que não estavam nem aí, já tinham a glória de viver do que gostavam de fazer, uma das maiores loterias que uma pessoa pode ganhar na vida), a opção foi deles. O fato é que no atual modelo que definha os intermediários ganham mais do que os produtores de bens intelectuais. Basta pegarmos o exemplo do autores literários que ganham apenas 10% do preço de venda de seus livros.  Com a computação e a Internet sendo parte da vida da maioria das pessoas que consomem bens culturais a necessidade dos intermediários praticamente extinguiu-se… Não é mais necessário imensos parques gráficos, a produção de uma quantidade enorme de papel, depletação da natureza, onerosos estúdios de áudio e vídeo, equipamentos caríssimos, laboratórios de revelação, etc. para que milhões de pessoas possam consumir um bem intelectual, como essa entrevista por exemplo. Ora se há um barateamento de telas e pinceis mais quadros serão pintados, essa é a lógica que deve imperar. Estamos sentados em uma mesa de negociação com lobos famintos que perderam parte de seu  gorduroso ganha pão, quem lhes quebrou a pena não fomos nós  potenciais produtores de bens intelectuais de transformação ou consumidores em geral, foram seus companheiros de ganância, que agora estão lhes apoiando por sofrerem medo das profundas reformas e transformações que terão que vir mais cedo ou mais tarde para salvar essa civilização que no momento encontra-se condenada.

Que outras transformações além de uma revisão do conceito de propriedade intelectual?

Os tais direitos de propriedade intelectual ganham momento quando pegam carona na ideia das patentes que surgem igualmente, de forma organizada internacionalmente, no  século IXV… Uma imposição dos  países líderes da Revolução Industrial e suas respectivas plutocracias, que viram aí uma excelente defesa de sua supremacia e vantagem sobre outros países e suas colônias… Já no século seguinte, Edison, o gênio da lâmpada, foi o primeiro exemplo do que isso acaba dando, do instrumento de tirania que se esconde atrás da inocente ideia de se remunerar pesquisas e ideias criativas… Inventou a cadeira elétrica (mesmo sendo podre de rico) para provar que a corrente alternada (da qual não detinha nenhuma patente), ao contrário da corrente contínua (onde detinha algumas na transmissão e aproveitamento) nos lares seria muito perigoso… Conhecido hiperativo (os tais workholics assim o são, como os chatos em geral…) e usurário, queria eletrificar o país com corrente contínua, mesmo sabendo que seria muito caro e demorado, atrasando o progresso para uma maior número de pessoas… Outras ganâncias o derrubaram de sua pretensão… Sempre estamos sendo salvos pela guerra dos que se acham poderosos e de bandidos lutando por partilhas maiores do fruto da rapina que realizaram. Uma ganância desmedida que bem podemos observar quando os laboratórios e alguns governos em sua defesa tentam impedir que, pela Internet, compre-se remédios de outros países onde esses saem bem mais em conta… Como podem se atrever a exigir ou pretender que seus cidadãos deixem de obter remédios mais baratos?! Que despudorada moral é essa que tenta impedir que alguém busque alivio e salvação da maneira mais fácil que conseguir?! Ter ou não ter dinheiro para comprar um remédio pode significar a vida de uma pessoa! Estaremos ainda na arquibancada do Coliseu… assistindo a nós mesmos na arena sendo perseguidos por leões? E quando se trata de epidemias como a AIDs?! Governos devem respeitar patentes que inviabilizam o tratamento, mesmo tendo como fabricar os remédios por conta própria? Aqui pegamos a coisa…Se podem e continuam vendendo em países onde não ganham tanto, como no Canadá e outros que reagem a altura (a Itália por muito tempo não aceitava patentes sobre medicamentos, não sei agora…) flagramos o fato que se comportam com remédios da mesma forma como se comportariam com bananas em uma feira livre… e a comunidade internacional aceita isso naturalmente, mesmo quando seria de interesse internacional que tivessem um comportamento de respeito a esse interesse que é, teoricamente, mais poderoso do que eles… Seriam os líderes dessa comunidade internacional venais? É ingênuo questionar isso? Não devemos fazer uma resistência a esses abusos que agridem o senso comum das pessoas? Se não houvesse o sistema de patentes  fabricariam e pesquisariam do mesmo jeito, ganhava mais quem vendesse a inovação na frente… e isso funcionou para toda essa indústria que prosperou na franja asiática, incluindo aí Japão e China… que, ao menos, por longos períodos  pouco respeitaram patentes e ficou por isso mesmo… Não houve atraso tecno-científico algum por conta disso, e ainda passaram a produzir e inovar por conta própria. Se uns podem, todos podem. Aposto todas as fichas que haveria mais ciência e tecnologia se não fossem as patentes, haveria um hiperdimensionamento de todos os setores produtivos… Patentes estão impedindo a concorrência e o progresso. Uma invenção que se utiliza em parte de uma patente de uma empresa concorrente que não quer ceder a patente ou quer cobrar muito por seu uso é impedida de lançar a sua inovação… Se duas empresas pesquisam na mesma direção uma determinada inovação, na maioria das vezes a que tiver mais capital chegará primeiro a patente e a um monopólio de mais de 20 anos em alguns casos, fazendo que a outra empresa perca todo o dinheiro investido (e quantas não deixam de iniciar a pesquisa por conta dessa possibilidade?)… Um mundo onde vale a prevalência do capital e aos demais é dada uma loteria a título de oportunidade. Estamos arriscados, por exemplo, que companhias de petróleo descubram ou comprem um substituto para a nociva substância com que trabalham e segurem essa descoberta – por intermédio de patentes – até o ponto que acreditem lhes seja conveniente ou não lhes interfira em sua atual estrutura de lucratividade. Por conta de uma ganância dessa natureza poderemos adquirir uma irreversibilidade de danos à atmosfera… Ganância e patentes podem assim acabar com o mundo… e nosso senso de moral cultural é orientado a achar que eles tem o direito de assim procederem… nos restando a tal loteria…

Muitos falam de uma meritocracia… O que o senhor pensa a respeito?

Bill Gates comprou o DOS por 80.000 dólares, sua idéia inicial era ter um sistema operacional que servisse para o interpretador de linguagem BASIC que desenvolvia na ocasião junto com seus outros dois sócios. Queria apenas vender o pacote inteiro… Considerando-se a época, onde haviam dezenas de sistemas operacionais a disposição – todos eles de função muito parecida – e a fraca penetração domésticas dos microcomputadores, tratava-se de uma idéia modesta ou não muito ambiciosa, sem grandes inovações… A IBM buscava um sistema operacional para o microcomputador que estava fabricando porque achava que deveria dar uma opção as suas famosas máquinas de escrever que dominavam o mercado… e até por uma questão de status industrial já que liderava a computação de grande porte por muitos anos… Seus executivos marcaram um encontro com  um conhecido executivo de uma poderosa softhouse da época que possuía um sistema operacional a venda e quando lá chegaram, o dito cujo não apareceu porque fora pilotar seu avião particular de recreação… Souberam então da iniciante Microsoft  e propuseram o acordo de pré-instalarem tanto o DOS como o BASIC da empresa em todos os seus PCs… Para uma firma iniciante, uma verdadeira loteria… Todavia, a sorte não foi só essa… A IBM, até por força de sua imensa tecnologia e vastos recursos, estava também inovando a arquitetura das placas-mães e utilizando um novo processador de outra companhia que ainda engatinhava, a Intel… e, por descaso de seus diretores e funcionários, esqueceu-se de patentear a nova arquitetura… Foi então copiada por todos os existentes e futuros fabricantes de microcomputadores… Como o único sistema operacional já adaptado para trabalhar com as instruções da Intel era o DOS da Microsoft… Esse sistema tornou-se praticamente universal, fora do mundo restrito dos caros micros da Apple… E depois disso a Microsoft ainda teve uma histórica briga de anos com a Apple (que só se recuperou, anos depois, ao fabricar gadgets MP3, aproveitando-se do mercado formado pelos downloads tidos como ilegais… essa que é a verdade…) pelo fato da primeira ter se aproveitado da ideia da interface gráfica introduzida pela última… Mesmo tendo sido pirateadontroduzida pela r se aproveitado da ideia da interface graticamente universal, fora do mundo restrito dos caros micros daacas-mando a arquitetura da ando a sorte nssuia um sistema operacional a venda em todo o mundo Gates se tornou em determinado momento o homem mais rico do planeta e hoje é o segundo mais rico porque foi tratar de fazer filantropia… Reconhece plenamente a sorte que teve, nesse ponto é bastante sensato. Como seu mérito de nada valeria caso não tivesse sorte… Nosso mérito primordial foi ter nadado mais rápido quando éramos apenas um espermatozóide e mesmo assim esse mérito era de “outro” que deixamos de ser quando nos unimos ao óvulo de nossas mães… Okay, um mérito parcial, o verdadeiro… O resto é um compendio de acasos, deveríamos estar preocupados é com a construção de uma sociedade que equalizasse esses acasos randômicos, uma sociedade mais lógica e racional do interesse da maioria, mais preocupado com quem não não ganhasse a loteria de acasos. bsse esses acab com contratos particulares entre eles….motivadas a produzir Será que é o caso de falarmos de meritocracia para só nos preocuparmos com os sortudos? Se ao invés de 60 bi tivesse 60 mi, faria alguma diferença para Gates? Pergunto isso porque o desmiolado sonho lotérico das pessoas que sonham em ficar ricas é o que no fundo permite essas transloucadas estruturas legais e civilizatórias. Eles convencem as pessoas que suas chances são muito além das chances reais. Todos querem se enganar, haja visto o próprio fenômeno religioso.

Seria possível o senhor falar mais dessas “transloucadas estruturas legais”?

Ainda no mundo analógico, com as fotocopiadoras e gravadores magnéticos essa gente já começou a se assanhar… causando loucuras legais e jurídicas… Caramba, se eu paguei pelo livro, se ele está na biblioteca pública para ser lido por quem quiser… porque eu não posso fotocopiá-lo? Na verdade estariam dizendo que eu não posso emprestá-lo, o que nos remete a um ridículo maior ainda… fotocopiá-lo as escondidas… nos habituando em quebrar leis absurdas, a nosso critério individual… A música toca no radio e eu não posso gravá-la e reproduzí-la em uma festa?! Que diabos de mundo é esse cheio de donos do ar?! Por que não prenderam o fabricante dos gravadores então? Bom… fico supondo que eles não tem poder para isso, porque tem um cachorro grande do outro lado dessa cerca… Só lhes resta vir para cima da gente subornando a canalha da representatividade pública e que às vezes é considerada “democrática”… Mas, o que pagava a estação de rádio, que, apesar de conivente da exploração do ar onde se propagam as ondas sonoras, pagava direitos autorais pelas músicas que tocava? Publicidade… Hummm sei… Voltarei a isso mais adiante se tiver oportunidade… Entretanto, tenho que lembrar que o ridículo da lei alcançou até botequins que tinham alguma música tocando… mesmo que fosse um radinho de pilha vagabundo ligado no fundo do estabelecimento… Será que aquelas musiquinhas de elevador ou de espera telefônica também teriam que pagar? Claro que a maioria nunca pagou nada, como tantas outras leis fajutas e financiadas por grupos econômicos específicos, não foram respeitadas quando possível. O grande malefício no entanto é a noção autoritária de que o estado trabalha para quem paga menos, porque nós pagamos muito mais ao estado do que gravadoras musicais… Temos aí o finger print de ladrões que se disfarçam de legisladores, o que faz aumentar a nossa sensação de impotência… Aí veio o mundo digital… Por que venderam leitores de disquetes capazes de gravar em todas as trilhas? Bastaria só os produtores de software terem acesso a gravação da ultima trilha que a cabeça de leitura do mercado doméstico poderia ler mas não gravar… Absolutamente factível a partir de um firmware inatingível para a maioria dos usuários… Seria penoso explicar agora os detalhes técnicos da pergunta que fiz, o importante é que as pessoas saibam que a pirataria de programas de computador, em seu início (hoje nada disso faz mais sentido tecnológico claro está), teria sido possível evitar… Eles não são competentes, não são unidos, mas querem nos pedir sempre o impossível, algo como deixar de comprar remédios mais baratos ou gravar a música que queremos escutar varias vezes seguidas ou compartilhar. A etérea propriedade intelectual que o estado, através de um autarquia ou cartório qualquer, lhes concede usurpando emprestado nossos olhos e ouvidos (pois são nossos sentidos que faz a tal propriedade intelectual ter algum valor) sem que sejamos formalmente consultados…

Houve um tempo que a Microsoft vendia o DOS e depois o WIndows no Brasil por US$ 300.00 enquanto nos EUA por US$ 100.00… Impostos para pagar o inchaço do serviço público com apadrinhados? Sim. Explicaria em parte… mas falamos de um bem imaterial, não existem muitos custos de insumos físicos associados a sua produção em massa…poderiam compensar imaginando o menor poder aquisitivo das companhias brasileiras (o particular sempre pirateou), venderiam muito mais…Burrice? Talvez… Vontade de ser pirateado? Parece.

No caso do software é quase que uma unanimidade que existe um esforço de desenvolvimento que merece ou tem que ser remunerado para que as pessoas se vejam motivadas a continuar produzindo-os. Inclusive muitos são verdadeiras ferramentas de trabalho os quais necessitam atualização constante… O senhor defende que não haja um proteção para sua comercialização?

Sua afirmação é uma meia verdade e basta ligar a Internet para verificarmos que 95% do que as pessoas necessitam usar em termos de software já é ofertado gratuitamente. Os grandes desenvolvedores de software ganham mais dinheiro com o mundo corporativo do que com o mundo doméstico. O grosso da renda da Microsoft, por exemplo, vem do licenciamento do Windows para fabricantes de PC… Como esses softwares todos dependem de atualizações, poderiam manter praticamente o mesmo esquema com contratos particulares entre eles… Mas vejamos outras alternativas… Os ad-ons, esses pequenos programas que podem ser executados nos smartphones são dados de graça em troca do usuário se sujeitar a uma propaganda ocasional ou na abertura do programa… Para serem confeccionados dão o mesmo trabalho que o software de antigamente. Quem tiver um bom programa desses alavancará para o almejado ócio da desobrigação de trabalhar para sempre. Por que essa fórmula nunca foi usada antes nos programas convencionais para computadores? Por que até hoje não há um anti-vírus ou um firewall que seja distribuído gratuitamente trazendo em seu splash screen uma marca qualquer? Preferem dar uma instalação chantagista que depois do período de alguns dias ficará pedindo que o usuário pague alguma coisa… Como se trata de um pseudo protetor muitos ficam intimidados… Essa falta de esperteza comercial, além de bandida é burra. Se querem cobrar por seus softwares tem que se contentarem com as proteções técnicas que conseguirem (e hoje elas são imensas) e entenderem que a melhor proteção são preços baixos… Mas preferiram se valer da lógica venal e espoliativa do sistema, pagarem legisladores para criar leis as quais a maioria não respeitaria e isso danifica as outras leis que são racionais e devem ser fiscalizadas.

As produtoras musicais já vendem a preços baixos suas músicas ofertadas online, sem o tradicional meio físico. No entanto ainda reclamam de violações.

Então veio o MP3 junto com o download pela internet e os caras piraram (até hoje…) de vez, mesmo tendo encontrado formas alternativas de faturamento (iTunes da vida) reconhecendo que o modelo anterior (por acaso, poluição a parte, houve algum malefício para humanidade que os fabricantes de locomotivas de vapor d’água perdessem seu respectivo mercado quando inventaram os motores a combustão? Não.) havia fracassado? Contudo, ainda possuem força para subornar legisladores e “ortoridades” mundo afora… Se eu colocar uma música qualquer no background de uma produção de vídeo caseira e fazer o upload para o YouTube um sistema identificará a música e me avisará que estarei sujeito a ter que retirar a coisa do ar… Como eu disse… piraram… perderam a noção… Não se incomodam mais em serem identificados como mesquinhos…

Tudo indica que as produtoras musicais encontraram agora um aliado de peso em Hollywood com o aumento da oferta de downloads de produções cinematográficas.

Chegando já em nossos dias o problema agora são os filmes… Mas me digam, quem é que vai perder tempo de ficar baixando filmes quando eles estão sendo dados praticamente de graça por diversos tipos de mídia diferente? Ah okay, querem explorar os mercadinhos do terceiro mundo onde a maioria das crianças não possui um Playsation ligado na Internet… O DOS a trezentos dólares novamente… Mas não é isso… Os melhores filmes da minha vida eu vi na TV preto-e-branco na minha tenra infância… Não que o Rin-Tin-Tin (o toque de ataque da cavalaria americana ecoa em minha cachola até hoje… pqp… e só recentemente passei a sentir pena dos índios…) fosse um grande enlatado… Sabores e coloridos da infância fazem qualquer porcaria parecer uma maravilha, ou melhor, a maravilha é a novidade… e tudo é novo para uma criança, logo… O que pagava o meu Rin-Tin-Tin? Publicidade (muitas vezes feita ao vivo, já que o video-tape veio depois…). Não temos que nos preocupar com a qualidade artística que supostamente cairia ou definharia por falta de incentivo financeiro… Ir ao cinema ver o filme comendo pipoca é insubstituível como passeio ou atração, as bilheterias pagam toda e qualquer produção milionária, qualquer automóvel que apareça nas mãos do 007 vai vender muito e isso é publicidade que paga a produção… Até peças teatrais que são irreproduzíveis em sua oferta 4D obtém patrocínio… Venda de DVDs, televisão via satélite ou pelo cabo, tudo que alegam ser afetado pela pirataria podem e são pagas pela publicidade, exatamente como era na minha infância ou é na TV aberta… Por outro lado, com a atual tecnologia computadorizada as produções caíram muito de preço… O que anunciam ter gasto nas produções é também propaganda mentirosa e visa criar atratividade, o que sai caro é promover, mas acaba sendo proporcional, até porque a Internet e, especificamente, o Google, que também vive de publicidade, oferece meios gratuitos de publicidade, como o YouTube… Tudo pode ser pago ou amortizado com publicidade, o problema é a ganância dessa gente e a qualidade dos homens públicos de todo o mundo que, está na cara, buscam a vida dita pública com segundas intenções, só não vê isso quem não quer… as exceções são raras e me sinto um otimista por admiti-las sem prova alguma de sua existência.

Temos homens públicos falando em defesa de empregos das indústrias afetadas…

O pior pretexto é a história dos empregos que essas indústrias de bens culturais estariam deixando de criar em função da pirataria… Basta um exemplo: Artistas musicais ao não venderem mais CDs como antigamente (e muitos ganhavam tanto que até deixaram de compor…) se viram obrigados a fazer mais shows, onde muitos músicos são empregados, assim como todos aqueles que trabalham na montagem da coisa… Tenho certeza que esse movimento em direção do show ao vivo (que será irreproduzível até inventarem o 5D de imersão total…) gera mais empregos que toda a indústria fonográfica que nunca pensou duas vezes antes de ceifar empregos em suas empresas a cada inovação tecnológica em sua linha de produção. O problema dos empregos está na base do sistema e se ele um dia desmoronar será por conta disso. O sistema pretende o impossível! Montaram estrutura que depende de empregos, não controla natalidade nem a aplicação de tecnologia (que em última análise só faz ceifar empregos, muito embora, irresistivelmente, feito um doce veneno, melhora a vida das pessoas e nos dá sentido quando acena para a longevidade humana…) e não garante a existência de empregos a disposição… Sendo que o único instrumento de manter-se funcionando é com o crescimento de consumo em um planeta com recursos finitos e que sofre de um processo de aquecimento atmosférico… A Terra urgentemente tem que mudar de nome para Kripton…

Se o problema é a ganância que corrompe os políticos e os intermediários corporativos e os empregos perdidos, nesse caso, encontram substituto… Será que não sobra a vontade política de censurar em função dos riscos de convulsão política  que a crise mundial atrai?

Claro que ela existe, mas qualquer desses espantalhos espancados feito Judas pelos comentários de toda a Internet compreenderá que a censura é um tiro no pé… Se eu tivesse juntado todas as ofensas e acusações a tipos execráveis como José Sarney no Brasil, Berlusconi na Itália, Chavez na Venezuela, Bush nos EUA e tantos outros que já li na Internet, daria um post maior do que essa entrevista que você está fazendo e, no entanto, nenhum deles foi preso, fuzilado, muitos retornarão a ter cargos importantes ou ainda estão no poder… Em outras palavras, o poder político da Internet é muito reduzido, quem a usa tende a usar mais o intelecto do que ações físicas… O avanço do ateísmo foi muito pequeno, apesar da Internet ser uma oportunidade única para ateus exporem o ridículo do pensamento religioso. Na China, censurar o Google não está adiantando nada, está valorizando todas as informações contra o regime, todos os boatos são automaticamente aceitos como verdadeiros, só porque se sabe que é contra a natureza do regime… A Internet, por outro lado, pode ser aliada de quem pensou em censurar… O conto do garotinho que vivia chamando os caçadores por conta do lobo inexistente é basilar para o entendimento dessa indignação que não se reflete nas mudanças dos desígnios políticos do dia a dia… Quando o lobo aparece de verdade, depois de tantas teorias conspiratórias, nenhum caçador corre para salvar o tal garotinho… São muitas torcidas organizadas ou dispersas, nenhuma faz verão… O uso da internet na Primavera Árabe foi como meio de comunicação para marcar encontros e reuniões, não como meio de convencimento, ninguém fez a cabeça de ninguém em um mundo onde todos são religiosos de uma maneira ou de outra como lá o são… Prova que a oposição que aponta como vencedora representa o atraso religioso. Darwin explicou o grande mistério até aquele momento da história e mesmo assim a maioria da população planetária ainda usa de fantasias místicas para se aliviar da sapiência da inevitabilidade da morte. No campo do segredo militar eu mando a fórmula da bomba de hélio escondida nos pixeis de uma foto jpg de um álbum de família… Censurar o quê? Quando é mais negócio fazer o toque da cavalaria americana tocar a vida inteira na cabeça das pessoas que assistiram o Rin-Tin-Tin…

Todos se queixam que os movimentos políticos que surgiram com a atual crise nas principais economias não apresentaram nenhuma proposta concreta para a reforma do sistema capitalista implantado no planeta.  O senhor estaria em sintonia com essa falta de pragmatismo e demonstração que as ideologias tradicionalmente de oposição não encantam mais como antigamente… ou teria algo a propor em contra-oposição as iniciativas de se restringir o uso da Internet?  

 O acidente mutacional que nos possibilitou a capacidade de pensar criou dois problemas. O primeiro deles é a capacidade de pensar só encontra sentido lógico se não tiver limites como a morte, e o nosso corpo é programado geneticamente para envelhecer e morrer. O segundo problema é quanto ao fato de não termos dons inatos em relação a coletividade, o que significa que as sociedades humanas podem assumir diversos formatos sem que haja uma contra-prova que uma determinada formação seja a correta. Demos uma meia-sola na questão da mortalidade imaginando espíritos etéreos e deuses e com eles formamos diversas sociedades diferentes. Eu acredito que o rumo mais plausível para um possível objetivo humano não estamos deixando de perseguir, que é artificialmente acabar com o problema da longevidade limitada ou programada geneticamente para acontecer… Muita coisa tem que ser arrumada para isso se dar e nos compete individualmente corrigir as estruturas que nos permitirão alcançar esse objetivo. A promessa é que com ele conquistado, tenhamos tempo para encontrarmos um tipo de sociedade que se adapte as condições do fato de sermos pensantes e termos noção de nossa individualidade e dependência da coletividade… Isso a princípio. Sendo prático tenho propostas sim, principalmente nessa questão que foi o tema central dessa entrevista. Proponho a redução dos tempos de proteção tanto do que se convencionou chamar de propriedade intelectual quanto das propriedade industriais, além de permitir seu uso sem restrição temporal em conjunto com outras obras e inovações. Apenas dois anos de proteção para obras artísticas e 3 anos para patentes tecnológicas. Todavia deixo de forma intacta a proteção para as marcas industriais e comerciais pois nelas está uma proteção que também se estende aos direitos do consumidor em relação a qualidade do produto e sua correta identificação.

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Inteligência: 60% Sorte 40% Acaso

Nesse artigo da Folha cientistas chegam a conclusão que a inteligência humana é fruto de 60% de aspectos circunstanciais e 40% genéticos.

Eu afirmaria, sem muito medo de errar, que a capacidade de aprender (processar e armazenar de forma eficiente, com acesso rápido) é genética, é o hardware. O software, os 60% restantes, é circunstancial… e aí é que mora as possíveis injustiças/justiças sociais, a igualdade de oportunidades e acesso a boa educação formal e familiar. Quer dizer, a nossa inteligência está sujeita a duas hereditariedades acidentais (as quais não temos o menor controle, já que até chegar a fase adulta, uma pessoa tem muito pouca condição de interferir na qualidade de  sua educação doméstica).

Dizem que a nomenclatura nos países que experimentaram o que se convencionou chamar de socialismo real se formava de forma espontânea, os filhos dos médicos, professores, engenheiros, cientistas em geral, mesmo tendo sistema educacional formalmente igual (isso deve ter sido falcatruado ao longo do tempo…) aos filhos dos operários e trabalhadores braçais, tinham desempenho muito melhor e tendiam a ocupar as posições sociais de destaque. Seu posto na nomenclatura era garantido pela vantagem de uma educação doméstica de melhor qualidade que adquiria até mesmo por osmose ambiental, mesmo que não houvesse um nepotismo nomenclatural (claro que também ocorria), digamos assim. A única alternativa para que isso não ocorresse (numa tentativa radical de dar um ponto de partida igual a todos, acabando ou diminuindo a acidentalidade que incide nos 60% circunstanciais da inteligência) era separar os filhos de seus pais e criá-los em colégios internos (inviável né?)…

Já os nazistas pensavam o inverso, em garantir a qualidade genética responsável pelos 40% de inteligência… Será que não encontramos nessa balança de extremos opostos de tentativas (em meio as cobiças de poder, evidentemente…) a razão profunda e científica desse antagonismo de extremos ideológicos? A extrema esquerda querendo dar um jeito nos 60% social e a extrema direita querendo dar um jeito nos 40% biológico. O extremo-centrista iria tentar as duas coisa, poderíamos imaginar… Todos aqueles com DNA aprovado iriam para o colégio interno, o resto… bem o resto…

O fato é que seleção genética (e vale lembrar que os cientistas nazistas conheciam a hereditariedade genética mendeliana, mas não a sua confirmação com a descoberta do DNA… e suas consequências práticas… o “ariano” bem poderia ser outro para seu desencanto…) ou escola boa (aquela que fomenta a vontade de aprender e a criatividade) para todos levam, todas duas vertentes ou tentativas, a um mundo impossível, sem que hajam antes robots para pegar no pesado… Um mundo só de doutores, cientístas e/ou intelectuais seria um mundo de sofrimento, pelo menos nos rodízios obrigatórios para a cata do lixo alheio… 😉 Temos que chegar nos robots primeiro, do jeito que der, e conseguir a imortalidade, porque a inteligencia pode ser eterna e é montada em um corpo nada eterno, pelo menos por enquanto…

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Refletindo Sobre…

O artigo encontrado nesse link traça uma paralelo entre o ano de 1932 com o nosso atual ano. A comparação histórica é muito interessante e nos relembra que a crise de 1929 levou anos para se dissipar (há quem diga que ela só tenha findado após a WWII) o que preocupa quando pensamos que a crise de nossa geração ocorreu em 2008.

A grande diferença que eu vejo é que no início de 32 – aproveitando o bem sacado paralelismo que o autor traça – havia muita coisa para se acreditar, muita experiência a ser realizada, pouca informação circulante e esta sendo obtida de forma totalmente diversa da que obtemos hoje… Hitler entrou no pré-existente partido Nacional-Socialista porque passava na rua em Munique e escutou um vozerio vindo de dentro de um prédio onde membros daquele ainda incipiente partido estavam a discursar… Entrou e começou a berrar mais alto, simples assim… Okay, pensando na Europa, os imigrantes do Norte da África e alhures podem muito bem substituir os judeus de então em termos de bode-expiatórios, são até mais fáceis de se rejeitar em função de grandes diferenças étnicas e culturais, mas hoje seriam inadmissíveis, ridículos ou risíveis discursos e agendas partidárias de caráter eminentemente racista… O que quero dizer é que hoje temos uma série de dispositivos no senso comum social da maioria contra esses e outros tipos de radicalismo, não significando que o radicalismo ainda não persista, claro… Conheço diversos que acusam diretamente os judeus pelos problemas financeiros, já que em análise rasa – segundo o senso comum não oficial ou reconhecido academicamente – ainda seriam os donos dos bancos ou os 80% dos tais 1%, pelo menos nos EUA. Diriam até que por serem também donos dos meios de comunicação, não tomamos conhecimento dessas acusações… Entretanto, esse tipo de discurso do ódio ou da explicação mítica e fácil não tem como evoluir, tudo isso já foi explorado, assim como as experiências ditas socialistas, comunais, budistas, indigenistas and so on…

A expectativa de 1932 era de um homem de 32 ainda cheio de garra e com reais possibilidades de experimentar algo diferente. Não havia visto uma única imagem descente da WWI, ela ainda fora uma guerra de trincheiras e de poucos metros de filme do saltitante cinema mudo, travada nos campos verdejantes da Europa, não havia um trauma estabelecido e ninguém fazia ideia do que seria uma bomba atômica, o medo era combatido com uma máscara anti-gás… Todos os filmes eram novidade… Hoje a maioria são remakes de velhos temas e alguém na Internet já contou o final do filme… Muita informação causa tanta ou mais confusão do que pouca informação. Da juventude – ou de “operários jovens”, como preferem os dinossauros que não compreenderam que operários e proletários hoje são apenas vítimas da próxima automação – é onde saem os revolucionários e as guerras. Com a vida online os jovens de hoje nunca conviveram tanto com a última geração a qual sucedem… Muitas vezes convivem sem saber… Homens com a visão cansada, feito pedófilos do saber se escondem atrás de um amarelecido teclado… São eles que contam o final do filme e furam o balão dos tolos… Os mitos morreram (ainda bem) e são apenas bonecos de marionete imitando o bicho papão…

Um desempregado há quase 3 anos outro dia deu uma chave importante para entendermos o momento que o mundo tem pela frente em 2012… Dizia ele que apesar de todas as privações de consumo e humilhações domésticas derivadas de viver as custas do trabalho da esposa, das ajudas familiares, de bicos incertos aqui e ali, dos riscos sociais e das contas as quais não tinha mais como enfrentar, nunca fora tão feliz em sua vida, nunca sentira-se tão integro e senhor de si mesmo. Não era apenas a segurança advinda do fato de não ter nada a perder, pois sempre há algo a se perder, ou não ter que estar sob as ordens de um patrão ou chefe cuja única competência fora ter estado no lugar certo na hora certa em algum ponto passado ou presente, pois há patrões e chefes competentes e merecedores do comando temporário que possuem… Sua felicidade vinha do fato de ter agora certeza que o sistema é e sempre foi falho e que sobre ele não reside então nenhuma culpa ou obrigação. Sem esse peso sua vida ficou, de alguma maneira melhor. Esse homem não vai à guerra, só se vai à guerra quando se acredita em um determinado sistema e se luta para defendê-lo ou para obtê-lo. Não há nada digno de ser mantido ou obtido, o momento é de busca de uma esperança que seja nova… totalmente nova.

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